05 março 2006

Amigo de Quem?





Em nossos dias as pessoas são avaliadas por sua capacidade de consumo. Somos ensinados que a posse de bens é uma marca de identidade e respeito. Você é alguém digno de ser respeitado na proporção de suas posses. Esse ensino não é ostensivo, mas chega velado por todos os meios de comunicação.

O lugar onde você mora, o tênis que você calça, a roupa que você veste, o carro que você dirige, o salário que você ganha, a TV que você tem, o celular que você usa são símbolos que podem torná-lo digno de respeito e admiração pelas pessoas que lhe conhecem.

O caráter foi substituído pelo carisma, a honestidade pela esperteza, a sinceridade pela desfaçatez, o altruísmo pelo egoísmo, a misericórdia pela pelo senso e utilidade, a doação de si mesmo pela exploração do outro.

Vivemos dias em que o homem elegeu-se a si mesmo como a razão da existência do universo e considera seu próprio prazer, sua satisfação e realização pessoais como o objetivo máximo da vida. Vivemos em função e nós mesmos.

Provavelmente foi o Tiago irmão de Jesus que escreveu o texto que vou ler agora. A passagem se encontra no livro de mesmo nome, capítulo 4 versos de 1 a 4. Vou ler o texto na versão da Bíblia Viva.


O que está causando as discussões e as lutas entre vocês? Não é porque existe um exército inteiro de maus desejos dentro de vocês? Vocês querem o que não possuem, a tal ponto que matam para consegui-lo. Desejam o que os outros têm, e não podem adquirir, portanto começam a lutar para tomar deles. E contudo, a razão pela qual vocês não têm o que desejam é que não pedem a Deus. E mesmo quando pedem, não recebem, porque o objetivo de vocês está todo errado – vocês só querem o que dará prazer a vocês.

Vocês são semelhantes a uma esposa infiel que ama os inimigos do marido. Vocês não percebem que fazer amigos entre os inimigos de Deus – prazeres pecaminosos deste mundo – torna vocês inimigos de Deus? Eu volto a dizer que se o objetivo de vocês é desfrutar o prazer pecaminoso do mundo perdido, vocês não podem ser também amigos de Deus.
Hoje eu quero lhe conduzir a compreensão de que não é possível, ao mesmo tempo, ser amigo de Deus e amigo do mundo. Meu desejo hoje é explicar porque aqueles que decidem ser amigos de Deus tornam-se inimigos do Mundo, e aqueles que decidem ser amigos do mundo tornam-se inimigos de Deus.


Para começarmos nossa caminhada, precisamos entender que o Deus criador de todas as coisas tem valores que ele considera inegociavelmente apropriados para sua criação. Deus tem apresentado no decorrer da história do homem um jeito de viver que está alinhado com o próprio caráter Dele. Esse jeito de viver está apoiado na confiança em um Deus justo, poderoso, santo e bom. Deus afirma que Ele mesmo é a garantia de que tudo vai dar certo. É apenas ele e a Sua palavra.

Foi assim com Adão, Noé, Jó, Abraão, Isac, Jacó, José, Moisés, Josué, Raabe, Gideão, Rute, Davi, Salomão, Isaías, Jeremias, Elias, Eliseu, Pedro, a Mulher Samaritana, Paulo, João, Estevão e tantos outros homens e mulheres. Deus os convidou a confiar em meio às lutas e dificuldades da vida, a confiar a despeito do que viam e também do que não viam; confiar mesmo diante dos exércitos inimigos, da velhice estéril, da prisão, da perseguição, da imensidão do mar, do poder do imperador, da incredulidade do povo e das fragilidades de cada um. Olhar a vida com os olhos de Deus e ver um grande empreendimento com o objetivo ensinar a confiar.

Jesus resume esses valores de Deus em dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. O apóstolo Paulo diz que ao vivermos vidas alinhadas com os valores de Deus, eles se mostram como um fruto de muitos gomos. Nós mesmos não podemos produzir esse fruto, isto é, essa maneira de viver que agrada a Deus só se torna realidade quando o Espírito de Deus tem a liberdade de conduzir nossas vidas e decisões.

A partir do verso 22 do capítulo 5 de Gálatas, temos o seguinte:

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
São palavras bonitas, mas não adianta você apenas achar bonito. Isso não vai gerar em você o Fruto do Espírito. Não adiante se sua mãe, seu pai, sua irmã, seu amigo, seu patrão, seu pastor ou qualquer outra pessoa vive uma vida que agrada a Deus. Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio só serão realidade em sua vida quando o Espírito Santo de Deus tiver carta branca para transformar sua você.

Outra questão importante nesse primeiro momento compreender o que é o Mundo sobre o qual estamos falando. Que Mundo é esse que nossa associação ele nos torna inimigos de Deus? Esse Mundo é um sistema de valores, de crenças, uma maneira de enxergar a vida que se opõe aos valores de Deus.

O mundo não é o planeta, também não estamos falando das pessoas. Estamos falando de um sistema de valores que tem como princípio a crença de que “Se há um Deus, ele não é confiável”. Essa maneira de ver a vida considera que cada um deve procurar se proteger como puder. E melhor cada um se garantir, porque afinal de contas o futuro pertence a Deus e Deus não merece confiança.

Foi essa a linha de argumentação da serpente na conversa que teve com Eva no jardim do Éden. A serpente olhou para a mulher e falou mais ou menos o seguinte: Deus disse pra não comer do fruto?... E você confia nele?... Você boba e ingênua, Eva. Deus está com medo de que vocês se tornem iguais a Ele. A desconfiança de Deus é a base do sistema mundano em que vivemos.

Esse sistema de valores que a bíblia chama de Mundo não age de forma isolada. Ele encontra eco em nossa própria natureza rebelde. A Bíblia chama essa natureza e Carne. Quando a Bíblia fala de carne ela não está falando apenas de apetite sexual descontrolado, mas da nossa tendência de nos rebelarmos contra Deus.

O mundo e a carne se opõem à maneira como Deus vê a vida. O Mundo e a Carne são inimigos de Deus, por isso não é possível ser amigo do Mundo e de Deus ao mesmo tempo; por isso não é possível satisfazer nossa natureza rebelde, que desconfia de Deus, e ao mesmo tempo satisfazer a vontade do Espírito de Deus, que nos leva a confiar em Deus.

Veja o que diz a palavra de Deus em Romanos 8:5-8 (BV)

Aqueles que se deixam controlar por sua natureza inferior vivem tão somente para agradar a si próprios; mas aqueles que seguem o Espírito Santo, constatam que fazem as coisas que agradam a Deus. Seguir o Espírito Santo conduz à vida e à paz, mas seguir a velha natureza leva à morte, porque a velha natureza pecaminosa dentro de nós está contra Deus. Ela nunca obedeceu às leis divinas e nunca o fará. E por essa razão que nunca podem agradar a Deus aqueles que ainda estão sob o controle de sua própria natureza pecaminosa, inclinados a seguir seus antigos desejos malignos.

Ouça o que Deus deixou registrado para os nossos irmãos do passado na região da Galácia, pra onde o apóstolo Paulo escreveu uma carta. Gálatas 5: 16-18 (NVI)

Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, e modo que vocês não fazem o que desejam. Mas se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da Lei.

O resultado dessa aliança entre o Mundo e a nossa natureza rebelde é descrito pelo Apóstolo Paulo como Obras da Carne.

Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. (Gálatas 5:19-21 - NVI)
Volte comigo ao capitulo 4 da carta de Tiago e veja que ele reconhece que há uma luta entre a maneira como Deus vê a vida e a maneira como a vida é apresentada por esse sistema de valores que é contra Deus. Há guerras dentro de nós e entre nós.



Dentro de nós há uma guerra de desejos. Ora queremos construir a vida com nossas próprias mãos, fazer por onde e sermos reconhecidos por nosso valor, ora queremos confiar em Deus, declará-lo como o único digno de reconhecimento e nos entregarmos aos seus cuidados. Mas como é difícil confiar!

Há guerras também entre nós. Cada um é levado por esse sistema de valores mundano a pensar apenas em si mesmo. Temos sido treinados a ser insensíveis ao sofrimento e à dor alheios. Vemos e ouvimos crianças famintas, pessoas exploradas, famílias despedaçadas, ira, angústia, solidão... Mas nosso coração endurecido só consegue pensar em si mesmo.

Tiago diz que essa luta dentro de nós e entre nós vem à tona através da cobiça. O desejo obsessivo por algo ao ponto de fazer o que for preciso para obter o que se deseja. Tiago diz que cobiçar é dizer não aos valores de Deus, porque a cobiça nasce da nossa falta de confiança no suprimento que vem de Deus.

Há uma insegurança latente e permanente em nossas almas. Temos medo. A vida, a morte, a doença, o desemprego, o abandono, a vida sem propósito, a dor do sofrimento, o choro da angústia, a falta de consideração, a solidão, a velhice, a pobreza, tudo nos amedronta. Por isso cobiçamos o que não temos. Comprar, possuir coisas e pessoas aparentemente nos coloca no controle da vida, nos torna menos inseguros por um momento. Isso não é segredo para os especialistas em marketing e propaganda, que brincam todos os dias com a fragilidade e a insegurança humanas. Essa é a lógica de um sistema de valores no qual Deus não merece confiança.


De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. (Tiago 4:1-3 - RA)
Há algo que me chamou muito a atenção nesse texto: Por que alguém que tem livre acesso ao Deus criador e todas as coisas passaria por privações sem pedir a Ele aquilo de que necessita? Veja o que a Palavra de Deus está dizendo: vocês não têm porque não pedem. Jesus disse: pedi e dar-se-vos-á! Porque não pedimos? Não pedimos porque não confiamos! Preferimos conseguir pelo nosso esforço próprio a correr o risco de receber um não de Deus.

Jesus disse: Tudo que pedirdes em meu nome, crendo, recebereis. Porque não pedimos? Não pedimos pela nossa falta de confiança na perfeita vontade de Deus, assim preferimos cobiçar, matar e invejar, lutar e fazer guerras... Parece que a voz da serpente ainda ecoa em nossas mentes dizendo que certamente não morremos.

Mas você pode ser daquele tipo que na verdade pede sim, pede todos os dias e pede muito, mas não tem recebido. Para todos os que pedem, Tiago revela uma das falhas em nossas orações e clamores diante de Deus: pedimos para esbanjar em nossos prazeres. A questão não é só pedir, mas pedir em nome de Jesus, pedir de acordo com a vontade do Pai, pedir não para você se sentir mais seguro e protegido, mas em atitude de submissão à vontade de Deus. Pedir assim só é possível se você confiar na boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

Meus irmãos a Palavra de Deus não poderia ser mais explícita. Lembra da estória que contei no começo, da prostituta que se tornou sócia do seu cafetão, traindo o esposo que a tinha resgatado dessa maneira de viver? Tiago diz que parecemos com essa prostituta quando decidimos ser amigos do mundo. Tornar-se amigo do mundo é compartilhar dos valores que nos afastam da confiança em Deus. Esses valores nos levam à cobiça, à inveja, às lutas e guerras para obter o que ainda não temos, a qualquer preço.

Precisamos decidir todos os dias de quem queremos ser amigos. O sistema de valores do mundo é atrativo e tem promessas de sucesso certo; Já os valores do Reino prometem um sucesso diferente: o caráter de Cristo aperfeiçoado em nós. É por isso que o Espírito de Deus anseia por você com terno ciúme. É o Espírito que através da Palavra nos apresenta o caminho para nos tornarmos amigos de Deus. (Tiago 4:7-10 RA)

Primeiro – Sujeite-se a Deus. Para ser amigo de Deus, tudo começa com um exercício de confiança irrestrita Nele. Submeta-se com confiança a Deus;

Segundo – Resista ao Diabo. Mesmo depois da decisão e sujeitar-se a Deus você será assediado pelo Diabo, que usa o sistema de valores mundanos para provocar sua natureza rebelde. Resista e ele fugirá! É a promessa da Palavra;

Terceiro – Chegue-se a Deus. Não há amizade sem proximidade. Você precisa conhecer a Deus para confiar nele. Nem Deus espera uma confiança cega. A confiança nasce do conhecimento, da intimidade com Deus. Quando nos chegamos a Ele, Ele se achega a nós;

Quarto – Purifique suas Mãos. Deus é santo e pede pureza de nos. Essa pureza tem a marca da integridade. Deus lhe quer por inteiro, não uma parte de você; Deus quer toda a sua vida, não apenas algumas horas por semana; Deus quer todas as áreas da sua vida, não apenas alguns assuntos. O Senhor lhe quer por inteiro.

Quinto – Afligi-vos, lamentai e chorai. Pra ser amigo de Deus é preciso enxergar-se a si mesmo de forma verdadeira. É preciso haver lágrimas pelos erros cometidos, arrependimento e aflição sincera, tristeza em vem de riso diante dos nossos pecados.

Sexto – Humilhai-vos e ele vos exaltará. Os amigos de Deus não têm receio em humilha-se diante do seu Senhor, porque sabem que, ao Seu tempo, Ele lhes exaltará. Deus exalta o coração quebrantado.

Deus porá aqueles que se consideram frágeis sobre uma rocha firme, Ele socorre todo o que clama por socorro, ouvirá o clamor daqueles que esperam nele. O Senhor dará graça aos humildes, mas resistirá aos soberbos.

Eu quero ser amigo de Deus! Abraão foi chamado de amigo de Deus. Jesus chamou seus discípulos de amigos. Eu quero ser amigo de Deus, mesmo sabendo que isso significa ser amigo do mundo. Eu quero aprender a confiar em Deus, sei que preciso melhorar muito nesse aspecto. Quero dar ao Espírito de Deus plena liberdade para que ele aperfeiçoe em minha vida o caráter de Cristo.

De quem você quer ser amigo? Eu quero ser amigo de Deus.
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