26 março 2006

Relacionar-se com Deus 2/4

Introdução

Hoje vamos começar no mesmo ponto em que terminamos no domingo passado.

1. Existe um Deus pessoal, criador de todas as coisas;
2. Nós, seres humanos, fazemos parte da criação de Deus;
3. Deus tomou a iniciativa de se revelar, de mostrar quem é;
4. A Bíblia é a auto-revelação de Deus para a humanidade.

Deus não é um objeto nem uma força, ele é uma pessoa. Ele é o criador de todas as coisas, inclusive da raça humana, que Ele criou a sua imagem e semelhança.

Deus tomou a iniciativa de se revelar ao homem tanto de forma natural, através do restante da criação, como de forma especial através de tudo que foi registrado na Bíblia.

A Bíblia é uma biblioteca portátil. São 66 livros agrupados em duas partes: antigo e novo testamento. Escrita por cerca de 40 pessoas durante cerca de 1200 anos, a Bíblia gira em torno de um personagem: Jesus Cristo. (Transp. 1)

O AT diz: o Salvador virá
O NT diz: o Salvador veio

Se a Bíblia é a auto-revelação de Deus para a humanidade. Jesus é personificação dessa revelação. O próprio Deus que se fez gente e habitou entre nós.

Deus quer relacionar-se com a humanidade

Deus tomou a iniciativa de se revelar por causa do seu desejo de relacionar-se conosco. Essa é uma verdade que está presente em toda a bíblia. Levítico 26:3-13

Acima e além de tudo que ele promete, Deus quer estar comigo e com você. A presença dele é o maior presente! Ser amigo dele é o há de melhor. João 14:1-3

Jesus, a revelação máxima de Deus, o próprio Deus feito gente, falou sobre a mesma verdade: falando sobre sua morte, Ele disse aos seus discípulos para não ficarem aflitos: eu vou preparar um lugar onde estaremos juntos.

O Deus trino quer fazer parte do seu dia-a-dia. Ele quer se envolver com seu trabalho, lutar com você as lutas da falta de emprego e aconselhá-lo em suas decisões.

Deus quer chorar conosco as nossas dores e sorrir com as nossas vitórias. Ele quer nos dá família e sustento para nós e nossos filhos, simplesmente porque nos ama. Deus é Deus, mas quer ser amigo chegado, daqueles com quem se pode rasgar o coração.

Deus quer se fazer conhecido

Qual a base para um bom relacionamento? Não é segredo para ninguém, conhecimento.

(1) São raros os casamentos bem sucedidos na base do amor à primeira vista. (2) Amizades que se tornam íntimas muito rápido normalmente levam à decepção. (3) Quando vizinhos que se tornam amigos da noite para o dia, muitas vezes dá em confusão.

Há um ditado que diz que para conhecer alguém é preciso comer uma saca de sal junto. Já pensou?

O princípio por trás disso é que bons relacionamentos nascem do conhecimento mútuo. E Deus não quer quebrar esse princípio. Como Ele já nos conhece, agora ele que se fazer conhecido.

Tive a curiosidade de pesquisar as palavras gregas que, no NT, foram traduzidas por conhecimento em relação a Deus. Eu encontrei uma espécie de caminhada, uma jornada crescente de proximidade com Deus.

Se conhecimento de Deus é uma caminhada, onde estamos? No começo, no meio ou no fim. Se você compreender em que ponto está seu relacionamento com Deus, vai poder dar os passos necessários em direção a Ele.

Como é seu relacionamento com Deus?

Há pessoas para quem Deus é um Estranho. Às vezes elas até notam que Deus existe, mas não são capazes de reconhecê-lo. Deus não faz parte da vida delas. Não sentem falta da sua presença. São capazes de viver sem Ele por que acham que construíram suas vidas sem a ajuda de ninguém. O Deus estranho nada tem a ver comigo!

Há aquele para quem Deus é o Vizinho da rua da frente. Você cruza com a pessoa no shopping ou no centro e o mais que acontece é cumprimentar com cabeça. Essas pessoas sabem quem é Deus, mas o relacionamento não passa de bom dia e boa noite. O Deus vizinho é um conhecido, mas não tem acesso à minha vida.

Há outros para quem Deus é um Parente Distante. Você sabe que tem uma ligação com ele, mas não se sente à vontade, não tem intimidade, porque não conhece! No aperto, na necessidade, você recorre. Mas quando vai tudo bem... O silêncio e a distância são a lei. Uma oração corrida pela manhã, um agradecimento mecânico no almoço e uma prece pela metade à noite. O Deus Parente Distante pode até ser parente, mas não é tratado amigo.

Mas há aqueles para quem Deus é Amigo. Você sabe que ele é diferente de você, mas confia que ele quer o seu bem. Nada acontece sem que você compartilhe e peça sua opinião. Você não tem medo de ser rejeitado ou acusado, porque sabe o quanto ele gosta de você. O Deus amigo faz parte da vida, aconselha, orienta e nos ama do jeito que somos.

Qual é o seu grau de intimidade com Deus? Como é seu relacionamento com ele hoje? (Escrever no Papel)

As vendas que nos cegam

Porque tantas pessoas rejeitam a aventura de conhecer a Deus? Porque tantos oferecem a Deus o tratamento de um estranho? Por que Deus continua sendo tratado por muitos como um vizinho ou um parente distante?

O apóstolo Paulo nos ajuda a entender o motivo: muitos foram feitos cegos em seu entendimento.

Porque, se o evangelho que anunciamos está escondido, está escondido somente para os que estão se perdendo. Eles não podem crer, pois o deus deste mundo conservou a mente deles na escuridão. Ele não os deixa ver a luz que brilha sobre eles, a luz que vem da boa notícia a respeito da glória de Cristo, o qual nos mostra como Deus realmente é. II Coríntios 4:3-4

Somente é possível ver quem realmente Deus é se as nossas mentes estiverem iluminadas pela Luz, pelo próprio Cristo. Mas o deus deste mundo tem trabalhado para manter a todos na escuridão.

Como a sua mente tem sido mantida na escuridão, para que você não veja a luz de Cristo, que mostra quem Deus é? Quero que você reflita comigo agora sobre quatro vendas que deixam nossas mentes na escuridão.

Ignorância

Ignorância é desconhecimento. O deus desse mundo tem tentado de todas as formas nos manter distantes da Palavra de Deus e assim nos encarcerar no desconhecimento. Por séculos as pessoas foram proibidas de ler a Bíblia. As desculpas eram as mais diversas, desde maldições para quem lesse o livro sagrado de capa a capa até a desculpa esfarrapada de que é muito complicado.

Justiça Própria

Justiça própria e confiar em si mesmo. O deus desse mundo tem vendido a idéia de que se eu me esforçar um pouco, se fizer alguma coisa legais em benefício dos outros, o Deus eterno vai ter que me aceitar. Assim, não preciso de Deus. Eu mesmo faço por onde. Fazer o bem aos outros não marca pontos extras, é o mínimo que podemos fazer.

Auto Suficiência

Auto Suficiência é arrogância. O deus desse mundo tem implantado o pensamento de que o homem se basta. O mundo gira em torno do homem. Somos as estrelas do universo. Grande mentira! Nem o nosso pequeno planeta temos administrado bem. Tudo que existe e foi criado é para Glória de Deus. Para reconhecimento de quem Ele é.

Medo

Medo é falta de confiança. O deus desse mundo tem plantado a semente da desconfiança desde Adão e Eva. Será que Deus é bom? Será que vale a pena? Será que Ele fará o melhor? Será que você não vai sofrer nas mãos desse Deus? Deus é bom e os pensamentos que tem sobre nós são pensamentos de paz. Creia!

Quais são as venda que lhe impedem de conhecer a Deus? (Escrever)

A História de Jó

Jó era um homem muito rico, próspero e temente a Deus. Uma combinação cada vez mais rara em nossos dias. Jó orava pelos pecados que seus filhos houvessem cometido e por aqueles que eles viessem a cometer. O próprio Deus se gabava da fidelidade de Jó.

Vendo a satisfação de Deus com a vida de Jó, Satanás, o acusador, diz que a fidelidade de Jó era porque ele possuía tudo, porque que ele estava abarrotado das bênçãos de Deus.

Deus permite que todos os bens, inclusive a família e a saúde, de Jó lhe sejam tirados. No começo Jó se mantém tranqüilo, mas como a situação não mudava, Ele começa a se inquietar e perguntar pra Deus por que tudo aquilo estava acontecendo.

Os amigos de Jó o acusaram de está em pecado. Tinha algo errado para está acontecendo tanta coisa ruim. Mas ele se mantém firme mesmo depois de, cheio de feridas, ser incitado a amaldiçoar a Deus.

No final da sua história, Jó faz uma afirmação que pode resumir o projeto de Deus para nós: Ele diz, antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora meus olhos te vêem.

Se você quer conhecer mais de Deus, se você quer ser amigo dele, se você quer conhecer e prosseguir em conhecer o Senhor até que seus olhos o vejam, hoje é dia de você assumir esse compromisso com Ele.

Dobre esse papel que você tem nas mãos e coloque nessa cesta com um símbolo da sua decisão.

Como crescer no conhecimento de Deus?

Pode ser que hoje você tenha descoberto que pouco conhece sobre Deus; que Ele é um estranho, um vizinho conhecido ou mesmo um parente distante. Não se entristeça!

O profeta Oséias (6:3) nos faz um desafio e fala sobre a sua própria experiência sobre conhecer a Deus:

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva (o amanhecer), a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia (como as últimas chuvas da estação), que rega a terra.

(1) Oséias reconhece que conhecer a Deus é uma caminhada, não se resolve da noite para o dia. Na verdade passaremos toda a vida e toda a eternidade aprendendo sobre Deus. Por isso não se entristeça, ponha o pé na estrada e comece sua caminhada pessoal.

(2) O profeta Oséias afirma que a presença de Deus está garantida para aqueles que decidem conhecê-lo. Por isso, mesmo se hoje você percebeu que Deus é um estranho para você, basta que você decida conhecê-lo. Ele se fará presente.

(3) O profeta diz ainda que o conhecimento de Deus chega como uma chuva fora de tempo: Sem que você espere. Parece que não já passou, mas o Espírito de Deus se encarrega de trazer no tempo certo. Por isso você não precisa se angustiar, apenas decida no seu coração conhecer o caráter desse Deus que lhe ama.

19 março 2006

Relacionar-se com Deus 1/4

O Quadro

Esse quadro é uma tentativa de apresentar uma das mais profundas verdades da vida: Deus quer se relacionar com o ser humano e no decorrer de toda a história tem tomado a iniciativa de se aproximar de nós. Esse quadro fala do projeto inicial de Deus: relacionamento. Desde o começo era essa a sua intenção.

Ele hoje não diz muita coisa, mas no decorrer dos próximos domingos ele vai se transformar em uma lembrança permanente sobre esse grande desejo do coração de Deus.

Esse quadro vai ser ampliado e receber outras informações (Algumas, você mesmo vai incluir) até que essa verdade e os desdobramentos dela para nossas vidas fiquem completamente claros.

Hoje, pra começar, apenas quatro considerações:

1. Existe um Deus pessoal, criador de todas as coisas;
2. Nós, seres humanos, fazemos parte da criação de Deus;
3. Deus tomou a iniciativa de se revelar, de mostrar quem é;
4. A Bíblia é a auto-revelação de Deus para a humanidade.


Um Deus Pessoal

"Nenhum homem é uma ilha” Foi o que escreveu John Donne, poeta do século XVI. Somos seres relacionais. Temos necessidade de compartilhar, de estar junto de outras pessoas. É difícil imaginar que alguém possa viver bem cercado apenas de objetos. Falta alguma coisa. É unilateral. É você de um lado e o nada do outro. É você e você mesmo. Não há resposta, por isso não dá certo por muito tempo!

Quem assistiu “O Náufrago” com Tom Hanks, lembra do Wilson. O filme é a história de um executivo muito comprometido com sua empresa, ao ponto de deixar em segundo plano a família. Ele sofre um acidente em uma de suas viagens a trabalho e acaba em uma ilha deserta. Lá, entre os destroços do avião, ele encontra uma bola, cuja marca era Wilson.

Depois de quase enlouquecer de solidão, ele desenha um rosto na bola. Antes era só uma bola, mas agora com rosto e nome, Wilson, passou a ser seu companheiro naquela ilha deserta. Agora a bola era alguém. Alguém com quem falar, pra quem sorrir, com quem brigar, com quem discordar e compartilhar esperança. Mas o Wilson era uma farsa. Ele nada tinha a dizer. Ficava mudo impassível, sem expressão, sem opinião sobre nada.

Na verdade, algumas pessoas lidam com Deus como se Ele fosse o Wilson. Mas Deus não é um objeto a quem eu dou vida; ao contrário disso, Ele me deu vida. Deus não é uma força impessoal, uma energia positiva ou uma espécie de consciência da coletividade.

Deus é alguém, ele é uma pessoa! Deus não é gente, mas é pessoal. Na Bíblia vemos um Deus que fala, ouve, sente tristeza e alegria. Ele tem caráter e personalidade, enfim um Deus com quem é possível alguém se relacionar.

Um Deus Criador

Até o século XV, o mundo ocidental era muito religioso e acreditava em um Deus criador, ainda que fosse um Deus distante. Muitos erros e abusos foram cometidos pela Igreja durante a idade média, mas até aquela época o mundo ocidental acreditava em um Deus criador.

Entre os séculos XVI e XVII movimentos como o iluminismo, o renascimento, e também os grandes avanços científicos libertaram a humanidade de muitas crendices, mas ao mesmo tempo induziram a raça humana a um sentimento de auto-suficiência.

Os séculos XVIII e XIX foram o ápice dessa auto-suficiência. O homem se recoloca no centro das coisas, abandona a idéia de um criador e se proclama auto-gerado. Sem origem em um criador, o homem busca teorias que esclareçam de onde ele viemos, aliás, uma pergunta sempre em evidência. Darwin respondeu: somos descendentes dos macacos.

No século XX, a farsa dessa proposta, de um homem auto-suficiente, veio à tona: Guerras mundiais, genocídios, destruição dos recursos do planeta e total banalização do valor da vida humana. O homem que se dizia auto-gerado e auto-suficiente, caminha direto para a auto-destruição.

A despeito do que o homem pense sobre o assunto, Deus se apresenta desde o começo como o Criador da vida. Antes de tudo Ele era. Ele criou tudo que existe por sua vontade a partir da sua palavra.

Arquiteto, Engenheiro e Pedreiro

Mas que tipo de criador é Deus? Há alguns anos uma trilogia levou milhões aos cinemas: Matrix. O filme impressionava pelos efeitos especiais, muitos deles inovadores (e que depois foram copiados por muitos diretores).

Uma das cenas que causou muita discussão foi o diálogo do Neil com o criador da Matrix, chamado de Arquiteto, uma referência atravessada à pessoa de Deus.

Aliás, alguns grupos, como os maçons, também se referem a Deus como o Arquiteto. O Deus arquiteto é um Deus muito sábio, mas distante. É o Deus que até projetou a vida com muito cuidado, mas depois foi embora.

Mas Deus não afirma isso de si mesmo! Ele diz que além de arquiteto, ele também é o engenheiro, o mestre de obras e o pedreiro da criação. Literalmente, Ele diz que meteu a mão na massa. Trabalhou o barro com as próprias mãos para criar o que ele queria: um ser a sua imagem e semelhança.

Não houve acaso, mas intencionalidade; Não houve distância, mas proximidade; Não houve produção em série, mas artesanal.

Somos parte especial dessa criação. Ele nos fez para reconhecermos quem Ele é. Para que o reconhecimento da sua infinita bondade, do seu perfeito amor, da sua justiça eterna e de todos os seus atributos encha nossa vida de alegria.

Auto-Revelação

Como poderíamos, por conta própria, saber algo sobre Deus? O Deus criador, santo, bondoso, amoroso, justo e perfeito era antes de tudo, e criou tudo que existe. Por isso seria impossível conhecê-lo sem que Ele mesmo decidisse se revelar. E Ele fez isso.

Primeiro há uma revelação natural, isto é própria criação. A sobrevivência da vida em nosso planeta, as belezas da natureza e do universo, os intrincados códigos genéticos, o complexo funcionamento da mente humana apontam para um Criador. Ninguém que olhe um céu estrelado um acompanhe a gestação de uma criança pode dizer em são consciência: nunca pensei na existência de um Ser superior.

Além dessa revelação natural, Deus se apresentou ao ser humano através da Bíblia. A Bíblia é uma coletânea dos registros sobre o relacionamento entre Ele e diversos homem e mulheres no decorrer da história humana. Na Bíblia você vai encontrar a forma como Deus lida com a sua criação e principalmente com o ser humano.

Conhecer a Deus passa obrigatoriamente pela Bíblia. Não dá para desviar dela, nem evitá-la. Nela estão os registros das iniciativas de Deus para se relacionar conosco. Enquanto revela quem é Deus, a Bíblia aponta para Jesus como a plena revelação de Deus:

Na Bíblia lemos sobre os pensamentos de Deus, mas também sobre os seus sentimentos. É na Bíblia que descobrimos o que Ele ama, e também o que Ele odeia. Ninguém que deseje se aproximar de Deus pode esse livro.

Motivos para a auto-revelação

A pergunta é inevitável: Por que Criador do universo se revelaria ao ser humano? Por que um Deus eterno espontaneamente se apresentaria ao homem mortal? A resposta é uma só: Ele quer se relacionar conosco. Deus quer desenvolver um relacionamento com a sua criação.

O Deus trino é relacional e quer proximidade com sua criação, por isso ele se apresentou. Deus quer ser amigo, vizinho, colega e confidente porque ele sabe o quanto precisamos disso.

Seu desejo de se aproximar de nós é com o objetivo de oferecer um propósito de vida que valha a pena. Seu desejo é apresentar o projeto original, que estava no seu coração desde do começo, quando criou a ração humana: relacionamento.

Resumo da ópera

Deus não é um objeto nem uma força, ele é uma pessoa. Ele é o criador de todas as coisas, inclusive da raça humana, que Ele criou a sua imagem e semelhança. Deus tomou a iniciativa de se revelar ao homem tanto de forma natural, através do restante da criação, como de forma especial através de tudo que foi registrado na Bíblia. Ele fez isso porque quer desenvolver um relacionamento comigo e com você

O que eu faço agora?

Bom, agora você precisa fazer algumas perguntas pra si mesmo e eu quero lhe ajudar nisso.

Você acredita na pessoalidade de Deus, isto è, você está disposto a considerar que Deus tem vontade própria, emoções e sentimentos? Se isso não faz sentido pra você, eu quero lhe convidar a, junto comigo, procurar mais informações sobre o Deus de quem estamos falando. Às quartas-feiras, às 19:30, aqui mesmo, você vai ter a oportunidade de fazer essa e outra perguntas que tiver.

Você, que crer em um Deus pessoal, criador de todas as coisas, já parou pra pensar em quanto você acredita na Bíblia como uma auto-revelação de Deus? É a própria Bíblia que se apresenta dessa forma! E se Deus se revelou de forma especial através das escrituras, tentando assim se aproximar de mim e de você com o propósito de desenvolver um relacionamento conosco, como estamos tratando esse livro? Há um desafio para todos: encontrar Deus nas páginas desse livro

Você vai receber agora a bússola. É um recurso que vai lhe mostrar várias maneira de ler a Bíblia. Escolha uma das maneiras e comece essa semana.

Hoje nós ficamos ficar por aqui. Reflita sobre essas perguntas durante a semana e peça a Deus que revele a você através da Sua Palavra. Na próxima semana vamos conhecer as bases desse relacionamento.

07 março 2006

Ler a Bíblia

Por Aristarco Coelho

Fala-se da leitura como uma ferramenta indispensável para a formação de pessoas capacitadas a articular suas idéias e apresentar seus pensamentos de maneira compreensível. E é isso mesmo! A leitura abre canais que tornam possível o que seria praticamente impossível sem ela: conhecer o pensamento, ouvir os lamentos de tristeza e os gritos de alegria de pessoas que jamais encontraríamos de outra forma.

Ao falar de leitura é importante resgatar a palavra encontro. Ler é encontrar-se com alguém. A leitura transformadora é o resulta de encontros especiais, calorosos debates de idéias, cálidos sussurros de confissão e até mesmo de encontros frios e lineares.

Não é diferente em relação à leitura da Bíblia. Considerá-la como um encontro, um diálogo, deixa-nos mais dispostos a nos relacionarmos com as pessoas por trás do texto. Assim, João, Lídia, Pedro, Amós, Noé e Rute mudam de classificação, deixam de ser figuras intocáveis e passam a se tornar gente de carne e osso que amou, odiou, sofreu, festejou e viveu a vida com lutas pessoais idênticas às nossas. Assim, ao me encontrar com eles na leitura da Bíblia, revivo suas dúvidas e certezas e encontro neles a identificação que me encoraja a permanecer no Caminho.

Um dos principais equívocos na promoção da leitura é tentar impô-la como uma espécie de poção mágica, como se ela fosse capaz de transformar instantaneamente. A leitura é transformadora quando se torna um hábito, e os hábitos são processos que levam toda uma vida para se consolidar. Quanto mais cedo a leitura faz parte da vida, melhor; quanto mais se lê, maior facilidade para seguir lendo; quanto mais aqueles em volta de nós gostam de ler, maior o nosso gosto pela leitura; enfim, quanto mais a leitura toca na realidade vida, mais ela se torna indispensável para nós.

Duas posições se apresentam quanto ao hábito da leitura da Bíblia. Por um lado alguns consideram que a formação do hábito não carece de prazer ou satisfação na leitura. Isto é, leia, continue lendo, permaneça lendo que em algum momento isso vai transformar-se em algo que lhe agrada. Não resta duvida que algumas das atividades das quais nem gostamos tornam-se habituais pela prática persistente. Esse caminho é razoável e tem sido seguido por muitas pessoas.

Mas, outras vezes os hábitos se formam a partir da satisfação em fazer algo que atende nossas necessidades. Não acho que devemos optar por um dos dois caminhos e descartar o outro, mas o hábito que se forma pelo prazer da necessidade atendida leva consigo algo muito poderoso.


Isso torna compreensiva a força da literatura de auto-ajuda. As respostas rápidas, simples e focadas nas necessidades são acolhidas com satisfação. No entanto, a leitura pode ser fazer bem mais que dar respostas. Ela pode nos ajudar a fazer perguntas capazes de sondar as entranhas da alma humana.

A dificuldade de trilhar esse caminho é que a leitura concorre com meios de comunicação que oferecem bem menos resistência à mente e que atrofiam a capacidade de expressão. Assim, alguns preferem ouvir um CD ou ver um DVD a ler um livro, inclusive sendo ele a Bíblia. A música e a imagem “passam direto” e nos enchem a pança de tanto doce que a fome de uma refeição mais elaborada desaparece. Nada contra um bom CD ou um DVD com bom filme. Eles também podem ser pontos de partida para a reflexão, mas a leitura é a mestra na arte de instigar o pensamento humano e deixar marcada a alma.

Segundo Eugene Peterson, o grande desafio na leitura bíblica é ouvir a Bíblia diz. Claro que não é caso de comprar um CD com o texto sagrado, mas de “ouvir” o significado que permeou o registro da palavra de Deus em cada acontecimento. Resgatar a poesia, a prosa, o humor, os épicos, as cartas e toda a diversidade literária da Bíblia pode nos ajudar a ouvi-la melhor. Ler mecanicamente cansa e deixa escapar importantes nuances do texto.

No entanto, parar e "ouvir" o que a Bíblia diz pede um estilo de vida diferente do que a maioria de nós tem. Parar e ouvir pede uma vida despida de complexidade e menos veloz. Isso nos coloca rapidamente em confronto com nosso modo urbano de viver, no qual a expressões como “meditar na sua lei de dia e de noite” parecem vazias de significado prático.


É fácil concordar com essa impossibilidade prática, principalmente se todos os canais da vida já foram ocupados. Por isso, parar e avaliar nosso estilo de vida é indispensável para que o hábito da leitura da bíblia encontre espaço e se estabeleça como uma resposta aos nossos anseios de significado para a vida. O desafio está lançado.