16 abril 2006

A Páscoa para os Cristãos




A PÁSCOA PARA OS CRISTÃOS

Introdução

Qual a primeira palavra que vem a sua mente quando você escuta “Páscoa”?

A festa que hoje conhecemos como páscoa é uma colcha com retalhos de diversas culturas e épocas diferentes. Essa colcha de retalhos foi costurada durante séculos e hoje vamos conhecer mais sobre seus pedaços.

Se eu fosse perguntar para cada pessoa quais dúvidas tem respeito da páscoa, talvez precisássemos ficar até mais tarde para responder todas.

Por isso, vamos nos deter em apenas algumas perguntas. Mas, penso que ao respondê-las, vamos tocar em grande parte de todas as dúvidas.

• Qual a origem dos símbolos e tradições da época da páscoa?
• Existe relação entre esses símbolos e a Bíblia?
• De onde realmente surgiu a páscoa e qual o seu significado?
• O cristianismo bíblico recomenda a celebração da páscoa?
• Existe alguma celebração cristã que guarda paralelo com a páscoa dos judeus?

Os Símbolos

Para entender alguns símbolos da festa que hoje é chamada de páscoa, precisamos retornar à Idade Média. Na primavera, os antigos povos pagãos da Europa homenageavam à deusa Ostera ou Ostara.

Ostera ou Ostara é a Deusa da Primavera. Essa divindade é representada segurando um ovo na mão e olha um coelho, símbolo da fertilidade, a pular com alegria ao redor dos pés descalços. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

Esses antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. Segundo suas crenças, essa festa havia sido nomeada pelo deus Saxão da fertilidade Eostre, que acompanha o festival de Ostara sob a forma de um coelho.

A Páscoa do coelho e dos ovos foi adaptada e renomeada do feriado pagão Festival de Ostara. A festa foi cristianizada e os símbolos pagãos transformados. O ovo passou a representar a ressurreição; o coelho, a fertilidade do evangelho.

Essa cristianização ocorreu durante o Concílio de Nicéa, em 325 d.C., como sendo "o primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal, adotado como sendo 21 de março.

Não houve consenso entre as igrejas em relação à data. As igrejas romanas (calendário lunar) e ortodoxas (calendário solar) ainda hoje festejam em datas diferentes.

A simbologia do ovo

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este "ovo cósmico" aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o "Sopro divino"), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao céu e a terra. Simbolicamente é possível ver o céu como a parte leve do ovo, a clara, e a terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yan).

Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.

O moderno ovo de páscoa apareceu por volta de 1828, quando a indústria de chocolate começou a desenvolver-se. Ovos gigantescos, super decorados, era a moda das décadas de 1920 e 1930.

Coelhos, ovos e chocolate fazem parte de uma mistura de símbolos pagãos que não tem qualquer relação com a páscoa descrita na bíblia. Essas tradições foram importadas das festas em homenagem à deusa da fertilidade, Ostera, e incorporados ao cristianismo na idade média.

Hoje o coelhinho da páscoa e o ovo de chocolate deixaram de ter conexões espirituais e se tornaram em uma grande jogada de marketing para as indústrias envolvidas e o comércio. (A barra de chocolate e o ovo de chocolate).

Origem e verdadeiro significado da páscoa

Vamos começas pela própria palavra. Páscoa, em hebraico, pessah, vem de um verbo que significa “passar por cima” no sentido de “poupar”.

A páscoa tem sua origem na história do povo de Israel. Cativos no Egito por 400 anos, aquele povo, descendentes de Abraão, Isac e Jacó, estava sendo liderado por Moisés para sair do Egito.

Depois de nove intervenções sobrenaturais de Deus (as chamadas pragas do Egito), todas elas desprezadas pelo Faro, Moisés é informado de eu todos os primogênitos do Egito seriam mortos. Mas Deus iria poupar, passar por cima, dos primogênitos do povo de Israel, dos hebreus.

E foi assim que aconteceu a Páscoa do Senhor. Na noite prevista, um anjo enviado por Deus tirou a vida de todos os primogênitos do Egito, mas poupou, passou por cima, dos primogênitos hebreus.

Aquele momento histórico foi marcado por uma cerimônia, instituída por Deus para servir de lembrança do marco final na libertação do Egito. O nome dessa cerimônia é páscoa.

Assim, a páscoa é, ao mesmo tempo, um fato histórico e uma celebração que lembra esse fato. Vejamos como a bíblia descreve esse evento em Ex. 12:1-13.

Páscoa – Festa dos Judeus

Orientados por Deus, eles sacrificaram um cordeirinho, prepararam uma refeição com pães sem fermento e ervas amargas, e molharam o forramento das portas com o sangue do cordeiro. As portas, pintadas com o sangue do cordeiro, eram a senha para que o primogênito de cada casa fosse poupado. O cordeiro já havia morrido no lugar dele!

Ainda hoje, mais de três mil anos depois, os judeus comemoram a Páscoa do Senhor. Eles festejam a misericórdia de Deus, que poupou seus filhos da morte.

A páscoa é uma festa registrada na bíblia, mas é uma festa dos judeus. Não é uma festa cristã. A Bíblia nos ensina a amar a nação de Israel, assim como todas as demais nações, a orar pela paz em Jerusalém e a apresentar-lhes Jesus, o messias prometido por Deus, mas não a festejar suas festas.

Ignorância

Muitos cristãos, por ignorância, comemoram essa festa misturada de ovos, coelhos, cordeiros, chocolates, ervas amargas, pão de coco e bacalhau.

Além de estranha à bíblia, essa páscoa dos comerciantes não tem significado espiritual. Não passa de mais uma oportunidade para fazer negócios.

Não há recomendação bíblica para que não judeus, como nós, celebremos a páscoa dos judeus, em que os primogênitos foram poupados; e muito menos a páscoa pagã dos coelhos e ovos de chocolate.

Um paralelo

Mas, a páscoa dos judeus guarda um paralelo com o evento mais importante do cristianismo: a morte e ressurreição de Cristo.

A Páscoa é um memorial dos judeus para que não esqueçam a misericórdia e a graça de Deus para com eles no Egito. Ao mesmo tempo, a páscoa dos judeus era um anúncio profético de que de esse amor de Deus alcançaria o resto do mundo através de Jesus.

Leitura: I Coríntios 5: 7b,8 – Cristo, o nosso cordeiro pascal

O apóstolo Paulo, que conhecia profundamente a cultura e as tradições judaicas, chama Cristo de “cordeiro pascal”. Ao fazer isso ele tenta explicar que assim como, no Egito, o sacrifício de um cordeiro era a senha para que os primogênitos fossem poupados, hoje a morte de Jesus é a senha para sejam poupados da justa punição por nossos pecados.

O cordeiro não podia ter defeitos (Ex. 12:5)
Jesus viveu uma vida sem pecados (I Pe. 1:19)

Nenhum osso do cordeiro deveria ser quebrado (Ex. 12:4)
Nenhum osso de Jesus foi quebrado (João 19:36)

O cordeiro deveria ser sacrificado (Ex. 12:6)
Jesus foi sacrificado (João 12:24-27)

O sangue do cordeiro deveria ser aplicado à porta (Ex. 12:7)
A morte de Jesus precisa ser aplicada a sua vida (João 3:16)

João Batista, quando viu Jesus se aproximando, disse: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”

Se vamos fazer referência à páscoa dos Judeus, precisamos dizer como Paulo que Cristo é a nossa páscoa. A morte do cordeiro de Deus é a garantia de que Ele vai me poupar.

A morte de Jesus aplicada a minha vida?

Acontece uma transação espiritual quando você confia em Jesus como seu Senhor e Salvador.

No Egito, para que seus primogênitos fossem poupados, deveriam pintar a porta da casa com o sangue do cordeiro; Hoje, para que você seja poupado da justa ira de Deus, você precisa declarar sua confiança no Filho de Deus.

Por isso eu gostaria de lhe dar a oportunidade de declarar publicamente sua fé em Jesus. Se você tem nos seu coração a decisão de submeter-se a Jesus como seu Senhor e Salvador, faça isso agora levantando uma de suas mãos. Assim a morte de Cristo será aplicada a sua vida.

Um novo memorial

Cristãos não comemoram a páscoa! Os servos de Jesus não receberam dele essa orientação. Mas, Jesus nos deixou outro memorial: A Ceia do Senhor.

A Páscoa era celebrada para lembrar como Deus havia poupado os primogênitos no Egito; a Ceia, para lembrar a morte e ressurreição de Cristo, a razão de havermos sido poupados.

Os elementos

Na Ceia do Senhor, os elementos são o pão e o vinho, lembranças do corpo e do sangue de Jesus. Ao comermos e bebermos, anunciamos a morte do Senhor, o nosso cordeiro pascal, até que ele venha.

Quem pode participar

A Ceia do Senhor é motivo de festa, é celebração da unidade do Corpo de Cristo, a Igreja, resgatada pelo sacrifício do Cordeiro de Deus. Portanto, todos que já aceitaram a Jesus como seu salvador e estão em comunhão em sua comunidade local podem participar.

Paulo, no entanto, faz um alerta aos irmãos de Corinto dizendo que eles deveriam ter discernimento sobre a importância dessa unidade do corpo de Cristo e não participar sem a presença do sentimento e da atitude de unidade.

Não faz sentido participar da Ceia do Senhor se o seu coração está tomado de ódio, inimizade, ressentimento ou rancor por causa de algum irmão em Cristo. Nesse exato momento ore ao Senhor pedindo perdão e depois procure a pessoa implicada.
Postar um comentário