10 fevereiro 2017

Pedras em pães!


Basta observarmos um pouco as pessoas em nossa volta para nos convencermos de que há muitas formas de se viver a vida, irmãos. Dentro e fora da igreja as opções de vida que alguém pode fazer são bem variadas.

Essas opções de vida brilham diante de nós como se fossem letreiros luminosos! E cada um desses caminhos tenta nos atrair para si mesmo e nos promete coisas interessantes que queremos. São caminhos que parecem bons à primeira vista, mas será que são os melhores caminhos para nós?

Há um texto nas Escrituras que reflete sobre essa situação. Está em Provérbios, escrito por Salomão e outros sábios:

Há caminhos que ao ser humano parecem ser as melhores opções de vida, mas ao final conduzem à morte. Pv 14.12

Toda vez que leio esse texto é como se eu fosse sacudido: Alô, Aristarco! Será que a direção que você está dando à sua vida é a melhor? Ei amigo, será que você não está enganando aos outros e a si mesmo? É chocante, mas o caminho que por um momento escolhemos como uma boa direção para nossas vidas pode ser, na verdade, uma grande armadilha. Pode ser um caminho de morte!

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Ela era muito feliz!

Jéssica, uma jovem de vinte e poucos anos, saiu da Indonésia e foi para a Austrália em busca de uma vida melhor. Ela tinha convicção e que essa mudança transformaria sua vida e abriria muitas portas para que sua vida fosse tudo aquilo que ela desejava. Na mesma época uma outra jovem, Mirna, também saiu da indonésia para Austrália.

Em janeiro deste ano, Jéssica assassinou a amiga Mirna em uma cafeteria de Jacarta colocando veneno no seu café porque a considerava uma pessoa feliz e foi condenada a 20 anos de prisão.

O juiz do caso afirmou que Jéssica tinha problemas pessoais, trabalhistas e sociais, e quando se encontrou com Mirna em dez/2015, e a viu tão feliz casada, pensou em assassiná-la. Jessica não demonstrou emoção ao ouvir o veredicto com sua sentença.

Acho que uma pergunta martelou a mente de Jéssica: porque ela tem o direito de ser feliz e eu não? Não é uma pergunta descabida. De certa forma, não é um clamor por justiça e igualdade? O que há de errado em desejar que o mundo seja mais justo e as pessoas tenham as mesmas oportunidades? A questão é: como esse caminho que parecia tão legal para Jéssica se transformou em caminho de morte?

Muitas propostas

Há muitas propostas para vivermos nossas vidas, irmãos. Há muitas maneiras diferentes pelas quais podemos passar nossos dias por aqui. Qual o caminho que devemos seguir?

    Devemos viver como se não houvesse amanhã?
    Devemos deixar a vida nos levar: vida, leva eu?
    Devemos tirar tudo que pudermos da vida?
    Devemos provar de tudo sem arrependimento?

Alguém pode pensar que não faz diferença se vivemos de um jeito ou de outro, que tudo isso é só uma questão de gosto ou de opção pessoal, mas a experiência confirma que a maneira como vivemos é determinante não só para o nosso futuro, mas também para o futuro daqueles que nos cercam.

As decisões que tomamos diariamente, a maneira como nos relacionamos com as pessoas, o jeito como resolvemos nossos problemas são testemunhos que refletem a novidade de vida a que fomos chamados por Jesus?

Momentos decisivos

Na maioria das vezes não temos controle sobre as circunstâncias de nossas vidas nem sobre os sentimentos que nos alcançam, mas sempre podemos decidir como queremos responder a eles.

O que fazemos nesses momentos de decisão define o tipo de pessoa que seremos. E nessa hora nossas crenças e convicções são como bússola que nos guiam por entre as muitas opções de vida que estão disponíveis diante de nós.

Assim como nós, Jesus também precisou resolver como ele ia lidar com as circunstâncias do dia a dia. Ele precisou decidir o que era mais importante que tudo em sua vida e descobrir como lidar com os dias difíceis... como responder ao medo... o que fazer quando ele se sentisse forte o poderoso... como responder aos sentimentos de insegurança...

Um desses momentos vividos por Jesus foi quando ele passou 40 dias no deserto (Mt 4.3). Ali ele tomou várias decisões. E enfrentou questões importantes sobre como ele iria viver sua vida.

Em quem confiamos?

Um dos desafios que Jesus enfrentou foi aconteceu quando ele estava faminto e fisicamente debilitado. Depois de ser privar voluntariamente de comida por tanto tempo, Jesus estava realmente com fome. Aproveitando aquela fragilidade, o tentador se pronunciou:

Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Mt 4.3

Será que o tentador tinha dúvida sobre quem Jesus era? Claro que não! Será que os anjos que testemunhavam aquela cena tinham dúvida sobre quem Jesus era? Certamente não! E Jesus tinha dúvida sobre quem ele era? Absolutamente não! Então, a questão ali não era sobre a identidade de Jesus, o assunto era outro. A pergunta nas entrelinhas era “você realmente confia no Pai? ”

Bastava uma ordem para que das pedras surgissem pães, mas Jesus não fez isso. Por quê? Sua fome era legítima e ele tinha o poder para fazer isso, por que ele não resolveu logo aquela situação? Ele preferiu confiar que aquela situação difícil e sofrida estava sob os cuidados do Pai e seria usada por Ele para o seu bem.

Veja que são caminhos diferentes, meu irmão:
O tentador propõe que você transforme as pedras de sua vida em pães e mate logo sua fome. Ele afirma que você pode ser o seu próprio herói. Não é preciso andar pelos caminhos desconhecidos de Deus, porque isso pode ser arriscado

A proposta do evangelho é que você não fuja do deserto pelas suas próprias forças, com seus esquemas e jeitinhos. É um chamado para você confiar naquele que o levou até o deserto. Por isso, a resposta de Jesus:

Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Mt 4.4

Jesus decidiu algumas coisas importantes ali. Sua vida não seria uma fuga das dificuldades. Ele não faria qualquer coisa para afastar os problemas, ele não rejeitaria o sofrimento como parte da vida. Ele decidiu confiar em Deus em meio aos problemas. Ele estava convicto que Deus estava cuidando dele, mesmo quando os dias não eram duros e difíceis.

Como você tem vivido sua vida de discípulo de Jesus? A quem você dá ouvido? Quem faz sua cabeça? A quem você recorre para tomar as decisões de sua vida? Ser um discípulo não é seguir os passos dele?

Há pessoas entendendo que ser discípulo de Jesus é receber um ticket de entrada para o céu. Estão garantidos para sempre, porque ninguém vai arrebata-las das mãos de Jesus! A eternidade é deles, e isso é o que realmente importa. O mundo pode despencar ao seu lado, mas ele não se abala. Famílias podem desmoronar à sua direita, jovens podem ser destruídos à sua esquerda, mas ele está seguro no Senhor. Eles já encontraram o Pão da Vida, isso é suficiente.

Outros há para quem ser discípulo de Jesus é ser filho do Rei e ter direito a tudo que um filho de rei merece. Profetizam bênçãos, decretam sucesso, revoltam-se contra tudo que lhes pareça ruim. Colocam Deus na frente de seus caminhos, como se ele fosse uma imagem de procissão, para garantir que tudo será como desejam. Para esses não há pedras no caminho, todas foram ou serão transformadas em pães.

Há também aqueles para quem ser discípulo de Jesus é vir para os cultos, participar dos programas da igreja, contribuir financeiramente, ler a bíblia sempre que possível, pagar as contas em dia e não dar trabalho para o pastor. Gente se acha tão certinha que não se mistura com qualquer um, não; gente que está morrendo de fome diante dos pães porque desconhece a provisão de Deus para uma vida abundante.

Fome de quê?

Ali no deserto a fome de Jesus era a mais básica de todas: fome de pão mesmo. No deserto de concreto em que estamos, a fome que temos às vezes é de outro tipo: de roupa (bacana), de tênis/sapato (legal), de carro (novo), de celular (moderno), de apartamento (maior), de emprego (seguro), de TV por assinatura, de plano de saúde.

O que você vai fazer com essa fome? Você está aqui, nesse deserto de concreto e asfalto, e a fome lhe consome a alma. Nesse deserto em que vivemos também há muitas pedras que podem ser transformadas em pão e saciar nossa fome. São caminhos que parecem ser bons.

Carro (novo) – fazer um financiamento em 60 meses e depois cola um adesivo “Foi Deus quem me deu” no vidro traseiro! – Deus ou financeira?

É claro que não há nenhum problema em você financiar ou parcelar um bem que você deseja comprar. Esse é um recurso legítimo. A questão é se ao fazer isso você não está fugindo do deserto.

Porque às vezes o Senhor nos mantém em situações adversas porque quer nos ensinar algo. A privação daquilo que desejamos nem sempre é algo ruim, muitas vezes o caminho que Deus usa para aprendermos a submissão a sua vontade, aprendermos a ajustar nossas prioridades.

Então, veja só, quando você usa o crédito apenas para matar sua fome de possuir, e o usa além de sua capacidade de pagar, é como se você estivesse transformando pedras em pães para matar sua fome e sair logo desse deserto.

Celular moderno – comprar um usado em estado de novo pela metade do preço. Daqueles que já vem fotos e contatos (do antigo dono).

Qual problema em ter um smartphone de última geração? Nenhum problema. Eles podem ser muito úteis na vida corrida que temos. Mas será que você não está fugindo do deserto quando compra um aparelho de procedência duvidosa pela metade do preço?

Um discípulo de Jesus não deveria ter restrições quanto à origem dos bens que compra? Ou não faz diferença para nós se estamos alimentando uma cadeia de crime e violência? Aliás violência que volta contra nós mesmos?
Perceba então, que ao comprar um smartphone de origem duvidosa apenas para matar sua fome de celular moderno é como se você estivesse transformando pedras em pães, para ver se acaba logo esse deserto em que sua vida se transformou.

Eu me pergunto: um discípulo de Jesus deveria colocar um smartphone como uma prioridade tão alta em sua vida que o faz colocar de lado o fato que está participando de uma cadeia criminosa de venda de objetos roubados?

Apartamento – comprar comprovante de renda e declarar renda formal maior que a verdadeira. Pedir emprestado um nome de um parente.

Não há qualquer problema em desejar morar numa casa melhor, ou em um apartamento mais amplo. Tem onde morar de forma digna é um direito e morar bem é um desejo legítimo. Agora, forjar uma renda maior que o seu rendimento mensal para se enquadrar no financiamento certamente é transformar pedras em pães.

São muitas as pessoas que fizeram isso e agora não têm como pagar as prestações do mês. E alguns deles com que converso ao telefone que dizem assim: “Em nome de Jesus, eu não perder minha casa. Deus na frente! Vai dar certo! ”.


O que leva esses irmãos a pensar que Jesus estava como eles enquanto eles compravam uma declaração falsa de rendimento com um contador “amigo”? Um discípulo de Jesus deveria fazer como ele dizer: “nem só pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca do Senhor.”

Uma variante que parece mais aceitável é quando se pega o nome de alguém emprestado para financiar, fazer empréstimo ou financiamento. Normalmente, quando você não consegue fazer no seu nome é porque sua renda não é suficiente ou seu cadastro não foi aprovado. O próprio sistema está dizendo que você não está em condições de contrair dívida.

Aí você vê as pedras e ouve a voz do tentador dizendo: “se tu és filho de Deus, como isso pode estar acontecendo contigo. Você é um vitorioso, porque você vai ficar aqui passando por essa situação difícil? Transformas as pedras em pão!”

Ao tomar emprestado o nome de alguém para fazer dívida, você está transformando pedras em pães e trazendo para sua vida grande possibilidade de brigas, desavenças, discórdias e até de rompimento dos relacionamentos familiares envolvidos e de amizade.

Eu volto a me perguntar: não deveria um discípulo de Jesus prezar pela verdade, regularizar suas dívidas atrasadas, limpar seu nome no comércio e comprar apenas aquilo que cabe dentro de seus rendimentos?

Mas para isso, irmãos é preciso confiar que o Senhor está no controle de todas as coisas inclusive no meio das dificuldades. É preciso acreditar que os sofrimentos, as ausências e os desejos não realizados fazem parte da vida. Em todas essas coisas o Senhor tem muito a nos ensinar sobre submissão, confiança e contentamento.

TV por assinatura – contratar os serviços daquele técnico que vende, ele mesmo, o pacote completo da NET: la garantia soy yo!

Qual o problema em ter o pacote completo da TV por assinatura? Claro que não tem nenhum problema. Se você tiver Telecino em HBO no seu pacote e quiser me chamar para assistirmos um bom filme juntos, pode preparar a pipoca.

Em muitos bairros, a venda desses pacotes completos e controlado por milícias que também controlam a venda de gás e cobram pela proteção das ruas. Verdadeiros império do crime!

Toda vez que alguém compra um pacote completo de TV por uma ninharia, faz um gato de energia, autoriza uma ligação clandestina de água, molha a mão do guarda de trânsito, compra carteira de motorista, arranja um atestado médico para o trabalho é como se você estivesse transformando pedras em pães.

Por que não?

Se você pode transformar pedras em pães, por que não fazer? Porque quando transformamos pedras em pães, estamos perdendo a oportunidade de confiar no Senhor, de experimentar o cumprimento da promessa que ele nos fez de nos consolar e animar em meio ao sofrimento, dor, angústia, amargura e tristeza que são plantadas em nossas almas por esse mundo caído em que vivemos.

Transformar pedras em pães pode parecer uma boa saída para sair logo do deserto, mas um caminho de morte é. A vereda da vida a que somos chamados pelo Evangelho, vereda estreita e pedregosa, é permanecer no deserto suportar as fomes que nos assediam e confiar na palavra que procede da boca de Deus: estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos.

Lembra da Jéssica, que matou a amiga porque não suportou a felicidade dela? E se a Jéssica tivesse enfrentado o deserto em que ela estava de outra forma? Se ela conhecesse o amor de Deus? Talvez ela haveria dito NÃO para a proposta de transformar pedras em pães. Sua fome de felicidade continuaria, mas ela teria recebido o consolo da presença de Jesus e, quem sabe, teria sido socorrida por anjos em suas necessidades.


A renovação da mente

Concluo nossa reflexão dessa noite, irmãos, dizendo que que estou convicto de que somos chamados, como discípulos de Jesus, a permanecer no deserto até que o nosso Deus, que nos pôs lá, nos tire. Ele conhece nossa estrutura e sabe exatamente o que precisamos aprender e como vamos aprender.

 Transformar pedras em pães vai nos tornar autossuficientes e arrogantes, donos do nosso destino, senhores de nossas vontades, distantes e descrentes no amor dele por nós.

Devemos permanecer em nossos desertos até que o Senhor nos ensine tudo que precisamos aprender, mas isso só será possível se estivermos rendidos à convicção profunda de que o amor de Deus por nós não é medido pela abundância pão, como sugere o tentador, mas pelo fato de Cristo, o Pão da Vida, nos ter reconciliado com o Pai e nos dado vida nova e eterna.

Precisamos permitir que nossa maneira de pensar, isto é, a forma como entendemos o mundo, seja mudada. Você não pode ser a mesma pessoa e pensar do mesmo jeito depois que Jesus para a ser o seu Senhor.

A nossa mentalidade, isto é, nossas convicções, opiniões e opções de vida precisam transformadas mesmo, pela renovação constante que o Espírito realiza através da Palavra de Deus. É isso que o apóstolo Paulo afirma na carta que escreveu aos irmãos da cidade de Roma:

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rm 12.2

As pedras estão por todo lado! E a todo momento alguém repete a fala do tentador: “se tu és filho de Deus, transforma estas pedras em pães”. Mas quando essas propostas encontram em nós uma mente renovada pelo Espírito, fortalecida pelas convicções do amor de Deus e confiante no exemplo deixado por Cristo Jesus, podemos fazer como ele e dizer:


Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Mt 4.4

Jesus, o fariseu e a mulher pecadora


36Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa. 37Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Lucas 7:36-38 (NVI)

Nossa história tem três personagens: Jesus, um fariseu chamado Simão e uma mulher. A história se passa na casa de Simão, durante um jantar.

Ao que parece, aquele era um jantar formal, pois Jesus tomou lugar à mesa, isto é, havia um lugar separado especialmente para ele; É possível que Simão houvesse convidado Jesus após ouvi-lo expondo as Escrituras em algum lugar;

Jesus, portanto, era um convidado especial. Mas a outra personagem, a mulher, não fazia sequer parte da lista de convidados; não que ela fosse desconhecida na cidade, mas porque possivelmente era uma prostituta.

Naquela época, as casas de pessoas ricas eram construídas em torno de um pátio aberto que parecia uma pequena praça. Muitas vezes, havia no pátio um jardim e uma fonte; era ali que eles comiam nos dias quentes. Era costume, quando um rabino era convidado, virem todo tipo de pessoa; ninguém era impedido de ouvir as pérolas de sabedoria que saíam da sua boca. Foi ali, no pátio interno casa de Simão que tudo aconteceu.

No Oriente, os convidados não se sentavam em cadeiras, mas reclinavam à mesa, em sofás baixos, apoiando-se em seu braço esquerdo para liberar o direito para comer. Tinham os pés estendidos para fora do sofá e estavam sem sandálias durante as refeições. Pode-se entender assim como a mulher chegou aos pés de Jesus.

Os sofás eram dispostos ao redor de uma mesa longa e baixa, ou, algumas vezes, no lugar da mesa, havia apenas grandes pratos de madeira colocados ao longo do centro da sala. Em um jantar formal, o sofá de cada convidado era colocado segundo a ordem da sua posição de importância naquela reunião.  

Ao chegar, todos tiravam as sandálias ou chinelos, e os deixavam à porta. Os servos ficam de pé, por detrás dos sofás, com uma bacia rasa e larga no chão, e derramavam água sobre os pés dos hóspedes.

Hoje em dia algumas cortesias são esperadas por alguém que é recebido na casa de outra pessoa, como cumprimentos de mão, beijos na face, uma palavra de bem-vindo, a indicação de um lugar para sentar.

Naquele tempo também eram esperadas pelos hóspedes algumas cortesias: um beijo de saudação, água para lavar os pés e óleo perfumado para ungir a cabeça.

Curiosamente, o texto de Lucas fala apenas que Jesus chegou à casa de Simão e ocupou o lugar que estava separado para ele. Não há qualquer menção   a respeito dos rituais de recepção que seriam esperados numa ocasião como esta.

Por que Simão convidou o mestre e negou-lhe as boas vindas? Não é estranha a forma como Simão se comportou? Será que ele gostava realmente de Jesus, ou não? Jesus era um convidado especial naquela festa, mas somos forçados a nos perguntar se Jesus era realmente importante para Simão.

Ainda hoje muitas pessoas agem em relação a Jesus da mesma forma: preparam uma festa para homenageá-lo, convidam os amigos, mas deixam de lado o próprio Jesus.

Nesse ponto da história entra em cena a mulher tida como pecadora, que era conhecida de todos.

37b...certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Lucas 7:37 (NVI)

Os convidados estavam todos em seus lugares. A comida estava servida e as conversas preenchiam o ambiente no pátio interno da casa de Simão. Jesus também estava deitado de lado, apoiado em um dos braços e com os pés fora do sofá.

De repente, entra no ambiente uma mulher conhecida na cidade por ganhar a vida nos prostíbulos. Muitos homens ali a reconheceram.

Ela colocou-se atrás, aos pés de Jesus. Chorou ao ponto de molhar os pés dele. Enxugou-os com os cabelos, beijou-os e depois os ungiu com um perfume muito caro.

Os olhos de todos ali estavam voltados para aquela cena inusitada, surpreendente. Aquela mulher estava fora do seu ambiente. No entanto, ela se expôs e se dispôs a enfrentar aquela situação (e o julgamento de todos) para demonstrar o quanto Jesus era importante para ela.

O quanto nós estamos dispostos a fazer o mesmo, irmãos, a demonstrar a importância de Jesus em nossas vidas? Qual o tamanho do nosso amor por ele? Qual o tamanho de nossa gratidão diante do que ele fez por nós?

Na verdade, não havia como aquela cena passar despercebida do restante dos convidados, e do próprio Simão, o anfitrião. Seja pela força das imagens, seja pela disposição de todos ali no pátio interno da residência de Simão.

Ele talvez tenha maneado a cabeça e feito algum gesto com os lábios. Mas Lucas afirma que o Fariseu falou consigo mesmo nos seguintes termos:

39"Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’ ". Lucas 7:39


A forma como Simão reagiu àquela cena inusitada revelou seu coração e algumas de suas convicções. Normalmente não falamos muito sobre nossas convicções, nossas crenças, mas elas têm um papel importante na maneira como vivemos nossa vida. Uma outra forma de dizer a mesma coisa é que aquilo em que cremos direciona nossas ideias.

Embora seja difícil, irmãos, refletir sobre os próprios pensamentos e considerar o porque das nossas reações, isso pode ser um bom exercício para expor nossa alma diante de Deus. Quem reflete sobre si mesmo tem a possibilidade de tirar a trave do próprio olho antes de tentar tirar o cisco do olho de outra pessoa.

O que podemos deduzir a partir de sua fala a respeito dos pensamentos de Simão?

1.    Parece que Simão considerava aquela mulher alguém inferior a ele. Ela era uma pecadora e sua atitude ali certamente não era bem-intencionada. Por causa dos costumes ele não a proibiu de entrar em sua casa, mas definitivamente para Simão ele e ela não eram do mesmo tipo de pessoa.

Infelizmente, irmãos, esse tipo de pensamento não é raro entre pessoas que se dizem seguidoras de Jesus. Como alguém que foi salvo pela graça de Deus, que foi amado por Deus quando estava morto em delitos e pecados, pode se considerar superior a outra pessoa? Realmente uma atitude assim nada tem a ver com o evangelho de Jesus.

2.    Outra coisa importante na fala de Simão é que ela parece revelar uma "agenda escondida". Ele chamou Jesus para um jantar, mas o que queria mesmo era saber se o jovem Rabino era um profeta de Deus. A conclusão a que ele chegou foi um definitivo NÃO. Se ele fosse profeta saberia que aquela mulher era uma prostituta e não permitiria que ela o tocasse. Afinal de contas, deve ter pensado, profetas não se misturam com gente desse tipo.

Simão tinha a si mesmo em alta conta. E é claro que para alguém ser um profeta deveria ser ainda melhor do que ele. Aparentemente Jesus não tinha passado no teste de Simão.

Ao ouvi-lo Jesus percebeu que Simão não tinha uma visão correta sobre si mesmo. Ele não se achava apenas uma boa pessoa, mas melhor que muita gente; e que por isso Deus o amava e o havia escolhido. Simão acreditava que era amado por Deus porque vivia uma vida correta.
Por isso ele também só amava as pessoas que viviam uma vida correta. Certamente que aquela mulher não vivia uma vida correta de acordo com o ponto de vista de Simão.

Nós também, irmãos, somos tentados a ir pelo caminho de Simão: amarmos os certinhos porque acreditamos que Deus também ama os certinhos. Mas Jesus falou algo muito diferente disso em outra ocasião:

17Ouvindo isso, Jesus lhes disse: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores".
Marcos 2.17 (NVI)

O Senhor decidiu, então, contar uma história para ajudar Simão. Lucas 7:40-43  

- Respondeu-lhe Jesus: Simão, tenho algo a lhe dizer.

- Dize, Mestre, disse ele. 

- Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta. Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais? 

- Simão respondeu: Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior. 

- Você julgou bem, disse Jesus.

Na história de Jesus, amor é o que acontece na vida de alguém que foi perdoado. Quanto mais uma pessoa reconhece é devedora ao ser perdoada, tanto mais ela percebe o tamanho do perdão que recebeu; e aí seu coração se enche mais ainda de gratidão por aquele quem o perdoou.

A única linguagem que Simão conhecia para o relacionamento com Deus era viver uma vida correta. Por isso, quando ele viu aquela mulher abraçada aos pés de Jesus ele imediatamente pensou: isso não está certo! Ela é uma pecadora! Pecadores não tem nada a oferecer a Deus.

A mulher, no entanto, aprendeu uma outra linguagem, outra forma de se aproximar de Deus: o amor. Ela e o fariseu eram devedores diante de Deus. Nenhum dos dois podia pagar sua dívida. Mas ao contrário dele, ela reconhecia o estado em que se encontrava. Por isso, ao ser perdoada, seu coração encheu-se de amor e gratidão.

Já Simão achava que sua dívida nem era tão grande assim, pois ele era uma boa pessoa e fazia tudo certinho. Como ele pensava que não havia muita coisa para Deus perdoar, o seu amor por Deus era pequeno e debilitado.

Você já pensou que seu amor por Deus e pelas pessoas pode estar enfraquecido porque você não tem ideia de quão imensa era sua dívida e de quão grande foi o perdão de Deus em sua vida?

10Tal como as Escrituras afirmam: Ninguém é bom - ninguém no mundo inteiro é inocente.11Ninguém jamais seguiu realmente as veredas de Deus, nem mesmo desejou verdadeiramente fazê-lo.12Todos se desviaram; todos caíram no erro. Ninguém, em parte alguma, fez só o que é direito durante toda a sua vida nem uma só pessoa.13O que falam é abominável e tão sujo quanto o mau cheiro de uma sepultura aberta. Suas línguas estão cheias de mentiras. Tudo o que dizem tem o ferrão e o veneno de serpentes mortíferas.14Suas bocas estão cheias de maldição e de amargura.15Estão prontos para matar, odiando qualquer um que não concorde com eles.16Por onde quer que vão, eles deixam a miséria e o transtorno atrás de si.17Nunca chegaram a saber o que é sentir-se seguro e desfrutar as bênçãos de Deus.18Não se importam com Deus, nem tampouco com o que Ele pensa deles. (...)23Sim, todos pecaram; todos fracassaram, e não puderam alcançar o glorioso ideal de Deus;24no entanto, Deus nos declara agora "sem culpa" das ofensas que Lhe fizemos se confiarmos em Jesus Cristo, aquele que em sua bondade tira os nossos pecados gratuitamente.
Romanos 3.10-18, 23,24 (BV)

Era essa a situação em que você se encontrava quando o Senhor o encontrou, o amou e pagou o preço pela sua vida, meu irmão.

Jesus contou aquela história para ajudar Simão a compreender de onde vinha o amor que fez aquela mulher se expor e se dispor diante de todos a demonstrar a importância de Jesus para ela. Ao terminar a história, Jesus voltou a falar com Simão:

44Então, virou-se em direção à mulher e declarou a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me trouxeste água para lavar os pés, como é o costume. Esta, porém, molhou os meus pés com suas lágrimas e os enxugou com os próprios cabelos.45Da mesma maneira, tu não me saudaste com um beijo na face, como é tradicional; ela, todavia, desde que cheguei não cessa de me beijar os pés.46E mais, tu não me ungiste a cabeça com óleo, como era de se esperar, mas esta mulher, com puro bálsamo, ungiu os meus pés.47Por tudo isso, te asseguro: o grande amor por ela demonstrado prova que seus muitos pecados já foram todos perdoados. Mas onde há necessidade de pouco perdão, pouco amor é revelado.48Em seguida, Jesus afirmou à mulher: “Perdoados estão todos os teus pecados!
Lucas 7.44-48 (KJA)
Um dos versos da canção que cantamos no começo diz assim:

Só quem conhece a grandeza do perdão que recebeu, entrega em amor todo o tesouro seu, para adorar a Deus.

O que o impede de falar para todos o quanto Jesus é importante para você? Se você tem caminhado na mesma direção de Simão e deixado sua gratidão a Jesus esfriar, o tempo de mudar chegou.

Esse é um bom momento de derramar sua vida em adoração, como um perfume agradável a Deus. Sim! É hora de renovar sua gratidão pelo imenso amor com que Deus o amou! Eu o convido a cantarmos mais uma vez a canção Vaso de Alabastro.

Antes, porém, quero deixar uma palavra para você que ainda não se rendeu-se a Jesus e continua se esforçando para ser aceito por Deus:

- A religião não pagará sua dívida;
- Os muitos cultos não pagarão sua dívida;
- As promessas cumpridas e os terços rezados não pagarão sua dívida;
- As orações sem fim, correntes, novenas e preces poderosas não pagarão sua dívida.

Apenas Jesus pode fazer isso. Na verdade, Ele já pagou. O que você precisa fazer é deixar-se alcançar pela Maravilhosa Graça de Deus e receber pela fé aquilo que jamais vai alcançar por esforço próprio.

Se você quer abrir mão do penoso esforço de tentar ser certinho quando Deus lhe quer perfeito e parar de entregar moedinhas para tentar pagar uma dívida de milhões...

Se você reconhece o quão necessitado do perdão você é...

Saiba que o Senhor quer dizer para você o mesmo que ele disse àquela mulher: Perdoados estão todos os seus pecados.