19 fevereiro 2006

A Força de Gideão





INTRODUÇÃO

Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre a vida de um homem chamado Gideão. Ele foi um pequeno agricultor que viveu em uma época muito difícil, mais de 1200 anos antes de Cristo. Gideão tinha uma plantação de trigo que servia para sua subsistência e também cultivava uvas. Ele fazia parte de uma nação conhecida ainda hoje como Israel. Foi ele quem ouviu essa frase: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu? Quem eram os midianitas? Por que Gideão deveria livrar Israel? Que força era essa, que ele possuía? Hoje, conhecendo um pouco da história desse homem, vamos descobrir que a força de Gideão está à disposição de qualquer um que deseje usá-la. Essa é a força que transforma pessoas simples, medrosas e inseguras em verdadeiros heróis.




O livro de Juízes retrata um período em que Israel vivia uma espécie de gangorra espiritual. Hora se afastava do Senhor, se entregava a idolatria e servia a outros deuses, (E aí, era dominado e oprimido por outros povos); Hora se arrependia, clamava ao Senhor e pedia por libertação (E aí, Deus enviava alguém para libertar o povo). Os dias de Gideão eram dias em que a gangorra estava em baixo.

O pai de Gideão, Joás, tinha em casa um altar dedicado a Baal e um poste-ídolo. Baal era o deus dos cananeus. Ele assumia diversas personalidades de acordo com a região em que era adorado. Os cultos a Baal eram acompanhados de orgias sexuais e alguns incluíam também o sacrifício de crianças. Os postes-ídolo eram esculturas de madeira em homenagem à deusa-mãe Astarote ou Aserá. Era assim que o povo de Israel que havia sido libertado do Egito com sinais e prodígios estava. Totalmente entregue à adoração de outros deuses, longe do Senhor e esquecido dos seus feitos poderosos.

Deus, então, põe em prática seu método de fazer heróis: OBEDIÊNCIA. O Senhor orienta Gideão a que destrua o altar a Baal que seu pai tinha, corte o poste-ídolo que estava junto ao altar, e com a madeira sacrifique um dos bois de seu pai em holocausto ao Senhor. Gideão sabia que isso era uma grande afronta à maneira de viver que o povo tinha escolhido. Com medo do que poderia lhe acontecer, Gideão fez o serviço à noite.

A afronta foi dupla. Gideão não apenas estava quebrando qualquer aliança com outros deuses, ele destruíra os objetos de culto da casa do próprio pai. Gideão pôs em risco suas terras, seus servos, sua vida e vida de sua família. Todos poderiam ser mortos e suas terras queimadas como resposta a essa afronta. Mas o Senhor não permitiu que isso acontecesse.

Gideão não era um poço de certezas e convicções. Depois de ouvir o Anjo do Senhor pela primeira vez ele quis confirmações de que era realmente o Senhor que estava falando. Ele não conhecia bem o Senhor nem a Sua lei. Mas ele obedeceu.

Eu não sei qual são os altares que você tem na sua vida. Não sei quantos postes-ídolos você tem edificado em volta desses altares. Mas eu sei uma coisa. O método de Deus para transformar pessoas simples, medrosas e inseguras em heróis ainda é o mesmo. OBEDIÊNCIA. Destrua o altar de Baal, arranque os postes-ídolos e queime tudo em holocausto ao Senhor. Se for o Senhor quem fala ao seu coração, não tenha medo. Obedeça. Não importa se não era o que você estava pensando, não importa se vai desagradar quem quer que seja. Quando o Senhor fala e confirma sua voz, a obediência é a melhor opção.

Gideão foi desafiado para abandonar o lamento, deixar pra trás o choro, a aceitar o desafio de confiar na presença do Senhor e colocar-se a serviço dele... a se alegrar mais na sua presença do que nas vitórias e a obedecer confiadamente no Senhor. A força de Gideão estava na Confiança, no Serviço, no Contentamento e na Obediência. Essa força está a nossa disposição. Deus continua querendo transformar homem e mulheres simples, medrosos e inseguros em verdadeiros heróis. Basta seguir os passos de Gideão: CONFIAR, SERVIR, CONTENTAR-SE E OBEDECER.


Então, se virou o SENHOR para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu? (Juízes 6:14 RA)


Uma panorâmica a jato
A Bíblia é a auto-revelação de Deus. Através dela, Deus revela sua intervenção pessoal na história da humanidade. Falando de outra maneira, Deus inspirou homens e mulheres a escreverem histórias que revelam o Seu caráter, deixando assim registrado para a humanidade quem Ele é.

A Bíblia está dividida em duas grandes partes que nós conhecemos por Antigo e Novo Testamento. O Novo Testamento fala do ministério de Jesus, sua vida, morte e ressurreição; Fala também dos desdobramentos que se seguiram, como o surgimento e a expansão da Igreja. Já o antigo testamento é uma coleção de registros sobre o povo de Israel e sobre relacionamento de Deus com esse povo. Gideão, sobre quem vamos falar, fazia parte do povo de Israel.

A história desse povo começa com um homem chamado de Abraão. Abraão vivia em uma cidade conhecida como Ur dos caldeus. Era uma região em que as pessoas faziam para si esculturas e as adoravam como divindades. Deus desafiou Abraão a sair daquela região e a começar algo diferente. Deus queria formar um povo especial a partir de Abraão e prometeu que da descendência dele nasceria uma grande nação. Esse povo seria especial por ter sido escolhido por Deus e sua diferença seria um relacionamento direto com Ele. Abraão aceitou o convite e confiou em Deus. Por causa disso é conhecido com o Pai da fé.

Abraão teve um filho chamado Isac, que nasceu quando Abraão tinha 100 anos e Sara, a esposa de Abraão, tinha 90. O nascimento daquele menino do ventre de uma anciã de 90 anos foi a forma que Deus usou para dizer que não falharia com a sua promessa. Isac casou-se com Rebeca, uma jovem muito bonita, e eles tiveram gêmeos: Esaú, o mais velho, e Jacó, o mais novo. Naquela época o filho mais velho tinha muitos privilégios em relação aos outros, inclusive herança dobrada em relação aos demais irmãos. Mas Deus quebrou a ordem dos costumes e disse que nação que ele prometera a Abraão viria do mais novo, de Jacó, não do mais velho.

Jacó poderia ter sido brasileiro, se o Brasil existisse naquela época. Ele sempre dava um jeitinho nas coisas. Ele negociou com o Esaú, seu irmão, e tirou dele os direitos do primogênito; Ele fez uma sociedade com o sogro, Labão, e se deu tão bem nos negócios que se tornou mais rico do que ele. Até com Deus ele quis negociar. Mas Deus não negocia com ninguém. Por isso, Deus foi ao encontro de Jacó e o confrontou em um vale chamado de Jaboque. Lá, Jacó, que significa enganador, teve seu nome mudado para Israel, que significa príncipe. Jacó, ou Israel, casou-se com Raquel e teve 12 filhos.

Um dos filhos de Jacó chamava-se José. Ele foi vendido como um escravo pelos outros irmãos, que tinham inveja dos privilégios que ele tinha em casa. Com isso, José foi parar no Egito. Depois de injustiçado e preso, Ele elaborou e executou um plano para enfrentar uma grande seca. Com o sucesso do plano ele ganhou muito prestígio e levou toda a sua família para morar no Egito, salvando a todos da morte.

Durante 400 anos, os descentes de Abrão, Isac e Jacó, permaneceram no Egito. Eles cresceram tanto em número que os governantes do Egito começaram a ficar preocupados com a possibilidade de uma revolta dentro do seu país e impuseram uma carga de trabalho muito grande aos israelitas. O povo de Israel, também conhecidos como Hebreus, estava sendo muito oprimido. Os governantes do Egito chegaram a fazer uma lei que obrigava as parteiras a matarem os meninos que as mulheres israelitas dessem à luz. Um dos meninos que se salvou nessa época foi Moisés. Em vez de ser morto, ele foi criado pela filha do faraó.

Ao se tornar adulto, Moisés foi o líder que Deus usou para libertar o povo de Israel da escravidão que eles viviam no Egito. Quando Deus chamou Moisés para essa missão, Ele lembrou a promessa que havia feito a Abraão, de fazer uma grande nação da descendência dele, e orientou Moisés para que levasse todo aquele povo para a terra prometida. Ao chegar naquele lugar, o povo ficou com medo de entrar na terra porque já havia outros povos morando lá. Deus, então, conduziu Moisés por 40 anos no deserto até que nascesse uma nova geração capaz de confiar na promessa.

O sucessor de Moisés foi Josué. Ele ela um general de guerra. Depois da morte de Moisés, Josué desafiou o povo a entrar na terra prometida e conquistar o espaço que Deus já havia dado. As conquistas de Josué começaram com uma cidade chamada Jericó. Ele ocupou quase toda a área que Deus havia prometido e o povo de Israel se instalou em uma região conhecida como Canaã. Mas alguns dos povos que viviam naquela região não foram expulsos nem conquistados no tempo de Josué. Entre esses povos havia os Midianitas.

Depois que Josué morreu, o povo de Israel se acomodou na nova terra e se esqueceu de tudo o que Deus havia feito. Eles se associaram aos povos que não havia sido expulsos, abandonaram o culto a Deus e passaram a adorar os deuses daqueles povos. Todas as vezes que abandonavam ao Senhor, eles eram dominados e oprimidos por alguma das nações que já moravam naquela região. Era essa a situação nos dias de Gideão.

Gideão viveu dias muito difíceis. No começo do capítulo 6 de Juízes, vemos que os midianitas e amalequitas tinham uma estratégia terrível. Eles esperavam que Israel fizesse todos os procedimentos do plantio, deixavam que a plantação crescesse um pouco, deixavam que os animais se multiplicassem e depois faziam uma espécie de arrastão, e destruíam tudo que Israel havia feito.
(3) Porque, cada vez que Israel semeava, os midianitas e os amalequitas, como também os povos do Oriente, subiam contra ele. (4) E contra ele se acampavam, destruindo os produtos da terra até à vizinhança de Gaza, e não deixavam em Israel sustento algum, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos. (5) Pois subiam com os seus gados e tendas e vinham como gafanhotos, em tanta multidão, que não se podiam contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra para a destruir. (Juízes 6:3 -5 RA)

Respondeu-lhe Gideão: Ai, senhor meu! Se o SENHOR é conosco, por que nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o SENHOR subir do Egito? Porém, agora, o SENHOR nos desamparou e nos entregou nas mãos dos midianitas. (Juízes 6:13 RA)

E ele lhe disse: Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai. (Juízes 6:15 RA)


(25)Naquela mesma noite, lhe disse o SENHOR: Toma um boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal, que é de teu pai, e corta o poste ídolo que está junto do altar. (26) Edifica ao SENHOR, teu Deus, um altar do cume deste baluarte, em camadas de pedra, e toma o segundo boi, e o oferecerás holocausto com lenha do poste ídolo que vieres a cortar. (27) Então, Gideão tomou dez homens dentre os seus servos e fez como o SENHOR lhe dissera; temendo ele, porém, a casa de seu pai, e os homens daquela cidade, não o fez de dia, as de noite. (Juízes 6:25-27 RA)


GIDEÃO E O LAGAR

Gideão era um pequeno agricultor e estava trabalhando na colheita do trigo quando ele ouviu: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu? Malhar o trigo era o processo de tirar o grão de trigo da casca. Agricultores como Gideão faziam isso de três maneiras: batiam na palha com um bastão, usavam os animais para pisarem o trigo ou passavam uma espécie de trenó sobre o cereal. Tudo isso era feito em campo aberto.

Mas Gideão estava malhando o trigo no lagar. O lagar era um tanque de pedra, feito no chão, que era usado para pisar as uvas e fazer vinho. Mas porque Gideão estava debulhando trigo no lugar de fazer vinho? É que o lagar era como se fosse uma piscina funda, assim ele estava escondido das vistas dos midianitas. Pode-se ver que Gideão era inteligente, mas estava com muito medo de ver a sua colheita mais uma vez destruída. Por isso, ele foi malhar o trigo no lagar.

A família de Gideão era pequena e não era rica. Ele mesmo era apenas um agricultor que plantava pra comer e estava com muito medo de ser saqueado por mais um arrastão dos midianitas, mas o Anjo do Senhor ao saudá-lo o chamou de homem valente e disse que ele livraria Israel dos Midianitas se fosse nessa força que ele tinha. Mas que força poderia ter Gideão? Ele não parecia forte. Ele até reclamou quando o Anjo do Senhor o saudou dizendo que o Senhor era com ele...

Gideão se via como alguém totalmente desprovido de condições para fazer qualquer coisa quanto à opressão dos Midianitas. Ele não tinha um exército a sua disposição, não tinha armas apropriadas para se defender, e sua família era pequena e pobre.Muitas vezes é assim que nos sentimos. Nossa vida é uma desgraça, somos os mais fracos, os mais pobres... O menor entre os menores. E ainda por cima vêm os midianitas, fazem um arrastão e levam tudo que construímos. Aí dizemos como Gideão... Se o SENHOR é conosco, por que nos sobreveio tudo isto? Não fique triste! Hoje a Palavra do Senhor vem lhe dizer: O Senhor é contigo, homem valente! O Senhor é contigo, mulher valente!

GIDEÃO E A FORÇA

Talvez você se lembre de um personagem dos desenhos animados que dizia “Eu tenho a força!”. Era o He-man! Quando se sentia acuado pelos inimigos, ou quando precisava cumprir uma missão muito difícil, ele levantava a sua espada e gritava: eu tenho a força! O He-man buscava essa força nos poderes da uma caveira cinza;

Numas das trilogias mais famosas do cinema, Star Wars, os Gedais são preparados durantes toda a vida para serem guardiões da Força. A força está dentro deles. É um poder interior e impessoal.

Heróis de todos os tempos buscam força em pedras incandescente... Poções mágicas... Na repetição de mantras... Meditações interiores... Exercícios de relaxamento... Somos desafiados por nossa cultura a buscar energia no desejo de vingança... Na obsessão por um sonho... No ímpeto de consumir... Ou simplesmente na busca pela auto-satisfação.

Mas, e no caso de Gideão? Que força era essa que nem ele conhecia. O anjo do Senhor disse a Gideão: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas. Qual era a força que o Anjo do Senhor estava enxergando naquele homem, malhando trigo dentro do lagar escondido dos midianitas?

A primeira pista que temos é a saudação do anjo (v.12): O SENHOR é contigo, homem valente. A situação era desfavorável, o medo era grande, o clima de insegurança era permanente... Mas Gideão foi lembrado pelo anjo que o Senhor estava com ele. Essa deveria ser a base da força de Gideão. A presença de Deus. Não havia motivos para Gideão acreditar que Deus estivesse presente em meio às enormes adversidades que ele estava vivendo com sua família. Mas Deus estava com ele e era dessa verdade que ele deveria extrair sua força.

Eu não sei quais são as adversidades que você está vivendo... Não sei se você está malhando o trigo no lagar, dentro de um buraco, pra ver se passa despercebido... Não sei se os midianitas e amalequitas da sua vida acabaram de fazer um arrastão e levar os seus sonhos de uma vida digna, honesta e em paz. Mas eu sei de uma coisa: O senhor é contigo, homem valente. O senhor é contigo, mulher valente. A sua força deve ter como base essa verdade.

A segunda pista que temos da força de Gideão é a pergunta que o Senhor faz a Ele (v.14): Porventura não te enviei eu? Gideão estava sendo desafiado pelo Senhor a fazer algo além das suas possibilidades. Como um pequeno agricultor, sem qualquer experiência em liderar um exército, poderia enfrentar o desafio de lutar contra uma multidão de nômades bandoleiros que avançavam como um enxame de insetos sobre a terra? Como aquele homem, triste com o silêncio do Senhor, poderia fazer algo em nome do Senhor? Por isso Gideão precisava compreender que aquela missão não era sua, mas do Senhor. Gideão seria forte porque ele estava a serviço do Senhor.

Não sei os projetos que você tem a sua frente. Nem sei se você tem algum projeto. Mas eu sei de uma coisa: você vai encontrar força do alto quando os projetos da sua vida não forem apenas seus projetos, mas sim os sonhos do Senhor. Deus não tem compromisso com os seus projetos pessoais. O compromisso dele é em moldar sua vida e construir em você o caráter Cristo. Gideão nem sonhava em liderar um exército e vencer os midianitas, ele só queria malhar o trigo dele em paz. Mas Deus tinha um outro projeto. Permita que o Senhor lhe revele os planos Dele. Aí você vai se sentir forte quando ouvir o Senhor falar: Porventura não te enviei eu?

A terceira pista para descobrirmos que força era essa que o Anjo do Senhor vira em Gideão é o encorajamento do Senhor no verso 16: Tornou-lhe o Senhor: Já que estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem. Nesse encorajamento de Deus, há uma condição importante. O senhor garante a vitória para Gideão, mas ela só aconteceria se Gideão acreditasse que era a presença de Deus que daria a vitória. Não era o tamanho do exército... Não era a qualidade das armas... Nem qualquer tipo de acordo com o inimigo.

Eu não sei se você tem compreendido, mas para o Senhor a vitória é apenas a conseqüência da presença dele. Para ele é muito mais importante que você deseja estar próximo dele do que obter dele os seus sonhos de consumo. Não tenha medo, Gideão, eu vou estar com você. Essa é grande promessa de Deus. A vitória é boa, alegra o coração, mas a presença do Senhor é muito melhor. Você tem convidado o Senhor para caminhar ao seu lado de segunda a sábado, ou você apenas o visita no domingo à noite? Quando ele está conosco podemos fazer como Gideão e ferir os midianitas da vida como se fossem um só homem.

A quarta pista é decisiva para entendermos a força de Gideão. Avance um pouco na sua bíblia e acompanhe comigo os versos de 25 a 27.

Depois de encorajar Gideão, de lembrá-lo da presença permanente do Senhor, de garantir a vitória diante dos midianitas, depois de explicar que a missão para a qual ele estava sendo chamado era um projeto de Deus. O Senhor revela qual seria o mecanismo pra tornar real e verdadeira a expressão homem valente, pela qual Gideão havia sido chamado. O Senhor apresentou o seu método para transformar pessoas simples, medrosas e inseguras em heróis: OBEDIÊNCIA.

08 fevereiro 2006

Quanto Vale a Vida Humana?



Por Aristarco Coelho

Esses dias, fiquei chocado com duas notícias. Como todas as notícias do nosso mundo on-line, elas apareceram na primeira página no jornal da noite, mudaram para uma coluna lateral na manhã do dia seguinte, no final do dia já eram notas de rodapé e desapareceram no seu aniversário de 72 h.

Em São Paulo, Carolina dos Santos, uma estagiária de 22 anos, arquitetou e executou um plano macabro para assumir uma vaga na empresa em que trabalhava. Encomendou o assassinato da colega de trabalho que ocupava uma posição na tesouraria da empresa. Renata escapou da emboscada e afastou-se da empresa temporariamente. Mônica, funcionária no departamento de RH, que substituiu Renata, não teve a mesma sorte e morreu atingida por cinco tiros. Mônica havia acabado de voltar de sua licença maternidade. Deixou órfãos um bebê e um garoto de nove anos. Respondendo a uma entrevista, Carolina falou sobre a colega: “Ela Morrendo, eu teria a minha chance”.

Em Belo Horizonte uma mãe, após sair do hospital com sua filha recém nascida, pôs a criança dentro de um saco, amarrou e jogou na Lagoa da Pampulha. O inquérito concluído pelas autoridade aponta como motivo o fato de que o pai da pequena Letícia (nome dado pela Justiça) não era o homem com quem Simone estava vivendo, o que seria embaraçoso de explicar. Sob a pressão das câmeras, Simone referiu-se à filha recém nascida como “A droga dessa menina”.

Diante de histórias como essas, é impossível não refletir sobre o valor que a vida humana tem em nossa sociedade. Cada vez mais, tenho visto a vida perder a disputa quando é colocada lado a lado com dinheiro, poder, prazer, bem-estar, reconhecimento ou outros elementos menos atrativos.

Talvez, para entender o enrosco em que nos metemos, se deva voltar a perguntar por que a vida humana deveria ter valor? O que deveria nos mover a preservá-la, a colocá-la em uma posição privilegiada de proteção. Por que a vida, mesmo de outra pessoa, deveria ser mais importante, por exemplo, do que meu próprio prazer? Para responder a essa pergunta, precisamos resgatar compreensão do que seja a vida humana.

Porque se a vida for um subproduto do instinto de sobrevivência, sua preservação, então não é de tanta importância; se for meramente o funcionamento de rins, coração, cérebro e pulmões, então sua perda, apesar de sofrida, não tem significado maior que a morte de um animal de estimação; se cada ser humano é apenas um amontoado de células que por um mecanismo sofisticado se organizaram, o valor da vida humana se limita à solução de uma fórmula intrincada; se a vida resume-se a breves momentos de prazer e satisfação, se realmente não passa disso, “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos”.

Como é cruel a perspectiva hedonista da vida, que pela satisfação travestida de necessidade não hesita em matar! Como é degradante o egoísmo que não enxerga o valor de uma vida recém nascida, mas a descarta como forma de encobrir seus próprios tropeços! Mas não há motivos para execrá-las. Elas são apenas ícones representativos de nossas sociedades, imagens do que somos ou podemos vir a ser.

Há saída para o que estamos vivendo? Acredito que sim! Acredito que há uma saída e ela está no resgate do valor intrínseco da existência. Acredito que a vida como um todo, e a vida humana em especial, surgiu pela ação de um Criador. A vida humana não existia. Passou a existir pela decisão e ação de um Criador pessoal. A Bíblia fala do fôlego da vida para referir-se ao elemento vital que foi doado pelo criador para que passássemos a existir.

A vida é um presente de grande valor. Sob a ótica da criação, é fácil entender isso. Deus doou parte de sua essência vital, soprou o fôlego da vida e nos presenteou com a existência. A vida então se reveste de sacralidade, assume a imagem de quem a gerou. É assim que o livro dos começos fala: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança (...) Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente" (Gen. 1:26, 2:7).

Penso que perdemos o senso de valor da vida porque se perdeu no tempo o próprio conceito de sua sacralidade. Se a vida é presente de Deus, trazendo consigo o Seu sopro, ela deve ser preservada, protegida, amada e vivida com amor. Se a vida é presente de Deus, imagine que grande afronta é tirar do outro o presente recebido (seja porque motivo for), e que grande desfeita é jogar fora o presente ganho.

O mundo que extirpou o Criador da mente, do coração e da alma das pessoas, sofre agora com o desaparecimento de valores que só fazem sentido a partir Dele. Por isso, o resgate da vida humana passa, sem alternativa, pela restituição ao seu Criador do lugar que lhe é devido. Compreenda que o valor da vida humana só vai ser plenamente reconhecido a partir da restauração dessa relação de amor e confiança com o Criador da vida

Isso não acontece coletivamente, não é à base de decisões governamentais, não pode ser imposto e não se realiza da noite para dia. Mas, é preciso que eu e você tomemos a decisão de permitir (porque não podemos restaurar por nós mesmo) e de começar desde já a participar dessa restauração através da pessoa histórica de Jesus Cristo.

Conversando com um estudioso da lei judaica de nome Nicodemos, Jesus falou sobre a restauração da relação de amor e confiança com o Criador da vida como a necessidade de um novo nascimento. É isso o que estamos precisando: nascer de novo! Esse nascer de novo nada mais é do que a geração em nosso íntimo da plena confiança na capacidade e na intenção do Criador em agir a nosso favor todo o tempo, e também da capacitação para obedecê-lo todo o tempo.

A vida humana é o bem mais precioso de que dispomos. O único que irá transpor a eternidade. Preservá-la, protegê-la, amá-la e vivê-la com amor faz parte das expressões mais elevadas do caráter de Deus.

06 fevereiro 2006

Família - Parte 2

Principais Desafios Enfrentados pela Família
Aristarco Coelho

Como se vê são muitos os desafios enfrentados pela família nesse início de século. Para introduzir alguns deles, gostaria de apresentar um diagnóstico feito pelo sociólogo José Pastore da Universidade de São Paulo. Em um texto de sua autoria sobre a situação sócio-econômica da mulher, divulgado pelo Conselho Nacional de Direitos da Mulher, ele diz:

“Até o final dos anos 50, o relacionamento sexual se baseava no engajamento amoroso de longa duração. Para ter sexo era preciso casar. Na década de 60, o mundo assistiu a separação entre sexo e casamento. O sexo atrelou-se à sinceridade dos parceiros, e não necessariamente ao casamento. O sexo fora do casamento deixou de ser tratado como expressão do pecado, passando a ser considerado como uma saudável expressão de amor. Mas a família continuou essencial para criar a prole. Na década de 90, porém, o casamento começou a se descolar da família. Hoje, muitas crianças vêm sendo geradas e criadas por parceiros não casados, e que não pretendem se casar (...) Assim, num primeiro estágio, o sexo se separou do casamento. Agora o casamento ameaça se dissociar da família (...) Resta saber qual será o impacto dessa inovação sobre os produtos do relacionamento - os filhos. Só o futuro dirá. Afinal, as crianças nascem sem voz, voto ou veto.”
http://www.ibam.org.br/viomulher/inforel13.htm

Acredito que os principais problemas enfrentados pela família nos dias de hoje estão relacionados a essa implosão do tripé Sexo, Casamento e Família. Esses três elementos foram amalgamados pelo Senhor desde a criação do homem.

Em Gênesis 2:24, o Senhor deixou registrado em sua Palavra esse amálgama:

24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.

O rompimento com as estruturas familiares de origem precede a formação de um novo núcleo familiar, celebrado através de um sexo gerador de unidade para o casal.

A liga, formada por sexo, casamento e família, considerava lícitas apenas as relações sexuais que faziam parte do contexto do casamento. Por sua vez, o casamento se constituía no ponto de partida para a formação de uma família. Assim, era preciso casar para desfrutar de sexo lícito e também para ser reconhecido como família.

O Sexo desassocia-se do casamento

A partir da década de 60 do século 20, o sexo passou a ser considerado lícito também fora do casamento e, assim, deixou de ser necessário casar para desfrutá-lo. Com essa compreensão, bastava a sinceridade dos envolvidos para se praticar sexo.

Esse momento de ruptura é muito importante para a família. A questão principal não é que os anos 60 trouxeram o sexo fora do casamento, até porque isso não é verdade. A questão é que, a partir desse momento, a sociedade começou a considerá-lo como uma expressão de amor e sinceridade, não mais como pecado.

A noção de que há tempo e cenário apropriados para o sexo, e que esse cenário é formado por direitos e responsabilidades foi substituída por uma percepção hedonista dos relacionamentos, pela busca do prazer a qualquer custo.

Alguns subprodutos dessa ruptura resultaram em grandes desafios para a família: O Liberalismo Sexual, a Pornografia e o Avanço da Proposta Homossexual estão entre eles.

Liberalismo Sexual

Na busca pelo prazer a qualquer custo os jovens têm sido iniciados cada vez mais cedo na vida sexual. Na verdade, antes mesmo de manterem os primeiros contatos físicos no início da adolescência, garotos e garotas são expostos diariamente a uma cultura sensual e erótica.

Novelas, Filmes e Comerciais bombardeiam os olhos e a mente de nossos pequeninos com idéias e valores que lhes roubam a infância e aceleram o processo de amadurecimento. Nas meninas, a menarca chega mais cedo; nos meninos se desenvolve o interesse precoce pelos estímulos sexuais.

Quando chegam à adolescência, a pressão por sexo é tremenda e os referenciais culturais dizem: Faça! Por que esperar? Os resultados colhidos são a redução assustadora na média de idade da primeira relação sexual, o aumento do número de adolescentes grávidas e a virgindade
desconhecida como símbolo de domínio próprio, respeito e honra.

A promiscuidade decorrente do sexo com diversos parceiros, mesmo remediada com o uso de preservativos, é uma das principais formas de contaminação pelo vírus da AIDS. Solteiros promíscuos arriscam-se a si mesmos e aos seus parceiros; Casados promíscuos têm a agravante de colocar em risco o cônjuge fiel que se considera protegido pela pretensa integridade de seu relacionamento.

Irmãos pastores e líderes, a palavra de Deus é rasgadamente clara sobre esse assunto. Vejam o que dizem os textos:

Hebreus 13:4 Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.

Apocalipse 21:8 Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.

Apocalipse 22:15 Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira.


Nestes textos a palavra grega traduzida como impuro é por'-nos e trás o sentido de debochado, libertino ou fornicador. São palavras duras, irmãos, que nos desafiam a uma vida pessoal santa e ao exercício de uma liderança firme e amorosa de nossos rebanhos rumo à santidade.

E certo que devemos nos esforçar para sermos padrão em nosso proceder diante do rebanho de Deus. Também não podemos deixar de apontar a pessoa do Senhor Jesus Cristo como o alvo maior de santidade para nossos jovens. Santos como o Senhor é santo.

Pornografia

A desassociação entre o sexo e o casamento tornou-se um campo fértil para a proliferação da pornografia. Os meios de comunicação estão inundados de imagens pornográficas que reduzem o sexo a algo vulgar, mundano, subumano e pecaminoso.

A pornografia não atinge apenas crianças e adolescentes, ao apresentar para ele uma caricatura do sexo, ou mesmo os jovens, seduzindo-os ao prazer fácil e sem compromisso. Muitos casais cristãos estão presos ao uso de filmes e adereços pornográficos como uma espécie de elixir milagroso que se propõe a substituir o desenvolvimento de uma relação amorosa que investe no prazer saudável do outro.

Internet, TV por assinatura, vídeos, outdoors e revistas podem ser bem usados, quando são usados para a glória de Deus. Faça um pacto com Deus sobre onde seus olhos vão repousar e permanecer. Faça como fez Jó. Decida em seu coração não colocar diante de seus olhos nada que seja torpe aos olhos do Senhor.


Avanço da proposta homossexual

A primeira coisa que gostaria de afirmar sobre essa questão é que Deus ama profundamente o ser humano. Nossas decisões com relação a nossa expressão sexual não mudam absolutamente nada desse amor. O amor que Deus tem por sua criação é tão grande e tão incompreensível que Ele é capaz de nos amar intensamente mesmo quando nossa discordância com Ele se transforma em um afronta à sua vontade.

É assim que acontece com relação àqueles que optam por expressar sua sexualidade através de relacionamentos com pessoas do mesmo sexo. Por isso não cabe em nossos discursos nenhuma palavra ou atitude discriminatória.

No entanto, não podemos deixar de constatar que o avança da proposta homossexual está ligada diretamente a essa dissociação entre o sexo e casamento e à busca do prazer a qualquer custo. A proposta homossexual invade a sociedade e a igreja não apenas com uma forma de expressão de sexualidade, mas com um modelo de relacionamento familiar que não é compatível com os valores expressos pelo Senhor em sua Palavra.

Tenho a impressão, irmãos, que os movimentos de apoio ao homossexualismo têm a exata noção de como esses modelos são incompatíveis e por isso tem avançado com firmeza para ocupar espaços e vender suas propostas através do todos os meios de comunicação existente.

A igreja, nesta questão, parece acuada. Líderes, inseguros sobre como abordar a questão, emudecem sobre o assunto em seus púlpitos. Mais que isso, igrejas consagram pastores homossexuais, e autorizam esses líderes a celebrarem casamentos homossexuais.

Um grande desafio se coloca para a Igreja do Senhor Jesus Cristo: Oferecer um ambiente, uma comunidade, onde a correta e saudável expressão sexual exerça uma atração irresistível sobre aqueles que optaram pelo homossexualismo e os conduza ao amor indescritível que Deus tem por nós.

A família desassocia-se do casamento


A família assume formas alternativas, resultante das mudanças das relações familiares. Assim, não é mais preciso casar-se para ser considerado como família.

Essa desassociação entre família e casamento também apresenta subprodutos que são desafios para a família no século XXI. Novas formas de união têm substituído o casamento como indicativo da constituição de uma família.

Coabitação

Vou recorrer outra vez aos estudos do prof. José Pastore para tentar explicar quão prejudicial pode ser para a família a decisão de apenas morar juntos. Ele diz o seguinte:

“Nos Estados Unidos, entre 1980 e 1995, houve um aumento de 80% nesse tipo de união. Cerca de 50% dos casais jovens (menos de 40 anos) já estão nessa. "Viver junto" passou a ser uma forma cômoda de usar o mesmo teto, mantendo contas bancárias separadas (...) Ainda não se chegou a uma teoria consolidada sobre as vantagens de casar ou viver junto. Mas, as pesquisas mostram que as pessoas que vivem junto tendem a ser menos comprometidas do que as casadas. Cerca de 50% dos que vivem juntos se separam dentro de cinco anos - contra 30% dos casados (...) Apesar disso, viver junto ganha popularidade. Na Suécia, cerca de 50% das crianças são filhas de pais não-casados; na França, 35%; nos Estados Unidos, 30%. São números expressivos e que indicam uma alta probabilidade dessas crianças virem a ser criadas por apenas um dos parceiros, dada a grande incidência de separação entre os que vivem juntos (...) A sociedade parece não ter encontrado, até o momento, substitutos adequados para o matrimônio e para a família. Se o casamento dura pouco, viver junto dura menos ainda. E, nesse processo, as crianças e as mulheres são as grandes prejudicadas. As conseqüências da separação acabam se arrastando por várias gerações. As mulheres terminam carregando os fardos mais pesados na educação dos filhos, nos seus desvios de condutas e até mesmo no seu sustento econômico. Ou seja, a coabitação traz mais problemas...”
http://www.ibam.org.br/viomulher/inforel13.htm

É preciso estar atento ao que esse homem, que até onde sei não professa uma fé evangélica, está dizendo. Suas palavras revelam os desdobramentos familiares de quem opta por viver sem compromissos. Compromisso, irmãos, essa é uma palavra importante. A Bíblia tem outra palavra que expressa bem essa noção de compromisso. Aliança.

O projeto de Deus para a família é um relacionamento de aliança, que não abre mão diante das dificuldades e intempéries da vida. O Senhor é zeloso das alianças que ele mesmo firma e pede também nosso compromisso com as alianças firmadas no casamento. Vejam o que diz a palavra do Senhor em Malaquias 2:13,14:

13 Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão. 14 E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança.

Que tremendo desafio é para a Igreja do Senhor pregara a mensagem para uma sociedade que não valoriza os pactos. Quão duro é para o Senhor testemunhar homens e mulheres temerosos de investir suas vidas em uma aliança para toda a vida. Homens e mulheres que constroem relacionamentos frágeis e prontos a serem desfeitos ao primeiro sinal de dificuldade. Ah... Se não fora a misericórdia do nosso Deus...

Produção Independente

Com a desassociação entre família e casamento, os filhos não são mais gerados pelo amor de duas pessoas. Agora eles são produzidos de forma independente. A linguagem industrial torna difícil tratá-la como uma forma de união.

O pano de fundo das produções independentes é o egoísmo que busca a realização pessoal na geração de uma nova vida. A intenção não é gerar para proteger, educar, formar e amar; o objetivo é produzir para satisfazer-se, realizar-se, usufruir e ser amado.

Produção independente é o resultado de corações independentes e pretensamente auto-suficientes, que não querem correr o risco de amar. Amados irmãos e irmãs, somos desafiados por Deus a ministrar para essa geração. Quem levantará a bandeira do altruísmo, da vida ofertada em favor dos outros e não do próprio prazer?

Queridos, essa é a bandeira do nosso Senhor e Salvador. Vejam o que diz Sua Palavra:

Mateus 20:28 tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

Marcos 10:45 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

I Timóteo 2:5 -6 Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos.


São grandes desafios que precisam ser compreendidos e encarados por nossas próprias famílias e pela família ampliada que se chama igreja.


*Palestra proferida em evento promovido pela Convenção Batista Cearense e realizado no auditório do Colégio Batista Santos Dumont, contando com a participação dos pastores ligados àquela denominação e suas respectivas esposas

05 fevereiro 2006

Alegrando o Coração do Pai - Justiça

INTRODUÇÃO
Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? (Salmos 15:1 Revista e Atualizada)

Senhor, quem poderá viver na tua presença? Quem terá livre acesso ao lugar santo onde vives? (Salmos 15:1 - Bíblia Viva)

Senhor, quem pode achar refúgio na tua casa, e ficar contigo no teu santo monte? (Salmos 15:1 - IBS – Sociedade Bíblica Internacional)

Inspirado pelo Espírito de Deus, Davi relaciona as características daqueles que alegram o coração do Pai ao ponto de fazer Deus desejar sua companhia.

Você já se sentiu meio deslocado... Sem graça em algum lugar? Acho que todos já passamos por essa situação. Às vezes é simplesmente porque estamos em um lugar pela primeira vez, ou porque não conhecemos as pessoas em nossa volta; mas outras vezes é porque a gente não se sente à vontade com lugar. Não é a nossa cara, não tem o nosso jeito. Você pode até passar uma temporada em um lugar assim. Mas você jamais pensaria em morar lá. Alguns se sentem assim na casa da sogra. Graças a Deus não é o meu caso.

Por outro lado, muitas vezes você chega a um lugar e se sente bem. Parece que há uma sintonia com a ambiente. As coisas acontecem com naturalidade e você se sente tão parte daquele lugar que até moraria lá. Alguns se sentem assim na casa da sogra.

No Salmo 15, Davi reflete exatamente sobre isso. Não sobre a casa da sogra, mas sobre como é a vida daqueles que se sentem à vontade da casa do Pai. Qual é o jeito de viver que está tão afinado com o coração de Deus que nos faz desejar viver com Ele dia a dia e morar com Ele na eternidade. É difícil morar com alguém de quem não se é realmente íntimo... É difícil conviver se não houver uma sintonia de pensamento... Se é difícil viver assim apenas a vida ao lado de alguém, imagine a eternidade!

Senhor, quem poderá viver na tua presença? Quem terá livre acesso ao lugar santo onde vives? (Salmos 15:1 - Bíblia Viva)

Viver com integridade alegra o coração do Pai. Foi isso que vimos no domingo passado. Deus se alegra com a inteireza de propósito e ação. Ele fica feliz quando não escondemos o jogo, quando abandonamos as duas caras e não tentamos apresentar algo falso sobre nós mesmos. Deus se alegra quando dizemos a verdade sobre nós. Quando dizemos a verdade aos outros, a nós mesmos e a Ele. Ele se alegra não porque seja um Deus cruel que quer expor as feridas da nossa vida, pelo contrário, é porque ele tem a cura para essas feridas. Por isso fomos alertados sobre as esquinas da hipocrisia, do auto-engano e da apostasia. A cura começa pela confissão. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.

Abra sua Bíblia no salmo 15 e acompanhe a leitura.

Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; O que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; O que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; O que jura com dano próprio e não se retrata; O que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.

No verso 2 Davi fala das atitudes de quem alegra o coração do Pai. A segunda delas é praticar a justiça, ou no original hebraico, pa`al tsedeq

Quando ouvimos a palavra justiça, vêm a nossa mente imagens como defesa, acusação, tribunais, fóruns, juízes, desembargadores, advogados, causas cíveis, trabalhistas e criminais. Justiça, em nossos dias, normalmente se relaciona com aspectos legais da vida. A raiz da palavra Tsedeq, no entanto, está ligada a retidão, no sentido físico. Já a palavra pa ‘ al significa fazer algo sistematicamente ou realizar algo habitualmente. Praticar a justiça, então, ao pé da letra, seria algo como “viver reto”.

Uma das maneiras que temos para verificar a retidão de algum objeto é comparar aquilo que desejamos saber se está reto com algo que já sabemos ser reto. Assim, o pedreiro usa o prumo para ver se a parede que ele está levantando está reta. O fio de prumo é uma linha de nylon amarada em um das pontas numa base de madeira e na outra em um pedaço de chumbo. Segurando a base de madeira o fio se estica e fica reto pela força da gravidade. Aí é só encostar o prumo na parede e ver se a ela realmente está reta.

Mas é claro que Davi não está falando de paredes. Já no tempo dos patriarcas a palavra Tsedeq (ou justiça) tinha o sentido figurado de agir conforme um padrão. Praticar a justiça, então, é agir de acordo com um modelo... É moldar nosso caráter de maneira fiquemos cada dia mais parecidos com a perfeita retidão... Deus mesmo é o prumo ao qual devemos comparar nossas vidas. Para Davi, então, praticar a justiça é cultivar o hábito de agir de acordo com o agir de Deus. Não sou eu quem faz esse desafio, irmãos, é o próprio Senhor.

Levítico 11:45 Eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo.
Mateus 5:48 Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso pai celeste.

Estamos falando de atitudes que alegram o coração do Pai. Estamos falando sobre uma maneira de viver. Por isso eu gostaria de trazer à nossa memória algumas situações práticas que enfrentamos na vida e que exigem convicção e determinação para praticarmos justiça, isto é, para alinharmos nossas atitudes ao coração do Pai.

NOS NEGÓCIOS
Uma das áreas da vida sobre a qual a Bíblia apresenta muitas orientações para uma vida que alegra o coração de Deus é o mundo dos negócios. Não são orientações operacionais, mas são indispensáveis para que o servo de Deus mantenha intacta a sua fé.

(1) Algumas dessas orientações para alegrar o coração de Deus nos negócios dizem respeito à Honestidade. Há um símbolo da justiça que ainda hoje persiste: a balança. No Brasil, ela sempre fez parte das representações do judiciário. É uma balança de pratos, e não a balança digital do supermercado. Na balança de pratos, o comerciante tem pesos de diversos tamanhos. Ele coloca os pesos de um lado e os produtos do outro. No equilíbrio, temos a quantidade desejada do produto.

Pode parecer que Deus nada tenha a ver com balanças e pesos, há gente que pensa assim: eu não misturo as coisas: negócio é negócio, igreja eu vou no domingo. Mas é um engano. O Senhor deixou registrado o quanto ele se preocupa com a honestidade dos negócios.

Provérbios 11:1

balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer.
Provérbios 16:11

Peso e balança justos pertencem ao SENHOR; obra sua são todos os pesos da bolsa.
Provérbios 20:23

Dois pesos são coisa abominável ao SENHOR, e balança enganosa não é boa.
Ezequiel 45:10

Tereis balanças justas, efa justo e bato justo.
Miquéias 6:11

Poderei eu inocentar balanças falsas e bolsas de pesos enganosos?
Levítico 19:36

Balanças justas, pesos justos, efa justo e justo him tereis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito.

O Efa e o Bato eram medida padrão para líquidos, como se fosse o nosso litro. Os dois correspondiam a 36 litros; o Him também era uma medida para líquido que correspondia a 6 litros. Tanto essas medidas quanto os pesos eram instrumentos de trabalho para os comerciantes. Não há como entender diferente os texto que lemos. Deus se alegra com a honestidade nos negócios. O texto de Provérbios 11:1 diz que ele tem prazer no peso justo.

Todos fazemos negócios. Todos compramos e vendemos. Como andam os seus negócios? Você tem sido reto, justo, quando negocia? Ou usa dois pesos e duas medidas, uma para comprar e outra para vender. Na hora de comprar não vale nada, na hora de vender vale uma fortuna? Na hora de comprar só os defeitos, na hora de vender só as virtudes? Você é honesto com seus clientes ou segue as leis do mercado?

Parece que no comércio as coisas mudam de nome: CD pirata, que rouba os direitos autorais... é alternativo (para os crentes uma bênção); mentir para o cliente sobre quanto vai durar um produto... Vira otimismo; o metro de 98 cm... Uma estratégia de venda; a comida congelada cheia de gelo... é uma fatalidade; mentir nos ingredientes de um produto... é uma necessidade, vender produto vencido... é desovar estoque. Há um grande desafio, para todos nós: alegrar o coração de Deus em meio aos negócios.

“Não tenham em casa dois padrões para a mesma medida, um maior e outro menor. Tenham peso e medidas exatos e honestos, para que vocês vivam muito tempo na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá. Pois o Senhor, o seu Deus, detesta quem faz essas coisas, quem negocia desonestamente.” (Deuteronômio 25:14-16)

As relações comerciais não são algo sem importância, e sabe por quê? Porque elas são amostras da presença (ou a ausência) de honestidade nos relacionamentos humanos. Há nas relações comerciais um acordo de confiança, uma espécie de pacto, e o nosso Deus honra seus pactos e espera que nós também façamos o mesmo. No texto do profeta Miquéias, o Senhor faz uma pergunta daquelas que não é preciso responder: Poderei eu inocentar balanças falsas e bolsas de pesos enganosos?

(2) Outra orientação da Bíblia que está ligada aos negócios diz respeito à Opressão. O profeta Oséias denuncia o que parece ser uma ligação entre prosperidade, desonestidade e a opressão. O desejo de ser próspero e ganhar dinheiro com um empreendimento não é um mal em si mesmo. Em nenhum momento a Bíblia condena isso, mas ela não esconde a luta que é fazer isso em um mundo corrompido e ao mesmo tempo alegrar o coração do Pai.

O profeta Oséias, ao falar sobre Efraim, denuncia as atitudes daquela próspera tribo. Oséias 12:7 Efraim, mercador, tem nas mãos
balança enganosa e ama a opressão;

Primeiro, ao obedecer as leis de um mercado corrompido pelo pecado, Efraim fez uso de estratégias desonestas de redução de custo. É como se nos dias de hoje eles vendessem sacas de trigo tinha 60 quilos, com apenas 59,5 quilos, sendo meio quilo de palha. Segundo, sem querer perder esse nicho de mercado, isto é, para não perder essa “boquinha” e aumentar os lucros, eles pagavam um salário vergonhoso para os seus funcionários, mesmo numa época de grande prosperidade. Efraim era desonesto nos negócios, amava a opressão, mas vivia com se nada disse estivesse acontecendo. Em um mercado corrompido, o sucesso nos negócios tem uma ligação próxima com a opressão. É um desafio alegrar o coração do Pai nesse contexto.

Não é preciso ser um grande um grande comerciante para oprimir. Fazendo churrasquinho pra vender na esquina... Em seu pequeno escritório de contabilidade... Vendendo produtos de porta em porta... Ou em uma representação que funciona em casa, você pode oprimir.

Avalie como você tem lidado com aqueles que aparentemente parecem um empecilho para que seu sucesso seja ainda maior; veja o grau de importância que as pessoas têm diante da sua prosperidade.

A palavra de Deus, através do profeta Isaías, nos chama para tomarmos uma posição pessoal contra a opressão, a injustiça e a exploração. É mais que apenas deixar de oprimir! É mais do vir à igreja... É mais que cantar boa música... É mais que ser religioso... Diante de um povo religioso, que acreditava em Deus, mas que não praticava a justiça, o profeta Isaías (1:1-17) fala assim:

O SENHOR diz: "Eu não quero todos esses sacrifícios que vocês me oferecem. Estou farto de bodes e de animais gordos queimados no altar; estou enjoado do sangue de touros novos, não quero mais carneiros nem cabritos. Quando vocês vêm até a minha presença, quem foi que pediu todo esse corre-corre nos pátios do meu Templo? Não adianta nada me trazerem ofertas; eu odeio o incenso que vocês queimam. Não suporto as Festas da Lua Nova, os sábados e as outras festas religiosas, pois os pecados de vocês estragam tudo isso. As Festas da Lua Nova e os outros dias santos me enchem de nojo; já estou cansado de suportá-los.

"Quando vocês levantarem as mãos para orar, eu não olharei para vocês. Ainda que orem muito, eu não os ouvirei, pois os crimes mancharam as mãos de vocês. Lavem-se e purifiquem-se! Não quero mais ver as suas maldades! Parem de fazer o que é mau e aprendam a fazer o que é bom. Tratem os outros com justiça; socorram os que são explorados, defendam os direitos dos órfãos e protejam as viúvas."

AO SER INVESTIDO DE AUTORIDADE PARA JULGAR
(3) Mas não é só nos negócios que somos desafiados a praticar justiça. A Bíblia nos desafia a alegrarmos o coração do Pai sempre que formos investidos de autoridade para julgar alguma causa. Desde a mãe que é chamada pelos filhos para decidir quem tem razão em uma disputa, até os juízes do Supremo Tribunal Federal em Brasília, todos julgamos. Ninguém escapa das situações de ser chamado a fazer juízo sobre alguma situação. Veja o que a Bíblia nos diz sobre isso:

Levítico 19:15 Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo.
Deuteronômio 16:19-20 Não torcerás a justiça, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno; porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e subverte a causa dos justos. A justiça seguirás, somente a justiça, para que vivas e possuas em herança a terra que te dá o SENHOR, teu Deus.

Eu poderia aplicar esse texto falando sobre a Justiça corrompido do nosso país, sobre os juízes que vendem suas decisões nos tribunais, poderia falar sobre os advogados que fazem defesas espúrias por dinheiro. Mas meu entendimento é de que a mudança disso tudo começa em minha atitude, na sua atitude. Veja como são simples as orientações:

Ao ser investido de autoridade para julgar, não se esqueça:

· Não favoreça o pobre, porque ele é pobre;
· Não faça o rico feliz, porque ele é rico;
· Não torça a justiça, interpretando a situação em favor de quem você se agrada;
· Não aceite favores para beneficiar um dos lados.


A mudança de que o nosso país precisa passa pela sua decisão pessoal em alegrar o coração do Pai e praticar justiça em cada oportunidade.

NA FORMAÇÃO DE SEU PATRIMÔNIO
(4) Durante os últimos meses eu tenho procurado aprender mais sobre como administrar melhor meu orçamento. É algo que todos nós devemos fazer. Administrar bem os recursos que Deus também é uma maneira de alegrar o coração do Pai.

Procurando alguns livros que falam sobre esse assunto, vi muitos títulos que pretendem ensinar como alguém poder ficar rico e acumular muitos bens. A bíblia não tem nada contra alguém que deseja adquirir bens e constituir seu patrimônio. Inúmeros personagens bíblicos do antigo e do novo testamento, homens e mulheres de Deus, são descritos como pessoas com grandes patrimônios pessoais.

No entanto o Profeta Jeremias deixou um alerta para aqueles que sonham em formar um bom patrimônio pessoal e também querem em alegrar o coração do Pai.

Jeremias 22:13 Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça e os seus aposentos, sem direito! Que se vale do serviço do seu próximo, sem paga, e não lhe dá o salário;

Não há mérito diante de Deus para quem constrói seu patrimônio com injustiça! Não há satisfação em Deus quando um bem é acrescentado ao patrimônio como resultado da exploração dos outros. Deus se entristece com a exploração de quem trabalha para você.

É muito fácil a gente escorregar nisso, gente. É a secretária que trabalha de sábado a domingo na sua casa, sem carteira assinada e recebendo menos que um salário mínimo... é o prestador de serviço contratado por um trocado para fazer um serviço que você não faria por cinco vezes mais... É o FGTS retido do empregado, mas não repassado aos cofres públicos... Jeremias lamentou por quem constrói seu patrimônio com injustiça. Talvez nós também devamos nos lamentar!

NOS RELACIONAMENTO INTERPESSOAIS
Levítico 19:11,12 Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo; nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR.

NO TRATO COM OS PEQUENOS SERVIÇOS
Levítico 19:13 Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã.

O TRATO COM OS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA
Levítico 19:14 Não amaldiçoarás o surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.

Não estamos abandonados nessa questão de viver de uma jeito que alegra o coração de Deus. Há um jeito de viver que faz o Senhor abrir um largo sorriso de satisfação. Viver com integridade e praticar a justiça fazem parte das atitudes de quem vai sentir à vontade na casa do Pai.

Não estamos falando de salvação, porque eu e você não podemos fazer nada que nos dê um bilhete de entrada no céu. Esse bilhete não se compra... Recebe-se de presente! Você não merece esse presente... Deus lhe dá mediante sua confissão de Jesus como o Senhor e Salvador da sua vida.

Muitas pessoas acham que a ordem é assim: você se esforça bastante... faz as coisas certas... prova que é um cara legal... faz por merecer... até receber como prêmio um bilhete direto pro céu. Mas não é nada disso!

Em Deuteronômio 9:4-6 Moisés faz um alerta ao povo que iria conquistar a terra prometida:

Quando, pois, o SENHOR, teu Deus, os tiver lançado de diante de ti, não digas no teu coração: Por causa da minha justiça é que o SENHOR me trouxe a esta terra para a possuir, porque, pela maldade destas gerações, é que o SENHOR as lança de diante de ti. Não é por causa da tua justiça, nem pela retitude do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela maldade destas nações o SENHOR, teu Deus, as lança de diante de ti; e para confirmar a palavra que o SENHOR, teu Deus, jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó. Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o SENHOR, teu Deus, te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo de dura cerviz.

Você não tem como produzir esse jeito de viver que alegra o coração do Pai por suas próprias forças. Não dá pra se esforçar bastante até conseguir! Não dá pra tentar ser um cara legal, uma boa pessoa pra ser aceito por Deus.

Viver essa vida que alegra o coração do Pai começa no reconhecimento da sua desesperada necessidade de salvação. A ajuda de Deus para vivermos vidas retas, é a presença do seu Santo Espírito conosco e isso só acontece quando você decide entregar o controle da sua vida a Jesus e aceitá-lo como seu Senhor e Salvador pessoal. Não há mistério nisso, mas é preciso que você abra a porta do seu coração e permita que o Senhor seja seu conselheiro e salvador. Levante uma das mãos dizendo: sim! Eu aceito a Jesus como meu salvador e senhor. Sim! Eu quero viver um vida que alegra o coração de Deus... eu gostaria de orar por você.

Você que já entregou sua vida a Ele, mas hoje reconhece que tem sido negligente em relação à prática da justiça, gostaria de orar por você. Levante uma das mãos, sentado onde você está... vamos orar também por você.

01 fevereiro 2006

Família - Parte 1

A Família do Século XXI e como Chegamos até Aqui

Aristarco Coelho

As Mutações Históricas da Família

A noção que hoje temos sobre família não foi sempre preponderante no decorrer da história. O que hoje compreendemos como família (pai, mãe e filhos) era, no passado, uma pequena unidade de uma estrutura maior que poderia ser caracterizada como tribo ou família tribal.

Ela era formada por grupos de pessoas que viviam em um mesmo lugar ou sob um mesmo teto, por grupos genealógicos, como relações de parentesco ou de associação, ou ainda por grupos de pessoas com os mesmos interesses e obrigações. É claro que os núcleos familiares estavam presentes na Antigüidade, mas não eram o foco principal da estrutura familiar.

É fácil ver isso na Bíblia. No Antigo testamento não existe palavra que corresponda precisamente ao moderno termo família, composta de pai, mãe e filhos. A melhor aproximação é o vocábulo Bayith (casa), traduzido como família em I Cr 13:14, II Cr 35:5, 12 e Sl 68:6.

O relato sobre a descoberta do pecado de Acã, em Js 7:16 a 18 pode nos dá uma boa perspectiva sobre as estruturas familiares existentes na época do antigo testamento.

16 - Então, Josué se levantou de madrugada e fez chegar a Israel, segundo as suas tribos; e caiu a sorte sobre a tribo de Judá. 17 - Fazendo chegar a tribo (shêbheth) de Judá, caiu sobre a família (mishpachath) dos zeraítas; fazendo chegar a família dos zeraítas, homem por homem, caiu sobre Zabdi; 18 - e, fazendo chegar a sua casa (bayith), homem por homem, caiu sobre Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zera, da tribo de Judá.

O fato de Acã ser casado e pai de filhos e ainda ser considerado como da casa de seu avô, ajuda-nos a compreender melhor o conceito de Família Tribal.

Pode-se conceber os membros de uma família tribal como se formassem um cone, tendo o ancestral fundador no cume, enquanto que a geração viva seria a base.

A família tribal tinha pelo menos cinco funções básicas: reprodução, por meio da qual a tribo se perpetuava; educação, que possibilitava conservar e transmitir crenças e valores, além das aptidões necessárias à sobrevivência; segurança, que propiciava os meio de proteção de seus membros; cooperação, que promovia os meios de produção básicos e uma divisão do trabalho e apoio, que permitia atender às diversas necessidades psicossociais do ser humano.

Na verdade as funções básicas da família tribal não surgiram do nada. O próprio Senhor instituiu a família como resposta às necessidade humanas.

Em Gênesis 1:27, 28 podemos ver a orientação do Senhor para que a humanidade se perpetuasse e enchesse a Terra, cumprindo assim a função reprodutiva da família.

27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.

Em Deuteronômio 6:6-7, o Senhor orienta seu povo, naquele momento uma grande família tribal, a ensinarem os preceitos do Senhor a seus filhos, assumindo assim sua função educativa.

6 Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; 7 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.
Em Gênesis 3:21, Deus revela seu cuidado com relação à segurança do casal Adão e Eva e providencia para eles vestimentas de pele para protegê-los do frio e do calor e com isso ensina-lhes sobre proteção como uma das funções da família.

21 Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.

Em Gênesis 2:15, Deus orienta a Adão para que cultive e guarde o jardim, oferecendo à primeira família o caminho para a obtenção de seu sustento e ensinando-lhe sobre sua função cooperativa.

15 Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.

Em Gênesis 2:20-24, vemos o cuidado de Deus com a necessidade humana de intimidade e identificação. Vemos também como de uma forma especial Ele constitui o estabeleceu o relacionamento homem – mulher como resposta a essas necessidades, revelando assim a função de apoio a ser exercida pela família.

20 Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. 21 Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 22 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. 23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. 24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.

Com a maior complexidade da vida humana, a família tribal teve que se dividir passando a funcionar como uma família extensa, composta de três ou quatro gerações. Nessa passagem, aqueles que ficaram de fora no novo modelo ficaram sob responsabilidade de instituições sociais secundárias, um prenúncio do Estado.

Mais recentemente, com a chegada da economia industrial e de uma sociedade urbana, surgiu a família nuclear, ainda menor que a família extensa. Isso porque diante das novas demandas produtivas havia a necessidade de que a família pudesse dispor de grande mobilidade.

Com a redução das famílias, as funções básicas exercidas anteriormente tanto pela família extensa quanto pela família tribal, foram gradualmente sendo incorporadas por instituições políticas, sociais e econômicas.

Assim a educação dos filhos está cada dia mais sob a responsabilidade de creches, escolas e meios de comunicação; da segurança, estão encarregados corpo de bombeiros, polícias, hospitais, companhias de seguro e centros para idosos; O comércio e a indústria assumiram as funções de cooperação; O apoio, cada dia mais tem sido oferecido por clubes, associações, terapeutas profissionais e conselheiros.

De uma forma lamentável a família tem sido saqueada de suas principais funções e por isso é vista por um número cada vez maior de pessoas como desnecessária ao avanço da sociedade. O lugar que a família ocupa na sociedade, sua imagem e as expectativas que suscita têm mudado radicalmente ao longo da história e principalmente nas últimas décadas. Temos presenciado uma profunda transformação na vida familiar
.

Diferentes Faces da Família

A família do século XXI, que sofre com perda de suas funções apresenta muitas faces. Entre essas faces, gostaria de destacar as famílias ampliadas, as famílias nucleares, famílias com um só cônjuge, famílias sem filhos e as propostas homossexuais de relacionamentos estáveis sem filhos e também com filhos.

Famílias ampliadas

As famílias ampliadas se caracterizam por agregar ao núcleo familiar principal as gerações anteriores e posteriores. Algumas vezes, a geração anterior ao núcleo familiar se agrega quando seu envelhecimento não foi planejado resultando em uma relação de dependência econômico-financeira. Outro motivo que leva a essa ampliação da família com as gerações anteriores é que,
com o envelhecimento, pais e avós se tornam mais frágeis física e emocionalmente, carecendo de amparo e cuidado.

Um indício de que a família vem perdendo alguma de suas funções, como o apoio, é a tendência atual de se entregarem os velhos para serem cuidados por instituições sociais secundárias como abrigos e asilos em vez de lhes oferecer uma ambiente familiar mais apropriado e saudável para seu envelhecimento.

A ampliação da família para as gerações seguintes é comum como resposta à paternidade ou maternidade irresponsáveis, sobre as quais vamos falar ainda hoje. Pais e mães adolescentes, imaturos emocionalmente, são agregados ao núcleo familiar principal em uma tentativa de reparar os erros cometidos em relacionamento sexual precoce.

Vale ressaltar que embora não seja comum em nossos dias, é possível a constituição intencional de uma família ampliada com vistas ao bem estar de todos. Famílias ampliadas podem ser ambientes saudáveis para o desenvolvimento de um sentido de corpo e de pertencimento.


Famílias nucleares

Embora em decréscimo vertiginoso, as famílias nucleares ainda se constituem maioria no cenário familiar brasileiro. Pai, mãe e filhos. Onde o pai é o principal mantenedor da casa, a mãe a principal responsável pelo equilíbrio doméstico e os filhos são prole exclusiva do casal.

Em virtude da elevação do número de divórcios e novos casamentos é comum que algumas dessas famílias abriguem filhos do casal juntamente com outros filhos de apenas dos cônjuges.

Famílias com um só cônjuge

Essa é uma configuração cada dia mais comum em nossa sociedade. Além da perda do cônjuge por morte, as famílias com um só cônjuge têm-se formado a partir de algumas configurações sociais como a paternidade e maternidade irresponsáveis, divórcio e separação sem novo casamento e mesmo a decisão pela produção independente.

Famílias sem filhos

A busca pela realização pessoal ligada ao sucesso profissional e ao aperfeiçoamento acadêmico tem adiado, senão eliminado, a idéia de filhos em muitos casais jovens. Para muitos desses casais, a idéia de gerar filhos, e as responsabilidades que isso implicariam, não os convence a abrir mão de suas conquistas de bem-estar e prazer. Forma-se assim um contingente de famílias sem filhos. Jovens adultos que não passaram pela experiência de se doar por outra pessoa à custa de algo que lhe fosse precioso.

Propostas Homossexuais

Nas últimas décadas tem-se tornado muito presente nos meios de comunicação a idéia de que parceiros homossexuais também têm direito a constituir família através da legalização de uniões estáveis e também com a possibilidade de adotarem crianças para educá-las. A questão é controversa. No entanto a cada dia mais vozes se levantam em defesa desse pretenso direito.

*Palestra proferida em evento promovido pela Convenção Batista Cearense e realizado no auditório do Colégio Batista Santos Dumont, contando com a participação dos pastores ligados àquela denominação e suas respectivas esposas