26 abril 2006

George Whitefield (1714 - 1770)

Adaptado de uma biografia por Dr. Rimas J. Orentas

George Whitefield viveu de 1714 a 1770. Na sua vida adulta, era tão conhecido quanto qualquer outra figura pública nos países de língua inglesa. Com apenas 22 anos, era um dos mais destacados proponentes do movimento religioso que sacudiu aqueles países, que seria conhecido como o Grande Despertamento. Talvez se possa dizer que só a Reforma Protestante e a Era Apostólica tenham ultrapassado o fervor espiritual que Deus derramou neste período.

George Whitefield pregou na Inglaterra, na Escócia, no País de Gales, em Gibraltar, em Bermudas, e nas colônias norte-americanas. Sua vida serviu de inspiração e tocha para vários outros pregadores contemporâneos e posteriores. Eram homens de fervor que procuravam entregar suas vidas 100% a Cristo Jesus.

George era o sétimo e último filho de Thomas e Elizabeth Whitefield. O pai era proprietário da Bell Inn, um hotel em Gloucester, na Inglaterra. Era o maior e mais fino estabelecimento da cidade e tinha dois auditórios, um dos quais era usado para exibição de peças teatrais.

Quando tinha apenas dois anos de idade, o pai de George faleceu. Depois de alguns anos, sua mãe casou-se novamente, porém foi uma união malograda que terminou em divórcio e fracasso financeiro.

Desde pequeno, George se destacou como talentoso orador e ator nas peças teatrais da escola. Sua mãe, vendo seu potencial, fez questão que ele estudasse, embora outros de seus irmãos tivessem que trabalhar para sustentar a família.

Da mãe, George herdou a forte ambição de ser "alguém no mundo". De alguma forma, ela sempre esperava mais dele do que de seus outros filhos. Outra influência forte na juventude era sua paixão pelo teatro. Como garoto, lia incessantemente peças teatrais e faltava da escola para ensaiar suas apresentações. Esta necessidade e dom de se expressar dramaticamente continuariam durante todo o resto da sua vida.

Aos quinze anos de idade, George foi obrigado a deixar seus estudos para trabalhar pelo sustento da família. Durante o dia trabalhava e à noite lia a Bíblia. Seu sonho era de estudar em Oxford. Porém, não havia condições financeiras para isto. Finalmente, sua mãe descobriu uma saída. Ele poderia ir como "servidor", que era uma espécie de empregado para três ou quatro estudantes de classe alta. Assim, aos 17 anos, com muita expectativa, ingressou na Universidade.


A Busca Intensa Por Deus

Suas responsabilidades como servidor incluíam lavar as roupas, engraxar os sapatos e fazer as tarefas dos estudantes a quem servia. Os servidores viviam com o dinheiro e as roupas usadas que aqueles quisessem lhes dar. Tinham de usar uma túnica especial e era proibido que os estudantes de nível mais elevado lhes dirigissem a palavra. A maioria acabava abandonando os estudos para não terem que sofrer tamanha humilhação.

George era extremamente intenso e dedicado e, achando que tinha de ganhar a aprovação de Deus, visitava prisioneiros e pobres, além de todas suas outras obrigações. Seus colegas, por um tempo, tentaram atraí-lo à vida social e às festas, mas logo viram que não adiantaria e deixaram-no em paz Alguns começaram a chamá-lo de "metodista", que era o nome pejorativo que davam aos membros do Clube Santo, embora ele ainda não tivesse tido nenhum contato com aquele grupo. Como servidor, não lhe era permitido tomar a iniciativa de procurá-los.

O Clube Santo era um pequeno grupo de estudantes dirigido por um professor em Oxford, chamado John Wesley. Aos outros estudantes, a vida disciplinada exigida pelo Clube parecia tolice e o nome "metodista" dava a idéia de uma vida regida por métodos mecânicos, desprovidos de racionalidade, como se as pessoas fossem meros robôs.

Foi Charles Wesley que ouviu falar desse aluno dedicado e piedoso e, rompendo as barreiras sociais, procurou Whitefield e o convidou para um café da manhã. Com isso, iniciou-se uma amizade que duraria para o resto das suas vidas.

Os membros do Clube Santo levantavam-se cedo, tinham prolongados tempos de devoções a sós com Deus, praticavam autodisciplina e tentavam garantir que nenhum momento do dia fosse desperdiçado. À noite, guardavam um diário para fazer uma avaliação da sua vida e arrancar qualquer pecado que estivesse brotando ou se manifestando. Celebravam a Eucaristia aos domingos, jejuavam toda quarta e sexta-feira e usavam o sábado como dia de preparação para a festa do Senhor no domingo.

O Clube Santo também era profundamente comprometido com a Igreja Anglicana e conhecia sua história e suas normas melhor que ninguém. Visitavam prisões e bairros pobres, e contribuíam a um fundo de auxílio para os presidiários e especialmente para os seus filhos. Os membros também se esforçavam muito no pastoreamento de estudantes mais jovens, ensinando-os a evitar más companhias e encorajando-os a serem sóbrios e estudiosos, até mesmo auxiliando-os quando tinham dificuldades nos estudos.

Tudo isto era ótimo, mas havia um problema fundamental: era uma salvação baseada em obras. Por mais que fizessem, experimentavam pouquíssima alegria, pois a natureza da sua salvação ainda era um mistério insondável e Deus estava distante. Nenhum dos líderes havia ainda experimentado a verdadeira graça de Deus no evangelho de Jesus Cristo.


O Desespero Fica Maior

Whitefield ficou mais e mais consciente do seu anseio interior por conhecer Deus de forma íntima e verdadeira, mas não sabia aonde recorrer. Ele lia com voracidade e finalmente achou um livro antigo, escrito por um escocês desconhecido, o Rev. Henry Scougal, intitulado A Vida de Deus na Alma do Homem. Neste livro, ele descobriu que todas suas boas ações, que pensava estarem conquistando-lhe o favor de Deus, não tinham valor algum. O que precisava realmente era Cristo ser formado "dentro" dele, ou seja, nascer de novo.

Scougal ensinou que a essência do cristianismo não é a execução de obrigações exteriores, nem uma emoção ou sentimento que se pode ter. A verdadeira religião é a união da alma com Deus, a participação na natureza divina, viver de acordo com a imagem de Deus desenhada sobre nossa alma – ou na terminologia do apóstolo, ter "Cristo formado em nós". Whitefield aprendeu destes ensinos a maravilha que é Deus querer habitar no nosso coração e realizar sua obra através de nós, e quão profunda e admirável é a graça que torna possível a vida de Deus habitar na alma do homem.

Este livro maravilhoso, porém, acabou deixando Whitefield quase enlouquecido. Ele não sabia como nascer de novo, mas começou a buscar esta experiência com todas suas forças. Deixou de comer certos alimentos e dava o dinheiro que economizou com isto aos pobres; usava só roupas remendadas e sapatos sujos; passava a noite inteira em fervorosa e suada oração; e não falava com ninguém. Para negar a si mesmo, abandonou a única coisa de que realmente gostava, que era o Clube Santo. Começou a ir mal nos estudos e foi ameaçado com expulsão. Seus colegas o acharam completamente "pirado". Orava ao ar livro, no relento, mesmo nas madrugadas mais gélidas, até que uma de suas mãos ficou preta. Finalmente, ficou tão doente, enfraquecido e magro que não conseguia nem subir a escada para sair do quarto. Tiveram de chamar um médico que o confinou à cama por sete semanas.


Uma Simples Oração

De forma surpreendente, foi neste tempo de descanso e recuperação que sua vida finalmente foi transformada. Ele ainda mantinha um tempo devocional com Deus, de acordo com suas forças. Mas agora começou a orar de forma mais simples, deixando de lado todas suas idéias e esforços e tentando realmente escutar a voz de Deus.

Certo dia, ele se jogou sobre a cama e clamou: "Tenho sede!" Foi a primeira vez que havia clamado a Deus em total incapacidade e insuficiência. E foi a primeira vez em mais de um ano que sentira alegria.

Neste momento de total entrega ao Deus Todo-poderoso, um pensamento novo penetrou seu coração. "George, você já tem o que pediu! Você cessou suas pelejas e simplesmente creu e agora nasceu de novo!"

Foi tão simples, tão absurdamente simples, ser salvo por uma oração tão singela, que Whitefield começou a rir. E assim que riu, as comportas dos céus se romperam e sua vida foi inundada por "gozo indizível, cheio e transbordando de grande glória".

Sua aparência exterior ainda era de um universitário doentio e fraco, porém a carreira do maior evangelista do século XVIII tinha acabado de nascer. Ele ainda levou nove meses para recuperar fisicamente, mas no seu coração havia só um desejo: compartilhar as Boas Novas que Jesus Cristo viera para os pecadores e que o pecador só precisava arrepender-se, aceitar a morte expiatória de Jesus e lançar-se espiritualmente nas mãos de Deus.

Em sua casa em Gloucester, Whitefield manteve sua vida disciplinada do Clube Santo, mas tudo agora tinha um novo significado. Não era mais para alcançar o favor de Deus ou tornar-se justo, mas para focalizá-lo em servir a Deus. Diariamente, meditava numa passagem bíblica que lia em inglês, depois em grego, e finalmente no famoso comentário de Matthew Henry. Orava sobre cada linha que lia, até que entendesse e recebesse o seu significado, e sentisse que já fazia parte da sua vida. Logo fundou uma pequena sociedade que se reunia todas as noites.


O Leão Começa a Rugir

Não demorou muito e já estava tendo oportunidades de pregar. Inicialmente, tinha receio de ser ordenado muito jovem e de se envaidecer. Mas colocou diante de Deus um sinal: se, por um milagre, houvesse provisão para voltar a Oxford e se formar, ele aceitaria a ordenação. E, pouco a pouco, foi isto que aconteceu. Ao mesmo tempo, soube que os irmãos Wesley tinham ido à América como missionários e que precisavam de alguém para dirigir o Clube Santo. Desta forma, voltou a Oxford, completou seu curso e foi ordenado.

Inicialmente, tentou ficar quieto no seu lugar. Seu objetivo era alcançar outros estudantes, na base de um a um. Mas havia um problema. Desde o momento que abriu sua boca, todos queriam ouvir mais. Depois de quatro semanas pregando mensagens em Gloucester, Bristol e Bath, um pequeno avivamento se iniciara. As igrejas estavam lotadas e as ruas estavam cheias de gente tentando entrar. Whitefield tinha apenas 22 anos.

Apesar da sua formação acadêmica, Whitefield utilizou muito mais seus talentos dramáticos para comunicar as verdades espirituais do que conhecimentos intelectuais. Concentrou no aperfeiçoamento do que hoje chamaríamos de linguagem corporal. A paixão seria sua chave na pregação das verdades espirituais que muitos já tinham ouvido, porém sem vida.Sem muita prática em homilética, sua sensibilidade dramática logo o colocou numa classe à parte. Lágrimas, fortes emoções, agitado movimento corporal – mas acima de tudo, uma experiência intensamente pessoal do Novo Nascimento – eram características da sua pregação e das reações dos seus ouvintes. Sua prodigiosa memória o capacitava a transformar o púlpito num teatro sagrado que representava os santos e pecadores da Bíblia diante dos seus ouvintes fascinados.

Entre os que ficavam encantados diante das pregações, estava um grande ator inglês, David Garrick, que exclamou: "Eu daria cem guineas (moeda inglesa da época – equivalente a mais de uma libra moderna) se eu pudesse dizer Oh como o Sr. Whitefield!"

Com suas mensagens vivas, dramáticas e cheias de alegria espiritual, o país da Inglaterra começou a ser abalado. As verdades eram simples, diretas e baseadas nas doutrinas básicas do novo nascimento e da justificação pela fé. Mas para as pessoas que nunca antes ouviram tais coisas com clareza, eram como descargas de raios no coração. Ele não estava declarando sua própria mensagem, mas a mensagem de Deus: "É necessário nascer de novo".

Logo houve resistência, principalmente por parte dos clérigos que se perturbavam com a oração de Whitefield para que eles também nascessem de novo. Pessoas das camadas mais elevadas da sociedade também não gostavam de ouvir que eram pecadores e precisavam se arrepender.


Uma Forma Revolucionária de Pregar

Em 1739, com 24 anos de idade, Whitefield começou a pregar ao ar livre. Várias igrejas haviam fechado as portas para suas pregações e ele não queria depender mais da disponibilidade de igrejas ou auditórios. Partiu para Kingswood, perto de Bristol, onde havia milhares de mineiros de carvão, que viviam em condições deploráveis. Homens, mulheres e crianças trabalhavam longas horas embaixo da terra, no meio de morte e doença. Para Whitefield, eram como ovelhas sem pastor.

Em fevereiro, o frio era intenso, mas ao passar pelos barracos e favelas, Whitefield encontrou 200 pessoas dispostas a ir ouvi-lo. Ele pregou dramaticamente sobre o amor de Jesus por eles e como sofreu a cruel morte da crucificação, só para salvá-los dos seus pecados. Enquanto pregava, começou a notar faixas brancas nas faces enegrecidas de alguns mineiros. Logo, todos os rostos escuros estavam manchados com as valetas brancas das lágrimas que corriam enquanto o evangelho de Jesus convencia a todos, um por um.

Três dias depois, Whitefield foi proibido de pregar em Bristol novamente pelo conselho da diocese. Porém, no dia seguinte ele pregou na própria mina, onde desta vez havia 2000 pessoas para ouvi-lo. No domingo seguinte, havia 10.000 e muito mais pessoas da cidade do que das minas. E no dia 25 de março de 1739, a multidão foi estimada em 23.000. Com este método heterodoxo e controvertido de pregação ao ar livre, parecia não haver limites para o crescimento do Grande Despertamento.

Estima-se que Whitefield tenha pregado para mais de dois milhões de pessoas, só naquele verão. Sua ousada pregação nos campos abalara de vez o fraco e tímido cristianismo da sua época. Quando chegou em Filadélfia, em agosto daquele ano, os jornais noticiaram que George Whitefield havia pregado a mais pessoas do que qualquer outra pessoa viva, e provavelmente do que qualquer outra pessoa na história, até então.


Melhor Esgotar-se do que Enferrujar

Whitefield cruzou sete vezes o oceano Atlântico entre a Inglaterra e a América. Faleceu em 1770, com apenas 55 anos de idade. Em 34 anos de ministério, pregou mais de 18.000 sermões, ou uma média de mais de 10 por semana. No seu último ano de vida, apesar da saúde prejudicada pela extrema intensidade da sua vida, recusou-se a parar, dizendo que preferiria se "esgotar a enferrujar".

Antes de pregar sua última mensagem, sentindo-se muito mal, Whitefield orou: "Senhor, se ainda não completei minha carreira, deixa-me ir falar por ti mais uma vez no campo, selar tua verdade e voltar para casa e morrer!"

Sua oração foi respondida. Seu último discurso foi no meio da tarde, num campo, em cima de um barril. Seu texto foi: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé" (2 Co 13.5). O tema foi o novo nascimento.

No começo falava com muita dificuldade, sua voz rouca, sua dicção pesada. Frase após frase saía sem muito nexo, sem atenção a objetivo ou oratória. Mas, de repente, sua mente se acendeu e sua voz de leão bradou mais uma vez, alcançando as extremidades da sua audiência.

Falando da ineficácia de obras para merecer a salvação, Whitefield trovejou: "Obras! Obras! O homem alcançar o céu por obras! Eu pensaria antes em alcançar a lua subindo numa corda de areia!"

Esta foi a exortação final do grande pregador. A luz que brilhou na sua alma queimou com ardor até o fim da sua vida.

Talvez Deus não lhe tenha dado uma voz de leão, nem o talento dramático da comunicação em massa. Mas não há limites para o que Deus pode fazer através de uma vida, por jovem que seja, quando o genuíno fogo do céu se acende nela.

Martinho Lutero (1483 - 1546)


Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, Alemanha. Foi criado em Mansfeld. Na sua fase estudantil, foi enviado às escolas de latim de Magdeburg(1497) e Eisenach(1498-1501). Ingressou na Universidade de Erfurt, onde obteve o grau de bacharel em artes (1502) e de mestre em artes (1505).

Seu pai, um aldeão bem sucedido pertencente a classe média, queria que fosse advogado. Tendo iniciado seus estudos, abruptamente, os interrompeu entrando no claustro dos eremitas agostinianos em Erfurt. É um fato estranho na sua vida, segundo seus biógrafos. Alguns historiadores dizem que este fato aconteceu devido a um susto que teve quando caminhava de Mansfeld para Erfurt. Em meio a uma tempestade, quase foi atingido por um raio. Foi derrubado por terra e em seu pavor, gritava "Ajuda-me Santa Ana! Eu serei um monge!". Foi consagrado padre em 1507.

Entre 1508 e 1512, fez preleções de filosofia na Universidade de Wurtenberg, onde também ensinou as Escrituras, especializando-se nas Sentenças de Pedro Lombardo. Em 1512 formou-se Doutor em Teologia.

Fazia conferências sobre Bíblia, especializando-se em Romanos, Gálatas e Hebreus. Foi durante este período que a teologia paulina o influenciou, percebendo os erros que a Igreja Romana ensinava, à luz dos documentos fundamentais do cristianismo primitivo.

Lutero era homem de envergadura intelectual e habilidades pessoais. Em 1515, foi nomeado vigário, responsável por onze mosteiros. Viu-se envolvido em controvérsias com respeito a venda de indulgências.


Suas Lutas Pessoais.

Lutero estava galgando os escalões da Igreja Romana e estava muito envolvido em seus aspectos intelectuais e funcionais. Por outro lado, também estava envolvido em questões pessoais quanto à salvação pessoal. Sua vida monástica e intelectual não forneciam resposta aos seus anseios interiores, às suas aflitivas indagações.

Seus estudos paulinos deixaram-no mais agitado e inseguro, particularmente diante da afirmação "o justo viverá pela fé", Rm 1:17. Percebia ele que a Lei e o cumprimento das normas monásticas, serviam tão-somente para condenar e humilhar o homem, e que nesta direção não se pode esperar qualquer ajuda no tocante à salvação da alma.

Martinho Lutero, estava trabalhando em "repensar o evangelho". Sendo monge agostiniano, fortemente influenciado pela teologia desta ordem monástica, paulina quanto aos seus pontos de vista, Lutero estava chegando a uma nova fé, que enfatizava a graça de Deus e a justificação pela fé.

Esta nova fé tornou-se o ponto fundamental de sua preleções. No seu desenvolvimento começou a criticar o domínio da filosofia tomista sobre a teologia romana. Ele estudava os escritos de Agostinho, Anselmo e Bernardo de Claraval, descobrindo nestes, a fé que começava a proclamar. Staupitz, orientou-o para que estudasse os místicos, em cujos escritos se consolou.

Em 1516, publicou o devocionário de um místico desconhecido, "Theologia Deutsch". Tornou-se pároco da igreja de Wittenberg, e tornou-se um pregador popular, proclamando a sua nova fé. Opunha-se a venda de indulgências comandada por João Tetzel.


As Noventa e Cinco Teses

Inspirado por vários motivos, particularmente a venda de indulgêngias, na noite antes do Dia de Todos os Santos, a 31 de outubro de 1517, Lutero afixou na porta da Igreja de Wittenberg, sua teses acadêmicas, intituladas "Sobre o Poder das Indulgências". Seu argumento era de que as indulgências só faziam sentido como livramento das penas temporais impostas pelos padres aos fiéis. Mas Lutero opunha-se à idéia de que a compra das indulgências ou a obtenção das mesmas, de qualquer outra maneira, fosse capaz de impedir Deus de aplicar as punições temporais. Também dizia que elas nada têm a ver como os castigos do purgatório. Lutero afirmava que as penitências devem ser praticadas diariamente pelos cristãos, durante toda a vida, e não algo a ser posto em prática apenas ocasionalmente, por determinação sacerdotal.

João Eck, denunciou Lutero em Roma, e muito contribuiu para que o mesmo fosse condenado e excluído do Igreja Romana. Silvester Mazzolini, padre confessor do papa, concordou com o parecer condenatório de Eck, dando apoio a este contra o monge agostiniano.

Em 1518. Lutero escreveu "Resolutiones", defendendo seus pontos de vista contra as indulgências, dirigindo a obra diretamente ao papa. Entretanto, o livro não alterou o ponto de vista papal a respeito de Lutero. Muitas pessoas influentes se declararam favoráveis a Martinho Lutero, tornando-se este então polemista popular e bem sucedido. Num debate teológico em Heidelberg, em 26 de abril de 1518, foi bem sucedido ao defender suas idéias.


Reação Papal

A 7 de agosto de 1518, Lutero foi convocado a Roma, onde seria julgado como herege. Mas apelou para o príncipe Frederico, o Sábio, e seu julgamento foi realizado em território alemão em 12/14 de outubro de 1518, perante o Cardeal Cajetano, em Augsburg. Recusou-se a retratar-se de suas idéias, tendo rejeitado a autoridade papal, abandonando a Igreja Romana, o que ficou confirmado num debate em Leipzig com João Eck, entre 4 e 8 de julho de 1519.

A partir de então Lutero declara que a Igreja Romana necessita de Reforma, publica vários escritos, dentre os quais se destaca "Carta Aberta à Nobreza Cristã da Nação Alemã Sobre a Reforma do Estado Cristão". Procurou o apoio de autoridades civis e começou a ensinar o sacerdócio universal dos crentes, Cristo como único Mediador entre Deus e os homens, e a autoridade exclusiva das Escrituras, em oposição à autoridade de papas e concílios. Em sua obra "Sobre o Cativeiro Babilônico da Igreja", ele atacou o sacramentalismo da Igreja. Dizia que pelas Escrituras só podem ser distinguidos dois sacramentos o batismo e a Ceia do Senhor. Opunha-se à alegada repetida morte sacrificial de Cristo, por ocasião da missa. Em outro livro, "Sobre a Liberdade Cristã", ele apresentou um estudo sobre a ética cristã baseada no amor.

Lutero obteve grande popularidade entre o povo, e também considerável influência no clero. Em 15 de julho de 1520, a Igreja Romana expediu a bula Exsurge Domine, que ameaçava Lutero de ser excomungado, a menos que se retratasse publicamente. Lutero queimou a bula em praça pública. Carlos V, Imperador do Santo Império Romano, mandou queimar os livros de Lutero em praça pública.

Lutero compareceu a Dieta de Worms, de 17 a 19 de abril de 1521. Recusou-se a retratação, dizendo que a sua consciência estava presa à Palavra de Deus, pelo que a retratação não seria seguro nem correto. Dizem os historiadores que concluiu a sua defesa com estas palavras : "Aqui estou; não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém". Respondendo a Dieta em 25 de maio de 1521, formalizou a excomunhão de Martinho Lutero, e a Reforma nascente também foi condenada.


Influência Política e Social

Por medidas de precaução, Lutero este recluso no castelo de Frederico, o Sábio, cerca de 10 meses. Teve tempo de trabalhar na tradução do Novo Testamento para a língua alemã. Esta tradução foi publicada em 1532. Com a ajuda de Melancton e outros, a Bíblia inteira foi traduzida, e, então, foi publicada em 1532. Finalmente, essa tradução unificou os vários dialetos alemães, do que resultou o moderno alemão.

Tem-se dito que Lutero foi o verdadeiro líder da Alemanha, de 1521 até 1525. Houve a Guerra dos Aldeões em 1525, das classes pobres contra os seus líderes. Lutero tentou estancar o derramento de sangue, mas, quando os aldeões se recusaram a ouví-lo, ele apelou para os príncipes a fim de restabelecerem a paz e a ordem.

Fato notável foi o casamento de Lutero, com Catarina von Bora, filha de família nobre, ex-freira cisterciana. Tiveram seis filhos, dos quais alguns faleceram na infância. Adotou outros filhos. Este fato serviu para incentivar o casamento de padres e freiras que tinham preferido adotar a Reforma. Foi um rompimento definitivo com a Igreja Romana.

Houve controvérsia entre Lutero e Erasmo de Roterdã, que nunca deixou a Igreja Romana, por causa do livre-arbítrio defendido por este. Apesar de admitir que o livre-arbítrio é uma realidade quanto a coisas triviais, Lutero negava que fosse eficaz no tocante à salvação da alma.
Outras Obras.

Em 1528 e 1529, Lutero publicou o pequeno e o grande catecismos, que se tornaram manuais doutrinários dos protestantes, nome dado aqueles que decidiram abandonar a Igreja Romana, na Dieta de Speyer, em 1529.

Juntamente com Melancton e outros, produziu a confissão de Augsburg, que sumaria a fé luterana em vinte e oito artigos. Em 1537, a pedido de João Frederico, da Saxônia, compôs os Artigos de Schmalkald, que resumem seus ensinamentos.


Enfermidade e Morte

Os últimos dias de Lutero tornaram-se difíceis devido a problemas de saúde. Com frequência tinha acesso de melancolia profunda. Apesar disso era capaz de trabalhar tenazmente. Em 18 de fevereiro de 1546, em Eislebem, teve um ataque do coração, vindo a falecer.

16 abril 2006

A Páscoa para os Cristãos




A PÁSCOA PARA OS CRISTÃOS

Introdução

Qual a primeira palavra que vem a sua mente quando você escuta “Páscoa”?

A festa que hoje conhecemos como páscoa é uma colcha com retalhos de diversas culturas e épocas diferentes. Essa colcha de retalhos foi costurada durante séculos e hoje vamos conhecer mais sobre seus pedaços.

Se eu fosse perguntar para cada pessoa quais dúvidas tem respeito da páscoa, talvez precisássemos ficar até mais tarde para responder todas.

Por isso, vamos nos deter em apenas algumas perguntas. Mas, penso que ao respondê-las, vamos tocar em grande parte de todas as dúvidas.

• Qual a origem dos símbolos e tradições da época da páscoa?
• Existe relação entre esses símbolos e a Bíblia?
• De onde realmente surgiu a páscoa e qual o seu significado?
• O cristianismo bíblico recomenda a celebração da páscoa?
• Existe alguma celebração cristã que guarda paralelo com a páscoa dos judeus?

Os Símbolos

Para entender alguns símbolos da festa que hoje é chamada de páscoa, precisamos retornar à Idade Média. Na primavera, os antigos povos pagãos da Europa homenageavam à deusa Ostera ou Ostara.

Ostera ou Ostara é a Deusa da Primavera. Essa divindade é representada segurando um ovo na mão e olha um coelho, símbolo da fertilidade, a pular com alegria ao redor dos pés descalços. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

Esses antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. Segundo suas crenças, essa festa havia sido nomeada pelo deus Saxão da fertilidade Eostre, que acompanha o festival de Ostara sob a forma de um coelho.

A Páscoa do coelho e dos ovos foi adaptada e renomeada do feriado pagão Festival de Ostara. A festa foi cristianizada e os símbolos pagãos transformados. O ovo passou a representar a ressurreição; o coelho, a fertilidade do evangelho.

Essa cristianização ocorreu durante o Concílio de Nicéa, em 325 d.C., como sendo "o primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal, adotado como sendo 21 de março.

Não houve consenso entre as igrejas em relação à data. As igrejas romanas (calendário lunar) e ortodoxas (calendário solar) ainda hoje festejam em datas diferentes.

A simbologia do ovo

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este "ovo cósmico" aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o "Sopro divino"), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao céu e a terra. Simbolicamente é possível ver o céu como a parte leve do ovo, a clara, e a terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yan).

Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.

O moderno ovo de páscoa apareceu por volta de 1828, quando a indústria de chocolate começou a desenvolver-se. Ovos gigantescos, super decorados, era a moda das décadas de 1920 e 1930.

Coelhos, ovos e chocolate fazem parte de uma mistura de símbolos pagãos que não tem qualquer relação com a páscoa descrita na bíblia. Essas tradições foram importadas das festas em homenagem à deusa da fertilidade, Ostera, e incorporados ao cristianismo na idade média.

Hoje o coelhinho da páscoa e o ovo de chocolate deixaram de ter conexões espirituais e se tornaram em uma grande jogada de marketing para as indústrias envolvidas e o comércio. (A barra de chocolate e o ovo de chocolate).

Origem e verdadeiro significado da páscoa

Vamos começas pela própria palavra. Páscoa, em hebraico, pessah, vem de um verbo que significa “passar por cima” no sentido de “poupar”.

A páscoa tem sua origem na história do povo de Israel. Cativos no Egito por 400 anos, aquele povo, descendentes de Abraão, Isac e Jacó, estava sendo liderado por Moisés para sair do Egito.

Depois de nove intervenções sobrenaturais de Deus (as chamadas pragas do Egito), todas elas desprezadas pelo Faro, Moisés é informado de eu todos os primogênitos do Egito seriam mortos. Mas Deus iria poupar, passar por cima, dos primogênitos do povo de Israel, dos hebreus.

E foi assim que aconteceu a Páscoa do Senhor. Na noite prevista, um anjo enviado por Deus tirou a vida de todos os primogênitos do Egito, mas poupou, passou por cima, dos primogênitos hebreus.

Aquele momento histórico foi marcado por uma cerimônia, instituída por Deus para servir de lembrança do marco final na libertação do Egito. O nome dessa cerimônia é páscoa.

Assim, a páscoa é, ao mesmo tempo, um fato histórico e uma celebração que lembra esse fato. Vejamos como a bíblia descreve esse evento em Ex. 12:1-13.

Páscoa – Festa dos Judeus

Orientados por Deus, eles sacrificaram um cordeirinho, prepararam uma refeição com pães sem fermento e ervas amargas, e molharam o forramento das portas com o sangue do cordeiro. As portas, pintadas com o sangue do cordeiro, eram a senha para que o primogênito de cada casa fosse poupado. O cordeiro já havia morrido no lugar dele!

Ainda hoje, mais de três mil anos depois, os judeus comemoram a Páscoa do Senhor. Eles festejam a misericórdia de Deus, que poupou seus filhos da morte.

A páscoa é uma festa registrada na bíblia, mas é uma festa dos judeus. Não é uma festa cristã. A Bíblia nos ensina a amar a nação de Israel, assim como todas as demais nações, a orar pela paz em Jerusalém e a apresentar-lhes Jesus, o messias prometido por Deus, mas não a festejar suas festas.

Ignorância

Muitos cristãos, por ignorância, comemoram essa festa misturada de ovos, coelhos, cordeiros, chocolates, ervas amargas, pão de coco e bacalhau.

Além de estranha à bíblia, essa páscoa dos comerciantes não tem significado espiritual. Não passa de mais uma oportunidade para fazer negócios.

Não há recomendação bíblica para que não judeus, como nós, celebremos a páscoa dos judeus, em que os primogênitos foram poupados; e muito menos a páscoa pagã dos coelhos e ovos de chocolate.

Um paralelo

Mas, a páscoa dos judeus guarda um paralelo com o evento mais importante do cristianismo: a morte e ressurreição de Cristo.

A Páscoa é um memorial dos judeus para que não esqueçam a misericórdia e a graça de Deus para com eles no Egito. Ao mesmo tempo, a páscoa dos judeus era um anúncio profético de que de esse amor de Deus alcançaria o resto do mundo através de Jesus.

Leitura: I Coríntios 5: 7b,8 – Cristo, o nosso cordeiro pascal

O apóstolo Paulo, que conhecia profundamente a cultura e as tradições judaicas, chama Cristo de “cordeiro pascal”. Ao fazer isso ele tenta explicar que assim como, no Egito, o sacrifício de um cordeiro era a senha para que os primogênitos fossem poupados, hoje a morte de Jesus é a senha para sejam poupados da justa punição por nossos pecados.

O cordeiro não podia ter defeitos (Ex. 12:5)
Jesus viveu uma vida sem pecados (I Pe. 1:19)

Nenhum osso do cordeiro deveria ser quebrado (Ex. 12:4)
Nenhum osso de Jesus foi quebrado (João 19:36)

O cordeiro deveria ser sacrificado (Ex. 12:6)
Jesus foi sacrificado (João 12:24-27)

O sangue do cordeiro deveria ser aplicado à porta (Ex. 12:7)
A morte de Jesus precisa ser aplicada a sua vida (João 3:16)

João Batista, quando viu Jesus se aproximando, disse: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”

Se vamos fazer referência à páscoa dos Judeus, precisamos dizer como Paulo que Cristo é a nossa páscoa. A morte do cordeiro de Deus é a garantia de que Ele vai me poupar.

A morte de Jesus aplicada a minha vida?

Acontece uma transação espiritual quando você confia em Jesus como seu Senhor e Salvador.

No Egito, para que seus primogênitos fossem poupados, deveriam pintar a porta da casa com o sangue do cordeiro; Hoje, para que você seja poupado da justa ira de Deus, você precisa declarar sua confiança no Filho de Deus.

Por isso eu gostaria de lhe dar a oportunidade de declarar publicamente sua fé em Jesus. Se você tem nos seu coração a decisão de submeter-se a Jesus como seu Senhor e Salvador, faça isso agora levantando uma de suas mãos. Assim a morte de Cristo será aplicada a sua vida.

Um novo memorial

Cristãos não comemoram a páscoa! Os servos de Jesus não receberam dele essa orientação. Mas, Jesus nos deixou outro memorial: A Ceia do Senhor.

A Páscoa era celebrada para lembrar como Deus havia poupado os primogênitos no Egito; a Ceia, para lembrar a morte e ressurreição de Cristo, a razão de havermos sido poupados.

Os elementos

Na Ceia do Senhor, os elementos são o pão e o vinho, lembranças do corpo e do sangue de Jesus. Ao comermos e bebermos, anunciamos a morte do Senhor, o nosso cordeiro pascal, até que ele venha.

Quem pode participar

A Ceia do Senhor é motivo de festa, é celebração da unidade do Corpo de Cristo, a Igreja, resgatada pelo sacrifício do Cordeiro de Deus. Portanto, todos que já aceitaram a Jesus como seu salvador e estão em comunhão em sua comunidade local podem participar.

Paulo, no entanto, faz um alerta aos irmãos de Corinto dizendo que eles deveriam ter discernimento sobre a importância dessa unidade do corpo de Cristo e não participar sem a presença do sentimento e da atitude de unidade.

Não faz sentido participar da Ceia do Senhor se o seu coração está tomado de ódio, inimizade, ressentimento ou rancor por causa de algum irmão em Cristo. Nesse exato momento ore ao Senhor pedindo perdão e depois procure a pessoa implicada.

15 abril 2006

Tempo, Páscoa e Potestades


Por Aristarco Coelho
O tempo é uma dimensão que nos orienta e aprisiona. Criados para eternidade, o tempo nos inquieta e estressa. Mas um dia seremos plenamente libertos do tempo, e o que hoje é expectativa do Porvir será o incompreensível Sem Fim.

Jesus, aquele que estava com Deus antes da fundação dos tempos, submeteu-se ao tempo; por um tempo. Viveu vida santa, obedeceu pela confiança e confiou pelo conhecimento que tinha do Pai.

Cristo rompeu as cadeias do tempo cujas grades se chamam morte. Os poderes espirituais rebeldes já sabem da notícia da derrota, mas agem como invasores derrotados que saciam sua revolta destruindo o máximo possível do caminho que lhes conduz ao julgamento de seus crimes.

A páscoa é dos Judeus; dos cristãos, a morte e ressurreição do Filho de Deus. Ele comprou nossa liberdade do império das trevas. Na companhia de seus discípulos, Jesus afirmou: esse é o meu corpo.... partido por vós... esse é o meu sangue... em uma nova aliança.

Também disse: não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim... na casa de meu pai há muitas moradas... para onde eu estiver, estejai vós também. Mais que um dia de festa, festa todos os dias!

O filho de Deus viveu com retidão e entregou a própria vida. Com sua humildade, humilhou principados e potestades rebeldes. Por isso, Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu um nome superior a todos os nomes!

O Reino Sem Fim não tarda. Dentro das cadeias do tempo, angústia e expectativa; fora, os preparativos e a festa se confundem em um só evento. Maranata! Vem Senhor Jesus!

14 abril 2006

Fazer Planos ou Esperar Deus Agir?

INTRODUÇÃO

Estamos no primeiro mês do ano. Muitos ainda estão de férias... As aulas nos colégios ainda não retornaram... A rotina parece que só agora vai retornando a normalidade.

Início de ano é sempre um período em que nos sentimos desafiados a fazer planos. Aliás, é um hábito muito saudável parar, avaliar a vida, e em seguida planejar o futuro. Na verdade os inícios são sempre tempos favoráveis para planos e planejamento.

  1. Um novo trabalho, ou uma nova função no trabalho, pode nos encher de planos. Parece que as forças são renovadas com as perspectivas que surgem em uma nova atividade;
  2. Um novo ano na escola, ou na universidade, desencadeia muitos planos. E se isso vier acompanhado também de uma nova escola... Mais planos ainda! Livros novos... A oportunidade de fazer diferente... e esse ano e estudar pra valer! A vontade de fazer novos amigos... Tudo requer planejamento. (Aliás, tô sabendo que o Centro Batista de Educação está em plena semana de planejamento. Que o Senhor os abençoe e encha de sabedoria. O Centro Batista de Educação é uma expressão do cuidado de Deus com muitas crianças aqui do bairro e das imediações. Não nos esqueçamos de orar para que o Senhor supra todas as necessidades dessa escola)
  3. O início de um relacionamento também é repleto de muitos planos. Novas amizades... O começo de um namoro... Ou o início da vida de casados etapas da vida que nos levam a planejar.
  4. A compra de um bem, embora não seja o hábito de muitos, também é motivo de planejamento. Pesquisa de preços... As características do bem... A forma de pagamento... As compras que pesam no orçamento precisam sem bem planejadas.
  5. Fazer uma viagem exige um bom planejamento. Vá você de carro, ônibus ou avião, não é aconselhável que você viaje sem planejamento.

É interessante como somos desafiados a planejar o futuro tanto pelos programas mais bobos da TV quanto pelas revistas especializadas em administração e planejamento. Os desafios vêm em forma de pergunta:

Qual profissão você vai seguir?
Quantos filhos vocês vão ter?
Como você vai construir sua casa?
Como você vai administrar o orçamento deste mês?
Qual esporte seus filhos vão fazer este ano?
Quando você vai ter aquela conversa importante com seu esposo/esposa?
Como você vai ensinar aos seus filhos sobre confiança em Deus?
Como você vai pagar o estudo da garotada nos próximos?
Quais são seus planos para a aposentadoria?

Planos, planos e mais planos. Parece que não podemos fugir deles!

TRANSIÇÃO

O que a Bíblia tem a nos dizer a respeito de planos para o futuro?

  • Devemos planejar tudo o que vamos fazer, ou deixar que o Espírito de Deus sopre sobre nós e defina nosso futuro?
  • Devemos ser cuidadosos e dimensionar cada passo da vida ou aguardar o direcionamento de Deus através da revelação da Sua vontade?

Não são perguntas simples de responder! E talvez nos surpreendamos com a maneira como a Bíblia trata essa questão. Vejamos dois textos bíblicos importantes essa questão do planejamento.

PLANEJAMENTO NA BÍBLIA

Abra sua Bíblia em Lucas 14:28-32 e acompanhe comigo a leitura do texto.

28 Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? 29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, 30 dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. 31 Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? 32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.

ORAÇÃO

O texto que lemos tem duas ilustrações apresentadas por Jesus sobre a importância de se avaliar o custo de ser discípulo Dele. Isto é, Jesus estava alertando às pessoas para que antes de saírem falando por aí: Eu acredito em Jesus... Ah, eu sou crente... Jesus alertava aquelas pessoas para que antes de tomarem a decisão mais importante de suas vidas, lembrassem de que segui-lo envolve renúncias pessoais elevadas. Jesus estava avisando que é preciso avaliar essas renúncias e só tomar essa decisão se você está disposto a confiar Nele.

Para explicar isso, Ele apresentou duas ilustrações. Essas ilustrações são bons exemplos de como Ele via a necessidade do planejamento e a importância de gastar tempo avaliando o que se pretende fazer.

28 Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? 29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, 30 dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar.

Tem algo que sempre chama minha atenção em Fortaleza: A quantidade obras inacabadas e abandonadas. Aqui mesmo, próximo ao cruzamento da Via Expressa com a Avenida XXXX, temos um exemplo. Obras e mais obras... Prédios enormes com as estruturas à mostra... Acabamento pela metade... E abandonados. Quanto dinheiro investido... Quanto tempo desperdiçado, muitas vezes simplesmente porque alguém não planejou o que queria fazer.

APLICAÇÃO
Como andam os seus projetos? Como estão as obras da sua vida? Você tem começado e não tem terminado? Você olha pra trás e só vê prédios inacabados? Você deixou amizades pelo meio do caminho? Você decidiu seguir a Jesus, mas depois deixou pra lá? Você tem desperdiçado tempo e energia começando muitas coisas sem terminá-las? O Senhor tem uma palavra para você hoje: assente-se, calcule o custo e veja se você pode concluir! Isso é pra fazer antes de começar, mas mesmo se você começou ainda dá tempo de corrigir.

A partir do verso 31 temos a segunda ilustração:

31 Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? 32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.

Jesus volta a perguntar. Aqui também temos algo importante. O rei da estória tem 10 mil soldados e precisa decidir se vai ou não lutar com um outro rei que tem 20 mil soldados. O dobro do seu efetivo. É sensato que esse Rei saia para a batalha antes de avaliar como será a guerra? Quantas e quantas vezes as batalhas que enfrentamos são assim: do outro lado há um exercito com o dobro de soldados.

Como andam sua batalhas? Imagino que você olha para as lutas do dia-a-dia e pensa: Isso não é justo! Estou sempre em desvantagem! Na hora de procurar emprego você descobriu que não está preparado? O salário não chega no final do mês? ... O Senhor tem uma palavra para você hoje: assente-se, calcule e veja como você vai para a batalha!

Perceba como isso é prático! Com essas duas pequenas histórias, Jesus nos orienta a sermos prudentes, a planejarmos com cuidado ANTES de tomar alguma decisão.

1. Se você não tem nenhum objetivo na vida, talvez você não sinta necessidade de planejar, porque os planos nascem da intenção de realizar algo. Ouça bem: se você o desejo de realizar algo, você precisa de planos, se você não tem o desejo de realizar nada, você precisa pedir a Deus que encha seu coração de sonhos;

2. Perceba que nas duas estórias, Jesus fala da importância de ASSENTAR-SE para calcular. Aqui há um grande desafio para nós, cidadãos do veloz século 21: Parar! Ouça bem: se a velocidade de vida é tão grande que você não consegue parar antes das batalhas... Pare agora, antes que você seja parado por um desastre!

3. Não é sensato iniciar qualquer projeto, empreendimento ou relacionamento, enfrentar qualquer batalha, por menor que ela pareça, sem PRIMEIRO avaliar quanto isso vai custar e quanto dispomos para isso.atalhas, o Senhor ntar um exer vai custar para n... ;
4. Também é indispensável checar os recursos disponíveis; De que você dispõe para fazer o que deseja? Quais são seus recursos para enfrentar as batalhas?
5. Não planejar expõe sua intenção ao risco do fracasso.

Eu tenho aprendido com o tempo que a melhor maneira de começar a enfrentar um pecado é chamá-lo pelo nome. nos desafia a abandonarmos atitudes prejudiciais à formação do caráter de Cristo em nós:

A INDOLÊNCIA, que caraterizam aqueles que se apavoram diante do futuro;
A OCIOSIDADE que é a marca dos que não entendem o futuro com oportunidade dada por Deus para realizar a Sua obra;
A NEGLIGÊNCIA, sinal dos que não valorizam a responsabilidade que acompanha o livre arbítrio dado por Deus.


Tiago 4:13-16
Tiago, irmão de Jesus e um dos líderes da igreja cristã em Jerusalém, lança um alerta para aqueles que planejam suas vidas nos mínimos detalhes. Tiago é bastante duro em suas palavras para desconsideram o planejamento com algo necessário ou mesmo importante.

13 ... Os Planos nascem da intenção de fazer algo

14 ... Não temos controle sobre o futuro. Há variáveis indefinidas

Ø Em suma, até nosso bem maior, que é a vida, é instável, efêmero e está fora do nosso controle.

¨ Tiago nos desafia a abandonarmos a

A ARROGÂNCIA, que caracteriza aqueles que desconhecem a grandeza de Deus e da Sua bondade;
A SOBERBA, que é a marcar dos que não olharam ainda para si mesmos com a lente do caráter de Deus;
A INSOLÊNCIA, sinal dos que supõe poder assumir o controle de suas vidas, como sugeriu a serpente no jardim do Éden.

Onde está a chave para compreendemos os planos na vida dos cristão ? Como esses planos podem ter a importância dada por Jesus e estar cercado pelos cuidados sugeridos por Tiago ?

A CHAVE É QUE OS PLANOS NASCEM DA INTENSÃO DE FAZER ALGO

O que você está pretendendo fazer ? Qual é o projeto sobre o qual você está debruçado ? E talvez mais importante que isso: DE QUEM É O PROJETO ?





O projeto é seu ?

Deus não tem qualquer compromisso em abençoar ou mesmo de fazer-se sócio de suas intenções.
Tiago 4:1-4

Planos que nascem de intenções descomprometidas com o avanço do Reino de Deus estão fadados ao fracasso, mais cedo ou mais tarde.

O projeto é de Deus ?
Deus executará seus projetos sem falhas e no tempo certo. Seus planos não serão frustrados, não haverá atraso.
Jó 42: 1,2

Planos que nascem de intenções comprometidas com o avanço do Reino de Deus estão destinados ao sucesso, mais cedo ou mais tarde.




Nossa perguntas precisam mudar ! Na realidade, precisamos descobrir se ...

... optar por essa ou aquela profissão é um projeto meu ou de Deus.
... ter mais ou menos filhos é um compromisso com o meu bem estar ou com o projeto de Deus.
... construir uma casa nova contribui ou não para o avanço do Reino de Deus.
... se a opção de casar é apenas a fuga de um lar em desordem ou a expressão sadia do amor incondicional que vem de Deus.
... se a faculdade é apenas satisfação para os pais ou o direcionamento das habilidades dadas por Deus para a construção de um mundo melhor.

Não são perguntas fáceis, mas precisam ser respondidas, uma a uma, com oração e choro diante de Deus, sob pena de nos tornarmos os mentores das nossas próprias vidas ora com apatia diante dos desafios da vida, ora com arrogância descabida diante de nossa pequenez.


13 abril 2006

Parabéns Fortaleza!

Por Aristarco Coelho

Hoje a cidade de Fortaleza completa 280 anos. São quase três séculos, mas somos uma cidade nova, comparada a outras grandes metrópoles em nosso país.

Segundo alguns historiadores, por muitos anos o interesse da coroa portuguesa por essas bandas foi em função da defesa do litoral e do estabelecimento de um entreposto para as embarcações que navegavam do Maranhão para Pernanbuco; um ponto de apoio para os viajantes.

Sem muitos atrativos naturais como minérios preciosos, terras férteis, ou a proximidade da foz de um grande rio navegável, a cidade desenvolveu-se, aos trancos e barrancos, até tornar-se um dos seis maiores aglomerados humanos do Brasil.

Mas, qual é a cara da nossa Fortaleza? Hoje, qual o seu retrato?

Fortaleza é uma cidade próspera, mas grandemente desigual! Grande metrópole com impressionante expansão imobiliária, mas encravada por favelas e circundada por uma periferia pobre, maltratada e mal cheirosa; ainda assim a cidade é reconhecida pela criatividade de seus arquitetos: belos prédios por todos os lados, inclusive dentro dos mangues, das lagoas e dos mananciais.

Quem resolver andar em direção aos limites da cidade vai descobrir um verdadeiro apartheid; não racial, mas econômico. A partir de determinados pontos, a pavimentação desaparece, a iluminação publica se torna opaca, os edifícios se enfeiam e as pessoas parecem mais tristes.

A brisa fresca do mar não mais refresca toda a cidade. Paredões de concreto privatizaram o vento; não só o vento, mas nos arredores da cidade, a praia, antes pública, também foi privatizada.

A cidade dos carros importados e das pickup não tem um sistema de transporte em massa compatível com seus mais de dois milhões de habitantes; enquanto isso empresas de transporte de passageiros exploram suas concessões e oferecem serviços que ficam longe de atender às necessidades da população.

Sempre fico encantado com a beleza do litoral de Fortaleza, mas sofro com o comércio de sexo infantil que nossas belas praias testemunham todos os dias; meninas pequenas e franzinas (com trejeitos de mulher) usadas e usando homens sedentos por uma aventura longe de casa. Ainda assim, trabalhos de resgate da cidadania, como o realizado pela ABBEM na periferia da cidade, insistem em dizer que é possível manter a esperança.

Fortaleza sofre de angústia e estresse. A cidade cresce sem planejamento. Não há praças, não há parques, quase não há mais lagos, não há jardins, as poucas reservas são invadidas, não há zoológico; por enquanto há praias, mas nem todas próprias para o banho. No meio de tudo isso, ultimamente, tenho me alegrado ouvindo Murilo Marques, da ONG D3 denunciar a falta de humanidade em nossa cidade.

Em Fortaleza, as casas e condomínio se transformaram em fortalezas. A cidade vem em uma escalada crescente de violência. Os motivos são diversos e complexos, todos ligados aos problemas inerentes às grandes cidades: da impunidade ao egoísmo, passando pela bebedeira, subproduto da desilusão e da falta de propósito.

Mesmo assim, minha cidade gosta de festa. Na verdade festeja para não ver a si mesma. Carnaval ou Fortal, Ceará Music, Forró ou Funk, não interessa! Só não vale parar e pensar. Sexo sem limites, drogas de todos os tipos e um vazio que teima em não ser preenchido.

Se antes éramos um entreposto entre São Luís e Recife, hoje fazemos parte da rota do tráfico de drogas entre a América latina e a Europa. Fomos promovidos para baixo. Quais empreendimentos o lucro do tráfico está financiando em nossa cidade? Quem ganha com isso? Talvez nunca se saiba, mas o preço dos investimentos é a dignidade do nosso povo.

Sei que muitos, que amam Fortaleza, talvez reclamem desse texto. Onde estão a belas praias e o povo hospitaleiro? Onde a fabulosa estrutura turística? Onde está tudo que a cidade tem de bom? Calma, amigos, nada saiu do lugar. Eu também amo minha cidade. Mas, meu amor por ela não me permite ficar mudo diante das potestades que tentam encarcerar nossa Fortaleza dentro de suas fraquezas.

A homenagem que podemos oferecer a grande Fortaleza é assumirmos nosso papel de membros permanentes dessa comunidade. Deixarmos de agir como passantes, mercenários ou exploradores, que sugam o doce da cidade para si mesmos, não se importando com o presente dos que sofrem nem com o futuro das gerações que virão, e dispor-nos a transformá-la em um lugar melhor de se viver.

Parabéns Fortaleza! Queira Deus que de suas ruas ainda se ergam muitos homens e mulheres com firmeza de caráter e decisão para fazê-lo
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09 abril 2006

Relacionar-se com Deus 4/4

OS TIPOS DE OBEDIÊNCIA

Vamos concluir essa série de mensagens sobre como se relacionar com Deus pedindo ao Senhor que esclareça nossas mentes sobre a obediência.

A história de Pedro e os Apóstolos (Atos 5:12-42)

Nessa história, os líderes religiosos tentaram fazer com que suas ordens fossem obedecidas a todo custo. Eles ameaçaram, usaram de sua autoridade para prender os apóstolos e depois os puniram fisicamente. Mas, Pedro disse que “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens”. E eles continuaram a pregar e ensinar sobre Jesus.

Que tipo de obediência é essa, a dos apóstolos, que os manteve firmes diante de tantas ameaças, mal tratos e espancamento?

Falo de tipo, porque não existe só uma espécie de obediência. A obediência pode ter diversas motivações e cada tipo de motivação implica em um tipo diferente de obediência.

Entre os tipos de obediência, há aqueles que são preferíveis em relação aos outros. É fácil ver isso na prática:

Dois empregados. Um obedece às normas da empresa porque senão será punido; o outro obedece porque entende que obedecer é melhor para empresa e para ele.

Dois filhos. Um obedece aos pais porque não quer perder a fama de bom garoto; o outro obedece porque vai ganhar o presente prometido pela mãe.

Dois empresários. Um obedece às leis tributárias porque sonegar é arriscado e pode dá muita complicação; o outro, recolhe os impostos na esperança de que eles sejam usados corretamente para o bem comum.

Dois motoristas. Um obedece às leis de trânsito porque as multas são muito pesadas; o outro, obedece porque compreende que elas existem para proteção de todos.

Com que tipo de obediência funciona seu relacionamento com Deus? Por quais motivos você se sente motivado para obedecer?

PELO MEDO DA PUNIÇÃO

A Bíblia é clara quando fala que nossas atitudes têm conseqüências. Ela afirma: “A alma que pecar, essa morrerá”, e o “Salário do pecado é a morte”, e ainda “O que o homem semear isso colherá”. A Bíblia diz que Deus é justo e que não aceita a iniqüidade e o pecado.

Uma taça de cristal, largada no chão, vai se quebrar em pedaços. Da mesma forma, uma vida vivida longe de Deus resultará em dor e destruição eterna. Por isso a Bíblia é tão transparente sobre esse assunto. Mas Deus não tem prazer na punição nem faz disso seu objetivo.

Imagine que um garçom, chamado para fazer um trabalho extra em uma grande festa, recebe o aviso de que as belas taças de cristal, que serão usadas naquela noite (século XVIII), são caras e muito frágeis; e que por isso é preciso ter todo o cuidado ao manuseá-las. Junto com esse aviso, vem outro: que se algum garçom, propositadamente, quebrar uma dessas taças, precisará pagar por ela.

Então ele pensa: Não tenho como pagar nem uma sequer dessas taças. Não posso correr o risco de que elas se quebrem em minhas mãos! Com medo de que isso aconteça, ele recolhe as taças antes da festa e tranca todas elas no cofre da casa para que nenhuma se quebre!

Esse garçom obedeceu à ordem de ter todo o cuidado no manuseio das taças, mas a sua motivação era o medo. Ele esqueceu de que as taças devem ser preservadas, mas existem para serem usadas na festa.

Pode ser que você aja exatamente assim: ao pensar nas conseqüências que estão escritas na Bíblia para quem desobedece a Deus, você sente medo e tenta viver uma vida de obediência absoluta. Então, esse medo passa a ser algo sempre presente em sua vida:

• Medo de pecar sem saber que está pecando;
• Medo de pensar o que não deve;
• Medo de ser castigado por Deus;
• Medo das maldições
• Medo do inferno;

Toda dificuldade, todo acidente, todo sofrimento se torna um indício de punição pelos pecados... Castigo de Deus... É tanto medo você fica com medo de viver e tranca a sua própria vida dentro do cofre, do mesmo jeito que o garçom trancou as taças de cristal, e vive uma vida de pavor e insegurança.

Com certeza o dono da festa não vai deixar de cobrar o preço justo daqueles garçons que por sua própria vontade jogaram as taças no chão, mas ele não deseja que, por medo, você tranque sua vida em um cofre.

Sabe o que você precisa? Conhecer o caráter do dono festa. Quando você descobrir que Ele não tem prazer em punir, mas se alegra em ensinar como viver uma vida bonita; Quando você se aproximar dele você vai deixar de ter medo. Deus não deseja a obediência pelo medo.

Os líderes religiosos queriam que Pedro e os apóstolos obedecessem a suas ordens pelo medo. Eles ameaçaram, prenderam e espancaram os apóstolos, mas aqueles homens não se intimidaram e continuaram a pregar e ensinar sobre Jesus. Eles não guardaram suas próprias vidas dentro de um cofre, mas se arriscaram a viver para a glória de Deus. Qual a era a base da obediência daqueles homens? Com certeza não era o medo da punição!

PELA RECOMPENSA

Da mesma forma que a Bíblia é transparente sobre as conseqüências de uma vida distante de Deus, ela não esconde os benefícios que recebem aqueles que vivem para Deus. Não estou falando apenas de bênçãos para a eternidade. O Senhor promete vida abundante, comida na mesa, roupa pra vestir, abrigo pra morar, alegria pra viver e sucesso nos empreendimentos. Mas Deus não se alegra na obediência motivada pela recompensa imediata.

A história de Jó serve para entendermos isso. Ele era um ícone da prosperidade em sua época.

Na terra de Uz viveu um homem chamado Jó. Ele era justo, pois obedecia a Deus e se esforçava para nunca praticar o mal. Jó tinha uma família bem grande, sete filhos e três filhas. Além disso, era muito rico! Era o homem mais rico e poderoso daquela terra, pois tinha sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas mulas e um grande número de empregados e escravos. (Jó 1:1-3 – Bíblia Viva)

Satanás o acusador lança uma questão: A obediência de Jó não era legítima. A obediência de Jó não era de boa qualidade, porque sua motivação era a promessa de Deus de bênção e prosperidade.

“Jó tem razão para isso”, respondeu Satanás. “O Senhor deu a ele do bom e do melhor, protegendo jó e sua família de todos os males e tristezas e fazendo dele um homem riquíssimo! Não é sem razão que jó obedece! Experimente, porém tirar todas as riquezas e os bens que o Senhor deu a Jó; ele vai se revoltar e dizer coisas horríveis contra o Senhor!” ( Jó 1:9-11)

Satanás é ardiloso, e também um profundo conhecedor da mente e do coração humano. Desde a criação ele vem nos observando, procurando nossas fragilidades para destruir em nós o testemunho do amor de Deus.

Sua acusação contra Jó não era verdadeira, mas quantos de nós seríamos aprovados nesse mesmo teste? Muitos estão interessados nas bênçãos de Deus; não no Deus que abençoa.

Quem obedece pela recompensa, passa a mercadejar com Deus. Troca bênçãos, por correntes de oração; carro, por jejum; aprovação no vestibular, por velas acessas; cura, por caminhada de joelho; casa nova, por dízimos e ofertas. Um filho que sai das drogas vale dez novenas (ou quem sabe ler a bíblia todos os dias); imagine quanto vale a aprovação em um concurso público.

Deus quer o nosso bem, mas ele não é um comerciante de bênçãos. Ele não precisa de nada para si mesmo. Nada do que você queira troca tem valor para ele. Deus abençoa aqueles a quem ama, e ele ama aqueles que o conhecem, confiam nele e o obedecem.

Você precisa conhecer o caráter de Deus. Aí você vai descobrir que além de carro, casa, emprego, dinheiro, saúde, roupa, calçado, diversão, amigos, família e tudo mais, Ele quer lhe ensinar que o sentido da vida está em usar tudo isso para explicar aos outros o amor de Deus.

Será que os apóstolos ficaram imaginando o que receberiam de Deus por haverem sido presos e espancados? No verso 41 diz: “Os apóstolos deixaram a sala do conselho sentindo alegria porque Deus havia achado que eles eram dignos de sofrer ofensas por amor ao nome do Senhor Jesus Cristo.”

PELA CONFIANÇA EM QUEM DEU A ORDEM

Qual a base da obediência daqueles homens? Se eles não obedeciam por medo, nem pela ganância, em que estava apoiada essa obediência?

Precisamos voltar um pouco na história para entender. Esses homens não surgiram do nada. Eles não profundos conhecedores da lei, procurando mais uma regra para obedecer. Eles não eram aventureiros pregando uma doutrina nova com promessas espetaculares. Eles não eram comerciantes da fé, vendendo esperança em troca de dinheiro.

Aqueles homens tinham convivido durante três anos, dia-a-dia, com uma pessoa: Jesus. Eles desenvolveram um relacionamento pessoal com Jesus.

• Ouviram suas palavras viram na prática modo viver a vida: Impostos e preconceitos (leprosos, publicanos, samaritanos);
• Eles enfrentaram perigos ao lado de Jesus: (tempestade);
• Viram milagres nas suas vidas e em outras pessoas (o dia fraco de vendas, a menina que estava morta);
• Eles viram Jesus amar ao pecador, mas dizer não ao pecado; (jovem rico).

Depois de tudo isso, eles receberam uma ordem e uma promessa. E por conhecerem a Jesus, eles decidiram obedecer à ordem, confiando naquele que fez a promessa:

Ele disse aos discípulos: “toda a autoridade no céu e na terra foi entregue a mim. Portanto, vão e façam discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, e depois ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei; e tenha certeza disto – que Eu estarei sempre com vocês, até o fim do mundo.”

A base da obediência dos apóstolos era a confiança na pessoa de Jesus. Eles não falavam sobre conceitos que alguém lhes havia ensinado. Eles haviam experimentado a presença de Jesus em suas vida e por isso aprenderam a obedecer pela confiança. Eles confiavam naquele que tinha dito: façam discípulos de todas as nações.

É esse o tipo de obediência que Deus quer ver desenvolvida em nossas vidas. Foi esse tipo de obediência que marcou os homens e as mulheres de Deus no passado.

Leitura de Hebreus 11

CONCLUSÃO

Eu quero falar para você que um dia decidiu em seu coração confiar em Jesus, mas tem vivido uma vida desconectada dele. Não adianta obedecer pelo medo, nem tampouco pela ganância. Clame agora ao Senhor e peça para renovar sua confiança em Jesus. Senhor aumenta a nossa fé!

Também quer falar com você que ainda fez uma decisão por Jesus. Quero lhe oferecer a oportunidade de declarar publicamente sua confiança nele como o seu Salvador e sua decisão de obedecer a ele como seu Senhor. Se você nunca fez isso publicamente, eu quero lhe desafiar a fazer um sinal com a mão dizendo: sim eu creio em Jesus como meu salvador e decido hoje obedecer a Ele em todos os momentos da minha vida.

05 abril 2006

John Fletcher (1729 - 1785)

Jean Guillaume de la Fléchère, um Suíço de língua Francesa que nasceu em Nyon em 12 de Setembro de 1729, foi um verdadeiro grande homem de Deus. John William Fletcher - o seu nome foi anglicizado para ajudá-lo a ser aceito por aqueles a quem ele foi chamado a pastorear e pregar - serviu o Senhor em Madeley (Inglaterra) de 1729-1785 e foi presidente da Trevecca, a universidade do Sul de Gales fundada pela Condessa de Huntingdon, concebida para treinar líderes Cristãos durante o reavivamento do Séc. XVIII. Ele era altamente respeitado e amado, - quase que adorado pelos estudantes. Amigo íntimo tanto de John como de Charles Wesley, Fletcher foi considerado sucessor de John Wesley, mas, ao morrer em 1785, precedeu Wesley na morte. Wesley disse que, espiritualmente, nunca encontrara ninguém como Fletcher, “alguém tão devotado a Deus tanto exterior como interiormente; e dificilmente encontrarei outro como ele deste lado da eternidade”.Quando morreu foi dito: “John Fletcher, um modelo de santidade sem paralelo neste século.”.

John Fletcher era conhecido por De Madeley devido ao impacto que causou nesta terra inglesa. A influência do seu ministério foi de tal envergadura que os bares fecharam todos nesta localidade.Alguns apresentavam como desculpa para não irem aos cultos, aos Domingos de manhã, o fato de não conseguirem acordar a tempo suficiente para terem a família pronta. Ele arranjou um remédio para este mal. Pegando numa sineta, às cinco horas da manhã, durante meses, todos os domingos, percorria as ruas convidando os habitantes para a casa de Deus. Era incansável. Mesmo doente nunca recusava sair de casa a altas horas da noite, ou de madrugada, em qualquer estação do ano, mesmo sob as condições atmosféricas mais severas e desconfortáveis, para visitar os doentes e moribundos, e oferecer-lhes as consolações do Evangelho.O pai dele era membro de uma das famílias mais respeitadas no Cantão de Berna, na Suíça, e foi Coronel no Exército Francês. O pai colocou-o a estudar em Geneva, onde se distinguiu academicamente pelo brilhantismo. Depois foi estudar alemão e Hebraico no cantão Suíço de Lensbourg. O pai queria que ele seguisse a carreira eclesiástica. No entanto, quando concluiu os estudos, e não obstante ter tido uma infância que o marcou positivamente a nível espiritual, resolveu enveredar por outra via. Disse ele depois que tal mudança se deveu à corrupção existente no mundo e no seu próprio coração. Os colegas aliciaram-no a seguir o Exército. Ele tentou em vão obter o consentimento do pai para entrar no Exército.


NA MARINHA PORTUGUESA

Apesar de ter qualificações intelectuais para trabalhar como professor, preferiu o risco da aventura de ser mercenário. Chegou a vir a Lisboa para comandar um navio de guerra Português que o levaria ao Brasil, ao serviço do Rei de Portugal. Entretanto algo o obrigou a ficar em terra e a desistir dessa via. Uma criada, que servia o pequeno-almoço, entornou-lhe em cima duma perna um bule de Chá a ferver, impossibilitando-o de concretizar este seu desejo. Ainda tentou ingressar no Exército da Holanda onde tinha um tio no posto de Coronel, mas, entretanto o tio morreu e as suas esperanças desvaneceram-se. O que se teria perdido, se estes reveses não tivessem acontecido?!


EM INGLATERRA

Desempregado, resolveu ir para Londres. Uma vez aqui, ouviu o Evangelho através dos metodistas e converteu-se ao Senhor. Começou então uma vida maravilhosa. Pouco tempo decorrido após a conversão começou a pregar – com muita bênção. Era muito solicitado em diferentes igrejas. A humildade e o fervor eram as suas grandes características. Toda a sua vida passou a ser uma vida de devoção; e tão ansioso ele estava em manter a comunhão com Deus, que por vezes dizia, “Não me levantarei, sem primeiro erguer o meu coração a Deus”."Sempre que nos encontrávamos”, observa um amigo íntimo, "se estivéssemos sós, a sua primeira saudação era, 'Interrompo a tua oração?' Se conversávamos sobre qualquer ponto doutrinal, quando estávamos na profundidade da questão, ele interrompia muitas vezes de forma abrupta a conversa e perguntava, 'Onde estão agora os nossos corações?' Se a má conduta de uma pessoa ausente fosse mencionada, a sua atitude era,'Oremos por ele.' "Ele escreveu muito. Embora tendo nascido e sido educado na Suíça, John Fletcher adotou a língua inglesa deixando obras importantes nesta língua. Foi considerado um grande teólogo. Ele chegou a estudar 14 a 16 horas por dia as Escrituras, combatendo, por escrito, idéias estranhas à fé Cristã nos seus dias. Comia apenas para sobreviver fisicamente. Era raro tomar as refeições a horas regulares. Em 24horas comia 2 ou 3 vezes, comendo pão, queijo, fruta e leite.


JOVENS MARCADOS

Ele também lecionou. Os estudantes ficavam tão impressionados com ele que quando entrava na sala de aulas fechavam os livros sobre Virgílio, Cícero e outros, muito em moda na época. Preferiam escutá-lo. Depois de falar sobre grandes temas como a oração, a plenitude do Espírito e o poder e bênção de Deus na vida quotidiana, convidava-os a colocarem a teoria na prática. Normalmente saía da sala de aulas e dirigia-se a um compartimento onde se punha a orar. Invariavelmente os estudantes todos seguiam-no. Estes contaram que um dia, quando ele orava, o êxtase espiritual que experimentava era tão elevado que exclamou. “Senhor, não me enchas mais senão rebento. Perdoa-me Senhor, continua a encher-me; prefiro rebentar a perder esta bênção de ser cheio de Ti”. Os estudantes confessavam que às vezes não sabiam se ainda estavam neste mundo ou já no próximo. Havia dias que passavam com ele horas a buscar a face de Deus. Um dia ele disse-lhes: “Se Deus vos conceder arrebatamentos e experiências extraordinários, agradecei-Lhe; mas não vos glorieis nisso fora da medida. Sede prudentes, para que a desilusão não se intrometa; e lembrai-vos que a vossa perfeição Cristã não consiste tanto na construção de um tabernáculo no Monte Tabor, para descansardes e desfrutardes de VISTAS RARAS ALI, mas em tomardes resolutamente a cruz, e seguir Cristo no palácio de um arrogante Caifás, até ao átrio de juízo de um injusto Pilatos, e até ao cume de um ignominioso Calvário. Nunca lestes nas vossas Bíblias, “Que esteja sobre vós a glória que também esteve sobre Estêvão, quando ele olhou firmemente para o céu, e disse, ‘Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus’, mas tendes lido nelas freqüentemente, ‘De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.’”


HOMEM DE ORAÇÃO

A oração, com Fletcher, não era um dever mas um refrigério e uma inspiração. Todos os Domingos de manhã, entre as quatro e as cinco da manhã, e duas ou três noites por semana, depois dos alunos estarem a dormir, ele costumava sair para os prados, ou para as margens do Severn, reunindo-se com um funcionário de finanças, um criado, e uma viúva pobre.Os quatro derramavam a sua alma em oração a Deus, sendo admiráveis as manifestações de amor e graça divinos que lhes era concedido. Henry Venn disse dele: “Fletcher foi um luminar — eu disse, um luminar? Ele foi um sol! Conheci todos os grandes homens de Deus nestes 50 anos, mas nunca conheci ninguém como ele, e conheci-o intimamente... Nunca o ouvi proferir uma única palavra que não fosse própria. E tinha uma tendência impressionante de ministrar graça aos que o ouviam… Nunca ouvi Fletcher falar mal de alguém. Ele orava pelos que andavam desordenadamente, mas nunca publicava as suas faltas.”


SERÁFICO

Quando visitou determinada localidade um crente idoso rogou-lhe que prolongasse a sua visita somente por mais uma semana. Quando viu que seria impossível, desabafou para outro crente, com lágrimas nos olhos: “Oh, que infelicidade para a minha terra! Durante a minha vida só vi ser produzido um homem anjo e agora que o temos perdemo-lo.”Quando ele pregava o sentimento de quem o ouvia era de que falava como alguém que acabara de conversar com os anjos e Deus, e não como ser humano. John Fletcher certa ocasião ausentou-se 5 meses de Inglaterra para, numa viagem, pregar em França, Itália e Suíça. Por onde passou deixou marcas profundas nas almas que o receberam e escutaram. Fez o mesmo, noutras ocasiões, por toda a Grã-Bretanha, regressando sempre à imensa labuta entre os seus, em Madeley.


REMINDO O TEMPO

Para se ter uma noção de como ele remia o seu tempo notemos o que se passou certa ocasião. Certa manhã, ele quis estar presente quando as raparigas da escola foram tomar o seu pequeno-almoço, observando o tempo que demoravam. Quando acabaram ele falou com cada uma separadamente, e no fim disse-lhes: “Observei esta manhã como vocês tomam o vosso pequeno-almoço. Convido-vos a estardes presente no meu pequeno-almoço amanhã, para verdes como eu o tomo. Ele informou-as que o seu pequeno-almoço seria às 7h. Quando elas vieram à hora marcada observaram-no comer uma malga de leite com pedaços de pão enquanto ao mesmo tempo conversava com elas. Ele tinha colocado um relógio na mesa, e quando acabou de comer perguntou-lhes quanto tempo demorara. Elas disseram-lhe que comera num minuto e meio. Contrastando com o tempo que elas tinham tomado no dia anterior -uma hora -, disse-lhes: “Ainda temos 58 minutos!” E começou a cantar um hino com esta letra: A nossa vida é como quimera! A nossa temporada escoa efêmera. O momento fugidio já era. A seguir pregou-lhes sobre o valor do tempo e da alma. Por fim ajoelharam-se todos em oração.


FAZIA BALANÇO DIÁRIO

Antes e além de tudo o mais John Fletcher buscava Deus. Como ajuda neste supremo esforço ele redigiu as seguintes regras para usar à noite:

Hoje, ao levantar-me estive espiritualmente vigilante, e tive o cuidado de impedir que a minha mente vagueasse?
Neste dia estive mais perto de Deus em momentos de oração, ou dei azo à preguiça e ociosidade?
Neste dia a minha fé foi enfraquecida por falta de vigilância, ou despertada pela diligência?
Neste dia andei pela fé e vi Deus em todas as coisas?
Neguei-me a proferir palavras e pensamentos maus? Alegrei-me por ver outros preferidos a mim?
Fiz o máximo com o meu precioso tempo, ou enquanto tive luz, força e oportunidade?
Guardei as saídas do meu coração com graça, de modo a tirar proveito delas?
O que é que neste dia fiz em proveito das almas e corpos dos queridos santos de Deus?
Fiz alguma coisa para agradar ao meu ego quando podia ter poupado dinheiro para a causa de Deus?
Neste dia governei bem a minha língua, lembrando-me que “na multidão de palavras não falta pecado”?
Em quantos exemplos me neguei a mim mesmo hoje?
A minha vida e conversação adornaram o Evangelho de Jesus Cristo?


FÉ PRÁTICA

Com o fim de encorajar os outros se manterem em comunhão com Deus e desfrutarem da salvação plena, Fletcher formulou uma série de questões como forma útil de se examinarem a si mesmos. O exemplo que a seguir apresentamos mostra quão prática era a fé que ele vivia e pregava.“Sinto algum orgulho? Estou morto para todo o desejo de ser elogiado? Se me desprezam, gosto menos deles por causa disso? Ou se me amam ou aprovam, amo-os mais como resultado? Cristo é a vida de todas as minhas afeições e projeto, do mesmo modo que a minha alma é a vida do meu corpo? Realizo sempre a presença de Deus? ...Estou livre do medo dos homens? Estou sempre pronto para confessar Cristo, sofrer com o Seu povo, e morrer por amor a Ele?...Estou pronto a abrir mão da minha tranqüilidade e comodidade para fazer algo em favor dos outros, ou espero que sejam eles a fazerem isso por mim?...Nunca tomo para mim a glória que pertence a Cristo?...Sou amável, não severo; adaptando-me a todos com doçura; esforçando-me para não causar dor, mas para ganhar e vencer tudo para seu bem?...Realizo as tarefas mais servis, como as que requerem muito trabalho e humilhação, com alegria?...Sujeito todos os pensamentos a Cristo?...Não penso no mal, não dou ouvidos a conjecturas sem fundamento,nem julgo pela aparência? Como é que sou na tentação? Se Satanás me apresenta uma má imaginação, a minha vontade resiste imediatamente, ou cede? Sofro as enfermidades da velhice ou doença sem procurar reparar a decadência da natureza com bebidas fortes? Ou faço de Cristo o meu único apoio, lançando o peso do corpo enfraquecido nos braços da Sua misericórdia?” Nada havia inferior à sua imersão na profundidade d’Aquele Cuja santidade era origem, convite e recompensa para o homem que insistiu muito com a sua mulher: “Não escrevas nada sobre mim; Deus é tudo.”


REVOLUÇÃO EM MADELEY

O povo de Madeley estava num enorme desconforto, quando John Fletcher surgiu. Eles nada mais queriam, do que serem deixados sós, mas a influência deste novo ministro era de uma força tremenda.Eles começaram a temer abrir as suas tabernas e salões de dança. A aparência deste homem pálido, quando repreendia o pecado com palavras que queimavam e feriam, era de olhos relampejantes, como brasas incandescentes. Fletcher insistia na urgência da sua conversão a Deus e não na simples ida à igreja. Em público dirigiam-se a ele com raiva; em privado falavam mal dele; perturbavam as suas reuniões informais; amaldiçoavam o seu nome. Porém houve uma coisa com que não conseguiram lidar – a sua coragem e bondade, que foram determinantes para mudar a maré.O seu estilo de pregação não foi bem recebido e não obteve o apoio do clero e dos abastados. Eles referiam-se a ele como sendo um herege cismático. Mas, com suas boas obras, qualidades pessoais e dom de oratória venceu-os a todos. Uma das características de Fletcher é que ele não requeria sempre um púlpito para pregar; uma área aberta, ao ar livre, era igualmente boa para ele. Muitas vezes aventurava-se a trabalhar nas comunidades, com os mineiros, os metalúrgicos, os marinheiros e os pobres, a quem ele fazia freqüentes visitas. Ele tratava todos por igual, nunca tirando partido dos caprichos dos poderosos.


ENORME DIANTE DO REI

Em 1776 ele escreveu um folheto. Uma cópia foi enviada ao Rei de Inglaterra.Este quis recompensá-lo com uma posição eclesiástica elevada. Com cortesia ele recusou a oferta do monarca, acrescentando, “Apenas quero mais graça”. Sempre que lhe perguntavam se tinha alguma necessidade, ele respondia, “... não quero nada, a não ser mais graça”.


CASAMENTO

Ele casou-se com Mary Bosanquet, uma mulher que conhecia há muito tempo, na esperança de que ela o ajudasse no reavivamento. Adotaram uma menina chamada Sally. Eles casaram-se em 1781, quando o noivo tinha 52 anos de idade. Foi um casamento muito feliz e aceito com muita alegria em Madeley, mesmo apesar da noiva ser natural de Leytonstone e não uma rapariga local. Este casamento feliz rompeu-se forçosamente devido à morte dele, apenas três anos, nove meses e dois dias depois de se realizar.


SEGREDO DO SUCESSO

O segredo do seu sucesso parece ter sido uma mistura de oração contínua, devoção pessoal à Pessoa de Cristo, estudo intenso das Escrituras, preocupação social pelo rebanho, e uma prontidão voluntária em visitar qualquer pessoa que se encontrasse de alguma forma aflita. Ele orava muito todos os dias e dedicava duas noites por semana – que se estendiam pela madrugada - ao estudo das Escrituras para melhor compreender a fé Cristã.


ALTRUÍSTA

Ele organizou a ajuda - e ele mesmo empenhou-se nela – aos velhos, pobres, moribundos, viúvas e órfãos. Ele manifestou uma compaixão evangélicatípica pelas necessidades sociais dos que o rodeavam, dando ele mesmo sacrificadamente para que a sua visão se materializasse. Ele dava tanto que pouco ficava para manter a sua casa e comer. A sua atitude imutável para com o dinheiro e toda a forma de riqueza mundana, deve ter parecido incompreensí vel aos seus contemporâneos; ele era bastante insensível às ofertas de conforto e luxúria. De fato, tendo puramente por base o fato de que uma “certa jovem senhora” tinha riqueza, ele menosprezou o amor da única mulher com quem achava que se podia casar. Só depois de Miss Bosanquet ter sido deserdada pela sua família devido às suas convicções evangélicas, é que Fletcher rompeu o silêncio e fez a proposta há muito esperada – vinte e cinco anos depois de se terem encontrado pela primeira vez. E mesmo então, ele tornou bastante claro que, embora ele a amasse, foi a penúria dela que tornou possível que ele a abordasse daquele modo!


PODEROSO

Para um homem com o talento treinado como o dele, tendo um poder de expressão que destilava eloqüência diante de qualquer audiência, Fletcher podia ter conseguido para si um nome famoso. Em vez disso, o propósito dele foi levar à conversão e não encantar os seus ouvintes; assegurar os seus interesses eternos e não obter os seus aplausos momentâneos… Ele falava como na presença de Deus, e ensinava com autoridade Divina. A energia da sua pregação era irresistível. Os seus temas, linguagem, gestos, tom de voz, e a sua face, tudo conjugava para fixar a atenção e afetar o coração. Sem pretender a sublimidade; ele foi verdadeiramente sublime, e de eloqüência rara.”


ESQUECIDO

John Fletcher tem sido esquecido pela Cristandade moderna, não sendo muito mencionado pelos historiadores, no entanto alterou o curso de eventos nacionais por meio das suas orações e zelo. Apesar de reservado (e por isso esquivo) não deveríamos negligenciar o testemunho desta vida que é uma autêntica fonte de inspiração e piedade. A Bíblia tem razão: A memória do justo é uma bênção (Prov. 10:7).


DEPENDENTE

O acontecimento que a seguir narramos ilustra o poder da bênção divina abundante no seu ministério. Uma senhora que se tinha convertido e que desejava muito ir aos cultos, sofria o antagonismo de um marido terrível. Ele era um perfeito pagão que fazia tudo para a reter em casa, e transformar a sua vida numa miséria. Um dia em que ela se preparou para ir ao culto ele disse-lhe, com sinceridade óbvia que, se ela saísse de casa, a estrangularia quando voltasse. Apesar da ameaça, ela foi. À medida que o tempo passava, ela pensava, receosa, na recepção que teria no regresso. John Fletcher, que nada sabia disto, não sentiu liberdade nenhuma em pregar a partir das anotações que preparara. Sentiu-se pressionado pelo Senhor para pregar de memória, guiado pelo Espírito. A mente dele foi orientada para a história de Sadraque, Mesaque e Abdenego, lançados na fornalha, em Daniel. Sem saber, ele foi levado a encorajar aquela mulher preocupada. Após o culto, encorajada com o que ouvira, a mulher regressou a casa sem receio, confiada na provisão do Senhor. Contudo, ao chegar a casa, o que os olhos dela contemplaram excedia tudo o que a sua mente tinha imaginado. O seu marido pagão estava prostrado no chão, com a face no soalho, em agonia, clamando a Deus por misericórdia, tal a convicção a que estava sujeito pelo Espírito de Deus.


INFLUENTE

Em toda a sua vida ministerial John Fletcher conheceu um poder espiritual notável na pregação; não há dúvida que ele estava ungido com a unção divina e falava no poder do Espírito Santo. A sua congregação cresceu exponencialmente, sendo grandemente afetados, nos cultos, tanto jovens como idosos. As lágrimas eram lugar comum. Independentemente do local onde ia e da língua falada, o resultado era o mesmo. As audiências ficavam num estado de profunda convicção. Por vezes as congregações não dispersavam, ficando reunidas horas depois de acabada a pregação, por causa do desejo da obtenção da graça divina que se seguia ao arrependimento.


CONVITE DE JOHN WESLEY

Fletcher era tão poderoso e eloqüente que John Wesley afirmava repetidas vezes que era ele, e não George Whitefield, que deveria ter tamanha fama nacional. Wesley não dizia isto maldosamente, pois ele tinha a mais elevada consideração pelo seu entusiástico colega Whitefield; ele olhava para os fatos de uma forma lógica, e apenas emitia a sua opinião. De fato, Wesley foi mais adiante e manifestou o seu desejo permanente de que Fletcher liderasse o movimento metodista após a sua morte. Quando Wesley tinha 58 anos e John Fletcher 32, ele pediu a Fletcher para que fosse seu companheiro e sucessor. Wesley ficou desiludido quando Fletcher decidiu restringir-se a Madeley. Wesley não imaginava que viveria mais 6 anos do que John Fletcher, apesar da diferença significativa das suas idades.


FANTÁSTICO ATÉ AO FIM

Ele contraiu a tuberculose tendo ido para um clima mais quente para recuperar. Nunca recuperou e morreu em 14 de Agosto de 1785 com 56 anos de idade. Quando Fletcher soube que tinha tuberculose ficou calmo, como sempre.Em vez de assumir o papel de doente, ele percorreu a Suíça comunicando aos seus conterrâneos as coisas que Deus lhe tinha mostrado nos anos anteriores. Ele suportava o sofrimento do mesmo modo que suportou a incompreensão –ficando calmo, com a ajuda de Deus. Estando gravemente enfermo alguém foi visitá-lo e ficou impressionado: “Fui visitar um homem que tinha um pé na sepultura; mas encontrei um homem com um pé no céu”. Mesmo extremamente doente foi pregar numa conferência. Alguém escreveu o que viu: “Toda a assembléia se colocou de pé como que movida por um choque elétrico. John Wesley ergueu-se e avançou uns passos para segurar o seu amigo e irmão quando este acabou de pregar. A face de Fletcher parecia pronunciar fortemente que ele se abeirava da sepultura, enquanto os olhos relampejavam amor seráfico, indicando que habitava nos subúrbios do Céu … Ele tinha falado com uma eloqüência tão santa que nenhuma descrição minha pode expressar adequadamente. Ele acabava de falar a uma centena de pregadores, em números redondos, que estavam inundados em lágrimas … Wesley, para aliviar o seu amigo lânguido de fadiga e desgaste pelo enorme esforço que fizera ao pregar, ajoelhou-se abruptamente ao seu lado, secundado por todo o congresso de pregadores, enquanto num modo conciso e enérgico, orou pela restauração da saúde de John Fletcher.”


UMA NAÇÃO AFETADA

A sua morte em 14 de Agosto de1785, com a idade de 56 anos, foi, humanamente falando, inoportuna e prematura; ele viveu como uma labareda que durou menos tempo do que o esperado; todo o país ficou triste com a perda. John Wesley prometeu escrever a história da sua vida logo que pudesse, de modo a que as suas experiências pudessem ser úteis para a posteridade. Um ano depois, com a idade de 83 anos, a tarefa estava concluída. No grande manuscrito produzido, Wesley escreveu, “Nunca conheci alguém tão uniforme e profundamente devotado a Deus... E dificilmente encontrarei, deste lado da eternidade”. Wesley conduziu o seu funeral com 82 anos de idade, usando como texto da mensagem o Salmo 37:37: “Nota o homem sincero, e considera o reto, porque o fim desse homem é a paz.” O seu epitáfio: Jaz aqui o corpo do REV. JOHN WILLIAM DE LA FLÉCHÈRE,Vigário de Madeley; O qual nasceu em Nyon, na Suíça, em 12 de Setembro de 1729, tendo consumado a sua carreira, em 14 de Agosto de 1785, nesta Vila, onde os seus trabalhos sem precedentes nunca serão esquecidos. Ele exerceu o seu ministério no espaço de 25 anos nesta comunidade, com um zelo e capacidade invulgares. E apesar de muitos terem crido no seu testemunho, ele podia com justiça ter adotado a lamentação do Profeta: “Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde e contradizente: todavia o meu direito está perante o SENHOR, e o meu galardão perante o meu Deus.”


RETRATO JORNALÍSTICO

A personalidade de John Fletcher foi assim retratada por um jornal, escassos dias após a sua morte: --"No dia 14 deixou esta vida John Fletcher, de Madeley, para indescritível dor e apreensão do seu rebanho, e de todos os que tiveram a felicidade de o conhecer. Se falarmos dele como homem, e como cavalheiro, ele era detentor de todas as virtudes que adornam e dignificam a natureza humana. Se tentarmos falar dele como ministro do Evangelho, será extremamente difícil transmitir ao mundo uma idéia justa deste grande homem de Deus. Os seus conhecimentos profundos, a sua exaltada piedade, os seus labores incessantes para realizar o importante dever das suas funções, juntamente com as capacidades e bom efeito com que o conseguia, são bem conhecidos e nunca serão esquecidos na vinha em que labutou. A sua caridade, a sua generosidade universal, a sua mansidão,e a sua bondade exemplar, são dificilmente igualadas pelos filhos dos homens. Ansioso por cumprir os sagrados deveres do seu ministério até aos últimos momentos da sua vida, ele pregou a cerca de 200 pessoas no Domingo que antecedeu a sua morte, confiado no poder Todo-Poderoso e entregando a sua vida nas mãos d’Aquele que lha deu, com a serenidade e a alegre esperança de uma ressurreição feliz, que acompanham os últimos momentos dos justos.” Que os dias que nos restam sejam como os seus!