26 outubro 2008

Que igreja seremos - Separados pelo consumismo

Separados pelo consumismo

Já vimos que o egoísmo é capaz de nos separar e impedir que sejamos uma igreja que ama. Mas há outras barreiras que nos separam uns dos outro. Uma delas é o consumismo.

O consumismo é recente na história da humanidade. O comportamento consumista tem sido observado e investigado, sobretudo depois da revolução industrial que mudou drasticamente o modo de produção e as relações de trabalho e expôs as famílias a modos de pensar que até então não eram comuns.

O diagnóstico

Por Gabriela Cabral no site www.brasilescola.com

Consumismo é o ato de comprar produtos e/ou serviços sem necessidade e consciência. É compulsivo, descontrolado e que se deixa influenciar pelo marketing das empresas que comercializam tais produtos e serviços. É também uma característica do capitalismo e da sociedade moderna rotulada como “a sociedade de consumo”.

Diferencia-se em grande escala do consumidor, pois este compra produtos e serviços necessários para sua vida enquanto o consumista compra muito além daquilo de que precisa.

O consumismo tem origens emocionais, sociais, financeiras e psicológicas onde juntas levam as pessoas a gastarem o que podem e o que não podem com a necessidade de suprir à indiferença social, a falta de recursos financeiros, a baixa auto-estima, a perturbação emocional e outros.

no site www.mundoeducacao.com.br

O consumismo é uma compulsão caracterizada pela busca incessante de objetos novos sem que haja necessidade dos mesmos. Após a industrialização, criou-se uma mentalidade de que quanto mais se consome mais se tem garantias de bem-estar, de prestígio e de valorização.

Uma pessoa pode ser considerada consumista quando dá preferência ao shopping a qualquer outro tipo de passeio, faz compras até que todo o limite de crédito que possui exceda, deixa de usar objetos comprados há pouco tempo, não consegue sair do shopping sem comprar algo, se sente mal quando alguém usa um objeto mais moderno que o seu, etc.


De que maneira o consumismo nos separa?

(25) Um dia um especialista nas leis de Moisés veio pôr à prova os ensinamentos de Jesus, fazendo-Lhe esta pergunta: "Mestre, que precisa um homem fazer para ir para o céu?” (26) Jesus respondeu: "Que diz a lei de Moisés a este respeito?” (27) Ele respondeu: "Diz que você deve amar ao Senhor seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua força, e de toda a sua mente. E deve amar ao seu semelhante como ama a você mesmo". (28) "Certo!” disse-lhes Jesus "Faça isto e você viverá!”

(29) Mas o homem queria justificar (sua falta de amor por alguns tipos de pessoas), e por isto perguntou: "Que semelhantes? " (30) Jesus respondeu com uma história: "Um certo judeu que fazia uma viagem de Jerusalém para Jericó foi atacado por bandidos. Estes tiraram suas roupas e seu dinheiro, bateram nele e o deixaram caído meio morto ao lado da estrada. (31) Por acaso, passou um sacerdote judaico; quando ele viu o homem caído ali. atravessou para o outro lado da estrada e passou de longe. (32) Certo judeu ajudante do templo fez a mesma coisa; também deixou o homem caído ali. (33) Porém veio um desprezado samaritano, e quando o viu, sentiu grande pena da vítima. (34) Ajoelhando-se ao lado dele, o samaritano passou-lhe remédio nas feridas e fez curativos. Depois colocou o homem em seu jumento e foi andando ao lado dele até chegarem a uma hospedaria, onde cuidou dele durante a noite.

(35) No dia seguinte entregou ao dono da hospedaria duas moedas e lhe pediu que cuidasse do homem. 'Se a conta dele for além disso', disse ele, 'eu pagarei a diferença na próxima vez que passar por aqui'. (36) Ora, qual destes três você diria que foi o semelhante da vítima dos bandidos?" (37) O homem respondeu: "Aquele que mostrou alguma compaixão". Então Jesus disse: "Sim, agora vá e faça o mesmo". (Lucas 10-25-37)


O comportamento consumista nos separa um dos outros por que somos consumidos por ele. Em outras palavras, o consumista é tão consumido pelo seu consumismo que não lhe sobram energia, recursos ou tempo para amar as outras pessoas. Se queremos ser uma igreja que ama, não podemos permitir que o consumismo nos consuma.

Consome nossas energias

É necessária muita energia e disposição para encontrar o que há de mais moderno em tecnologia. Substituir o guarda-roupa com a cor da nova estação é trabalhoso. Encontrar toda semana um novo lugar para sair pode ser empolgante, mas é cansativo. Monitorar permanentemente os lançamentos do cinema e assisti-los na primeira semana consome atenção. Tudo isso exige energia e dedicação.

Isto é, o consumismo consome o consumista ao ponto de não lhe sobrar energia para amar as pessoas. Nossas energias não são inesgotáveis, por isso, se nossa decisão é ser uma igreja que ama devemos decidir guarda parte de nossas energias para amar.

O samaritano que parou para socorrer o homem caído na beira da estrada precisou de forças para erguê-lo e cuidar de suas feridas. Ele não estava exaurido consigo mesmo, ele não estava cansado com suas próprias preocupações fúteis.

Eu e você também vamos precisar de forças para amar e se essas forças houverem sido gastas em um modo de vida consumista, não conseguiremos amar e acabaremos por rejeitar os nossos irmãos.

Consome nossos recursos

Ser consumista custa dinheiro; mais dinheiro do que você dispõe. A cultura consumista é uma espécie de pirâmide em que os consumistas da base sustentam o consumismo daqueles que estão no topo. Isso porque os consumistas da base sonham que um dia serão como os consumistas do topo.

Quem se deixa dominar pelo consumismo nunca tem recursos disponíveis para amar. Pode parecer estranha a idéia de que precisamos de dinheiro para amar, mas o amor prático do qual fala Tiago, o amor de fato e de verdade do qual fala o apóstolo João precisa de recursos para acontecer.

O Samaritano da história contada por Jesus tinha dinheiro para os remédios e curativos. Pagou pela estada daquela noite e assumiu as despesas futuras com o cuidado daquele homem que ele nem conhecia.

Se desejamos ser um igreja que ama, precisamos proteger nossos recursos do consumismo. Devemos ser firmes e perspicazes quando a mídia despejar uma campanha publicitária sobre nossas cabeças. Se dissermos não para os gastos que o consumismo nos impõe, teremos recursos para amar as pessoas.

Consome nosso tempo

Ser consumista exige e consome tempo. Consumir por esporte exige dedicação, tempo gasto do shopping, tempo navegando na internet, e tempo para lamentar os estragos feitos nos limites dos cartões de crédito.

O consumismo exige tempo para colecionar os carnês de pagamento e também tempo para comprar, trocar aquilo que comprou, guardar, devolver, trocar de novo, comprar cinco achou lindo, comprar um melhor e nunca parar.

Quem incorpora o consumismo ao seu estilo de vida não tempo para amar as pessoas. Não dá tempo de parar e olhar nos olhos das pessoas, não dá tempo para ouvir o irmão na sua dor. Não sobra tempo para outros, porque todo o tempo está sendo usado para si mesmo e seus atos de consumo.

Os dois religiosos crentes que passaram antes do samaritano não tinham tempo. Para ajudar aquele homem era preciso investir tempo, e foi isso que o samaritano fez. Ele parou, ele desviou-se por um pouco dos seus objetivos pessoais e gastou tempo com aquele homem.

Devemos permanecer atentos quando preferimos as compras às pessoas. Devemos dizer não para a o consumo quando ele nos aliena, isto é, nos separa das pessoas. Se nós queremos ser um igreja que ama, precisamos impedir que o consumismo nos roube o tempo para amar.

O cerne da questão consumista

Nossa sociedade consumista está apoiada e ganha dinheiro explorando a insatisfação humana. Não resta dúvida que um nível saudável de insatisfação é necessário para que a vida progrida.

No entanto, as pesquisas e campanhas publicitárias, (publicitários, comunicadores sociais, sociólogos e psicólogos) têm como objetivo não apenas identificar nossas insatisfações (até aquelas que desconhecemos), mas também plantar em nossas almas insatisfações falsas.

• Se não temos o carro do comercial não somos ninguém...
• Se a roupa não é da cor e da griffe certas, não somos ninguém...
• Se não temos o celular de última geração, nos sentimos menores
• Se não formos para o novo restaurante nos sentimos por fora
• Se não lemos o best-seller do mês, nos sentimos menos cultos
• Se não compramos o novo computador nos sentimos desatualizados

Uma falsa insatisfação foi plantada em nossas almas e nos impulsiona ao consumo como forma de alívio. Será que também nós, seguidores de Cristo vamos nos deixar acorrentar por isso? Não temos nós algo infinitamente superior para buscar nossa identidade: o amor de Deus por nós?

Para sermos uma igreja que ama precisamos rejeitar a falsa insatisfação e cultivar o contentamento. Quando a alma está contente em Deus a vida se torna cheia de presentes, porque tudo se transforma em surpresa especial da parte do Pai.

Contentamento, um bálsamo para a alma.

O sábio Salomão, um dos homens mais ricos e poderosos que já existiu sabia bem que a insatisfação da alma humana não encontra remédio no consumo.

(10) Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido. (11) Quando aumentam os bens, também aumentam os que os consomem. E que benefício trazem os bens a quem os possui, senão dar um pouco de alegria aos seus olhos?

O Espírito de Deus deixou registrados, nas palavras do apóstolo Paulo, ensinamentos preciosos sobre o contentamento que nos protege do consumismo.

(8) E agora, irmãos, ao terminar esta carta, quero dizer-lhes mais uma coisa. Firmem seus pensamentos naquilo que é verdadeiro, bom e direito. Pensem em coisas que sejam puras e agradáveis e detenham-se nas coisas boas e belas que há em outras pessoas. Pensem em todas as coisas pelas quais vocês possam louvar a Deus e alegrar-se com elas. (9) Continuem a pôr em prática tudo quanto aprenderam de mim e me viram fazer, e o Deus de paz será com vocês. (10) Como estou grato e como louvo ao Senhor porque vocês estão me ajudando novamente! Eu sei que vocês têm estado sempre ansiosos para enviar-me o que podiam, mas por algum tempo não tiveram oportunidade. (11) Não estou dizendo isto porque estava precisando, pois aprendi a viver alegremente, tenha muito ou pouco. (12) Sei viver com quase nada ou tendo tudo. Já aprendi o segredo para viver contente em qualquer circunstância, quer com o estômago satisfeito, quer na fome, na fartura ou na necessidade; (13) porque eu posso fazer todas as coisas que Deus me pede com a ajuda de Cristo, que me dá a força e o poder.

Há um segredo para vivermos contentes em qualquer circunstância: contar com a força e o poder que Cristo dá. Essa força vem da nossa confiança em Deus, de que Ele nos ama e nos considera importantes exatamente como somos e estamos agora. Isso enche nosso coração de esperança. Aí podemos todas as coisas.

O Senhor nos dá força e poder para viver tanto com muito como com pouco. Em Cristo ficamos contentes com o último celular ou com daqueles antigos. Em Cristo ficamos contentes vestido na cor da estação ou em qualquer outra cor. Em Cristo ficamos contentes com carro ou sem carro. Em Cristo ficamos contentes se vamos ao restaurante ou se comemos em casa. Em Cristo ficamos contentes por que o nosso contentamento vem do amor que Ele tem por nós.

Se queremos ser um igreja que ama, precisamos cultivar em nossas vidas o contentamento: um bálsamo que nos protege do consumismo. Aí teremos energia, recursos e tempo para amar.

Quem sabe, então, o Senhor contará a história da sua vida e no final, assim como a história samaritano, Ele dirá para aqueles que estiverem ouvindo: vai e faze o mesmo.
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