10 fevereiro 2017

Jesus, o fariseu e a mulher pecadora


36Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa. 37Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Lucas 7:36-38 (NVI)

Nossa história tem três personagens: Jesus, um fariseu chamado Simão e uma mulher. A história se passa na casa de Simão, durante um jantar.

Ao que parece, aquele era um jantar formal, pois Jesus tomou lugar à mesa, isto é, havia um lugar separado especialmente para ele; É possível que Simão houvesse convidado Jesus após ouvi-lo expondo as Escrituras em algum lugar;

Jesus, portanto, era um convidado especial. Mas a outra personagem, a mulher, não fazia sequer parte da lista de convidados; não que ela fosse desconhecida na cidade, mas porque possivelmente era uma prostituta.

Naquela época, as casas de pessoas ricas eram construídas em torno de um pátio aberto que parecia uma pequena praça. Muitas vezes, havia no pátio um jardim e uma fonte; era ali que eles comiam nos dias quentes. Era costume, quando um rabino era convidado, virem todo tipo de pessoa; ninguém era impedido de ouvir as pérolas de sabedoria que saíam da sua boca. Foi ali, no pátio interno casa de Simão que tudo aconteceu.

No Oriente, os convidados não se sentavam em cadeiras, mas reclinavam à mesa, em sofás baixos, apoiando-se em seu braço esquerdo para liberar o direito para comer. Tinham os pés estendidos para fora do sofá e estavam sem sandálias durante as refeições. Pode-se entender assim como a mulher chegou aos pés de Jesus.

Os sofás eram dispostos ao redor de uma mesa longa e baixa, ou, algumas vezes, no lugar da mesa, havia apenas grandes pratos de madeira colocados ao longo do centro da sala. Em um jantar formal, o sofá de cada convidado era colocado segundo a ordem da sua posição de importância naquela reunião.  

Ao chegar, todos tiravam as sandálias ou chinelos, e os deixavam à porta. Os servos ficam de pé, por detrás dos sofás, com uma bacia rasa e larga no chão, e derramavam água sobre os pés dos hóspedes.

Hoje em dia algumas cortesias são esperadas por alguém que é recebido na casa de outra pessoa, como cumprimentos de mão, beijos na face, uma palavra de bem-vindo, a indicação de um lugar para sentar.

Naquele tempo também eram esperadas pelos hóspedes algumas cortesias: um beijo de saudação, água para lavar os pés e óleo perfumado para ungir a cabeça.

Curiosamente, o texto de Lucas fala apenas que Jesus chegou à casa de Simão e ocupou o lugar que estava separado para ele. Não há qualquer menção   a respeito dos rituais de recepção que seriam esperados numa ocasião como esta.

Por que Simão convidou o mestre e negou-lhe as boas vindas? Não é estranha a forma como Simão se comportou? Será que ele gostava realmente de Jesus, ou não? Jesus era um convidado especial naquela festa, mas somos forçados a nos perguntar se Jesus era realmente importante para Simão.

Ainda hoje muitas pessoas agem em relação a Jesus da mesma forma: preparam uma festa para homenageá-lo, convidam os amigos, mas deixam de lado o próprio Jesus.

Nesse ponto da história entra em cena a mulher tida como pecadora, que era conhecida de todos.

37b...certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Lucas 7:37 (NVI)

Os convidados estavam todos em seus lugares. A comida estava servida e as conversas preenchiam o ambiente no pátio interno da casa de Simão. Jesus também estava deitado de lado, apoiado em um dos braços e com os pés fora do sofá.

De repente, entra no ambiente uma mulher conhecida na cidade por ganhar a vida nos prostíbulos. Muitos homens ali a reconheceram.

Ela colocou-se atrás, aos pés de Jesus. Chorou ao ponto de molhar os pés dele. Enxugou-os com os cabelos, beijou-os e depois os ungiu com um perfume muito caro.

Os olhos de todos ali estavam voltados para aquela cena inusitada, surpreendente. Aquela mulher estava fora do seu ambiente. No entanto, ela se expôs e se dispôs a enfrentar aquela situação (e o julgamento de todos) para demonstrar o quanto Jesus era importante para ela.

O quanto nós estamos dispostos a fazer o mesmo, irmãos, a demonstrar a importância de Jesus em nossas vidas? Qual o tamanho do nosso amor por ele? Qual o tamanho de nossa gratidão diante do que ele fez por nós?

Na verdade, não havia como aquela cena passar despercebida do restante dos convidados, e do próprio Simão, o anfitrião. Seja pela força das imagens, seja pela disposição de todos ali no pátio interno da residência de Simão.

Ele talvez tenha maneado a cabeça e feito algum gesto com os lábios. Mas Lucas afirma que o Fariseu falou consigo mesmo nos seguintes termos:

39"Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’ ". Lucas 7:39


A forma como Simão reagiu àquela cena inusitada revelou seu coração e algumas de suas convicções. Normalmente não falamos muito sobre nossas convicções, nossas crenças, mas elas têm um papel importante na maneira como vivemos nossa vida. Uma outra forma de dizer a mesma coisa é que aquilo em que cremos direciona nossas ideias.

Embora seja difícil, irmãos, refletir sobre os próprios pensamentos e considerar o porque das nossas reações, isso pode ser um bom exercício para expor nossa alma diante de Deus. Quem reflete sobre si mesmo tem a possibilidade de tirar a trave do próprio olho antes de tentar tirar o cisco do olho de outra pessoa.

O que podemos deduzir a partir de sua fala a respeito dos pensamentos de Simão?

1.    Parece que Simão considerava aquela mulher alguém inferior a ele. Ela era uma pecadora e sua atitude ali certamente não era bem-intencionada. Por causa dos costumes ele não a proibiu de entrar em sua casa, mas definitivamente para Simão ele e ela não eram do mesmo tipo de pessoa.

Infelizmente, irmãos, esse tipo de pensamento não é raro entre pessoas que se dizem seguidoras de Jesus. Como alguém que foi salvo pela graça de Deus, que foi amado por Deus quando estava morto em delitos e pecados, pode se considerar superior a outra pessoa? Realmente uma atitude assim nada tem a ver com o evangelho de Jesus.

2.    Outra coisa importante na fala de Simão é que ela parece revelar uma "agenda escondida". Ele chamou Jesus para um jantar, mas o que queria mesmo era saber se o jovem Rabino era um profeta de Deus. A conclusão a que ele chegou foi um definitivo NÃO. Se ele fosse profeta saberia que aquela mulher era uma prostituta e não permitiria que ela o tocasse. Afinal de contas, deve ter pensado, profetas não se misturam com gente desse tipo.

Simão tinha a si mesmo em alta conta. E é claro que para alguém ser um profeta deveria ser ainda melhor do que ele. Aparentemente Jesus não tinha passado no teste de Simão.

Ao ouvi-lo Jesus percebeu que Simão não tinha uma visão correta sobre si mesmo. Ele não se achava apenas uma boa pessoa, mas melhor que muita gente; e que por isso Deus o amava e o havia escolhido. Simão acreditava que era amado por Deus porque vivia uma vida correta.
Por isso ele também só amava as pessoas que viviam uma vida correta. Certamente que aquela mulher não vivia uma vida correta de acordo com o ponto de vista de Simão.

Nós também, irmãos, somos tentados a ir pelo caminho de Simão: amarmos os certinhos porque acreditamos que Deus também ama os certinhos. Mas Jesus falou algo muito diferente disso em outra ocasião:

17Ouvindo isso, Jesus lhes disse: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores".
Marcos 2.17 (NVI)

O Senhor decidiu, então, contar uma história para ajudar Simão. Lucas 7:40-43  

- Respondeu-lhe Jesus: Simão, tenho algo a lhe dizer.

- Dize, Mestre, disse ele. 

- Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta. Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais? 

- Simão respondeu: Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior. 

- Você julgou bem, disse Jesus.

Na história de Jesus, amor é o que acontece na vida de alguém que foi perdoado. Quanto mais uma pessoa reconhece é devedora ao ser perdoada, tanto mais ela percebe o tamanho do perdão que recebeu; e aí seu coração se enche mais ainda de gratidão por aquele quem o perdoou.

A única linguagem que Simão conhecia para o relacionamento com Deus era viver uma vida correta. Por isso, quando ele viu aquela mulher abraçada aos pés de Jesus ele imediatamente pensou: isso não está certo! Ela é uma pecadora! Pecadores não tem nada a oferecer a Deus.

A mulher, no entanto, aprendeu uma outra linguagem, outra forma de se aproximar de Deus: o amor. Ela e o fariseu eram devedores diante de Deus. Nenhum dos dois podia pagar sua dívida. Mas ao contrário dele, ela reconhecia o estado em que se encontrava. Por isso, ao ser perdoada, seu coração encheu-se de amor e gratidão.

Já Simão achava que sua dívida nem era tão grande assim, pois ele era uma boa pessoa e fazia tudo certinho. Como ele pensava que não havia muita coisa para Deus perdoar, o seu amor por Deus era pequeno e debilitado.

Você já pensou que seu amor por Deus e pelas pessoas pode estar enfraquecido porque você não tem ideia de quão imensa era sua dívida e de quão grande foi o perdão de Deus em sua vida?

10Tal como as Escrituras afirmam: Ninguém é bom - ninguém no mundo inteiro é inocente.11Ninguém jamais seguiu realmente as veredas de Deus, nem mesmo desejou verdadeiramente fazê-lo.12Todos se desviaram; todos caíram no erro. Ninguém, em parte alguma, fez só o que é direito durante toda a sua vida nem uma só pessoa.13O que falam é abominável e tão sujo quanto o mau cheiro de uma sepultura aberta. Suas línguas estão cheias de mentiras. Tudo o que dizem tem o ferrão e o veneno de serpentes mortíferas.14Suas bocas estão cheias de maldição e de amargura.15Estão prontos para matar, odiando qualquer um que não concorde com eles.16Por onde quer que vão, eles deixam a miséria e o transtorno atrás de si.17Nunca chegaram a saber o que é sentir-se seguro e desfrutar as bênçãos de Deus.18Não se importam com Deus, nem tampouco com o que Ele pensa deles. (...)23Sim, todos pecaram; todos fracassaram, e não puderam alcançar o glorioso ideal de Deus;24no entanto, Deus nos declara agora "sem culpa" das ofensas que Lhe fizemos se confiarmos em Jesus Cristo, aquele que em sua bondade tira os nossos pecados gratuitamente.
Romanos 3.10-18, 23,24 (BV)

Era essa a situação em que você se encontrava quando o Senhor o encontrou, o amou e pagou o preço pela sua vida, meu irmão.

Jesus contou aquela história para ajudar Simão a compreender de onde vinha o amor que fez aquela mulher se expor e se dispor diante de todos a demonstrar a importância de Jesus para ela. Ao terminar a história, Jesus voltou a falar com Simão:

44Então, virou-se em direção à mulher e declarou a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me trouxeste água para lavar os pés, como é o costume. Esta, porém, molhou os meus pés com suas lágrimas e os enxugou com os próprios cabelos.45Da mesma maneira, tu não me saudaste com um beijo na face, como é tradicional; ela, todavia, desde que cheguei não cessa de me beijar os pés.46E mais, tu não me ungiste a cabeça com óleo, como era de se esperar, mas esta mulher, com puro bálsamo, ungiu os meus pés.47Por tudo isso, te asseguro: o grande amor por ela demonstrado prova que seus muitos pecados já foram todos perdoados. Mas onde há necessidade de pouco perdão, pouco amor é revelado.48Em seguida, Jesus afirmou à mulher: “Perdoados estão todos os teus pecados!
Lucas 7.44-48 (KJA)
Um dos versos da canção que cantamos no começo diz assim:

Só quem conhece a grandeza do perdão que recebeu, entrega em amor todo o tesouro seu, para adorar a Deus.

O que o impede de falar para todos o quanto Jesus é importante para você? Se você tem caminhado na mesma direção de Simão e deixado sua gratidão a Jesus esfriar, o tempo de mudar chegou.

Esse é um bom momento de derramar sua vida em adoração, como um perfume agradável a Deus. Sim! É hora de renovar sua gratidão pelo imenso amor com que Deus o amou! Eu o convido a cantarmos mais uma vez a canção Vaso de Alabastro.

Antes, porém, quero deixar uma palavra para você que ainda não se rendeu-se a Jesus e continua se esforçando para ser aceito por Deus:

- A religião não pagará sua dívida;
- Os muitos cultos não pagarão sua dívida;
- As promessas cumpridas e os terços rezados não pagarão sua dívida;
- As orações sem fim, correntes, novenas e preces poderosas não pagarão sua dívida.

Apenas Jesus pode fazer isso. Na verdade, Ele já pagou. O que você precisa fazer é deixar-se alcançar pela Maravilhosa Graça de Deus e receber pela fé aquilo que jamais vai alcançar por esforço próprio.

Se você quer abrir mão do penoso esforço de tentar ser certinho quando Deus lhe quer perfeito e parar de entregar moedinhas para tentar pagar uma dívida de milhões...

Se você reconhece o quão necessitado do perdão você é...

Saiba que o Senhor quer dizer para você o mesmo que ele disse àquela mulher: Perdoados estão todos os seus pecados.
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