04 junho 2008

O Ensino de Jesus – Integridade e Obediência

Introdução

Hoje concluiremos a série de mensagens intitulada “O Ensino de Jesus”. No sermão do monte Ele fez afirmações que podem muito bem ser consideradas as bases do seu evangelho. Durante esses domingos nos debruçamos sobre algumas dessas importantes questões do ensino de Cristo.

Vimos que, embora a reforma protestante, de certa forma, tenha colocado a ajuda aos pobres debaixo de um nevoeiro teológico, o Senhor Jesus afirmou que devemos considerar o socorro aos necessitados tão espiritual quanto oração e Jejum. Somos salvos pela graça de Deus, mas o Senhor nos salvou com o propósito de que vivamos vidas marcadas pelas boas obras.

Depois ouvimos o Senhor Jesus dizer que nossas orações a Deus devem ser como uma conversa entre dois amigos. A oração não é uma forma de pressionar Deus ou impressionar as pessoas, mas sim o sinal de intimidade com o Senhor. Por isso, a oração deve encontrar lugar na discrição e, sobretudo, na solitude. Além disso, nas conversas entre amigos não há lugar para as frases repetidas tantas vezes que perdem o sentido.

O jejum completa o trio de disciplinas espirituais que o Senhor recomendou. Jejum e oração estão sempre juntos. Não é dieta nem greve de fome. Também não é um jeito de mostrar que é espiritual. É abster-se do alimento, que sustenta o corpo, para declarar sua confiança Naquele que dá vida ao corpo, à alma e ao espírito humano. Por isso, os efeitos do jejum não são sobre o corpo, mas sobre nossa arrogância e auto-suficiência.

Em seguida, ouvimos os conselhos do filho de Deus para que não procuremos saciar nossa necessidade de segurança acumulando tesouros. Os tesouros daqui são voláteis; podem ser roubados, destruídos ou estragados, e no final ficam aqui mesmo. Essa necessidade que temos, de tesouros que nos deixem seguros, deve nos levar a buscar abrigo em Deus. A paz e a segurança que ansiamos estão em nos relacionarmos com Ele, não em guardar bens, posições, status, realizações ou qualquer outra coisa.

Depois, vimos que a vida humana tem grande valor para Deus e que por isso não devemos encher nosso coração de ansiedade. A mente ansiosa, incapaz de confiar no Senhor, vagueia entre as palavras que vai dizer, as coisas que vai fazer ou as pessoa que vai encontrar. A mente ansiosa não encontra paz porque passa pela vida levando o mundo nas costas. Jesus nos chama a confiar no Pai, a não antecipar os problemas, mas a viver um dia de cada vez.

Integridade

Uma das grandes questões sobre o crescimento da igreja evangélica no Brasil diz respeito ao fato de que tem sido difícil enxergar os frutos desse crescimento em termos de transformações da sociedade e de suas estruturas pecaminosas.

Ainda que os evangélicos agora sejam cerca de um terço da população do Brasil, o jeito como as pessoas tratam umas às outras não parece estar mais semelhante ao jeito que Jesus faria isso.

Não parece que haja uma redução da violência doméstica, que os esposos estejam respeitando mais suas esposas e que os filhos estejam sendo mais protegidos e amados do que eram antes. É inadmissível, mas muitos homens cristãos se acham no direito de oprimir e até agredir fisicamente suas esposas.

Ainda quem as empresas estejam lotadas de crentes, não parece haver maior honestidade nos negócios. Não parece que as propinas, os desvios e as lavagens dinheiro tenham reduzido.

Os empresários crentes não parecem preocupados em aplicar o evangelho de Jesus a suas empresas (a não ser que seja para arranjar uma fórmula mágica para ganhar mercado e vencer o concorrente). Também os empregados cristãos não parecem preocupados em aplicar as palavras de Jesus não oito horas em que prestam seus serviços onde trabalham

Não parece haver um número maior de famílias que sejam um espaço seguro para o desenvolvimento do caráter e as escolas parecem receber número ainda maior de crianças sem noções básicas de respeito, amor e convivência sadia.

Qual o problema? A igreja está sofrendo de falta de integridade. O dicionário Caldas Aulete fala o seguinte sobre integridade

1 Qualidade ou estado do que é inteiro, do que não está menor do que era ou do que deveria ser; INTEIREZA: Aferiu a integridade da remessa.

O mal que nos acomete é que somos menos do que deveríamos ser. Falta-nos inteireza. Falta Integridade quando estamos fingindo, quando estamos disfarçados, quando prezamos apenas pela aparência, mas não estamos dispostos a vive o evangelho de Cristo em toda a sua dimensão.

Líderes sem integridade

15 Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. 16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? 17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. 18 Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. 19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. 20 Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. (Mat 7:15-20)

A falta de integridade da igreja nasce na sua liderança. Líderes servem de exemplo. Líderes são imitados no seu jeito de agir. Quando eles não cultivam uma vida íntegra, seu mal exemplo se reproduz no meio da igreja e contamina todo o rebanho.

Jesus afirmou que sua igreja, isto é nós, devemos ser cautelosos com líderes que não valorizam a integridade. Na verdade, Jesus afirma que esses não dignos de serem seguidos porque são falsificações; têm voz de ovelha, aparência de ovelha, mas na verdade são lobos prontos a devorar o rebanho.

Como identificá-los? Como enxergar a falta de integridade?

Não adianta pedir para ouvir o balido, porque o balido é de ovelha; não adianta passa a mão na lã, porque é lã de ovelha; não adianta perguntar para ele se ele é uma ovelha, porque ele vai jurar dizendo que sim.

Para explicar a maneira de identificar esses líderes que são pela metade, que não são o que deveriam ser porque pensam apenas em si mesmos, Jesus muda a ilustração: eles são como árvores; é preciso observar os seus frutos. Espinheiros não produzem uvas.

Que fruto devo procurar? Há quem pense que os frutos que devemos encontrar sejam grandes realizações, sucesso ministerial e muitos seguidores. Mas, o único fruto que devemos procurar naqueles chamados pelo Senhor para liderar sua igreja é o Fruto do Espírito. A presença desse fruto é garantia de integridade, porque ele não pode ser falsificado.

22 Mas o fruto do Espírito é: o amor, alegria, a paz, a longanimidade, a bondade, a retidão, a fidelidade. 23 a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. (Gal 5:22-23)

Aquele que se diz guiado por Deus para liderar o Seu povo deve ter nas mãos o fruto do Espírito de Deus. É assim que a integridade é provada.
Crentes sem integridade

21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mat 7:21-23)

A falta de integridade da liderança contamina o rebanho. Quando os líderes não se preocupam em viver vida íntegra, forma-se uma aliança de mediocridade e falta de compromisso com o Senhor e o resultado dessa aliança é devastador.

30 Coisa espantosa e horrenda tem-se feito na terra: 31 os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam por intermédio deles; e o meu povo assim o deseja. Mas que fareis no fim disso? Jer 5:30-31

O Senhor Jesus explica que o resultado dessa aliança é a farsa e o auto-engano. Líderes sem integridade apascentam rebanhos sem integridade. Isso gera uma paz aparente sustentada pela religiosidade, mas sem compromisso de transformação.

• A mudança do caráter é substituída pelos rituais;
• O aprendizado da confiança no Senhor é trocado pela autoconfiança;
• A dependência do Senhor dá lugar a auto-suficiência;
• As práticas religiosas assumem o lugar da devoção singela;
• Os títulos se tornam mais importantes do que o serviço;
• E, por fim, Deus deixa de ser o objetivo da vida e passa a ser um coadjuvante, chamado uma vez ou outra.

O Senhor Jesus explicou que muitos só darão conta de que nunca conheceram realmente o mestre naquele último dia. Eles tentarão argumentar e apresentarão as obras de sua religiosidade, mas ouvirão do Senhor a mais terrível das palavras: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Mas você não precisa fazer parte daquele grupo.

Obediência

21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mat 7:21-23)

Jesus deixa claro que o critério de entrada no reino dos céus não é apenas se dizer um servo do Senhor, mas fazer a vontade de Deus. Isso tem tudo a ver com obediência.

O Senhor diz que rejeitará todos aqueles que, embora colecionem troféus religiosos (ministérios poderosos, realizações destacadas, grandes pregações, expulsões de demônios e milagres), estão cheios de iniqüidade, isto é, não tornaram a obediência ao Senhor uma prática em suas vidas.

Lucas registra um brado do Senhor a esse respeito:

E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo? (Luk 6:46)

Jesus contou uma ilustração que nos ajuda a compreender os efeitos de nossa decisão quanto a por em prática ou não as Suas palavras.

24 Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. 25 E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. 26 Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. 27 E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda. (Mat 7:24-27)

Talvez seja difícil para nós percebermos a força da ilustração de Jesus porque todos moramos em casas bem construídas ou em apartamentos bem distante da força das águas. Mas, talvez esse vídeo o ajude a compreender a força de uma enxurrada.

Sua vida é uma pequena casa no meio da enxurrada. Sua família é uma construção, ainda em andamento, que enfrentará muitos ventos e grandes tempestades. Os dias de sua vida são como os tijolos, a telha e argamassa usados na construção.

O que você tem sido até hoje: prudente ou insensato?

Os insensatos desperdiçam a vida. São como crianças que juntam com as mãos e espalham com os pés. Pensam estar construindo grandes coisas, mas se esquecem do fundamento: o ensino de Jesus.

Os prudentes aproveitam a vida. Podem até não ser os melhores construtores, mas tudo que constroem permanece, porque eles estão sempre lembrados do fundamento: o ensino de Jesus.

• O socorro aos necessitados está no coração de Deus é tão espiritual quanto a oração e o Jejum;
• Nossas orações a Deus devem ser como uma conversa entre dois amigos.
• A oração não é uma forma de pressionar Deus ou impressionar as pessoas, mas sim o sinal de intimidade com o Senhor;
• Exercitar o jejum de coisa que você considera indispensáveis para vida é uma declaração de suficiência em Deus;
• A paz e a segurança que ansiamos estão em nos relacionarmos com Deus, não em guardar bens, posições, status, realizações ou qualquer outra coisa;
• A mente ansiosa não encontra paz porque passa pela vida tentando levar o mundo nas costas. Mas Jesus nos chama a confiar no Pai, a não antecipar os problemas, e viver um dia de cada vez;
• Aqueles que chamam a Jesus de Senhor devem obedece-lo.

Você quer tornar-se prudente? Quer ver as obras de sua vida permanecerem mesmo diante de tempestades e enxurradas? Ponha os ensinos de Jesus em prática na sua vida.
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