31 janeiro 2010

Lealdades e Conseqüências 3


Lealdades e Conseqüências 3
57 Enquanto estavam a caminho, alguém disse a Jesus: “Eu te seguirei aonde quer que tu vás”. 58 Jesus respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.

59 Então disse a outro: “Segue-me. ” Este respondeu: “Permite-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60 Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai e anuncia o Reino de Deus”.

61 Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos de minha casa”. 62 Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus. ” Luc 9:57-62 

Quando o homem que encontrou Jesus no caminho anunciou que o seguiria para qualquer lugar, que desejava ser seu discípulo e entregar a Jesus sua total lealdade, o Senhor lembrou àquele homem que isso tinha conseqüências:
Sim. Eu sou o Filho do Homem de quem o profeta Daniel falou. Todo o poder, e a glória e o domínio me foram entregues. O meu reino não tem fim, nem limites. Mas aqui neste mundo rendido aos poderes rebeldes ao Pai, eu não tenho onde reclinar a cabeça. Se você decidir me seguir você participará comigo da glória futura do Reino, mas, agora, você também não terá onde reclinar a cabeça.
Jesus rejeitou os poderes deste mundo, e por isso ele não tem onde reclinar a cabeça. Quando você declara sua lealdade a Ele, está rejeitando os poderes deste mundo e também será rejeitado por eles. Um desses poderes que Jesus rejeitou (e por Ele foi rejeitado) é o Poder da Religião.
Esses poderes espirituais rebeldes, contra quem o apóstolo Paulo afirma que é a nossa luta, são hábeis em criar mentiras a respeito do Pai com o propósito de denegrir Sua imagem e nos afastar dele.
Durante seu ministério, Jesus confrontou a mentira desses poderes. Eles anunciam aos quatro ventos que o amor de Deus condicional, isto é, que Deus ama em resposta às coisas certas que fazemos.
Jesus guardou suas palavras mais duras e contundentes para os religiosos: aqueles que acreditam e promovem essa mentira, de que seus esforços pessoais em acertar são a chave que abre as portas do amor de Deus e, por isso, vivem suas vidas tentando acertar para serem amados.
Certamente o Senhor se alegra com nosso desejo de viver uma vida bonita e fazer o que certo aos seus olhos, mas Ele é contra o entendimento mentiroso de que Deus só nos ama quando fazemos coisas certas. A prova disso é que Cristo entregou sua vida não por gente certinha, mas por homens e mulheres rebeldes e pecadores.
8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. 9 Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele! 10 Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida! Rom 5:8-10 ARA/NVI 

11 Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? 12 Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. 13 Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento. Mat 9:11-13

A Poderes da Religião tremem diante das palavras de Jesus. Porque o Senhor denuncia sua mentira e restaura a verdade de que Deus é amor, amor cheio de misericórdia.
Os poderes da Religião rejeitaram o Filho do Homem e rejeitarão todo aquele que decidir seguir a Jesus e ser seu discípulo. Quando você se declara leal a Cristo você está rompendo com esses poderes.
Entregar a Jesus sua lealdade é deixar de lado as recompensas oferecidas pela religião (o falso senso de dever cumprido, o pensamento equivocado de não dever nada a ninguém e o frágil conforto de achar-se digno) e seguir o Filho do Homem, que não tem onde reclinar a cabeça, senão no amor gracioso e misericordioso do Pai.
O Poder Político
57 Enquanto estavam a caminho, alguém disse a Jesus: “Eu te seguirei aonde quer que tu vás”. 58 Jesus respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.

Além de rejeitar e ser rejeitado pelos Poderes da Religião. Jesus também lançou fora o travesseiro da política e não reclinou nele a sua cabeça.
É interessante quando as Escrituras são examinadas sob a luz de um determinado assunto. Fazendo uma pesquisa mais detalhada, percebemos que a vida de Jesus sempre esteve relacionada à política. Seu nome esteve no meio das discussões políticas desde o seu nascimento até a sua morte.

No nascimento
1  Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém 2 e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". 3 Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda a Jerusalém. 4 Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. Mat 2:1-4

Em Jerusalém
37 E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, 38 dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas! 39 Ora, alguns dos fariseus lhe disseram em meio à multidão: Mestre, repreende os teus discípulos! 40 Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão. Luc 19:37-40
Ao ser julgado
3 Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes. 4 Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum. 5 Insistiam, porém, cada vez mais, dizendo: Ele alvoroça o povo, ensinando por toda a Judéia, desde a Galiléia, onde começou, até aqui. 6 Tendo Pilatos ouvido isto, perguntou se aquele homem era galileu. 7 Ao saber que era da jurisdição de Herodes, estando este, naqueles dias, em Jerusalém, lho remeteu. 8 Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal. 9 E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia.10 Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência. 11 Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos. 12 Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se reconciliaram, pois, antes, viviam inimizados um com o outro. Luc 23:3-12

Ao ser crucificado
28 Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; 29 tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! 30 E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça. 31 Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado. 37 Por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS. Mat 27:28-30,37

Os poderes da política lançam sementes que ao caírem no solo do coração humano produzem o desejo por controle, domínio e autonomia.
1.  No deserto, uma das tentações pela qual Jesus passou estava relacionada com poder e política. O Diabo o levou para um alto monte e lhe mostrou todos os reinos da Terra e a sua glória e disse: tudo isso te dou se prostrado me adorares.
2.  Ao entrar em Jerusalém, talvez prevendo a tentativa do povo de aclamá-lo rei, Jesus decidiu ir montado em um jumentinho, negando aos principados e potestades da política qualquer brecha para que eles lançassem em seu coração as sementes do controle do domínio e da autonomia.
3.  Foram os poderes da política e seus representantes aqui na terra que orquestraram a morte de Cristo. Ao ser indagado por Pilatos e Herodes sobre ser ele um rei, Jesus admitiu a verdade, mas não fez daquela situação uma evocação de direitos ou prerrogativas especiais. Ele não exigiu nada, não fez barganhas, não propôs um acordo. Ele não aceitou as regras da política.
4.  Jesus foi provocado incessantemente enquanto estava sendo crucificado a usar o seu poder em benefício próprio e a demonstrar para todos que Ele era quem dizia ser: o Filho de Deus.
Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz! Mat 27:40 
Mas Ele resistiu à tentação e entregou sua reputação e seus direitos diante do Pai como uma oferta de amor e confiança. Ele não se fez poderoso, mas aguardou que Deus manifestasse sua vontade. Assim os poderes da política foram humilhados publicamente.
Voltando às raposas e aos passarinhos
Quando o Senhor disse que o Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça, ele estava dizendo que segui-lo implica em rejeitar e ser rejeitado pelos Poderes Políticos. Significar não dispor do travesseiro da política para apoiar seus pensamentos e atitude.
Assim como os Poderes Religiosos, os Poderes políticos também têm uma mentira que denigre o caráter de Deus e divulgada como resposta para a vida.
A mentira da política é que o poder não é exclusividade de Deus, isto é, que somos autônomos e não precisamos depender Dele.
Os poderes da política incitam os homens a fazerem seus próprios caminhos à revelia de Deus rejeitando a verdade que todo o poder emana de Deus e deve ser exercido em seu nome, isto é, conforme o seu desejo.
Então, o que Jesus estava dizendo para aquele homem era: você diz que deseja ser meu discípulo e me seguir pra onde eu for... Você diz que deseja ser leal a mim até o fim... Você entendeu que isso significa rejeitar e ser rejeitado pelos Poderes Políticos.
·       Você está disposto resistir aos encantos do poder fácil em troca da glória que o Filho do Homem vai lhe conceder?
·       Você está pronto para reconhecer e promover o domínio do Reino de Deus e não do seu reino pessoal?
·       Você está disposto a fugir das disputas por domínio, poder ou autoridade, devolvendo ao Pai tudo o que lhe for concedido?

Conclusão
Os Poderes da Política entranharam-se em nosso modo de vida. Pais e mães brigam pelo respeito dos filhos; Marido e mulher disputam pra ver quem manda; Patrões subjugam e ameaçam seus empregados; homens públicos negociam influência e domínio; líderes religiosos barganham os votos de seus liderados criando verdadeiros currais eleitorais. 
A sede de poder é generalizada, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça, porque rejeitou e foi rejeitado pelos poderes da política.
25 Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. 26 Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; 27 e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; 28 tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. Mat 20:25-28

Seguir a Jesus é saciar a alma na confiança em Deus e não nas articulações dissimuladas, conchavos venais, acordos espúrios, negociatas vergonhosas e outras estratégias usadas pelos poderes da política.
Seguir a Jesus é não sucumbir diante desses poderes, mas confiar em Deus até a morte, como fez o nosso Senhor.
Seguir a Jesus é não aprender os jogos do poder político, mas se fazer como criança, ouvir o gracejo dos entendidos do poder, e confiar que seu pai defenderá sua causa. Ele cuidará do seu nome.
Seguir a Jesus é não disputar com o cônjuge a atenção dos filhos usando pra isso dinheiro, presentes ou carinho, mas amá-los o tempo todo, com o mesmo tipo de amor que Deus tem por você.
Seguir a Jesus é abrir mão dos esquemas de dominação na relação de trabalho, e enxergar o outro como alguém amado por Deus, por quem o Senhor entregou a própria vida.
Seguir a Jesus e ajudar o outro a ser mais forte e mais livre, e jamais se aproveitar da sua fraqueza para dominá-lo ou aprisioná-lo, seja fisica, emocional ou espiritualmente.
Seguir a Jesus é suportar o escárnio e a zombaria daqueles que não entendem porque motivo você não aproveitou a oportunidade para destruir, subjugar, controlar ou ameaçar, mas estendeu o braço para ajudar.
Seguir a Jesus é devolver em oferta a Deus todo e qualquer poder, autoridade, controle ou domínio que você tenha recebido, para que assim você esteja limpo e seja usado por Ele.
Seguir a Jesus é reconhecer que o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza... Assim, quando somos fracos aí é que somos fortes.
Seguir a Jesus é dizer como João Batista: que Ele cresça e que eu diminua... Até que o caráter de Cristo seja plenamente formado em nós.
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