18 março 2007

O Poder que há na Cruz - 4

Introdução à Série

Hoje chegamos à quarta mensagem dessa série de pregações sobre o poder que há na Cruz de Cristo. Semana passada, compreendemos que na Cruz de Cristo há poder para receber e conceder perdão.

Embora todos sejamos dignos de morte e mereçamos com justiça ser afastados de Deus por causa dos nossos pecados, podemos ser beneficiados pela morte substitutiva de Cristo, que recebeu a punição pelos nossos pecados. Eu posso ser perdoado por Deus, se confiar em Cristo Jesus como meu Senhor e Salvado. Na Cruz há poder para liberar o perdão de Deus em meu favor.

Na cruz também há poder que me capacita a perdoar. Crucificado, humilhado e alvo da zombaria de todos, o Senhor Jesus levantou a voz em oração: Pai, perdoa-lhes.

Apropriar-se do poder que há na Cruz é entregar nas mãos de Deus a dor da traição, da injustiça, da falta de consideração, do abandono, da injúria, da mentira e do desafeto. É confiar na retribuição Dele. Ele sabe a medida certa da retribuição. Ele sabe retribuir para construir, e não para destruir. Na Cruz de Cristo há poder para liberar em mim perdão para aqueles que me ofenderam.

Introdução à Mensagem

Quando Jesus clamou ao Pai, pedindo perdão para aqueles que o matavam, ele estava pregado a uma cruz, entre dois bandidos, cumprindo assim a profecia falada pelo profeta Isaías: ... foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu. Isaías 53:12

Os dois bandidos que estavam ao seu lado ouviram a oração do Senhor, no entanto eles não reagiram da mesma maneira. Eles inclinaram o coração em direções diferentes. Um deles queria mudar apenas o hoje, o agora; enquanto o outro pensou na eternidade.

O hoje daqueles homens era muito breve... Já o nosso hoje é uma incógnita, é algo que não está sob o nosso controle. A curta história desses dois bandidos, que está registrada nas escrituras, vai nos ajudar a descobrir que na Cruz de Cristo há poder disponível para mudar nosso destino eterno.

(35) O povo estava ali e a tudo observava. Também as autoridades zombavam e diziam: Salvou os outros; a si mesmo se salve, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido. (36) Igualmente os soldados o escarneciam e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo: (37) Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. (38) Também sobre ele estava esta epígrafe [em letras gregas, romanas e hebraicas]: ESTE É O REI DOS JUDEUS. (39) Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. (40) Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? (41) Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. (42) E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. (43) Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Lucas 23:35-43 ARA)

Nenhum daqueles dois homens eram flor-que-se-cheirasse. Eram malfeitores, bandidos e conforme as leis da época estavam sofrendo a justa punição por seus crimes. Não havia essa de “bom” ladrão e “mau” ladrão.

Ambos poderiam ser assaltantes, talvez constassem na lista dos “Procurados” de Jerusalém, talvez fossem acusados de conspiração contra os romanos ou fossem assassinos conhecidos por sua maldade e falta de compaixão.

Não faz diferença! Aqueles homens representam o estado em que se encontra a raça humana: escravos do pecado e destinados para uma eternidade distante de Deus. Eu e você não somos diferentes deles.

Os romanos costumavam fixar na parte superior da cruz os crimes pelos quais o crucificado fora condenado. Na cruz de Cristo foi escrito: Este é o rei dos judeus. Foi por causa dessa afirmação que os dois ladrões discutiram

Mudar o hoje

Um daqueles homens, pendurado ao lado de Jesus, era prático, tinha grande capacidade lógica. Ele sabia que o seu fim estava próximo e dirigiu-se a Jesus com uma pergunta provocadora: Não és tu o Cristo?

Aquele bandido não era ignorante sobre as profecias. Quando ele usou a expressão “O Cristo” ele estava fazendo uma referência ao Messias prometido nas escrituras, aquele que seria o Rei de Israel e destruiria os inimigos do povo de Deus.

Os judeus ansiavam por um líder militar e político que derrotasse os romanos, devolvesse a liberdade perdida e instaurasse um reino de paz. Era assim que as profecias eram interpretadas. A placa no alto da cruz de Jesus, dizia exatamente isso: Rei dos judeus.

A pergunta do ladrão parecia pertinente. Mas não era a pergunta de alguém que tinha dúvidas e queria ser esclarecido. Não era uma pergunta que esperava pela resposta. A pergunta feita por aquele malfeitor era apenas parte de um argumento do tipo “se... então”, parte de um jeito de pensar que ainda hoje controla a mente de tantas pessoas e as afasta de Deus: Não és tu o Cristo?

Aquele malfeitor, uma ilustração de nós mesmo, não esperou a resposta de Jesus. Imediatamente ele revelou o seu principal interesse: livrar-se daquela situação de sofrimento: Salva-te a ti mesmo e a nós também.

Ele enxergou uma oportunidade e foi rápido em tentar aproveitá-la. “Se esse homem é o messias prometido nas escrituras, não precisamos morrer pregados nessas cruzes. Vamos sair bem dessa!” Então, ele provocou o filho de Deus pondo em dúvida a sua identidade. “Quem sabe, se for provocado, ele reage e nos livra dessa situação”.

Jesus, pregado naquela cruz, com dores terríveis por todo o corpo, ouviu aquele ladrão e talvez lembrou-se da tentação no deserto, quando enfrentou o inimigo de Deus: se tu és o Filho de Deus... Parecia a mesma voz, a mesma idéia, a mesma maneira de pensar e viver a vida. Ele não respondeu.

Que maneira é essa?

Em primeiro lugar, essa é a maneira de pensar dos que vivem em função de si mesmos. Orgulho e egoísmo são as marcas. Pregado naquela cruz, aquele homem foi incapaz de refletir sobre a vida de crimes que tinha levado, incapaz de repassar na mente os males causados a tantas pessoas, incapaz de reconhecer a maldade do seu coração. É preciso humildade para fazer isso e ele não estava disposto a humilhar-se.

Qual o espaço que o orgulho e o egoísmo têm ocupado em sua vida? Quanto sua vida tem girado apenas em torno de você mesmos? Fora você e a sua família, quem mais você tem ajudado ultimamente? Há no seu coração compaixão pelas pessoas, ou você não tem tido tempo para isso?

Orgulho e egoísmo são pecados que corromperam o coração de Lúcifer no início e que ainda hoje corrompem o coração de homens e mulheres.

Em segundo lugar, essa é a maneira de pensar daqueles que tentam manipular a Deus para obter o que deseja. Aquele bandido achava que se Jesus fosse provocado, se Jesus fosse acuado no canto da parede, acabaria acontecendo o que ele desejava.

Aquele homem tentou pressionar o Senhor Jesus pondo em dúvida algo muito importante para qualquer pessoa, a própria identidade. Ou Jesus livrava todos da cruz e assim confirmava ser o Messias enviado por Deus, ou estaria provado que ele realmente não era. Aparentemente, Jesus estava preso no argumente do bandido. Mas Jesus não participa desse tipo de jogo. Ele simplesmente não respondeu.

Você é daqueles que acha que Deus só faz alguma coisa com base na pressão? Você acha que Deus pode ser manipulado por uma chantagem barata? Sua vida tem sido uma permanente tentativa de obter alguma coisa de Deus através de uma oferta na igreja, de uma esmola aos pobres, da leitura de capítulo da bíblia ou de um dia de paz com sua esposa/esposo?

Essa é uma mentira milenar que através dos séculos enganado a humanidade. A verdade é que Deus não depende de nós, Ele é suficiente em si mesmo. Não há nada capaz de suborná-lo, porque em Si mesmo ele já tem tudo de que precisa. Se Ele se interessa por nós é por causa do seu voluntário e inexplicável amor. Apenas por isso

Em terceiro lugar, essa é a maneira de pensar daqueles que perderam a perspectiva da eternidade. Deus não nos fez para uma existência breve. Ele nos criou para sermos eternos. Mas aqueles que perderam a perspectiva da eternidade gastam suas energias exclusivamente para fazer funcionar esta vida. São pessoas que vivem apressadas e angustiadas. Elas não têm tempo a perder porque a vida, daqui há pouco, vai acabar.

Aquele homem não estava preocupado se haveria ou não uma eternidade. Ele não estava nem um pouco interessado sobre o que o esperava ao final daquele dia, quando ele desse seu último suspiro naquela cruz. Ele só queria descer dali, voltar a sua vidinha e quem sabe continuar sua trajetória de crimes.

Como você lida com a brevidade da vida? Como você lida com a morte? Quais são suas expectativas sobre a eternidade que se estende depois que termina nossa vida neste mundo?

Mudar a eternidade

É nesse ponto que eu quero lhe apresentar a maneira de pensar do outro bandido. Ele não tinha nada de bom. Era um malfeitor como o seu colega. Mas, depois de ouvir a oração de Jesus pedindo que o pai perdoasse aqueles que o estavam maltratando, o segundo bandido inclinou seu coração na direção oposta à do seu colega.

Sua primeira palavra foi no sentido de repreender o orgulho e arrogância do colega de crimes. Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?

A palavra temor muitas vezes e confundida com medo. Deus não deseja inspirar medo em ninguém, mas Ele é digno do

respeito, da reverência, do reconhecimento de quem Ele é: o criador do Universo, o Deus Todo Poderoso que trouxe tudo que existe à existência pelo poder da sua palavra.

Aquele segundo ladrão viu na atitude de Cristo um ato de submissão a Deus e isso o inspirou a temer, a reconhecer que Deus é soberano sobre todas as coisas. Você pode fazer o mesmo ao declarar que reconhece o poder e a majestade de Deus.

Na Cruz de Cristo há poder para mudar o seu destino eterno e isso começa com o reconhecimento da soberania de Deus sobre o universo e sobre a sua vida.

Para onde o seu coração vai se inclinar?

Sua segunda palavra foi para admitir o seu pecado e reconhecer-se digno da punição que estava recebendo. Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem.

Essa é a grande barreira para muitos mudarem o seu destino eterno. Nossas mentes foram encharcadas com a idéia de que temos muitos direitos e de que devemos brigar por todos eles. Somos uma sociedade em que todos têm direitos e ninguém tem obrigações. Todos devem exigir seus direitos até a morte, mas ninguém está disposto a morrer para cumprir suas obrigações.

Aquele segundo bandido não procurou justificativas para os seus crimes. Ele não tentou esconder-se atrás dos seus direitos. Ele não culpou os pais ou a vida difícil que teve quando era criança. Ele não alegou falta de controle para explicar os pecados que cometeu. Ele apenas reconheceu que os atos que tinha cometido mereciam o castigo que ele estava recebendo. A sua punição era justa.

Na Cruz de Cristo há poder para mudar seu destino eterno, e isso passa pela admissão da sua culpa. A Graça inunda apenas a vida daqueles que se vêem com desgraçados. O perdão alcança apenas aqueles que se percebem culpados. A salvação é apenas para aqueles que se acham perdidos.

Para onde o seu coração vai se inclinar?

A terceira palavra daquele homem foi o reconhecimento de que a vida não se resume aos dias em que o coração palpita. Há algo mais! Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.

Pareciam frases insanas de alguém que estava à beira da morte. Aquele homem, crucificado, pedia a um outro crucificado que se lembrasse dele.

Jesus não parecia um Rei. Ele não tinha reino, não tinha poder, não tinha súditos, não tinha riqueza, não tinha pompa. Jesus estava morrendo, seminu, pregado a uma cruz. Dentro de algumas horas ambos estariam mortos. Mas aquele ladrão acreditou que a vida não terminaria ali. Por isso, à beira da morte, ele pede para ser lembrado no reino futuro de Jesus. Ele confiou sua eternidade ao Cristo de Deus.

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. (I Coríntios 15:19)

Há um destino eterno. E na cruz de Cristo há poder para mudar o seu destino eterno. Apenas o Senhor Jesus tem as chaves que abrem as portas da eternidade com Deus. Apenas a confiança na eficácia da morte dele na Cruz pode nos garantir a comunhão com Deus por toda a eternidade.

Para onde o seu coração vai se inclinar?

Uma palavra de garantia

O que você diria àquele homem? Talvez algumas palavras de conforto do tipo: “agüenta firme!” Ou “o que é isso companheiro, ainda não é a sua vez”?

O filho de Deus disse: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

O Senhor Jesus não precisou pedir autorização para ninguém, não disse que precisava examinar melhor o caso dele, não perguntou se ele ia à sinagoga, ou quanto e quais eram os crimes que ele havia cometido. O destino eterno dele foi mudado pelo único que pode fazer isso: Jesus.

hoje estarás comigo no paraíso.

O homem não pediu nenhum benefício pessoal, não barganhou nenhuma troca, não ofereceu nada para Jesus, não pediu nada para os parentes. Aquele homem simplesmente depositou sua confiança no filho de Deus. O destino eterno dele foi mudado porque ele creu no Cristo de Deus.

O seu destino eterno também pode ser mudado.

Declare a soberania de Deus;
Reconheça o seu pecado;
Peça a Jesus que mude o destino eterno da sua vida;

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