11 março 2007

O Poder que há na Cruz - 3

Introdução

Nestas semanas que antecedem a semana chamada santa, estamos aprendendo sobre o Poder que há na Cruz. Temos conversado sobre a realidade do pecado e sua implicações para a raça humana.

Vimos que a criação do ser humano foi um ato espontâneo e amoroso de Deus. A expressão desse amor ganhou extensão e profundidade quando Deus decidiu nos criar não como autômatos pré-programados, mas seres capazes de decidir.

Vimos que essa capacidade de tomar decisões por conta própria é um dos traços da semelhança de Deus com que fomos criados. E por que recebemos a liberdade de decidir, fomos tornados responsáveis por nossas decisões.

Vimos ainda como o Senhor foi justo e amoroso com Adão e Eva quando os colocou no jardim e lhes deu algumas orientações. O primeiro casal recebeu do Senhor plena condição para viver eternamente com Ele, mas decidiram dizer NÃO.

1) Eram habitados pelo Espírito de Deus e mantinham estreita comunhão com Ele;
2) A ordem recebida de Deus era simples e foi claramente explicada. As conseqüências da desobediência também foram explicadas com clareza;
3) Eles Tinham tudo de que precisavam em abundância;
4) Eles tinham fortes razões para confiar em Deus, conheciam Sua vontade, experimentavam diariamente Sua presença e companhia.
5) Eles tinham acesso a Deus, poderiam ter pedido uma explicação sobre a história contada pela serpente.

Mas, por sua livre vontade, eles decidiram virar as costas para Deus, acreditando assim que seria possível encontrar realização e significado maiores para suas vidas. Deus estava escondendo algo e não merecia confiança. Eis o pecado! E a morte veio em seguida.

Onde está o poder?

Uma cruz em si não passa de um cruel instrumento de tortura usado pelo governo Romano no início da era cristã para, diariamente, matar criminosos e rebeldes políticos. Não há qualquer poder em uma cruz qualquer. Por isso, fica claro que não falamos de uma cruz qualquer, falamos da Cruz de Cristo!

Mas que poder poderia haver nas toras de madeira usadas para cravar os pregos que prenderam as mãos e os pés de Jesus, deixando-o suspenso? Será que, porque prenderam o filho de Deus elas se tornaram especiais? Será que algum pedaço daquela cruz, se existisse ainda hoje, seria fonte de algum poder divino? Será que uma relíquia da cruz em que Cristo foi crucificado poderia enfim nos causar algum benefício? Claro que não!

Não há qualquer poder no objeto cruz, mesmo naquele em que o Cristo de Deus foi pendurado injustamente. Fica claro então que estamos falando não do objeto, mas do fato cruel e sangrento que aconteceu na palestina por volta do ano 30 da era cristã: Jesus, o filho de Deus, foi crucificado e morto. O poder que há na cruz não vem dela, mas Daquele que nela entregou a sua vida.

Que tipo de poder?

O poder sempre fez os brilharem os olhos do ser humano. Simão, um ilusionista conhecido por mágico, quis comprar o poder que os apóstolos tinham de orar pelas pessoas e elas receberem o Espírito Santo.

propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo. (Atos 8:19)

Não há na cruz de Cristo, qualquer poder mágico que possa ser manipulado, ou alguma energia positiva e impessoal, ou mesmo algum tipo força esotérica que venha do universo. Que tipo de poder, então, há na Cruz?

Poder que libera perdão

Meus irmãos, durante os dois últimos domingos temos nos debruçado sobre o desastre que o pecado causou na humanidade. Desde Adão, nossa rebeldia contra o Criador nos tem tornado insuportáveis diante Dele.

A santidade de Deus não pode conviver pacificamente com nossa constante afronta ao Seu caráter. Nossa permanente negação em confiar no Seu amor, na sua soberania, na sua bondade, na sua justiça e na sua infinita superioridade nos mantém separados de Deus e é uma declaração aberta de que não queremos permanecer em Sua companhia. É assim que se encontra toda a raça humana.

Ao nos criar livres para decidir e responsáveis por nossas decisões, o Senhor, em sua justiça, não pode livrar-nos da conseqüência do nosso pecado.

(17) mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gênesis 2:17)

A justiça de Deus precisa ser satisfeita. A lógica divina de causa e efeito em relação a pecado não pode ser contrariada; caso contrário, as palavras ditas pelo próprio Deus perderiam sua integridade. Como confiar em um Deus que não é fiel a si mesmo?

(10) como está escrito: Não há justo, nem um sequer, Romanos 3:11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus; (12) todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. (13) A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, (14) a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; (15) são os seus pés velozes para derramar sangue, (16) nos seus caminhos, há destruição e miséria; (17) desconheceram o caminho da paz. (18) Não há temor de Deus diante de seus olhos. (Romanos 3:10-18)

Enquanto você não compreender a destruição do pecado, enquanto você não bater sinceramente no peito e sentir a dor da sua ofensa contra Deus, enquanto você não lamentar profundamente pela sua vida vivida de costas para Deus, a Cruz não fará sentido para você e o pode que há nela nenhuma diferença fará na sua vida.

Não adianta corrermos para o perdão, se acharmos que o nosso problema são apenas alguns deslizes sem muita importância, porque afinal somos boas pessoas. Nossa doença é para morte, não estamos apenas resfriados.

Mas se compreendermos nosso estado moribundo, de inimizade contra o Criador do Universo, estaremos prontos para considerar a boa notícia de que Deus não nos deseja mal. Ainda que não possa conviver com o pecado, Ele nos ama e deseja que nós estejamos com Ele. Por isso providenciou, Ele mesmo, uma maneira de satisfazer a Sua justiça.

Adão e Cristo

(12-14) Quando Adão pecou, o pecado transmitiu-se a toda a raça humana, e trouxe como consequência a morte a todos; e todos foram contados como pecadores. Mas desde Adão até Moisés, e embora naturalmente as pessoas pecassem, Deus não as julgou por desobediência a uma lei, porque justamente Deus ainda não lhes tinha dado as suas leis. Assim essas pessoas morreram em consequência do pecado, ainda que não tivessem desobedecido a uma determinada lei de Deus tal como Adão, o qual é uma figura, por contraste com Cristo, que ainda havia de vir!
(15) Há uma grande diferença entre o pecado do homem e o perdão de Deus! Um só homem, Adão, trouxe a morte a muitos, por causa do seu pecado. Mas também um só homem, Jesus Cristo, trouxe o perdão a muita gente através da abundante misericórdia de Deus.
(16) E o resultado da oferta graciosa de Deus é muito diferente do resultado do pecado daquele único homem. Porque o pecado de Adão trouxe o castigo da morte a muitos, enquanto que Cristo gratuitamente tira muitos pecados e oferece em seu lugar a aprovação de Deus
(17) O pecado de um só homem, Adão, fez com que a morte dominasse toda a natureza humana, mas todos os que receberam a maravilhosa graça e justificação de Deus terão, agora, o domínio da vida, através do acto também de um só, Jesus Cristo.
(18) É verdade que o pecado de Adão trouxe a todos o castigo, mas a justiça de Deus tornou possível que os homens se tornem justos perante Deus, para que assim possam viver
(19) Adão, porque desobedeceu a Deus, fez com que muitos se tornassem pecadores, mas Cristo, porque lhe obedeceu, fez que muitos também fossem aceites por Deus.
(20-21) A lei foi dada a fim de que todos pudessem ver bem quanto tinham falhado em obedecer a Deus. Mas se o nosso pecado é grande, muito maior e mais abundante é a graça de Deus que nos perdoa. Antes, o pecado governava sem limites todos os homens, levando-os à morte, mas agora é a misericórdia de Deus, que não merecíamos, que governa, colocando-nos numa posição de justiça perante Deus e de acesso à vida eterna por Jesus Cristo nosso Senhor. (Romanos 5:12-21 O Livro)


Todos somos culpados e dignos de morte. Mas a execução foi suspensa por um breve momento. O Juiz, antes de fazer cumprir a sentença de morte, executa o plano que desde o princípio ele planejara. Um plano doloroso, mas eficaz. Para demonstrar seu amor por nós e ao mesmo tempo cumprir a pena decretada pelo pecado, o Pai e o Filho concordaram que o Filho entregaria sua própria vida em nosso lugar.

Na Cruz há poder para liberar o perdão de Deus!

Na Cruz, Cristo, que não tinha pecado, deixou-se punir, como se pecador fosse, para satisfazer a justiça de Deus.

Na Cruz, o Filho, que não precisava morrer, foi entregue pelo Pai como prova do amor Dele por nós.

Na Cruz, a justiça e o amor de Deus se encontram para liberar o perdão de Deus para aqueles que admitem o seu pecado, reconhecem o amor de Deus provado através da morte de Jesus e submetem sua vida ao Senhorio de Cristo.

Só na Cruz de Cristo há remédio para os moribundos, há água para os sedentos, há abrigo para os que estão ao relento, há paz para os angustiados, há futuro para os sem esperança e há perdão para aqueles que reconhecem suas ofensas contra Deus.

Poder para perdoar

A verdade é que o perdão é uma palavra maravilhosa quando nós somos os perdoados, mas um grande desafio quando somos nós os ofendidos.

Como perdoar alguém que nos fere, nos machuca, tenta nos destruir, nos despreza, nos causa prejuízos e dores ou atenta contra a nossa dignidade ou quer nos destruir?

Como perdoar alguém que continua quebrando as promessas feitas? Porque perdoar quem não pede perdão? Porque tomar a iniciativa de perdoar, se você é o ofendido?

Se na Cruz de Cristo há poder para receber o perdão de Deus, há também poder para perdoar. Pregado na Cruz, sentindo dores insuportáveis, sofrendo todo tipo de humilhação, Jesus orou da seguinte maneira:

Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes. (Lucas 23:34)

Como você reage quando é ofendido? O que você pensa sobre Deus e sobre as pessoas quando as coisas vão de mal a pior, sua vida vira de ponta-cabeça, sua subsistência e ameaçada ou sua vida é colocada em risco?

Você é daqueles que enche a boca de palavrões, maldiz a si mesmo e a Deus e procura alguma maneira de dar o troco para quem lhe feriu? Esses chegam a ser agressivos e violentos, nas palavras e nos atos.

Você é daqueles que guarda as ofensas em uma caixinha bonita e decorada e todos os dias abre, alimenta, fecha e fica lamentando com Deus? Esses, vez por outra, têm que comprar uma caixa maior, porque as ofensas vão ficando maiores e maiores, até que chega o tempo em que não conseguem fazer mais nada na vida a não ser alimentá-las

Rapidamente desacreditamos na soberania de Deus quando somos atingidos pela dor e pelo sofrimento. Em meio a um dos maiores sofrimentos físicos e emocionais que um ser humano pode suportar, Jesus confiou no Pai e orou, em vez de maldizer ou lamentar. Essa é a base do poder para perdoar: confiança.

Jesus tinha todos os motivos para requer vingança contra aqueles que injustamente o estavam maltratando, mas ele decidiu confiar em Deus.

O apóstolo Paulo lança o desafio para vivermos como Jesus da seguinte forma:

(17) Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; (18) se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; (19) não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. (Romanos 12:17-19)

Perdoar é sofrer o dano, e não retribuir o sofrimento. É deixar nas mãos do senhor a retribuição.

Uma das grandes dificuldades que temos em perdoar é o sentimento de que nossos direitos foram violados, de que algo precisa ser feito para que a nossa dignidade seja restaurada. Perdoar parece um empecilho à nossa cura. Mas isso é um engano! A verdadeira cura só vem com o perdão.

O sentimento de que algo precisa ser feito é legítimo. Mas tomar nas mãos o fazer algo é dizer para Deus que você não confia na justiça Dele e se sente preparado para agir no lugar Dele. Essa é uma atitude no mínimo arrogante.

Por isso a humildade precisa preceder o perdão. Jesus pediu ao Pai que perdoasse os seus algozes. Ele conseguir fazer isso porque esvaziou-se de si mesmo. Humilhou-se até a morte e morte de Cruz. O Senhor, sendo Deus, não usurpou a posição de Deus, porque você desejaria esse lugar?

(21) Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, (22) o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; (23) pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, (24) carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. (I Pedro 2:21-24)

Hoje é dia de perdoar! Hoje é dia de liberar perdão e ficar livre. O poder da cruz está a sua disposição, meu irmão. Confie no Senhor, esvazie-se do seu orgulho e perdoe. Muito maior injúria sofreu o Senhor Jesus e ainda assim orou pelo que o afligiam. Faça o mesmo hoje! Perdoe e liberte-se da prisão da mágoa e do ressentimento. Há pode na Cruz para isso!
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