13 agosto 2006

Em espírito e em verdade - Parte 2

Disse o rei Dario... Faço um decreto pelo qual, em todo o domínio do meu reino, os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel, porque ele é o Deus vivo e que permanece para sempre; o seu reino não será destruído, e o seu domínio não terá fim. (Daniel 6:26 ARA)

Três vezes ao Dia

Ele estava muito longe da sua terra natal. Havia sido levado como um prisioneiro, mas por sua distinção ele e alguns amigos foram separados para servir diretamente ao Rei. Naqueles dias, Babilônia era a sede do grande império medo-persa e o rei era Dario.

O rei o admirava. Não cansava de falar como os governadores e ministros sobre a forma sábia e a maneira prudente com que ele administrava. Pensava até em promovê-lo a primeiro ministro.

Os adversários o invejaram. Não era possível que aquele estrangeiro, que havia chegado com um escravo se tornasse a autoridade mais importante depois do rei. Foi aí que eles se juntaram.

Investigaram tudo: cada decisão administrativa... Cada autorização de compra... Cada serviço pago... Cada pessoa contratada... Cada ato de governo: não encontraram nada. Então, vasculharam a vida: Sua esposa... Seus filhos... Suas posses... Seus amigos... E até seus inimigos: não encontraram nada.

Por fim, chegaram a sua fé: todos os dias, três vezes ao dia, ele sobre ao seu quarto e de janela aberta ajoelha-se e ora ao seu Deus. Esse era o seu ponto fraco, pensaram.

Os adversários prepararam armadilha. Primeiro, convenceram o rei a aprovar uma lei esquisita que valia por apenas 30 dias: quem adorar qualquer outro que não seja o rei, deve ser lançado aos leões.

O rei achou bom. Afinal, os reis devem ser respeitados, pensou. Agora, era uma questão de tempo, pensaram os adversários. Eles conheciam a sua fé tanto quanto a sua competência e tinham certeza que ele cairia na armadilha.

Ele se manteve firme. O decreto já fora assinado pelo rei, mas o dia começara igual a outro dia qualquer: uma manhã clara e uma brisa fresca. Naquele dia, três vezes ele subiu ao seu quarto, e de janelas abertas três vezes se ajoelhou para orar ao Deus vivo, mesmo sabendo o risco que corria.

Os adversários sorriram. Eles haviam planejado tudo com cuidado: o passarinho entrara na gaiola. Correram ao rei e denunciaram: o queridinho do rei estava adorando outro Deus e agora a lei precisava ser cumprida.

O rei se entristeceu. Não era isso o que ele queria! Pensou em voltar atrás... Pensou em mudar a lei... Durante todo o dia tentou livrá-lo, mas não conseguiu. É assim a lei dos medos e dos persas, majestade: os reis não se arrependem – lembraram os adversários. O rei lamentou grandemente e assinou a ordem de prisão.

Ele foi preso. Não era justo! Era uma trama política, uma armadilha desonesta coberta por uma lei de encomenda. Mas ele estava preso e em breve o seu destino eram os leões.

O rei foi visitá-lo. Estava inquieto e angustiado. Não queria a morte de seu melhor servo, mas não podia voltar atrás. Caíra refém do desejo de ser adorado. Mas quem sabe o Deus dele o livra? Quem sabe a quem ele serve e adora tem mais poder do que eu! Foram esses os votos do rei antes da cova dos leões ser aberta.

A cova foi aberta, ele foi jogado dentro e uma grande pedra apagou a luz fraca que entrava no buraco. Do lado de fora, o rei lacrou tudo com o seu anel, conforme a lei, e voltou para o palácio.

O rei perdeu a fome, perdeu a alegria, perdeu o sono e passou a noite pensando no que havia feito. Porque ele não havia obedecido à lei? Não dava para ficar 30 dias sem orar? Quem era o Deus daquele homem?

O sonho não vinha e ele virou para o outro lado da cama. Por que, à beira da cova dos leões, seu melhor servo não demonstrava desespero? Seria esse Deus poderoso para livrá-lo?

A dúvida e a tristeza tomaram conta do rei até o amanhecer.

O rei não podia esperar. Logo cedo foi até a cova dos leões e com voz triste perguntou: Daniel, servo do Deus vivo! Dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?

Um breve silêncio apertou o coração do rei, mas uma voz, de dentro da caverna disse: Ó rei, vive eternamente! O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca aos leões, para que não me fizessem dano.

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Conhecimento de Deus e Adoração

Durante esse mês de agosto o tema principal das nossas reflexões tem sido adoração. Adorar é muito mais que cantar, levantar as mãos, tocar um instrumento ou dançar de alegria.

As expressões de arte são canais de adoração. São algumas das muitas maneiras que temos para adorar a Deus.

Deus é adorado quando reconhecemos que ele é amor e transborda amor. Deus é adorado quando falamos da sua bondade sem fim e vivemos vidas onde essa bondade tem espaço. Deus é adorado quando reconhecemos que Ele é um Deus justo, e fazemos isso através da prática da justiça. Deus adorado quando reconheço a misericórdia de Deus pra comigo. Deus é adorado quando falo a todos da fidelidade Deus a sua própria natureza.

Por isso fica tão claro que a adoração está diretamente ligada ao conhecimento de Deus. Quanto mais conhecemos de Deus, mais estamos aptos para adorá-lo. Se o seu conhecimento de Deus é deficiente, sua adoração será deficiente. Se o nosso relacionamento com Ele é superficial, nossa adoração será superficial.

Se virmos a Deus como um Papai Noel que dá brinquedos a quem é bonzinho, a nossa adoração dependerá de gostarmos ou não dos presentes que ganhamos.

Através do profeta Oséias, Deus deixou registrada sua queixa para com a nação de Israel. A falta do conhecimento de Deus estava destruindo o povo

(1) Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. (2) O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios. (3) Por isso, a terra está de luto, e todo o que mora nela desfalece, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem... (6) O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento... (Oséias 4:1-3,6 ARA).

Lembrando um pouco da nossa reflexão domingo passado, vemos que Jesus falou para a mulher samaritana que os verdadeiros adoradores adoram em verdade. Logo em seguida, ele explicou que essa adoração em verdade está ligada ao conhecimento de Deus. Os samaritanos rejeitavam grande parte das escrituras e por isso não conheciam ao Senhor em sua plenitude. A questão não é apenas se dizer servo do Deus verdadeiro, mas saber quem é esse Deus vivo, e aí adorá-lo em verdade.

Os adversários de Daniel, que tramaram a sua morte, nada conheciam sobre o Deus de Israel, por isso não tinham motivo algum para adorá-lo. O rei Dario pouco conhecia do caráter de Deus, por isso era tímido em suas afirmações sobre Ele. Como anda seu conhecimento de Deus? Você tem procurado conhecer mais sobre Ele? Será possível alguém conhecer a Deus?

O conhecimento de Deus que leva à adoração não é apenas intelectual ou teórico. Há grandes estudiosos da bíblia que nem mesmo acreditam em Deus. Com suas mentes eles compreendem o que está escrito, mas isso não afeta as suas vidas. Isso não é conhecimento de Deus.

O verdadeiro conhecimento de Deus, que conduz à adoração, se parece mais com uma amizade longa e profunda onde o compromisso mútuo de ambas as partes é completo.

Conhecimento de Deus e Semelhança

Quando duas pessoas convivem por muito tempo elas vão se tornando parecidas, já percebeu? Os gostos se aproximam, os hábitos se parecem, usam frases que lembram o jeito de falar do outro e falam sobre os mesmos fatos. Não é que elas se anulem, mas é que por causa da proximidade um reflete o outro e por isso eles se tornam semelhantes.

Deus nos criou semelhantes a Ele. No jardim, o primeiro casal estava tão perto de Deus, andava tão junto Dele que refletia o caráter Dele e confirmava assim sua semelhança com o Criador.

Essa é uma realidade. Quando nos aproximamos de alguém em um relacionamento duradouro e comprometido, nos tornamos semelhantes.


(14) Mas os israelitas do Reino do Norte não quiseram obedecer; foram teimosos como os seus antepassados, que não confiaram no SENHOR, o Deus deles. (15) Eles não quiseram obedecer aos seus ensinamentos e não guardaram a aliança que ele tinha feito com os seus antepassados e desprezaram os avisos dele. Adoraram ídolos sem valor e desse modo eles mesmos ficaram sem valor. Seguiram os costumes das nações vizinhas, desobedecendo à ordem que o SENHOR tinha dado para que não as imitassem. (II Reis 17:14,15 NTLH)

(1) Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade. (2) Por que diriam as nações: Onde está o Deus deles? (3) No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (4) Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens. (5) Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; (6) têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. (7) Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta. (8) Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam. (Salmos 115:1-8 ARA)

Deus criou o primeiro casal e decidiu relacionar-se com sua criação. Ele se aproximou. À tardinha, no final do dia, o Senhor passeava pelo jardim para conversar, pra se fazer conhecido; para que o homem, ao se tornar íntimo do seu criador, refletisse Sua imagem e semelhança. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais visível ele se torna em nós.

Nós vivemos hoje um hiato entre o Jardim (onde Deus iniciou um relacionamento com o homem) e a Nova Jerusalém (Onde Ele se fará conhecer em sua plenitude). Paulo diz que hoje nossa visão sobre Deus é turva em como em um pedaço de metal opaco usado com espelho, por isso não o conhecemos bem. Um dia, diz Paulo, o veremos face a face, e assim o conheceremos como somos conhecidos.

Olhe para a trajetória do ser relacionamento com Deus e responda pra você mesmo: a que distância eu me encontro de Deus? Pense um pouco mais e responda pra si mesmo: eu tenho buscado proximidade com Deus ou tenho fugido da presença dele? Ou talvez você seja daqueles dizem: se quiser pode ficar, agora vê se não me incomoda!

É fácil saber. Olhe pra você! Olhe pra sua vida, pra os seus compromissos e para as coisas que você valoriza; olhe para a forma como você gasta o tempo e usa o seu dinheiro; olhe para o valor que você dá às pessoas, pense no significado que a eternidade tem para você... Depois compare tudo com a maneira como Deus vê o mundo. Quem convive com Deus acaba vendo o mundo parecido com o jeito que Ele vê.

Adoração em Verdade

Adorar em verdade é buscar o conhecimento de Deus e assim ficar cada dia mais parecido com Jesus;

Adorar em verdade é encontrar prazer na companhia de Deus e se alegrar ao descobrir mais e mais sobre ele;

Adorar em verdade é não corromper o caráter a identidade de Deus em benefício próprio, mas conhecê-lo como Ele se revela nas Escrituras;

Adorar em verdade entregar-se sem reservas e confiar plenamente nas promessas dele. É crer que Ele tem todo o poder, que a vida está em suas mãos e que Ele tem pensamentos de paz sobre nós.

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O rei sorriu de alegria. Mandou tirá-lo da cova dos leões e ficou impressionado porque não havia um arranhão sequer. O Deus Vivo havia protegido o Seu servo de uma morte terrível.

O rei adorou. Bastou conhecer um pouco mais de perto o Senhor, para que o rei adorasse. Decretou que todos deveriam adorar o Deus de Daniel. Disse que o Deus de Daniel é um Deus vivo, que é um Deus imutável, que o reino dele é indestrutível para sempre e que o Seu poder é infinito; disse ainda que é um Deus libertador que salva o seu povo da morte.

O rei adorou o Deus de Daniel, porque ele não o conhecia pessoalmente. Mas pode adorar agora o Deus da sua vida; o Deus que lhe deu salvação em Cristo Jesus.
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