20 agosto 2006

Em espírito e em verdade - Parte 3

Introdução

Domingo passado compreendemos que minha adoração esta ligada diretamente ao conhecimento de Deus. Adoração a Deus é uma resposta que está limitada ao meu conhecimento sobre quem Ele é.

Se eu não conheço muito a respeito de Deus, os motivos para adorá-lo não serão muitos e nem muito claros. Por isso muitas pessoas têm dificuldade de expressarem sua adoração – mas o que eu devo dizer? A falta de intimidade com Deus muitas vezes pode levar ao silêncio. Talvez seja preciso investir mais tempo com Ele.

Se o conhecimento que tenho de Deus não está correto ou é parcial, minha adoração não será coerente com quem Ele é. Muitas pessoas vivem enganadas por toda a vida, achando-se adoradores de Deus. Algumas adoram a um Deus que mais parece um menino de recados: eu mando, ele obedece e depois e eu agradeço; Outras adoram a um Deus comerciante, que troca favores por louvores. Falsa adoração ao Deus verdadeiro.

(1) Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus... (6) O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento... (Oséias 4:6 ARA).

Vimos também que ao nos aproximarmos de Deus e trilharmos o caminho que leva ao conhecimento de quem Ele é, nós nos tornamos mais parecidos com Ele.

A proximidade de Deus nos transforma porque Ele não esconde quem nós somos. Pelo contrário, com amor ele expõe as nossas mazelas e pecados à luz da Sua perfeição.

Há pessoas que expõem o pecado dos outros para fragilizá-los e tirar proveito, mas Deus quer restaurar a Sua imagem em nós, por isso você não deve temê-lo quando a Sua palavra confrontar a sua vida.

O verdadeiro adorador não foge da presença de Deus. O verdadeiro adorador corre para a presença de Deus porque ele deseja permitir que a santidade de Deus revele a sujeira da sua vida e assim comece a operação limpeza que o Espírito quer fazer.

Expressões de Adoração

Se adorar a Deus é declarar as grandezas e o esplendor da glória que é devida a Ele... Se adorar a Deus e reconhecer seu maravilhoso poder e a sua soberania sobre tudo... Quais formas podemos usar para expressar nossa adoração a Deus? Há um jeito certo para adora? Sim!

Jesus disse à mulher de Samaria: Os verdadeiros adoradores adoram em espírito e em verdade. Esse é o jeito certo de adorar: responder ao Criador guiado pelo Espírito de Deus e baseado em quem Ele é.

Existe alguma limitação na forma de expressar essa adoração?

Para responder essa pergunta precisamos entender que a adoração só pode ser plena quando estamos plenamente envolvidos em expressá-la. A adoração é plena quando a expressamos com em todas as dimensões do nosso ser, isto é: quando nossa razão adora ao Deus Verdadeiro, nossas emoções não podem ser desligadas e nossos corpos não podem ser amputados.

Deus nos fez assim, um complexo conjunto de corpo, alma e espírito. Vivemos a vida sem descartar nenhuma dessas dimensões e não há motivo para, no momento da adoração, privilegiar uma das dimensões em detrimento de outra.

A palavra de Deus está repleta de exemplos dessa adoração completa, com tudo que somos.

O livro de Romanos é uma exemplo da lógica que fundamenta o pensamento do apóstolo Paulo. Parágrafos e mais parágrafos escritos cuidadosamente para fundamentar sua teologia. Mas, no capítulo 11 de romanos, os argumentos construídos com esmero não puderam conter a explosão de adoração, pelo contrário, no verso 33, depois de explicar a grandeza do plano de Deus para salvar o ser humano,a adoração surge como uma resposta à profundidade da sabedoria de Deus:

(33) Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! (34) Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? (35) Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? (36) Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! (Romanos 11:33-36 ARA)

No Salmo 95, vemos o chamado para a adoração alegre e festeira. O motivo do salmista para adorar é o poder de Deus, mas isso não se torna barreira para ele expressar alegremente sua adoração, pelo contrário.

(1) Venham, vamos cantar com alegria, louvando ao Senhor, pois é a rocha da nossa salvação! (2) Vamos chegar diante dele com os corações cheios de gratidão! Vamos louvar ao Senhor com salmos festivos! (3) Pois o Senhor é o grande Deus! Ele é um rei bem diferente dos falsos deuses. (Salmo 95:1-3)

Já no Salmo 84, a alegria da adoração se mistura com as expressões do corpo para reconhecer o quanto é bom estar na presença de Deus.

(1) Como é gostoso estar no teu templo, ó Senhor do Universo! (2) A minha alma suspira, sente muita saudade do templo do Senhor! Meu coração e meu corpo vibram de emoção quando me aproximo de Deus! Os pardais e as andorinhas fazem seus ninhos para proteger seus filhotes. O meu ninho, Senhor do Universo, meu Rei e meu Deus, são os teus altares.

Depois de ver o poder Deus demonstrado na travessia a seco do mar vermelho e testemunhar a destruição do exército egípcio que perseguia o povo, Moisés adorou ao Senhor com um cântico (Êxodo 15:1-19) de exaltação a Deus:

(11) Ó Senhor, quem é com tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?

Em seguida Miriam conduziu um grupo de mulheres cantando e dançando para festejar a derrota dos egípcios (Êxodo 15:20-21). Pode parecer uma cena estranha em uma sociedade patriarcal: mulheres tocando tamborins, dançando e cantando em adoração a Deus pelo que ele acabara de fazer.

Para Moisés e Mirian os motivos de adoração a Deus nasceram da constatação do tremendo livramento que eles tiveram diante dos egípcios.

É a mesma coisa para nós: a adoração precisa nascer em nossos corações como resultado do reconhecimento da soberania de Deus e da constatação de que Ele interfere na história da humanidade e na nossa história em particular.

Um pouco de sensibilidade é suficiente para perceber a atuação de Deus em nossas vidas. Mas, se para você Deus é como um relojoeiro meticuloso que deu corda no mundo e depois foi embora, realmente não há muitos motivos para adorar.

Mas creia: Deus não abandonou sua criação. Deus não o abandonou a sua própria sorte. Ele deseja interferir em sua vida, encher seu coração de paz e lhe dar motivos para adorá-lo.

As mulheres tocaram e dançaram pela conquista de Davi (I Samuel 18:6-7). A filha de Jefté foi ao encontro de seu pai com adufes e com danças após seu retorno da batalha (Juízes 11:34). Ana orou e cantou a Deus a sua alegria por ser mãe (1 Samuel 2.1ss).

Não há como separar as dimensões da natureza humans: a mente reconhece quem Deus é, as emoções reagem à sua grandeza, soberania, bondade e poder e o corpo responde em adoração, contrição e exaltação.

Adoração Conduzida pelo Espírito Santo


A adoração pode nascer naturalmente no coração do ser humano, ou precisamos ser conduzidos à adoração? E quando estamos reunidos, será que é do ministro de louvor ou do pregador a obrigação de conduzir a igreja à adoração? Quem conduz o homem à adoração? Quem nos leva a adorar?

Até agora temos concordado que adoração consiste em reconhecer as obras de Deus e sua natureza divina, isto é, o seu perfeito caráter. Mas como se pode chegar a ter esse conhecimento de Deus? Seria possível conhecermos a Deus através de nosso esforço racional e diligente para compreendê-lo?

Penso que essa possibilidade é uma forma humanista de enxergar Deus. A Bíblia conta histórias diferentes sobre pessoas que viveram experiências com Deus.

(A) No Éden, depois de desobedecer, o homem fugiu da presença de Deus. Foi Deus quem tomou a iniciativa de procurá-lo.
(B) Deus chamou um homem cujo nome era Abrão e fez um pacto com ele e lhe prometeu uma descendência numerosa. Não foi Abraão quem buscou ao Senhor, foi o Senhor quem chamou Abraão.
(C) No deserto, não foi o povo que pediu uma lei. Foi Deus, por causa do seu amor, quem tomou a iniciativa. Uma lei para revelar a maldade do coração humano e oferecer a oportunidade de perdão.
(D) Foi Deus quem levantou profetas e sacerdotes. Eles não se apresentaram espontaneamente, Deus os recrutou e transformou suas vidas.
(E) Não foram os apóstolos que escolheram a Jesus como Líder, foi Ele quem os escolheu com seus seguidores.
(F) Não foi Saulo de Tarso quem escolheu a Jesus, foi o Senhor Jesus que lhe apareceu no caminho de Damasco e lhe perguntou: porque me persegues?

Embora nos caiba responder, é sempre Deus quem toma a iniciativa e se apresentar. Foi assim no passado e é assim ainda hoje. E foi em Jesus que essa iniciativa divina teve seu ponto máximo. Por isso, o escritor de Hebreus diz que Ele é a imagem do Deus vivo, a exata expressão de Deus pai (Hebreus 1:3).

Quando Deus toma a iniciativa de se fazer conhecido, entra em ação o ministério do Espírito Santo. Por isso não é demais dizer que é impossível prestar uma adoração verdadeira sem a mediação do Espírito Santo de Deus.

(1) Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. (2) Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. (3) E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. (4) A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, (5) para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus. (6) Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; (7) mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; (8) sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; (9) mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. (10) Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. (11) Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.

Alguns cristãos parecem ter medo do Espírito Santo de Deus, mas não motivo para isso. O Espírito é o consolador enviado por Deus para nos lembrar as palavras de Cristo. Quem aceita a Jesus como Senhor e Salvador autoriza o Espírito Santo a habitar em sua vida.

O Espírito é o selo, o penhor, a garantia da salvação de Cristo Jesus. Não é possível adorar a Deus em verdade sem que o Espírito Santo habite em sua vida. É o Espírito Santo quem nos conduz à adoração.

Não adianta boa música, ministro de louvor empolgado, culto agradável e pregação bonita. Se o Espírito Santo de Deus não tiver a liberdade de conduzi-lo para perto do Senhor, você não conhecerá a verdadeira adoração.

Jesus disse para a mulher de Samaria que Deus procura adoradores que adorem em espírito. Isso quer dizer que Deus procura adoradores que estejam atentos ao mover do seu Espírito, dispostos a ouvir a sua voz e obedecer ao seu chamado.

A adoração verdadeira é resultado do conhecimento de Deus e só é possível conhecer a Deus ouvindo o que o Espírito fala sobre Ele.

Por isso a Bíblia tem um papel tão importante na adoração. Ela foi inspirada pelo Espírito Santo de Deus. Em seus registros ela aponta para a história de homens e mulheres viveram suas vidas descobrindo sobre o caráter de Deus. E assim como os personagens da Bíblia viveram suas histórias com Deus, nós somos desafiados a viver nossas próprias histórias com Ele.

O Espírito Santo de Deus está chamando você para a aventura de entregar o controle da sua vida ao Criador do universo e descobrir motivos para adorá-lo. O Deus revelado na Bíblia quer se fazer presente em sua vida e assim despertar em você a justa adoração do Seu Santo nome.
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