19 maio 2008

O Ensino de Jesus - Oração e Jejum

Introdução

Existe alguma possibilidade de que o pensamento de Cristo Jesus sobre a vida tenha utilidade para o homem e a mulher desse início de século XXI?

Como devemos tratar as palavras de Cristo? Como bons conselhos que já não são apropriados para a dinâmica que nossas vidas assumiram? Prefiro vê-las como sabedoria divina; palavras vindas da mente de Deus, que deseja o melhor para nós.

Em nosso último encontro refletimos sobre o ensino de Jesus a respeito do auxílio e da misericórdia. Vimos que Jesus considerou que o auxílio ao pobre e necessitado faz parte das disciplinas espirituais que devemos cultivar.

Também ficou claro que, ao ajudarmos outras pessoas, não devemos tornar essa ajuda em moeda de barganha com Deus; nem tampouco usá-la para extrair reconhecimento ou louvor das pessoas.

O Senhor tem uma recompensa preparada para aqueles que socorrem os pobres e necessitados. Vale a pena esperar pelo reconhecimento e pelo louvor que vem Dele. Até porque o presente do Pai é infinitamente melhor do que qualquer bala ou doce que os convidados da festa queiram nos oferecer.

Hoje iremos refletir sobre outros dois ensinos de Jesus: primeiro sobre a oração e depois sobre o jejum. É claro que não vamos esgotar esses assuntos, mas apenas tentar aproveitar esse momento que estamos juntos para olhar com atenção para alguns aspectos do ensino de Cristo.
Oração

(5) Quando orarem, não devem ser como os hipócritas, que se mostram piedosos, orando publicamente às esquinas das ruas e nas sinagogas, onde toda a gente os pode observar. Na verdade, já receberam a sua recompensa. (6) Mas tu, quando orares, fecha-te em casa, e ora secretamente ao teu Pai, e ele, que conhece os teus segredos, te dará o galardão. (7-8) Não recitem a mesma oração uma vez, e outra, e outra, como os pagãos fazem, julgando que as orações são mais atendidas pela sua repetição constante. Lembrem-se de que o vosso Pai bem sabe aquilo de que necessitam ainda antes de lho pedirem! (Mat 6:5-8 – OL)

A oração é parte integrante e indispensável da vida de alguém que deseja se tornar amigo de Deus. Por quê? Porque não é possível conhecer alguém ou deixar-se conhecer por alguém sem que aconteça algum tipo de diálogo. Para ser amigo é preciso falar o que vai na alma e também é preciso ouvir o que o outro tem a dizer; só assim a gente se torna íntimo de alguém.

Muitas músicas falam de intimidade com Deus. Muita gente fala que deseja essa intimidade com o Senhor, mas não está disposta a gastar tempo com Deus. É preciso permanecer na presença dele todo o tempo. Conversar com ele todo o tempo: falar com franqueza e ouvir com singeleza e humildade.

• Sem oração, nosso destino será o aqui e agora, não a eternidade;
• Sem oração, nosso destino será a humanidade decaída, não a imagem de Cristo;
• Sem oração nosso destino será a canseira do esforço humano, não o poder sobrenatural de Deus;
• Sem oração, nosso destino será a solidão no meio da multidão, não a o aconchego da solitude;
• Sem oração, nosso destino será guerrear com tudo e todos, não a paz que excede todo o entendimento.

A oração faz parte de sua vida? Se não, você precisa experimentá-la!
Há algo maravilhoso na oração: você pode orar o tempo todo e em todo lugar. Ninguém pode impedi-lo de orar, ninguém pode controlar, censurar ou analisar sua oração. Oração é uma conversa particular entre você e o seu Deus.

A oração pode nascer no meio do perigo de um assalto, como um grito de socorro, ou pode surgir no choro da madrugada, quando ninguém mais ouve você. A oração pode ser um ato de gratidão pelo pão de cada dia e pelo teto sobre a cabeça ou mesmo um resmungo de dúvida e questionamento diante da doença sem cura ou da morte de uma criança.

Tudo na vida merece uma oração; porque Deus está interessado em nos ensinar sobre a vida que ele nos deu. Aqui há uma chave: só há espaço para a oração quando cremos em Deus e desejam conhecê-lo melhor.

Hoje há muita confusão sobre oração.

Desejar a um amigo sucesso em uma cirurgia, não é orar por ele; orar é pedir a Deus que guie os médicos e cuide da saúde do seu amigo.

Alegrar-se com o sucesso de um filho que passou no vestibular não é orar; orar e agradecer a Deus por ter levado paz ao coração dele, permitindo assim que ele fizesse uma boa prova.

Afirmar que aquele colega de trabalho não vai conseguir realizar uma maldade contra você porque você é filho do Rei não é orar; orar é clamar a Deus que proteja sua vida e sua família do mal e que Ele tenha misericórdia daquele que está desejando o seu mal.

Orar é expressar a nossa dependência de Deus. Orar não é uma afirmação da nossa capacidade, da nossa bondade, do merecimento ou dos nossos desejos.
Não devemos ser como os hipócritas

(5) Quando orarem, não devem ser como os hipócritas, que se mostram piedosos, orando publicamente às esquinas das ruas e nas sinagogas, onde toda a gente os pode observar. Na verdade, já receberam a sua recompensa. (6) Mas tu, quando orares, fecha-te em casa, e ora secretamente ao teu Pai, e ele, que conhece os teus segredos, te dará o galardão.


Mas quem são os hipócritas?
ὑποκριτής hupokritēs hoop-ok-ree-tace'

A palavra que Jesus usou e que foi traduzida como hipócrita, era usada também para falar dos atores, que desempenhavam um determinado papel.

Hipócritas eram aqueles que se apresentavam para as pessoas como um personagem que na verdade não era ele. Os hipócritas viviam uma espécie de farsa, já que o seu verdadeiro modo de pensar e agir não era aquele que ele mostrava para as pessoas. O hipócrita era na verdade uma outra pessoa.

Ao orarmos, portanto, não devemos ser como os hipócritas. Não devemos tentar parecer que somos o que não somos. Não devemos tentar impressionar as pessoas com palavras bonitas ou com gestos majestosos, quando na verdade estamos precisando chorar a nossa dor no ombro de alguém.

Ao orarmos, não devemos ser como os hipócritas. Não devemos tentar apresentar para Deus um personagem diferente de quem somos. Não é preciso fazer uma encenação para Ele, porque o Senhor sabe exatamente quem somos.

Ao orarmos, não devemos tornar nossas orações em um meio de obter reconhecimento sobre nossa espiritualidade. Sua intimidade como Deus não precisa ser motivo de conversa e bate-papo entre outras pessoas.
Quer dizer que agora não podemos mais orar em público? Não! Quer dizer que aqueles homem, orando publicamente, caíram em uma tipo de armadilha que fazem para si mesmos aqueles que buscam reconhecimento nas palavras de elogio das pessoas, em vez de aguardar o reconhecimento do Pai.

Assim como acontece com aqueles que tocam trombeta diante de si quando vão socorrer o pobre e necessitado, as pessoas que usam seu relacionamento como Deus para serem reconhecidos como homens e mulheres espirituais também já receberam sua recompensa.

Em vez disso, o Senhor nos convida a sermos discretos quando o assunto é a nossa caminhada de intimidade com o Ele.

Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. (Mat 6:6 ARA)

E da mesma maneira que aqueles que socorrem os pobres e necessitados de forma discreta serão vistos e recompensados pelo Senhor, também aqueles que não fazem alarde de suas lutas de oração, que são silenciosos sobre suas madrugadas de intercessão também serão ouvidos e receberão do Pai a justa recompensa.

Não devemos repetir nossas orações

Não recitem a mesma oração uma vez, e outra, e outra, como os pagãos fazem, julgando que as orações são mais atendidas pela sua repetição constante. Lembrem-se de que o vosso Pai bem sabe aquilo de que necessitam ainda antes de lho pedirem! (Mateus 6:7,8 – OL)

Talvez você pensasse que essa coisa de repetir a mesma oração o tempo todo fosse algo inventado recentemente. Aliás, eu fico impressionado com o sujeito que é capaz de repetir a mesma frase 20 ou 30 vezes e consegue fazer uma entonação diferente a cada vez.

A repetição de orações parece que está entranhada na natureza humana. Por que as pessoas repetem a mesma oração dezenas, centenas de vezes até? Não precisamos ir muito longe para entender o porquê, Jesus mesmo explica essa questão.

As orações são repetidas por causa do entendimento errado de que Deus possa ser pressionado ou sensibilizado com a insistência de algumas frases, repetidas um sem número de vezes. Além disso, quem repete sua oração uma vez após outra não está tentando se relacionar com Deus. Na verdade faz assim não está orando, porque repetir a mesma coisa dezenas de vezes não é uma conversa; e orar é conversar.

As rezas repetidas têm sua origem nos mantras pagãos que tinham o propósito de coagir os deuses e arrancar deles o favor desejado.

Mas o nosso Deus não é assim. Jesus afirma que Deus é um pai amoroso e atento. Ele tanto sabe quais são as necessidades de seus filhos antes que eles peçam quanto tem o desejo de atendê-las. Por isso, a oração não deve se tornar em um instrumento de ameaça contra Deus.

Quer dizer que não posso pedir algo a Deus mais de uma vez ou agradecer o amor dele por mim cada vez que eu me lembrar? É claro que não é isso.

O desafio é não permitir que a oração sejam mecanizada, e em vez disso, desenvolver um relacionamento com Deus. Ninguém senta ao lado de um amigo e repete a mesma frase dezenas de vezes. No entanto, é comum aos amigos conversarem sobre o mesmo assunto várias vezes.

Oração não é repetição. Oração é conversação.

Jejum

Quando jejuarem, não o façam publicamente como os hipócritas, que procuram parecer abatidos para despertar admiração. Verdadeiramente, essa é a única recompensa que receberão. Mas apresentem-se o melhor possível, de tal modo que ninguém desconfie de que não ingeriram alimentos, sabendo-o apenas o vosso Pai, que conhece todos os segredos. Ele vos recompensará. (Mateus 6:16-18)

As palavras de Jesus nos deixam entender que também o jejum faz parte das disciplinas espirituais dos cristãos. Dentre as disciplinas espirituais, talvez, essa seja uma das menos lembradas em nossos dias.

O jejum bíblico é abster-se de alimentação por um tempo com propósitos espirituais. A abstenção de alimentos pode ter outros propósitos, mas nesses casos não estaríamos falando do jejum bíblico: a abstenção de alimentos com propósito físicos é conhecido como regime ou dieta; a abstenção de alimentos com propósitos políticos é a greve de fome.

No antigo testamento, não há leis sobre o jejum. Também não há uma ordem direta de Jesus ou dos apóstolos para que ele seja praticado, no entanto, ao explicar a forma de fazê-lo, Jesus considera que o jejum é uma parte natural da vida de devoção daquele que busca a Deus.

A vida de muitos dos grandes personagens bíblicos foi marcada pelo Jejum. Deus não ordena ou pede jejuns, mas no decorrer da história, homens e mulheres que viveram em busca de Deus praticaram o jejum de forma voluntária.

Davi
Buscou Davi a Deus pela criança; jejuou Davi e, vindo, passou a noite prostrado em terra. (2 Samuel 12:16)

Esdras
Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e ele nos atendeu. (Esdras 8:23)

Neemias
Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus. (Neemias 1:4)

Ester
Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci. (Ester 4:16)

Daniel
Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. (Daniel 9:3)

Jesus
E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. (Mateus 4:2)

Paulo
...nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, (2 Coríntios 6:5)

O jejum não é uma fórmula mágica ou um ritual para se obter coisas, mas um meio de nos aproximarmos mais de Deus. O jejum é a abstenção voluntária do alimento que sustenta a vida do corpo. Portanto, quem jejua está afirmando duas coisas: primeiro, que confia em Deus para ser o sustento da sua vida; segundo, que está disposto a abrir mão do prazer deste mundo para encontra sentido para a vida em Deus.

• Jesus jejuou quando foi tentado no deserto. (Mateus 4:2)
• Jesus prometeu que o Pai abençoaria o jejum. (Mateus 6:17-18)
• Jesus disse que seus discípulos jejuariam. (Mateus 9:14-15)
• O jejum é necessário para vencer algumas forças demoníacas. (Mateus 17:21)
• Jejuar fez parte do serviço [prestado por] Ana a Deus. (Lucas 2:37)
• O jejum fez parte do ministério dos servos [de Cristo] em Antioquia. (Atos 13:2)
• A ordenação [de pastores] era acompanhada por jejum. (Atos 13:3, 14:23)
• O jejum e a oração são a única razão adequada para a abstinência no relacionamento conjugal. (1 Coríntios 7:5)
• O jejum foi um modo como Paulo validou o seu ministério. (2 Coríntios 6:5)
• Paulo jejuava com freqüência. (2 Coríntios 11:27)

O jejum não é para quem jejua ou para demonstração de espiritualidade para outras pessoas. O jejum é para Deus. É uma declaração de amor e confiança Nele.

Foi por isso que Jesus afirmou que o verdadeiro jejum não poderia ser motivo para contar vantagens espirituais. Aqueles que praticam o verdadeiro jejum não devem fazer pose de abatidos e enfraquecidos para em seguida ganhar elogios dos outros.

Quem pratica o jejum bíblico, não tenta parecer espiritual para os outros porque está jejuando. Porque aquele que deseja receber sua recompensa dos homens, será recompensado apenas pelos homens.

Conclusão

Três disciplinas espirituais que precisam fazer parte de sua vida: socorro aos pobres e necessitados, oração e jejum. Esses são alguns dos ensinos práticos que Jesus deixou. Você começará essa semana com um desafio: encontrar uma forma de praticar essas disciplinas espirituais no seu dia-a-dia.

Peça ao Espírito de Deus que o ajude a praticar os ensinos de Cristo. Essa é uma decisão digna de um cristão, um seguidor de Jesus.

Peça que Deus lhe traga à memória o ensino de Jesus sobre essas disciplinas sempre que isso for necessário. Coloque-se a disposição para aprender a praticar essas disciplinas.

Acredite que praticar o ensino de Cristo lhe causará bem, e não mal. Confie nas palavras Dele. Ele o abençoará agora e na eternidade.

Lembrando a história do menino e a festa de aniversário: é melhor aguardar o presente especial do nosso Pai Celeste, que receber balas e doces dos convidados da festa.
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