09 outubro 2016

Escola Bíblica - Um por todos, todos por um - Sujeitando-nos uns aos outros


Sujeitando-nos uns aos outros
21 Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo. Ef 5.21

O conceito de submissão é usado por muitos escritores bíblicos para descrever uma variedade de comportamentos cristãos. Paulo advertiu a todos os cristãos (homens e mulheres) que se sujeitem uns aos outros (Ef 5.21). Como assim? Seria colocar essa proposta de Paulo em prática?

O modo mais comum que conhecemos para lidar com autoridade e submissão é a cadeia de autoridade que é, por excelência, a prática adotada pelos militares. Nesse modo de ver cada pessoa está submetida a autoridades superiores e exerce autoridade sobre quem está nos andares de baixo. As empresas também adotam essa prática e estabelecem um organograma no qual fica claro quem tem autoridade sobre quem e a quem cada um deve prestar contas de seu serviço.

Embora seja repudiada por muita gente, a cadeia de autoridade explica várias coisas a respeito do mundo espiritual e, aqui entre nós, faz os processos corriqueiros acontecerem de forma efetiva, por meio da obediência e prestação de contas à autoridade superior.

No entanto, esse conceito de submissão mútua proposto pelo apóstolo Paulo é muito mais arrojado do que os arranjos que estamos acostumados ao lidarmos com autoridade e submissão. O desafio que ele faz é de que todos se sujeitem uns aos outros. Isso é possível? Não seria o caos?

O paradigma que nos faz pensar ser impossível isso funcionar é aquele apresentado por Jesus aos seus discípulos:

25 Mas Jesus os chamou e disse: “Vocês sabem que os governadores desse mundo dominam o seu povo, e os oficiais usam a sua autoridade sobre eles. Mt 20.25

Se liderar ou exercer autoridade é uma forma dominação, como é possível que todos se sujeitem uns aos outros? A dominação só funciona em única direção, normalmente de cima para baixo. Neste paradigma, sempre que falamos de autoridade e submissão, as imagens que nos vem à mente é dominação, controle e opressão.

As dificuldades mais comuns que enfrentamos para colocar em prática a mútua submissão proposta pelas Escrituras é nossa insistência em manter esse paradigma denunciado por Jesus. Daí surgem situações como as seguintes:

  1. O abuso da posição de autoridade para dominar e forçar as pessoas a serem subservientes, a fim de atingir seus próprios objetivos.
  2. O entendimento equivocado por parte de alguns homens a respeito do exercício de sua liderança na família.
  3. A distorção das Escrituras como forma de justificar e validar posturas imaturas, egoístas e agressivas.
  4. A violação de limites em relação à consciência dos irmãos sob o pretexto de autoridade espiritual sobre suas vidas.


Jesus, no entanto, propôs um outro modelo. Ele apresentou um novo paradigma para o binômio autoridade (liderança) e submissão. O modelo é ele mesmo.

26 Mas não deve ser assim entre vocês. Quem quiser ser um líder entre vocês, tem que ser servo de todos, 27 e quem quiser ser o primeiro entre vocês, tem que se tornar seu escravo. 28 Assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. Mt 20.25

Jesus propõe que autoridade (liderança) seja exercida com o propósito de servir e não de dominar. Desta forma, quem estiver investido de alguma autoridade de se revestir de um espírito de serviço. A autoridade, portanto, deixa de ser o poder para fazer a própria vontade e se transforma na disposição para servir aos outros em suas necessidades. A referência para esse novo modelo é próprio Jesus.

O ponto de partida para essa mudança de paradigma é a liderança da igreja. Quando os líderes desenvolvem a visão da liderança como serviço o caminho é preparado para que o restante da congregação aprenda a reconhecer esse novo padrão como um presente de Deus para a vida da igreja.

Além da visão de liderança como serviço, outra chave para a mútua submissão é compreender que ela não funciona como uma linha hierárquica onde uns são superiores aos outros. A mútua submissão é funcional, isto é, a depender da parte do corpo que está atuando a autoridade muda de lugar e de pessoa. Nesse modelo, o objetivo da autoridade não é dizer quem é superior ou mais importante, mas suprir cada membro do corpo de tudo o que ele precisa, usando para isso os dons e as habilidades que cada um recebeu.

Assim a autoridade (liderança) está sempre em movimento e não pertence de forma definitiva a ninguém. Além disso não há ninguém que tenha a palavra final sobre tudo, porque a ninguém foi concedida essa condição, senão a Jesus o cabeça da Igreja. No entanto, todos estamos permanentemente sob a autoridade de alguém, de maneira que ninguém é livre para fazer o que bem entender, devendo sempre prestar contas de sua caminhada a alguém.


Outro aspecto desse modelo de mútua submissão é que ele repleto de ressalvas e condições, de maneira que o exercício da autoridade é sempre limitado pelo serviço em amor. Há quem não compreenda esse modelo de freios e contrapesos e encontre nele motivos para contradições, mas, na verdade, trata-se do cuidado do Espírito Santo de Deus com a Igreja do Senhor:

17 Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês. Hb 13.17
2 Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. 3 Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. 1 Pe 5.2,3
22 Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor, 23 pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. 24 Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos. Ef 5.22-24

25 Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela 26 para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, 27 e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. 28 Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Ef 5. 25-28
1 Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. 2 "Honra teu pai e tua mãe", este é o primeiro mandamento com promessa: 3 "para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra". Ef 6.1-3
4 Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor. Ef 6.4
5 Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a Cristo. 6 Obedeçam-lhes não apenas para agradá-los quando eles os observam, mas como escravos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus. 7 Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como ao Senhor, e não aos homens, 8 porque vocês sabem que o Senhor recompensará a cada um pelo bem que praticar, seja escravo, seja livre. Ef 6.5-8
9 Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma. Não os ameacem, uma vez que vocês sabem que o Senhor deles e de vocês está nos céus, e ele não faz diferença entre as pessoas. Ef 6.9

1 Senhores, dêem aos seus escravos o que é justo e direito, sabendo que vocês também têm um Senhor no céu. Cl 3.21

1 Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. 5 Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. 7 Dêem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra. Rm 13. 1,5,7

1 Pe 13-17
9 Ouçam isto, vocês que são chefes da descendência de Jacó, governantes da nação de Israel, que detestam a justiça e pervertem tudo o que é justo; 10 que constroem Sião com derramamento de sangue, e Jerusalém com impiedade. 11 Seus líderes julgam a troco de suborno, seus sacerdotes ensinam por lucro, e seus profetas adivinham em troca de prata. E ainda se apóiam no Senhor, dizendo: "O Senhor está no meio de nós. Nenhuma desgraça vai nos acontecer". 12 Por isso, por causa de vocês, Sião será arada como um campo, Jerusalém se tornará um monte de entulho, e a colina do templo, um matagal. Mq 3. 9-12


Adaptação a partir do capítulo 11 – Sujeitando-nos uns aos outros – do livro Um por todos, todos por um, escrito por Gene Getz Traduzido por Ana Vitória Esteves de Souza e publicado pela Editora Textus – Rio de Janeiro. Versões da Bíblia: OL – O Livro, BV – Bíblia Viva, NVI – Nova Versão Internacional
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