30 outubro 2010

Nossa identidade em Cristo 1


3  Não estamos a salvo das garras do pecado só pelo fato de conhecermos os mandamentos de Deus, pois não podemos guardá-los e não os guardamos, mas Deus pôs em ação um plano diferente a fim de nos salvar. Enviou seu próprio Filho, em corpo humano como o nosso - com a exceção de que o nosso é pecador - e destruiu o controle do pecado sobre nós, dando-Se a Si mesmo como sacrifício por nossos pecados. Rom 8:3 BV

1)   Saber qual é a vontade de Deus não salva do pecado

o   Saber que Deus abomina a mentira não faz alguém dizer a verdade;
o   Saber que Deus se alegra com a fidelidade não faz alguém ser leal com sua esposa/esposo;
o   Saber que Deus deseja que nos amemos não torna alguém amoroso.

O problema, então, não é apenas a falta de conhecimento a respeito da vontade de Deus. Encher a mente de conhecimento, mesmo que sejo o conhecimento sobre o desejo de Deus para nós, não é eficaz contra as inclinações destrutivas do coração humano.


Quando achamos que o único problema é porque as pessoas ainda não sabem qual é a vontade de Deus, (1) corremos para explicar às pessoas qual é modo de vida que Deus deseja, (2) depois pedimos que elas vivam conforme algumas regras e (3) condenamos aqueles que não vivem.

Quando achamos que o único problema é porque as pessoas não sabem qual é a vontade de Deus, somos incapazes de lidar com as incoerências e incongruências de quem se diz seguidor de Jesus, mas não esconde sua imperfeições. Apenas saber qual é a vontade de Deus não resolve!

2)  Por nossa conta não temos como atender ao desejo de Deus

O que nos faz pessoas incapazes de atender o desejo de Deus?

·        Porque, se você sabe que a verdade é melhor, continua mentindo?
·        Porque, se você sabe que a fidelidade resulta no bem, continua sendo infiel mesmo sabendo que resulta no mal?
·        Porque, se você sabe que o amor é melhor que ódio, continua nutrindo o ódio do seu coração?

O que nos torna pessoas..

*    Com pensamentos impuros e ansiosos por prazer carnal;
*    Cheias de ódio e disputa, ciúme e ira;
*    Cujo esforço constante é para conseguir o melhor para si próprio;
*    Repletas de queixas e críticas; com o sentimento de que todo mundo esta errado, menos aqueles que são do nosso próprio grupinho;
*    Dominadas pela  inveja, capazes de matar, tomadas pela embriaguez e promotoras de divisões ferozes e toda essa espécie de coisas.

*    Que fazem mais coisas erradas do que certas;
*    Cuja boca é capaz de dizer coisas atrozes e terríveis;
*    Cheias de mentiras e que usam as palavras como ferrão e o veneno;
*    Repletas de maldição e de amargura;
*    Prontos para matar, odiando qualquer um que não concorde conosco;
*    Que deixam a miséria e o transtorno atrás de si, por onde quer que vão;
*    Que não sabem o que é sentir-se seguro e desfrutar as bênçãos de Deus.

Talvez, você se identifique com o testemunho de um dos seguidores de Jesus do primeiro século que refletiu sobre essa nossa incapacidade de, por nossa conta, atender ao desejo de Deus para nós.

15  Não me compreendo de modo algum, pois realmente quero fazer o que é correto, porém não consigo. Faço, sim, aquilo que eu não quero - aquilo que eu odeio. 16  Eu sei perfeitamente que o que estou fazendo está errado, e a minha consciência má prova que eu concordo com essas leis que estou quebrando. 17  No entanto, não o posso evitar por mim mesmo, porque já não sou eu que estou fazendo. É o pecado dentro de mim, que é mais forte do que eu e me obriga a fazer tais coisas ruins.
18  Eu sei que estou completamente corrompido no que diz respeito à minha velha natureza pecaminosa. Seja para que lado for que eu me volte, não consigo fazer o bem. Quero, sim, mas não consigo. 19  Quando quero fazer o bem, não faço; e quando procuro não errar, mesmo assim eu erro. 20  Agora, se estou fazendo aquilo que não quero, é simples dizer onde a dificuldade está: o pecado ainda me retém entre suas garras malignas.
21  Parece um fato da vida que, quando quero fazer o que é correto, faço inevitavelmente o que está errado, 22  Quanto à minha nova natureza, eu gosto de fazer a vontade de Deus; 23  Contudo existe alguma coisa bem no meu íntimo, lá em minha natureza inferior, que está em guerra com a minha mente e ganha a luta, fazendo-me escravo do pecado que ainda está dentro de mim: Em minha mente desejo de bom grado ser um servo de Deus, mas, em vez disso, vejo-me ainda escravizado ao pecado.
Assim, vocês podem ver como isto é: minha nova vida manda-me fazer o que é correto, porém a velha natureza que ainda está dentro de mim gosta de pecar. 24  Que situação terrível, esta em que eu estou! Quem é que me livrará da minha escravidão a essa mortífera natureza inferior? Rom 7:15-24ª (BV) 

Paulo reconhece que há uma luta acontecendo em sua mente e alma. Ele sabe qual é a vontade de Deus, ele gosta da vontade de Deus, mas ele não consegue atender a essa vontade. Paulo chama essa força de natureza inferior, uma velha natureza que tem prazer em rejeitar a vontade de Deus.

De onde vem essa velha natureza?

12  Quando Adão pecou, o pecado entrou na raça humana inteira. O pecado dele espalhou a morte pelo mundo todo, de modo que todas as coisas começaram a envelhecer e morrer, porque todos pecaram, 13  ( Sabemos que foi o pecado de Adão que ocasionou isso ) porque embora, naturalmente, as pessoas pecassem desde o tempo de Adão até Moisés Deus não as julgou culpadas de morte, naqueles tempos, por quebrarem suas leis pois Ele ainda não lhes dera suas leis, nem lhes dissera o que desejava que elas fizessem.

14  Então, quando seus corpos morriam, não era por causa dos seus próprios pecados, visto que eles mesmos nunca haviam desobedecido à lei especial de Deus que ordenava não comer do fruto proibido, tal como Adão tinha feito. (...) 15  Pois este único homem, Adão, trouxe a morte para muitos por meio do seu pecado (...).:16  Esse único pecado de Adão trouxe a pena de morte para muitos (...). 17  O pecado deste único homem, Adão, fez com que a morte reinasse sobre todos (...). 18  Sim, o pecado de Adão trouxe o castigo para todos (...). 19  Adão fez que muitos fossem pecadores porque ele desobedeceu a Deus (...).Rom 5:12-21 

Essa velha natureza, que tem prazer em rejeitar a vontade de Deus, é o resultado em que nós nos transformamos depois de sermos infectados por um virus mortífero.

A raça humana foi contaminada pelo virus chamado desconfiança que encontrou uma porta de entrada através de um homem chamado Adão e se espalhou por toda a humanidade. Esse virus encontrou um ambiente favorável para se desenvolver na mente e na alma de Adão e produziu uma infecção chamada desobediência, que leva à morte.

A desconfiança a respeito de quem Deus é: (1) se Ele é bom ou não, (2) se Ele é confiável ou não, (3) se Ele é poderoso ou não, (4) se Ele é egoísta ou amoroso, (5) Ele quer nosso bem ou nos fazer sofrer... A desconfiança a respeito de quem Deus é, é o que nos afasta Dele e nos leva a agir por conta própria.

Longe de Deus tudo perde o sentido. Longe de Deus a natureza humana perde o referencial e se corrompe. Longe Dele a vida soprada por Deus em nós vai envelhecendo, se tornando amarga, amargurada, temerosa, agressiva, insegura, racorosa, egoísta... uma natureza envelhecida, uma velha natureza incapaz de atender a vontade de Deus, que se nega a reconhecer que tem um Pai e que o seu estado atual resultado da sua distância do Pai.

3)  Deus pôs em ação um plano diferente

Ora, como apenas saber qual é a vontade de Deus não foi suficiente para mudar a inclinação do nosso coração – a prova disso é o fracasso da humanidade em fazer aquilo que sabemos que é certo – Deus colocou em ação um plano diferente para nos resgatar, nos libertando do poder dessa velha natureza que habita em nós.

Enviou seu próprio Filho, em corpo humano como o nosso - com a exceção de que o nosso é pecador - e destruiu o controle do pecado sobre nós, Rom 8:3 BV

Diante da nossa incapacidade em vencer essa velha natureza que nos afasta Dele e sabendo que o resultado de seguirmos essa velha natureza seria a nossa separação definitiva Dele, o Deus trino, decidiu que na época oportuna o Filho se faria gente, isto é, assumiria a forma humana para destruir o controle dessa velha natureza pecaminosa (abreviadamente chamada de pecado) sobre nós.

Como o poder dessa velha natureza poderia ser quebrado?

...dando-Se a Si mesmo como sacrifício por nossos pecados. Rom 8:3 BV

Onde está o poder da velha natureza? Ela se fortalece se alimentado da nossa desconfiança de Deus. Quanto mais fragil a nossa fé, quanto mais fraca nossa confiança em Deus, mais forte e poderosa será a velha natureza.

Quanto menos você confiar que Deus suprirá suas necessidades, mais você viverá ansioso por exemplo, sobre o seu trabalho: o chefe, a promoção, a comissão, os concorrente, os clientes, o salário,  

Você pode virar puxa-saco do chefe ou tramar um motim para derrubá-lo
Você pode ser traiçoeiro com os colegas de trabalho para ser promovido
Você pode decidir falsificar os relatórios para receber uma comissão maior
Você pode resolver espalhar boatos mentirosos contra os concorrentes
Você pode manipular os clintes para comprar o que você quer vender
Você pode se tornar em um chato que reclama o tempo todo do salário que tem

A velha natureza encontrou força em sua insegurança quanto ao caráter de Deus... sua dúvidas se ele realmente cumprirá às promessas que fez, de que não desamparará os seus. Sua desconfiança sobre Deus a fortaleceu.

A questão é: que plano diferente é esse que Deus pôs em prática? Como a vinda de Jesus destruíu o poder dessa velha natureza pecaminosa? O que é que Ele fez que vai contra essa natureza inferior, que habita em nós e teima em tentar nos dominar e arrastar para longe de Deus?

Primeiro: Ele autolimitou-se, abrindo mão temporariamente dos poderes de sua natureza divina.

5  Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, 6  que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;  7  mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.  8  E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Flp 2:5-8 NVI 

E o que isso tem a ver com os poderes da velha natureza? É que ao deixar de lado seu imenso poder e sua glória, Jesus estava afirmando sua confiança no Pai e dando um duro golpe na velha natureza humana, que se alimenta da desconfiança em Deus.

Segundo: Ele viveu a vida experimentando confiar no Pai e aprendendo a obediência como fruto da confiança.

7  Ainda mais, enquanto estava aqui na terra, Cristo suplicou a Deus, orando com lágrimas e agonia de alma ao único que O salvaria da morte ( prematura ). E Deus ouviu as orações dele por causa do seu intenso desejo de obedecer a Deus em todos os momentos. 8  E embora Jesus fosse o Filho de Deus, teve de aprender por experiência própria o que era obedecer, quando a obediência significa sofrimento. 9  Foi depois desta experiência, quando Ele provou que era perfeito, que Jesus se tornou o doador da salvação eterna a todos os que Lhe obedecem. Heb 5:7-9  (BV)

Essa é uma passagem reveladora, porque mostra que o plano diferente que Deus pôs em prática, diante do nosso fracasso em atender a vontade Dele, dependia de que Cristo confiasse de forma tão completa no Pai que estivesse disposto a obedecer, mesmo se essa obediência significasse sofrimento.

E foi isso que Jesus fez. Confiou mesmo quando o preço da confiança era o sofrimento.

Terceiro: Essa confiança irrestrita O levou a ser desprezado, ridicularizado, criticado, incompreendido, acusado, injustiçado, aprisionado, espancado e morto de forma humilhante em um cruz.

Diante da nossa incapacidade comprovade de vencer nossa velha natureza pecaminosa, e diante do fim inexorável de todos aqueles que, vencidos por essa velha natureza, afastam-se definitivamente do Pai, Cristo se ofereceu para viver esta terrível experiência em nosso lugar.

...dando-Se a Si mesmo como sacrifício por nossos pecados. Rom 8:3 BV

Na cruz ele gritou em agonia: Pai, pai, porque me desamparaste?

Ele não merecia a experiência do desamparo. Ele não havia confiado irrestritamente no Pai. Ele obecedeu até à morte. Mas ele decidiou que sofreria o dano em nosso lugar para que a Velha Natureza Pecaminosa não tivesse mais nenhum direito sobre nós.

Quero concluir lendo novamente o texto de

Eis aqui o contraste entre Adão e Cristo, que ainda estava para vir. 15  E também a diferença entre o pecado do homem e o perdão de Deus: Pois este único homem, Adão, trouxe a morte para muitos por meio do seu pecado, Porém este outro homem, Jesus Cristo, trouxe perdão para muitos por meio da misericórdia divina. 16  Esse único pecado de Adão trouxe a pena de morte para muitos, enquanto que Cristo tira de graça os muitos pecados, e oferece em seu lugar uma vida gloriosa. 17  O pecado deste único homem, Adão, fez com que a morte reinasse sobre todos, porém todos quantos receberam o presente divino de perdão e absolvição reinarão em vida, por causa deste único homem, Jesus Cristo. 18  Sim, o pecado de Adão trouxe o castigo para todos, mas o ato de retidão de Cristo faz com que os homens sejam retos para com Deus, para que possam viver. 19  Adão fez que muitos fossem pecadores porque ele desobedeceu a Deus, e Cristo fez que muitos fossem aceitos por Deus porque Ele obedeceu. Rom 5:14b-19

  
Conclusão

Nossa identidade em Cristo está ancorada em quem ele é no que ele fez.

Nossa identidade passa (1) pela aceitação de que não temos controle por nós mesmos sobre nossa natureza pecaminosa, (2) pelo entendimento de que se nada for feito a esse respeito seremos arrastados por ela para longe de Deus, e (3) pela decisão de aceitar aquilo que Cristo fez na Cruz, entregando-se a si mesmo para experimentar no seu lugar o desamparo e a distância do Pai.

Sem isso, não o que falar em identidade em Cristo.
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