28 fevereiro 2016

A consciência do Corpo de Cristo


A consciência do Corpo de Cristo
Comunidade Batista Mangabeira 4 - João Pessoa/PB - Escola Bíblica  21 e 28/02 e 06/03/2016

Introdução

A mesma vida de Deus, que nos torna cônscios de que fomos regenerados, por meio da presença do Espírito de Deus em nós, também é responsável por nos tornar parte do Corpo de Cristo.

Temos convicção desse mergulho no Corpo de Cristo por meio da fé naquilo que nos apresentam as Escrituras. Mas como perceber quando isso aconteceu? Isto é, quais são os sinais externos na vida de uma pessoa que é parte da Igreja de Jesus?

Os seis indicadores que veremos a seguir não são exaustivos nem devem ser usados como instrumentos de acusação, seja contra nós mesmos ou contra outras pessoas. Mas eles são boas referências sobre a quantas anda nossa caminhada com Cristo. Portanto, antes serem vistos como dedos apontados para alguém, devem ser vistos como mãos estendidas, convocando para experimentarmos a igreja em sua plenitude.
  

1.   Amar os irmãos

Esse é o primeiro e mais básico sinal externo de quem é parte do Corpo de Cristo. O Apóstolo João foi direto e contundente em relação a isso:

14 Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. 1 Jo 3.14 (NVI)

Naqueles que nasceram de novo o amor pelo irmão é algo inerente a sua nova natureza. O amor pelos irmãos e resultado da vida do Pai que habita em nós. É uma profunda identificação com aqueles que foram gerados pelo mesmo Espírito.

Esse amor nasce no interior habitado pelo Espírito. Não há como força-lo de fora para dentro. Ele é o transbordar do amor de Deus em nós. Portanto, não pode ser fabricado ou criado por eventos e programas religiosos.

Devemos nos encorajar mutuamente ao amor por nossos irmãos, mas isso não o produz em nós; tão somente nos incentiva a experimentar o amor que já foi colocado em nós quando fomos feitos filhos de Deus.

À medida que identificamos em alguém a mesma vida de Deus, o amor plantado em nós deseja florescer. Muitos têm experimentado que, em cidade diferente daquela em que moram, a companhia de irmãos que nem conheciam antes os faz sentir-se em família e provoque o amor por esses filhos de Deus.

O Apóstolo João narra uma explicação de Jesus sobre o amor que pode nos ajudar a esclarece um pouco mais quanto a que tipo de amor estamos falando.

12 O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. 13 Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos. João 15.12,13

Quando falamos de amar o irmão, não estamos dizendo necessariamente que isso é ser simpático, agradável e cortês. Essas atitudes fazem parte de uma boa educação e qualquer pessoa pode agir assim. O amor a que somos chamados pelo evangelho é aquele de quem está disposto (e na verdade o faz) a gastar (ou investir) sua vida (psique) em prol da outra pessoa.

Amar, portanto, não é concordar sempre com o irmão, mas estar disposto a gastar-se para que ele seja uma pessoa melhor (inclusive melhor que você). Isso significa, entre outras coisas, compromisso de:

        (1)          Diálogo permanente,
        (2)          Confrontação amorosa e
        (3)          Perdão sem barreiras.


2.   Manter a unidade

Outro sinal externo de que alguém é parte do Corpo de Cristo é o desejo intenso do seu coração de que não haja divisão ou separação entre os filhos de Deus.

Alguém que é parte do Corpo resiste até às últimas consequências antes de ver a unidade da Igreja ser rompida. Divisões e partidarismos são atitudes que deixam aqueles que nasceram de novo abatidos e entristecidos.

Em sua oração sacerdotal, Jesus intercedeu por essa unidade com palavras que apontam para o impacto dessa unidade inclusive sobre os que estão fora da igreja


20 "Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, 21 para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

22 Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: 23 eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.

A unidade que Jesus deseja para sua igreja é semelhante àquela que existe entre ele e o Pai. No nosso caso, ela decorre do fato de que fomos gerados pelo mesmo Espírito e agora estamos conectados uns aos outros por causa da vida de Cristo que habita em nós e passa, através de nós, de uns para com os outros.

Essa unidade é tão poderosa que céus e terra, quando testemunharem, serão obrigados a reconhecer que Jesus é o messias (enviado) de Deus e que o amor de Deus por nós é uma realidade irrefutável. Assim, quem se percebe conectado ao Corpo de Cristo não vê sentido em atitudes como as listadas a seguir e as rejeita em sua própria vida.

Sectarismo:
(1)          Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefas. (1 Cor 3.4)

Individualismo:
(1)          Oração por si mesmo – incapacidade de ouvir e acompanhar a oração dos irmãos;
(2)          Não há movimentos interiores pela oração dos irmãos;
(3)          Está limitado ao seu próprio ego – vai ao culto para desabafar o que está dentro de si;
(4)          Fala animadamente sobre a própria vida, mas tem pouco interesse na vida dos irmãos.

Panelinha:
(1)          Preferência por alguns e desprezo dos demais;
(2)          Valoriza as afinidades e se irrita com as diferenças.


Na verdade, as Escrituras parecem deixar bem claro que não podemos produzir unidade, já que ela decorrer dos vínculos que recebemos de nossa nova natureza, mas podemos e devemos nos esforçar para preservar essa unidade. Veja o que diz Paulo:

1 Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. 2 Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. 3 Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Ef 4.1-3 (NVI)
  
3.   Libertar-se do trabalho independente

Ao nos percebermos parte integrante do Corpo de Cristo, fica claro que é mais importante o cumprimento da missão dada ao Corpo do que o reconhecimento de que fomos nós a fazer determinada tarefas.

Na verdade, não faz diferença quem realizou o que; o importante é que a obra seja realizada. A participação de cada membro do corpo, portanto não pode ser a tentativa de afirmar-se como um grande realizado, mas tão somente a singela contribuição de um dos muitos membros que formam o Corpo. Veja o que Paulo fala sobre isso:

14 O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos. 15 Se o pé disser: "Porque não sou mão, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo. 16 E se o ouvido disser: "Porque não sou olho, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo. 17 Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18 De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade. 19 Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20 Assim, há muitos membros, mas um só corpo. 21 O olho não pode dizer à mão: "Não preciso de você! " Nem a cabeça pode dizer aos pés: "Não preciso de vocês! " 1 Cor 12.14-21 (NVI)

Vejamos alguns sinais de trabalho independente:

(1)          Pensar que tudo o que você faz tem valor espiritual superior àquilo que os demais irmãos fazem;
(2)          Agir como se não precisasse dos demais irmãos nem da convivência com eles para realizar a vocação de Deus para sua vida;
(3)          Sentir-se demasiadamente triste quando os resultados de suas atividades não são bons ou demasiadamente feliz consigo mesmo quando os resultados são bons;
(4)          Desejar monopolizar algum aspecto da obra, impedindo ou tentando impedir outros irmãos de cooperarem nas tarefas a serem realizadas;
(5)          Sentir que a igreja depende de você para avançar na obra de Deus.

Aqueles que discernem de forma apropriada o Corpo de Cristo são avessos a essas coisas. Percebem que o Corpo é feito de muitos membros e reconhecem nos irmãos os dons e as habilidades que lhes faltam. Então, olham para si como um entre muitos membros.

Ao perceber-se com um entre muitos membros, todos com habilidades diferentes e funções complementares, o cristão regenerado não se permitirá imaginar que a obra da igreja de alguma forma lhe pertença. Quem assim procede não está discernindo adequadamente o Corpo de Cristo.

4.   Perceber a necessidade de comunhão

Não é suficiente rejeitar o trabalho independente. Aqueles que discernem o Corpo de Cristo também veem a comunhão como necessária e indispensável para a vida da igreja. É preciso, no entanto, explicar sobre que tipo de comunhão estamos falando.

Comunhão de fora para dentro ou “Você precisa de mim”.

Nesse tipo de comunhão procuramos os irmãos movidos por certo senso de superioridade. E os encontros muitas vezes servem para afirmar essa pretensa superioridade. Assim, as confraternizações, eventos sociais, visita à casa dos irmãos e a convivências em grupos pequenos acabam produzindo mal-estar, comparações e até desamor.

Comunhão de dentro para fora ou “Eu preciso de você”

Já nesse tipo de comunhão o ajuntamento se dá quando, ao perceber minhas limitações e inadequações para prosseguir como discípulo de Jesus em voo solo, sou tomado pelo desejo de compartilhar a caminhada com outros irmãos; porque sem eles sou incompleto. Assim somos desafiados a considerar atentamente nossas próprias limitações.

Nesse ponto vale a pena rever a orientação do Apóstolo Paulo aos irmãos da cidade de Roma:

3 Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. 4 Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, 5 assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros,
Rom 12. 3-5 (ARA)

A comunhão de dentro para fora pode ser percebida na motivação que nos leva a estarmos reunidos com os irmãos. Vejamos alguns exemplos:

Na oração: sabendo que não sou adequado no que se refere à oração, procuro outros irmãos para orarem comigo.

Ao enfrentar problemas: reconhecendo minha incompetência para solucionar as dificuldades que a vida me apresenta, peço a dois ou três irmãos essas situações comigo.

Ao buscar a vontade de Deus: percebendo minha incapacidade para conhecer sozinho a vontade de Deus, peço ajuda de outros irmãos para discerni-la.

Nas decisões: reconhecendo o quanto facilmente fico confuso sobre o futuro, chamo dois ou três irmãos para ajudarem em minhas decisões.

No estudo das Escrituras: reconhecendo que não consigo entender adequadamente a Palavra de Deus sozinho, estudo a Bíblia com dois ou três irmãos.


De forma resumida poderíamos afirmar que o processo de consolidação da comunhão

1.   Reconheço minha insuficiência e incompetência;
2.   Confesso minha limitação e inclinação ao erro;
3.   Peço aos irmãos que me ajudem.


5.   Aprender a ser um membro

Discernir o Corpo de Cristo é também assumir nossa condição de membros do Corpo. Isso quer dizer que cada um de nós deve aprender sobre a função que tem no Corpo. Cada membro tem um serviço a desempenhar.

Quem é membro da Igreja de Jesus não consegue se ausentar da convivência dos irmãos sem que faça falta aos demais membros, porque todos reconhecem o ministério recebido de Deus que ele realiza para a edificação da Igreja.

Outro aspecto desse aprendizado é que ninguém que faça parte do Corpo de Cristo e tenha discernido adequadamente esse Corpo, participa passivamente dos encontros da Igreja, porque não lhe é peculiar agir como um expectador passivo.

Escrevendo aos irmãos de Corinto, Paulo abre uma janela que nos permite perceber a intensa participação dos irmãos nos encontros da Igreja do Senhor. Vejamos:

26 Portanto, que diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja. 1 Cor 14.26 (NVI)

É o Espírito quem nos comunica que:

Há uma palavra a ser dita
Há uma oração a ser feita
Há um sorriso a ser demonstrado
Há um encorajamento que deve acontecer
Há uma exortação a ser dispensada
Há um discernimento, um socorro, uma gratidão, uma alegria...


6 Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. 7 Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; 8 se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria. Rom. 12. 6-8 (NVI)


6.   Submeter-se à autoridade


Todos os membros do Corpo de Cristo, pela ação do Espírito de Deus, tornam-se conscientes e convictos de que estão sob o comando daquele que é a Cabeça: Jesus.

Submissão direta: Ouvir a voz de Deus que fala a você pelas Escrituras e sussurrando à sua consciência.

Submissão indireta: Atender àqueles que Deus pôs como autoridade em sua vida. Nem todos ocupam essa posição, mas alguns são colocados por Deus dessa forma.

Não basta submeter-se à Cabeça, porque em sua sabedoria Deus estabeleceu a Igreja como um corpo interdependente. Somos chamados à submissão mútua, conforme o chamado ministerial de cada um no Corpo.

17 Sede obedientes aos vossos líderes espirituais e submissos à autoridade que exercem. Pois eles zelam por vós como quem deve prestar contas de seus atos; para que ministrem com alegria e não murmurando, porquanto desta maneira tal ministério não seria proveitoso para vós outros. Hb 13.17 (KJA)

O corpo não funcionará harmoniosamente sem que o princípio de autoridade seja compreendido e aplicado. Os movimentos do Corpo podem se tornar caóticos e desengonçados se os membros não se submeterem mutuamente uns aos outros.

5 Da mesma forma jovens, sujeitem-se aos mais velhos. Sejam todos humildes uns para com os outros, porque "Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes". 1 Pe 5.5 (NVI)

Somos livres! Cristo nos libertou para a liberdade. Mas somo dependentes uns dos outros. Essa liberdade não se traduz em independência ou autogestão ministerial. A autoridade de Cristo, a Cabeça do Corpo, se realiza através da mútua submissão a que somos chamados.

13 Por causa do Senhor, submetei-vos a toda autoridade constituída entre os povos; seja ao rei, como principal monarca, 14 seja aos governantes, como por ele enviados, para punir os praticantes do mal e honrar os que fazem o bem. 15 Porque a vontade de Deus é que praticando o bem, caleis a ignorância dos insensatos. 16 Considerando que sois livres, não useis a liberdade como pretexto para fazer o que é mal, mas vivei como servos de Deus. 17 Tratai todas as pessoas com a devida reverência: amai os irmãos, temei a Deus e honrai ao rei. 1 Pe. 2.13-17 (KJA)

No Corpo não existe relação entre autoridade e superioridade. Quando mais um membro é revestido de autoridade maior é a sua vocação para servir os demais.

25 Jesus lhes disse: "Os reis das nações dominam sobre elas; e os que exercem autoridade sobre elas são chamados benfeitores. 26 Mas, vocês não serão assim. Pelo contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa como o que serve. 27 Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve. Lc 22.25-27 (NVI)

Revisando rapidamente, aquele que discerne o Corpo de Cristo mediante a ação do Espírito Santo em seu interior:

1.   Ama os irmãos;
2.   Mantém a unidade;
3.   Rejeita o ministério independente;
4.   Percebe a necessidade de comunhão
5.   Aprende a ser um membro
6.   Submete-se à autoridade

Bibliografia de consulta
A realidade da Igreja - Watchman Nee

Traduções das Bíblia
NVI - Nova Versão Internacional
OL - O Livro
ARA - Almeida Revista e Atualizada
KJA - King James Atualizada

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