27 novembro 2015

Em paz com Deus



Em paz com Deus
Comunidade Batista Mangabeira 4 - Vigília de Oração

Esta semana fui provocado pela postagem de um amigo no Facebook. Diante da onda de violência e medo na Europa, com ameaças de bomba e atentados terroristas, ele fez um desafio aos cristãos pacifistas:

“Hoje a escolinha do meu filho André, que funciona num prédio adjacente a um hospital, foi evacuada por uma ameaça de bomba. Fiquem caladinho aí, crentes pacifistas, quando a ameaça de bomba for na escola dos seus filhos, você estará qualificado a palpitar sobre a política dos outros países. ”

Segundo o meu amigo, os crentes que falam contra a violência ou falam a favor da paz, só fazem isso porque ainda não forma diretamente atingidos pelo medo e o horror.

Minha TL está lotada: palavras de baixo calão, acusações sem prova, incentivo à violência, apoio a justiceiros, vídeos de linchamento, afrontas pessoais a políticos e autoridade, frases sectárias e racistas... a maioria delas postadas por crentes. É esse o caminho proposto para Jesus por seus seguidores?

Pacificadores X Pacifistas

Meu amigo falou dos pacifistas, que são os seguidores do pacifismo (uma corrente filosófica que se opõe à guerra). Já Jesus falou sobre os pacificadores. 

Veja o que ele afirmou:

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. ” Mt 5.9

Algumas traduções utilizam “Feliz” no lugar de Bem-aventurado, e outras usam “abençoado”. No final das contas, parece que Jesus está falando algo muito positivo sobre os pacificadores – ou pacíficos. O adjetivo grego pode ser entendido das duas formas.

Diante das duas formas, acho que Jesus está apresentando duas características diferentes sobre os pacificadores: (1) eles promovem a paz e (2) vivem em paz.

Promover a paz tem relação com nossa intervenção no mundo ao nosso redor. Não é difícil concordar que as pessoas andam por aí à beira de um colapso, envolvidas em guerras e conflitos umas com as outras. Promover a paz tem a ver sobre como nós lidamos com isso.

Somos como uma alavanca que se enfia no meio da engrenagem desgastada dos relacionamentos e acaba com a última esperança de paz, ou somos com graxa macia que lubrifica e reduz o atrito entre as pessoas?

Viver em paz tem relação com nossas próprias guerras e desacertos. Que tipo de pessoas somos quando nossos direitos são negados, nosso orgulho é ferido, nossos bens são danificados e nossas famílias são ameaçadas?

Se prestarmos atenção, veremos que a fala de Jesus sobre os pacificadores é surpreendente e inquietante. Ele sugere algo inusitado: que a felicidade experimentada por quem promove a paz ou simplesmente vive em paz não é a ausência de guerras, mas o fato de que eles serão reconhecidos pelas outras pessoas como filhos de Deus, pessoas cujo relacionamento com Deus está pacificado.

Esse entendimento é desafiador porque algumas pessoas podem pensar que o prêmio dos pacificadores é a paz. Jesus, no entanto, parece afirmar que os pacificadores já têm a paz instalada dentro deles, como resultado de haverem feito as pazes com Deus.

A filosofia pacifista, de certa forma, busca a paz como um prêmio a ser alcançado; já os pacificadores segundo Jesus foram alcançados pela paz mediante sua reconciliação com Deus. Por isso distribuem paz por onde passam.

Paz com Deus

Ao chamar de felizes e abençoados aqueles que promovem a paz e vivem em paz, porque serão reconhecidos como filhos de Deus, Jesus estava afirmando que o estilo de vida dos pacificadores é uma decorrência direta de fazerem parte da família de Deus.

Segundo Jesus, as pessoas olharão para nosso modo de vida e reconhecerão pelos nossos procedimentos que estamos em paz com Deus. Será que está acontecendo assim?

Bom, talvez, ao olhar para os problemas do seu dia-a-dia, na fila do banco, no trânsito da cidade, na reunião de família, nos encontros com os irmãos da igreja, você comece a questionar sobre essa paz com Deus. Será que realmente aconteceu comigo?

Vamos ver a explicação do Apóstolo Paulo sobre essa “paz com Deus”, que é o motor da vida dos pacificadores:

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a essa graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. ”

As palavras de Paulo são reveladoras. Ao falar que a paz com Deus chega por meio de Jesus, ele aponta para o estado do nosso relacionamento com Deus antes de Jesus: belicosidade. Antes de Jesus estávamos armados até os dentes contra Deus e sua palavra.

A guerra que muitas pessoas travam dentro de si é sobre a real existência de Deus e sobre seu caráter.

As pessoas descreem na ideia de um Criador; rejeitam a noção de um criador soberano; e desconfiam de um criador soberano e amoroso, que sabe o que é melhor pra nossa existência e deseja nos presentear com esse melhor.

Paulo aponta para o caminho da confiança em Deus para que essa guerra termine. É mediante a fé que somos justificados; é pela fé que temos acesso à graça de Deus. Isso significa que a saída é nos rendermos. O ser humano é chamado a confiar no amor de Deus demonstrado por Jesus Cristo.

Ao nos aproximarmos de Deus crendo no amor dele por nós (diante do que fez Jesus na cruz), somos imediatamente perdoados. Por causa de nossa confiança em Jesus abraçando o significado da cruz recebemos um presente: Deus nos declara justos. Isso significa que o nosso relacionamento com Ele é restaurado e se torna aquilo que deveria ser.

Antes de Jesus a marca era de rebeldia e desconfiança, o que nos tornou inimigos de Deus; agora é de submissão e confiança, o que nos fez parte de sua família. Não é à toa que, escrevendo aos irmãos da cidade de Éfeso, o apóstolo afirma sobre Cristo: “Ele é a nossa paz”.

Concluindo

Meu amigo, que é também um seguido de Jesus, chamou os crentes de pacifistas. Talvez alguns de nós realmente sejamos apenas isso: pessoas que são contra a guerra e as desavenças, que buscam a paz como um prêmio a ser alcançado.

Mas o chamado que temos de Jesus através do evangelho vai além do pacifismo. É para assumirmos nossa condição de pacificadores, pessoas que foram alcançadas pela paz no dia em que se renderam a Deus; pessoas que distribuem paz por onde passam, porque tiveram suas almas pacificadas pelo grande amor de Deus e agora fazem parte da grande família de Deus.

Não desanime se você se percebe um gladiador da fé. Também não fique triste se suas atitudes se parece com a dos pacifistas, sempre em busca da paz em algum lugar. Quem um dia entregou os pontos e desistiu de brigar com Deus, confiando na obra de Cristo na cruz, tem dentro de si os recursos para ser um pacificador. Seu relacionamento com Deus já foi pacificado e colocado na perspectiva certa, agora você precisa apropriar-se dessa verdade: não há nada temer!

É o próprio Jesus quem diz:


“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. ” Mt 5.9
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