24 julho 2007

Encontrando-se com Jesus – O Pescador de Betsaida

Introdução

Por volta do ano 30 da era cristã, havia na palestina dois jovens quase da mesma idade que causaram um grande alvoroço entre os judeus. Um se chamava João Batista, o outro Jesus Cristo. Eles eram primos. Os dois nasceram em circunstâncias sobrenaturais. O primeiro de uma mãe idosa, o segundo de uma jovenzinha.

João tinha um ministério à moda de alguns dos profetas do antigo testamento. Ele tinha uma dieta diferente e vivia afastado das cidades, onde chegava para pregar mensagens confrontadoras e de denúncia do pecado tanto do povo como das autoridades.

Jesus desenvolveu um ministério urbano. Ele circulava pelas ruas da cidade e usava vários métodos de ensino. Jesus chegou a ser acusado pelos religiosos Judeus que não concordavam com o livre trânsito que Ele tinha entre aqueles que era considerados como pecadores; a despeito disso sua mensagens tão o mais confrontadora do que a do seu primo João Batista.

No início do seu ministério, Ele teve um encontro muito especial com alguns dos homens que mais tarde se tornariam seus discípulos: Simão, André, Tiago e João. Esses quatro homens eram pescadores. O encontro de Jesus sobre o qual vamos meditar nesta noite é eles, e mais especificamente com Pedro, o pescador de Betsaida.

Esse encontro está registrado nos três evangelhos sinóticos: Mt. 4:18-22, Mc 1:16-20 e Lc 5:1-11.

Impressionante

As narrativas de Marcos e de Lucas são impressionantes em relação ao encontro de Jesus com os pescadores. Nas duas narrativas são histórias curtas que apresentam Jesus caminhando na beira do mar da galiléia. De repente Ele se encontra com um grupo de pescadores aparentemente desconhecidos, chama-os e eles largam tudo para segui-lo.


(16) Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. (17) Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. (18) Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. (19) Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. (20) E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus. (Marcos 1:16-20)


O evangelho de Marcos é uma espécie de roteiro de filme. As cenas são rápidas as histórias são curtas e as coisas acontecem num abrir e fechar de olhos. Jesus está caminhando na beira do lago, encontra os pescadores, faz um convite e eles largam tudo para segui-lo. Para reforçar o quadro, Marcos (que provavelmente escreveu seu evangelho a partir das memórias de Pedro), usa a palavra imediatamente.

João e Tiago também eram irmão e filhos de um homem chamado Zebedeu. Simão e André eram irmãos e possuíam um, talvez dois barcos. Pelo texto de Marcos sabemos que Zebedeu tinha empregados, o que pode indicar que Ele e os filhos tinham na verdade uma pequena frota de barcos.

A situação deles não era com a de alguns pescadores desse nosso Ceará que vivem muitas vezes mendigando o que comer, trabalhando em barcos que não lhe pertencem e entregando parte de sua produção aos atravessadores de plantão, que pagam barato pelo trabalho duro e o suor do rosto de seu semelhante.

Porque então esses homens, que tinham uma boa profissão e eram proprietários de seus próprios barcos, “imediatamente”, como afirma o evangelista, largaram tudo e seguiram a Jesus na primeira vez que O viram? Não parece uma atitude responsável ou equilibrada, tomada por homens maduros.

A chave para entender a prontidão dos pescadores, está na narrativa de Lucas, que é a mais detalhada quanto às condições em que tudo aconteceu. Vamos ler a história no evangelho de Lucas.

(1) Aconteceu que, ao apertá-lo a multidão para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; (2) e viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores, havendo desembarcado, lavavam as redes. (3) Entrando em um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia; e, assentando-se, ensinava do barco as multidões. (4) Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. (5) Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes. (6) Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes. (7) Então, fizeram sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los. E foram e encheram ambos os barcos, a ponto de quase irem a pique. (8) Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador. (9) Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os seus companheiros, (10) bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios. Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. (Lc 5:1-11)

Jesus e o encontro

Era o início do ministério de Jesus, mas ele não era um desconhecido nas imediações do mar da Galiléia. É possível e até provável que Jesus conhecesse alguns dos seus discípulos antes do chamado para seguí-lo. As cidades não eram muito grandes e Jesus vivia uma vida normal, participando dos eventos de sua comunidade. Quando ele pede a Simão que afaste o barco e pede permissão para usá-lo como plataforma para sua pregação, Jesus não está se dirigindo a um estranho.

Não há qualquer indício de que aquela era a primeira vez que Jesus pregava nas imediações do mar da Galiléia. Nem sabemos se era essa a primeira vez que Ele usava o barco de Simão como uma plataforma para falar ao povo. Mas sabemos pela narração de Lucas que já era grande o número de pessoas que queria ouvi-Lo, tanto que a multidão começou a apertá-lo.

Simão e o encontro

Pode ser que Simão já tivesse ouvido Jesus falar antes pessoalmente, ou, quem sabe, algumas pessoas já houvessem contado a Ele sobre um jovem pregador que falava com autoridade sobre as coisas de Deus.

Simão já tinha visto vários pregadores se levantarem naquele tempo em que todos esperavam o messias, e por isso não ele não via motivo para alvoroço. Ele emprestou seu barco para Jesus e enquanto o Senhor pregava, Simão trabalhava lavando as redes. Havia sido um dia ruim, daqueles que não se pesca nada. Mas aquele encontro seria diferente.

Assim como Simão, pode ser que até hoje você tem estado perto do Senhor e algumas vezes tem ouvido falar sobre ele. Você escuta os amigos e parentes falando do amor Dele e sobre como é bom ser seu discípulo, mas você já ouviu isso tantas vezes... Você até empresta seu barco para que eles ouçam ao Senhor, mas você mesmo prefere continuar limpando as redes depois de um dia de trabalho duro e poucos resultados. Hoje, o seu encontro com Jesus pode ser diferente. É preciso apenas que ele tenha as mesmas marcas do encontro entre Ele e Simão.

Acesso Direto

Depois de ensinar multidão sedenta pela palavra de Deus, Jesus fala diretamente com Simão. Sem intermediários, sem mediadores, sem tradutores ou qualquer outra figura entre eles. Aqui está a primeira marca: acesso direto.

O Senhor não precisa de intermediários para falar com você. Na verdade causamos uma grande frustração quando tentamos colocar algo ou alguém entre Ele e nós.

Homens e mulheres do passado, que serviram ao Senhor devem ser imitados em sua busca pela presença de Deus, mas não devem ser colocados como intermediários. São mulheres e homens santos, mas não cabe a eles mediarem nosso relacionamento com o Senhor.

Entre os crentes, há pessoas que quando passam por alguma dificuldade procuram amigos, parentes e até líderes de destaque, (consideradas pessoas dignas ou mais religiosas) e pedem que elas intercedam diante de Deus por sua vida, mas elas mesmas não falam diretamente com o Senhor.

Jesus chamou Simão e falou diretamente com Ele. Você também pode falar diretamente com o Senhor. Basta uma simples oração dita ou pensada, no silêncio da sua dor, diretamente a Ele, e você terá dispensado todos os intermediários.
Confiança Prática

Ao falar com Simão, o Senhor deve ter visto os semblante caído de Pedro, depois de um dia de trabalho sem resultado e fez uma proposta que poderia ter sido recebida até como uma ofensa.

(4) Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. (Lc 5:4)

Simão e os demais homens eram pescadores experientes que aprenderam com os seus pais e os pais dos seus pais a arte de sobreviver através da pesca. Tinham seus próprios barcos, e havia prosperado ao ponto de terem empregados que trabalhavam para eles.

Eles já tinham vivido muitos dias ruins em sua profissão e ainda viveriam muitos outros. Jesus era carpinteiro por profissão e um mestre da palavra, mas de pesca ele não entendia nada, poderia ter pensado Simão.

Simão poderia reagir de várias maneiras: Fazer de conta que não ouviu... Fazer de conta que não entendeu... Tentar explicar a Jesus alguns princípios básicos sobre pesca... ou responder de forma indignada perguntado a Jesus quem ele achava que era para dar vir dar pitaco no trabalho dos outros.

Talvez você já tenha reagido de alguma dessas maneiras. Quem fica ouvindo Jesus a distância, usando outros como intermediários, pode até tentar uma dessas saídas; mas quem fala diretamente como Senhor, como Simão falou; quem ouve a voz daquele que é o Criador do Céus e da Terra, não pode continuar a fazer assim, precisar decidir se irá ou não confiar naquele que lhe dirigiu a palavra.

O Senhor não estava perguntando se Simão acreditaria, ou se ele acharia que ainda poderia pescar algo já no final do dia. Essa confiança não serve de nada; é na verdade uma porcaria. Ela não põe os pés nos chão, é apenas teórica.

Jesus chamou Simão para uma confiança prática. Apenas dessa maneira os seus encontros com Jesus vão deixar de mornos e sem sabor: através de uma confiança prática na Palavra de Cristo, que invade sua vida de segunda a segunda. Quem decide por isso, como Simão fez, deixará de ficar apenas ouvindo de longe para tornar-se um discípulo de Cristo.

Agora saiam mais para o fundo e lancem suas redes, que você vão pegar muitos peixes (Lc 5:4b - BV)

O Alvo certo

Uma outra palavra para confiança é fé. A Bíblia fala muito de fé e todos nós concordamos com a palavra que diz: sem fé é impossível agradar a Deus.

A fé é a vitória que vence o mundo
porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. (I João 5:4)

A fé nos guarda para o dia final
que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. (I Pedro 1:5)

A provação da fé produz perseverança
sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança (Tiago 1:3)

O justo viverá pela fé
todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. (Hebreus 10:38)

Muitas pessoas tratam a fé como uma espécie de poder que alguns têm e o restante da humanidade deseja ter. A fé é considerada como uma espécie de fórmula mágica através da qual se obtém os desejos da alma.

Aliás, um dos best-selers mais recentes, “O Segredo” defende a tese de que se fixarmos nossos pensamentos mais intensos na direção dos nossos desejos, será um questão de tempo alcançarmos tudo o que quisermos.

No entanto a fé verdadeira é dom dado por Deus e precisa estar direcionada para o alvo certo, caso contrário se tornará um arma de destruição.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; Efésios 2:8

Na resposta de Simão ao Senhor, encontramos a terceira marca de um encontro transformador com Jesus: o alvo certo.

(5) Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes.

Simão deixou de lado sua experiência como pescador. Ele não tentou explicar o fracasso do dia, nem colocou a culpa em seus companheiros de pesca. Simão não tentou olhar uma segunda vez para mar da galiléia na tentativa de ver se valeria a pena. Ele disse: sob a tua palavra lançarei as redes!

Sua fé será tão forte quanto à pessoa ou objeto em quem você a deposita. O alvo da fé é que é a sua medida, não o nosso esforço pessoal em crer. Onde há esforço para crer, ainda não há fé. Talvez seja por isso que Jesus disse que a fé só precisa ser do tamanho de um grão de mostarda para que coisas impossíveis começassem a acontecer.

Se a sua fé está apoiada em uma imagem de escultura ela será tão fraca quanto aquela imagem. Se sua fé estiver apoiada em um dos santos homens do passado, ela será tão fraca quanto aqueles homens forma. Se você apoiar sua fé em algum líder religioso dos nossos dias (seja ele o papa, o Dalai Lama, um grande evangelista da TV ou o seu pastor), ela quebrará em pedaços juntamente com esse homem ou mulher em quem você se apoio.

Simão fez a decisão certa: sob tua lançarei as redes. Não é confiado em mim, nem em mais ninguém, mas apenas na tua Palavra.

A grande Pesca

Quando nossos encontros com Jesus são marcados pelo acesso direto a Ele, por uma confiança prática que invade a vida e pela fé em sua Palavra, os resultados são reais e se tornam visíveis de todos.

Depois de confiar na palavra do Senhor e lançar novamente as redes onde ele não havia encontrado nada. Simão encheu se barco de peixe e quase vai a pique. Outro barco foi chamado para ajudar e os dois se encheram de peixes.

No entanto a algo surpreendente na reação de Simão. Não foi a quantidade de peixes que impressionou aquele homem. Simão ficou chocado com a santidade de Cristo. Aquela grande pesca fez com que Simão compreendesse que ele era não apenas um pescador, mas também um pecador que não merecia permanecer na presença do filho de Deus.

Quando você, pela fé em Cristo, lançar as redes onde não havia nada e os peixes encherem o barco, não se espante com o milagre. Adore ao Senhor! Reconheça a santidade Dele. Admita sua necessidade da presença dele e prostre-se aos Seu pés. Aí, como Simão ouviu, você também vai ouvir: NÃO TEMAS! Pescar peixes é bom, mas há algo melhor pescar vidas e conduzir pecadores aos pés de Jesus.
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