05 agosto 2017

Os Atributos de Deus - Como é Deus?




Como é Deus?

Muito me alegra a oportunidade de outra vez estar aqui com os irmãos para pensarmos juntos sobre as Escrituras Sagradas. Recebi o convite de João Paulo para trazer uma série de mensagens, durante o mês de agosto, sobre “Os Atributos de Deus” e isso me animou bastante.

Por que falar sobre os atributos de Deus? Acho que podemos pensar em uma pergunta singela, feita por muitas crianças: como é Deus? Crianças fazem boas perguntas! Para responder a essa pergunta precisaremos refletir sobre as características de Deus, seus atributos e os aspectos marcantes de seu caráter. Afinal de contas, como podemos descrever (se é que é possível) o Deus a quem dizemos servir?

Para alguém que não acredita na existência de um Deus pessoal talvez essas sejam perguntas irrelevantes, mas para nós que cremos são perguntas importantes e de certa forma difíceis, mas certamente elas ficarão sem resposta.

Como é Deus? A maioria dos estudiosos concorda que Deus nunca será plenamente compreendido, porque a mente humana, finita e limitada, jamais poderá alcançar a compreensão de um Deus infinito. Nisso eles concordam com as Escrituras

3Grande é o Senhor e digno de ser louvado; sua grandeza não tem limites. Sl 145.3 (NVI)
 5Grande é o nosso Soberano e tremendo é o seu poder; é impossível medir o seu entendimento. Sl 147.5 (NVI)
 33Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! Rm 11.33 (NVI)
 
Todos esses textos deixam claro que nem mesmo um único aspecto a respeito da pessoa de Deus (e muito menos a sua plenitude) pode ser compreendido de forma exaustiva. Deus sempre será cercado pelo mistério que existe quando pessoas finitas consideram o infinito.

No entanto, é também verdade que a nós nos é dado, mesmo sendo finitos e limitados, conhecer algo de verdadeiro a respeito de Deus. Se não podemos compreendê-lo plenamente, ainda podemos aprender coisas verdadeiras sobre ele.

Como isso é possível? Onde encontraremos informações seguras sobre Deus? E quem nos ensinará sobre como Ele é? Felizmente não fomos deixados por conta própria. Somos esclarecidos a respeito disso pelo Texto Sagrado.

10bO Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus. 11Pois, quem dentre os homens conhece as coisas do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus. I Co 2.10,11(NVI)

É o Espírito de Deus, que habita em nós, que nos iluminará e ensinará através das Sagradas Escrituras. É através da leitura das páginas da Bíblia, recheadas de testemunhos e declarações de fé, que podemos conhecer aspectos verdadeiros da natureza de Deus e de seu caráter.

Duas coisas importantes podemos concluir até agora, irmãos. A primeira (1) é que sempre haverá algo novo sobre Deus a ser conhecido. Nós nunca ficaremos entediados em nossa busca sobre os atributos de Deus. Portanto, se você está se sentindo enfadado, domingo após domingo, cumprindo tabela... Eu o desfio a iniciar uma jornada para conhece mais de Deus. Eu garanto que o tédio e o desânimo não serão seus companheiros nessa jornada.

A segunda coisa (2) igualmente importante é que só é possível conhecer mais sobre os atributos de Deus se nos voltarmos para a Bíblia, porque foi nela que Deus se revelou à humanidade. Portanto, aquele que deseja conhecer mais de Deus não precisa (nem deve) buscar algum livro secreto ou um mestre cheio de sabedoria humana. Pode parecer estimulante procurar Deus fora das Escrituras, mas o fim desse caminho é a morte da alma.

Há um texto nas Escrituras que sempre me provoca a respeito disso. É um convite feito pelo profeta Oséias:
 1“Vinde e voltemos para Yahweh, porquanto ele nos arrebentou, mas haverá de nos curar; ele nos feriu, mas cuidará de nossas chagas. 2Passados dois dias, ele nos revivificará; ao terceiro dia nos erguerá e restaurará, a fim de que possamos viver em sua presença. 3Conheçamos e prossigamos firmemente adorando e conhecendo Yahweh, o SENHOR. Tão certo como nasce o sol, sua vinda ocorrerá sobre todos nós como as boas chuvas que vivificam a terra nos tempos apropriados!” Os 6.1-3 (KJA)

Eu espero que você aceite o desafio do profeta para conhecer melhor o Deus que você afirma servir, porque esse é um dos meus objetivos nessa noite. Assim, quem sabe, você e eu vamos nos aproximar dele com muito mais confiança.

Eu sou o que sou

Algo que desejo fazer hoje é lembrá-lo de que vivemos tempos em que a Verdade como algo absoluto foi atacada por todos os lados e está desacreditada. Há ainda alguns que acreditam em verdades absolutas, mas a maioria das pessoas não pensa mais assim. Elas acreditam que a Verdade é algo bem relativo, e que cada pessoa tem a sua própria verdade.

Esse modo de pensar, chamado de Relativismo, também se aprenseta quando as pessoas refletem sobre Deus. Assim, cada um se sente livre para formular sua própria definição a respeito de Deus e para defender seu ponto-de-vista como Verdade; a sua verdade. Essa mistura de opiniões diferentes sobre Deus torna tudo ainda mais difícil, à medida que você ouve e considera essas muitas opiniões.

Seja na TV, no Facebook ou no Whatsapp, tem sempre alguém dando sua opinião sobre Deus. Há quem ache que Ele se parece com um sujeito rancoroso e vingativo que fica sempre procurando algo de errado na vida das pessoas para apontar o dedo da acusação; outros o veem como um tipo de velhinho bondoso (e caduco!), sempre relevando nossa vida torta. Mas como Deus realmente é?

Bom, uma questão importante quanto a essas opiniões diferentes a respeito de Deus é que, se existe realmente um Deus (e definitivamente ele existe!), aquilo que as pessoas afirmam a respeito dele só tem valor se corresponder a quem ele realmente é. Dito de outra forma, “se existe um Deus, ele é o que é, independente daquilo que pensamos sobre ele”.

A bíblia conta a história de Moisés desde o seu nascimento até a sua velhice. Quando ele já era um homem adulto e estava cuidando de um rebanho nas montanhas, sua atenção se voltou para um arbusto que pegava fogo, mas não se queimava. Quando ele chegou perto para ver o que era aquilo, Deus se apresentou para Moisés e o chamou para uma missão.

Uma parte dessa conversa nos interessa hoje a noite. Moisés ficou incomodado com o fato de que o povo que estava no Egito, para onde Deus o estava enviando, não conhecia o Deus de Abraão, Isac e Jacó. Vejamos esse pedaço da conversa.

13 Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? 14Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros. Ex 3.13,14 (ARA)

Isso é maravilhoso, irmãos. Deus é o que é!

Portanto, ainda que vivamos tempos confusos, com muitas opiniões diferentes sobre Deus, podemos descansar na certeza de que nesse mar de opiniões sobre Deus, existe um porto seguro ao qual poderemos chegar com nossos barquinhos. Existe uma verdade absoluta sobre Deus, porque ele simplesmente É.

Nossa jornada durante os sábados que estaremos juntos é em direção a esse porto seguro. E como já vimos antes, não fomos abandonados à própria sorte. Temos o Espírito de Deus! Ele é o guia dessa nossa jornada. Temos as Escrituras Sagradas! Ela é o nosso mapa em direção ao conhecimento dos atributos de Deus.

Atributos de Deus

Nós somos batistas. Os irmãos do passado em nossa tradição cristã, também refletiram sobre quem é Deus e como ele é. E depois de investigarem a Bíblia, eles deixaram registrado em nossa Declaração Doutrinária uma boa definição a respeito de Deus e seus atributos. Vejamos:

“O único Deus vivo e verdadeiro é Espírito pessoal, eterno, infinito e imutável; é onipotente, onisciente, e onipresente; é perfeito em santidade, justiça, verdade e amor.”

Essa definição é um bom começo para falarmos sobre os atributos de Deus. Nela esses atributos são agrupados de uma maneira didática e bem comum à maioria dos teólogos: (1) temos alguns atributos naturais: eterno, infinito, imutável, onisciente, onipresente; (2) e depois uma parte dos atributos morais: santidade, justiça, verdade e amor.

Quando falamos dos atributos naturais de Deus estamos nos referindo a características inerentes à natureza do Senhor. Os atributos naturais falam sobre a grandeza de Deus, sua existência eterna, seu conhecimento de tudo, sua presença constante e sua constância. Esses atributos são próprios e exclusivos de Deus. Nós não podemos experimentá-los.

Por outro lado, quando falamos dos atributos morais de Deus estamos nos referindo a características que falam sobre a qualidade moral de Deus, isto é, se ele é bom ou mau. As Escrituras nos revelam que qualidades como santidade, justiça, bondade e misericórdia nos apresentam um Deus que é bom. Em certa medida, Deus compartilha seus atributos morais com a humanidade, por isso eles são chamados de comunicáveis.

O que essas características de Deus falam para você sobre quem ele é em sua vida? O que os atributos de Deus falam a respeito você mesmo, criado à Sua imagem e semelhança? O que essas características de Deus dizem a respeito da maneira como você se relaciona com as pessoas a sua volta? O que os atributos de Deus declaram sobre o modo como você lida com a criação?

Essa são boas perguntas às quais voltaremos nos próximos sábados. Agora vou concluir nossa reflexão de hoje com duas considerações breves, à luz dessa primeira apresentação geral sobre os atributos de Deus.

A primeira (1) é que Deus é infinitamente poderoso e majestoso. Tudo o que de Deus é revelado nas Escrituras nos mostram um ser que está além de qualquer parâmetro humano. Ele não é igual a mim e a você. Ele é superior a tudo que a mente humana possa elaborar! Foi Davi quem um dia tentou colocar em palavras essa grandeza de Deus.

11Ó SENHOR, tua é a grandeza, o poder, a glória, a vitória e a majestade, porque tudo quanto há no céu e na terra a ti pertence. Ó SENHOR, o reino é teu, e tu governas soberano sobre tudo e todos! 12A riqueza e a honra vêm de ti; tu dominas sobre todas as coisas. Em tuas mãos residem toda a força e o poder; na tua destra a dignidade, consolo e encorajamento que todo ser humano carece. I Cr 29.11,12 (KJA)

Ao nos aproximarmos de Deus, irmãos, não podemos perder de vista sua grandiosidade. Ele é infinitamente mais do que podemos imaginar! Ele não pode ser medido, nem comparado e não há nada que possa ser usado como régua.

À medida que avançarmos em nossos estudos sobre os atributos naturais de Deus, eu espero que seu coração se encha de espanto e que você fique maravilhado com o Deus a quem serve.

A segunda consideração (2) com a qual quero concluir minha fala hoje é que Deus é bom. As Escrituras nos falam o tempo todo que Deus é bom. Não há nele qualquer traço de maldade. Não há nada nele que deva produzir desconfiança sobre suas intenções a nosso respeito. A bondade faz parte da própria natureza de Deus.

Portanto, podemos nos aproximar dele com confiança. Deus é digno de confiança! Ele não está armando contra nós. Muito ao contrário, ele deseja e trabalha o tempo todo para o nosso bem.

4Desde a antiguidade não se ouviu, nem se percebeu, tampouco escutou-se comentários; nem olho algum sequer vislumbrou outro Deus além de ti, que age em favor daqueles que nele depositam sua esperança. Is 4.4 (KJA)

Ao nos aproximarmos de Deus não podemos esquecer de sua bondade. Quando nosso coração se encher de dúvidas e receios, devemos nos lembrar: Deus é bom! Ele é digno de confiança! Não preciso ficar com medo, não preciso me esconder, ele trabalha para o meu bem.

À medida que avançarmos refletindo sobre os atributos morais de Deus, eu espero que você se sinta inspirado pelo Espírito Santo a se tornar parecido com ele.


Essa será nossa jornada nos próximos dois sábados e eu espero que você esteja aqui e traga outras pessoas para aprender sobre quem é o Deus que adoramos! Que Ele nos abençoe e nos ajude!

08 abril 2017

Reconcilação


Quando relacionamentos são quebrados não é possível que ocorra restauração com participação de apenas um dos lados. Todos os envolvidos precisam fazer o que estiver ao seu alcance. Mas diante da nossa incapacidade de caminhar primeiro para ele, Deus veio até nós! Ele agiu primeiro e moveu-se em nossa direção! Sem esse primeiro movimento de Deus nenhuma reconciliação poderia acontecer.

18Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação. 20Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus. 21Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus. 2 Cor 5.18-21 (NVI)

       A segunda carta escrita pelo Apóstolo Paulo aos irmãos que moravam na cidade de Corinto possivelmente foi escrita por volta de 55 ou 56 dC, quando ele estava na Macedônia, durante seu caminho de volta a Corinto.

Diferente da primeira carta que aborda diversas questões ligadas à vida da igreja e ao relacionamento entre os irmãos, na segunda epístola a maior parte do texto é uma defesa a respeito de seu ministério como Apóstolo do Evangelho aos gentios. 

A segunda carta aos coríntios consiste de três partes principais: os primeiros sete capítulos contêm a defesa de Paulo sobre sua conduta e seu Ministério; a segunda parte (8-9) trata do levantamento de uma oferta para os irmãos pobres da Judéia; e a Terceira parte (10-13) contêm uma mensagem de reprimenda aos caluniadores existentes na igreja. 

Sempre muito questionado e criticado por seus contemporâneos, o Apóstolo aos Gentios foi quem articulou, de maneira mais clara e didática, a essência do evangelho de Jesus para aqueles que não são judeus, mesmo sendo ele um judeu de raiz.

       Hoje vamos ser apresentados a um conceito maravilhoso desenvolvido por Paulo que nos ajudará a compreender um pouco mais o evangelho: a reconciliação.

18Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação.

Após lermos os versos 18 e 19 uma pergunta é inevitável: sobre o que o apóstolo está falando quando diz... ‘Tudo isso provém de Deus? ’ Permitam-me, já aqui no começo, abrir um breve parêntesis para constatar a importância de procurar um contexto mais amplo para entender aquilo que lemos na Bíblia.

Quando ouvimos mensagens em áudio ou vídeo pelas redes sociais, e os pregadores nos apresentam apenas uma pequena porção das Escrituras, não devemos nos dar por satisfeitos, mas ampliar o contexto para examinar de forma adequada o texto bíblico. Quem se contenta apenas com os farelos que caem da mesa dos pregadores certamente ficará malnutrido espiritualmente.

Uma leitura de todo o capítulo 5 é suficiente para percebermos que os versos que lemos são a conclusão de ideias que Paulo desenvolveu ao longo dos primeiros versos. Uma dessas ideias está nos versos 14 e 15.

14Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. 15E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

É notório o entendimento do apóstolo de que a morte de Jesus teve o propósito de nos arrancar de um modo de vida autocentrado e nos levar para um viver centrado em Jesus.

        É maravilhoso que essa compreensão seja formulada por Paulo, alguém que vivia a vida em torno de si mesmo e de sua comunidade de fé. É maravilhoso porque Paulo não está falando de algo que ele apenas leu em algum lugar, irmãos. Ele escreveu a partir de sua própria experiência com o evangelho de Jesus.

Ele era ainda um jovem muito religioso pouco tempo depois da morte de Jesus, e estava na estrada, a caminho da cidade de Damasco, com o propósito de perseguir e prender qualquer um que fosse do Caminho, quando o próprio Senhor ressurrecto encontrou-se com ele. Aquele encontro mudou tudo! O homem que antes vivia para defender seu próprio ponto de vista sobre a vida, agora falava e defendia as ideias de Jesus, inclusive estava disposto a morrer fazendo isso?

Esse modo de vida centrado em Jesus, esse viver para Cristo, é tão transformador que nos tornamos realmente pessoas novas, novas criaturas. Esse novo viver é marcado por uma vida pacificada com Deus que avança em direção à eternidade.

Imagino que o apóstolo, olhando para esse novo viver, e talvez lembrando-se do apedrejamento de Estêvão e revivendo seu próprio zelo religioso cego, sua arrogância, sua natureza pecadora... viu brotar em seu coração um pergunta incômoda: de onde veio essa mudança em minha vida?  De onde vêm todos esses presentes que tenho recebido... paz para viver a vida, um coração grato e um destino eterno com Deus... Eu certamente não mereço. De onde vem isso tudo?

Um professor sentiu a falta de um menino que vinha frequentando sua classe na Escola Dominical. Agora, ele estava faltando há três domingos consecutivos.

Com esforço, descobriu que o menino morava no alto de um morro próximo à igreja, um lugar de difícil acesso. Foi perguntando a um e a outro até que descobriu a casa.

Quando se aproximou e ia bater à porta, recebeu uma pedrada na testa e sentiu o sangue descer pelo rosto. Ainda tentou identificar de onde o ataque viera, mas a dor era tão grande que tomou conta de suas preocupações.

Ferido na alma e machucado no corpo, o professor desceu o morro para fazer um curativo. Mas não se intimidou! Comprou de presente para o garotinho uma roupa, um brinquedo e voltou lá em cima. Ao chegar à casa de seu aluno, deixou os presentes, reforçou o convite para ir à Escola Dominical e voltou para casa.

No dia seguinte bem cedo alguém bateu à sua porta. O professor veio atender e ali estavam de pé um homem e um garotinho, o seu aluno, com os presentes na mão.

- Professor, viemos devolver o presente que o senhor deixou, disse o homem. Esse menino não merece! Sabe quem foi que atirou a pedra no senhor? Foi ele! Ele não merece receber esse presente.

A essa altura o garoto já estava chorando, envergonhado e sem defesa diante do que havia feito. O professor, então, abaixou-se e, olhando seu aluno nos olhos, perguntou-lhe:

- Você não gostou do presente?

- Gostei sim, professor, mas não mereço.

- Você não precisa do presente?

- Preciso sim, mas não mereço.

- Eu dei esse presente a você... não foi porque você o mereça, mas porque eu o amo e sei que você precisa dele.

De onde vem tudo isso? Tudo isso provém de Deus, responde o apóstolo! Foi dele a iniciativa! Foi ele quem primeiro nos amou e produziu em nós o amor agradecido que pulsa em nossos corações. Paulo, então, nos introduz ao assunto afirmando que essa nova vida transformada se tornou possível apenas porque fomos reconciliados com Deus.

Ora, reconciliação não é uma palavra estranha para nós. Ela faz parte do nosso dia a dia e aparece quase sempre depois de uma briga, uma desavença ou uma discussão. Quem é casado sabe bem que a reconciliação é algo que faz parte da vida a dois. Também os amigos sabem que as amizades só resistem ao tempo se a reconciliação fizer parte do relacionamento.

No conceito mais comum, tentar se reconciliara com alguém é dizer ou fazer algo que convença o outro a restabelecer um relacionamento rompido: um marido pode comprar flores... uma esposa pode fazer a comida predileta dele... um amigo pode dar um livro de presente... tudo para que o outro mude de opinião quanto ao rompimento. Resumindo, algumas vezes, a reconciliação é um esforço para mudar a outra pessoa ou para mudar o conceito que ela tem sobre nós.

O apóstolo Paulo, no entanto, nos apresenta um outro modelo de reconciliação. Ele afirma que o primeiro passo dado por Deus para nos reconciliar com ele não foi tentar nos convencer de que estamos errados ou mudar nosso conceito sobre ele, mas deixar de lançar na nossa conta o preço do nosso pecado.

18Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo (...), 19ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, (...)

Quando relacionamentos são quebrados não é possível que ocorra restauração com participação de apenas um dos lados. Todos os envolvidos precisam fazer o que estiver ao seu alcance. Mas diante da nossa incapacidade de caminhar primeiro para ele, Deus veio até nós!

O que as Escrituras estão a nos dizer, irmãos, é que Deus agiu primeiro e moveu-se em nossa direção! Na cruz de Cristo, os pecados dos homens foram lançados na conta daquele que não tinha pecado. Sem esse primeiro movimento de Deus nenhuma reconciliação poderia acontecer.

A maioria das religiões do mundo afirmam que o ser humano está em desequilíbrio e precisa se encontrar. Os caminhos apontados por essas religiões podem ser diferentes, mas todos eles adotam aquele modelo de reconciliação pelo esforço em mudar o ânimo do outro, ou seja, ensinam formas de agradar suas divindades (inclusive aquelas em que a divindade é o próprio homem).

Desde as oferendas às forças da natureza, feitas pelas culturas animistas, até as novenas católicas e as correntes evangélicas, passando pelo auto aperfeiçoamento dos espíritas, todos estão se esforçando para convencer seus deuses de que merecem ser amados.

Por outro lado, o evangelho de Jesus é o anúncio de que isso nunca deu resultado e nunca vai dar certo. Esse esforço de convencer Deus a amá-lo é inócuo e desnecessário porque Deus já é amor! Por isso ele tomou a iniciativa da reconciliação. Nas palavras do apóstolo João: Nós o amamos, porque ele nos amou primeiro.

Acontece que às vezes somos como aquele menino da história, batendo na porta de Deus, culpados, sem justificativa para o que fizemos, devolvendo os presentes e dizendo que seremos bonzinhos daqui para frente.  Esquecemos que foi ele quem primeiro nos procurou e nos amou.

Hoje você precisa apropriar-se dessa verdade: a culpa pelas pedras que você jogou contra Deus foram colocadas na conta de Jesus, quando ele morreu na cruz do Calvário. Foi assim que Deus nos reconciliou com Ele!

Ministério da Reconciliação

Olhando ainda para os versos 18 e 19, vemos que quase ao mesmo tempo em que nos reconciliou consigo mesmo, Deus nos deu uma mensagem e nos incumbiu de um ministério: o ministério e a mensagem... da reconciliação.

18...e nos deu o ministério da reconciliação, 19...e nos confiou a mensagem da reconciliação.

Em nosso dia-a-dia, nem sempre as pessoas falam a partir de suas experiências pessoais. É comum no trabalho que um chefe dê ordens sobre o serviço que ele nunca fez. Ele pode dar boas orientações, mas às vezes nunca fez ele mesmo aquilo que está pedindo para ser feito. O método de Deus é diferente. Ele nos chamou para sermos ministros da reconciliação depois fazer tudo o que era necessário para reconciliar o mundo consigo mesmo. 

Na primeira fase da reconciliação, Deus dirigiu-se em nossa direção com seu amor e nos considerou justos, mediantes os méritos de Cristo, lançando na conta de seu Filho o preço do nosso pecado. Toda a iniciativa foi dele, todo o trabalho foi dele. E agora já não há, da parte de Deus, nenhum impedimento para que o ser humano se aproxime.

Da parte de Deus está tudo consumado. Foi isso que Jesus afirmou ainda pregado na cruz. O caminho está livre para ser trilhado, um novo e vivo caminho. O que mais há para ser feito, senão receber o presente? Na verdade irmão, há muito a ser feito. Somos chamados a anunciar a boa notícia: que o pecado foi perdoado, que a culpa foi lançada sobre o Cristo de Deus, e que uma nova vida está disponível para aqueles que se reconciliarem com Deus. 


O ministério da reconciliação encontra espaço no coração humano a partir de nossa compreensão de como é abrangente e poderosa a restauração que Deus coloca à nossa disposição. E para compreender o quanto é maravilhosa essa restauração operada por Deus, irmãos, é preciso começar com estrago que o pecado fez em nós.

Comentando sobre a reconciliação, Hernandes Dias Lopes, considerou que o pecado produz um abismo com muitas dimensões, um abismo que teima em nos isolar e nos manter distantes do projeto de vida que Deus preparou para nós.

‘O pecado divide, desintegra e separa. Ele provocou um abismo espiritual, pois separou o homem de Deus. Provocou um abismo social, pois separou o homem de seu próximo. Provocou um abismo psicológico, pois separou o homem de si mesmo, e provocou também um abismo ecológico, pois separou o homem da natureza, fazendo dele ora um depredador, ora um adorador dessa mesma natureza’.

É neste mundo cheio de abismos que nos separam e nos isolam uns dos outros que somos chamados para um ministério que é essencial para o evangelho: reconciliação.

Em que consiste esse ministério? Paulo o compara ao trabalho de um embaixador. O termo grego usado por Paulo aqui remete aos representantes do Império Romano que eram enviados às províncias em conflito a fim de administrá-las e trazê-las de volta à paz. Os embaixadores levavam às províncias rebeldes uma proposta de paz e um apelo que essa proposta fosse aceita.

20Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus.

Os embaixadores romanos, quando chegavam às províncias, eram logo reconhecidos como representantes do império. Eles levavam consigo as insígnias do império. Suas comitivas levavam um estandarte com a bandeira o império, os escudos tinham o brasão do império e suas correspondências eram lacradas com o selo imperial. Esse símbolos eram o sinal de eles falavam em nome do Imperador, o que tornava possível que eles fossem ouvidos em um ambiente hostil.

Nós somos chamados a anunciar a boa notícia ao mundo e a suplicar, como faziam os embaixadores romanos, para que as pessoas aceitem a proposta de paz e se reconciliem com Deus. 

Porque as pessoas nos ouviriam, irmãos? O que podemos apresentar nas províncias rebeldes do mundo em que vivemos para que tenhamos o direito ao menos de falar em nome do Rei?

Ora irmãos, as insígnias do Rei Jesus em nossas vidas são nossas próprias respostas à reconciliação operada por Deus em nós. Quando estamos reconciliados com Deus, as pessoas em nossa volta não só permitem, elas até pedem que falemos em nome do Rei.

Se estamos reconciliados com Deus, nosso relacionamento com ele será cheio de confiança no seu amor e livre do medo. Isso é um sinal de que vencemos o abismo espiritual produzido pelo pecado.

Se estamos reconciliados em nossa vida interior, nossas limitações, falhas e pecados não mais nos atormentam, mas são colocados ao pé da cruz, enquanto somos transformados pelo Espírito de Deus. Isso é um sinal de que vencemos o abismo psicológico.

Se fomos reconciliados com as pessoas, nossos relacionamentos deixarão de ser centrados e nós mesmos. Seremos capazes de pensar no bem delas e de agir, às vezes até em prejuízo próprio, para que suas vidas sejam abençoadas. Isso é um sinal de que vencemos o abismo social.

Se estamos reconciliados com o mundo criado por Deus, exercemos nosso papel de cuidadores do jardim e a criação encontra em nossas vidas o lugar adequado: nem é destruída, nem adoradora, mas reconhecida como expressão do amor de Deus por nós. Isso é um sinal de que vencemos o abismo social.

18Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação,

Que o Senhor complete sua boa obra começada em nós de maneira que sejam embaixadores dele nas províncias rebeldes desse mundo, ministros da reconciliação, levando a maravilhosa proposta de paz que é o evangelho de Jesus Cristo, nosso salvador.