31 Dezembro 2006

Janelas de Mudança

Janelas

Ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela que fizera na arca (Gênesis 8:6)

Um tema que me chamou atenção essa semana diz respeito às janelas. Elas aparecem por toda a Bíblia. Foi por uma janela que Noé viu os primeiros raios de sol após um dilúvio de 40 dias

Ela (Raabe), então, os fez descer por uma corda pela janela, porque a casa em que residia estava sobre o muro da cidade. (Josué 2:15)

se, vindo nós à terra, não atares este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer; e se não recolheres em casa contigo teu pai, e tua mãe, e teus irmãos, e a toda a família de teu pai. (Josué 2:18)

Em uma janela os homens que estavam espionando a cidade de Jericó foram descidos por uma corda por Raabe. Nessa mesma janela Raabe prendeu um pano vermelho para que ela e sua família fossem poupados quando Josué chegasse

A mãe de Sísera olhava pela janela e exclamava pela grade: Por que tarda em vir o seu carro? Por que se demoram os passos dos seus cavalos? (Juízes 5:28)

Foi também por uma janela que a mãe de Sísera lamentou a demora do seu filho; sem saber que ele havia sido morto.

Então, Mical desceu Davi por uma janela; e ele se foi, fugiu e escapou. (I Samuel 19:12)

Ao entrar a arca do SENHOR na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo ao rei Davi, que ia saltando e dançando diante do SENHOR, o desprezou no seu coração. (II Samuel 6:16)

Perseguido por Saul, Davi fugiu por uma janela, ajudado por Mical sua esposa. Nessa mesma janela, Mical viu Davi saltando e dançando diante da arca do Senhor e fez pouco caso dele.

Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer. (Daniel 6:10)

Foi através de uma janela que os inimigos de Daniel o viram orando ao Senhor três vezes ao dia o denunciaram ao rei.

mas, num grande cesto, me (Paulo) desceram por uma janela da muralha abaixo, e assim me livrei das suas mãos.(II Coríntios 11:33)

O apóstolo Paulo conta que Damasco livrou-se de ser preso através de uma janela, por onde ele foi descido por um corda.

Um jovem, chamado Êutico, que estava sentado numa janela, adormecendo profundamente durante o prolongado discurso de Paulo, vencido pelo sono, caiu do terceiro andar abaixo e foi levantado morto. (Atos 20:9)

E por último, o inusitado caso de Êutico, um jovem que ouvia a pregação do apóstolo Paulo de uma janela no terceiro andar e lá por volta da meia noite dormiu, caiu da janela e morreu.

As janelas parecem não significar nada, mas fizeram parte das grandes narrativas da Bíblia, testemunha de muitos acontecimentos que marcaram o povo de Deus.

As janelas são curiosas, porque nos permitem olhar para além dos limites em que estamos, a enxergar tanto o mundo lá fora, quanto o interior de onde estamos e também de quem somos.

Outro tema que tem chamado a minha atenção é a Criação do universo. Porque Deus não criou o universo de uma vez só? Ele poderia, num estalar de dedos, fazer surgir tudo o que estava em sua mente. Sem “perda de tempo”, sem tem que esperar nada, bem ao gosto da nossa cultura fast food.

Ao invés disso, Ele que não está sujeito ao tempo, criou o mundo em etapas, em partes. Penso que há sabedoria nisso.

Ao criar o mundo em etapas, Deus que não teve começo nem fim e que encerrou sua criação sob o tempo nos deixou como legado começos, fins e recomeços. É mais ou menos assim: começa o primeiro dia... Termina o primeiro dia, começa o segundo dia... Termina o segundo dia e assim por diante. Todos eles com manhãs e tardes, que também começam e terminam. É assim no Gênesis, o livro dos começos.

Hoje mais um ano termina, mais um ano vai começar! E quando isso acontece, abre-se uma janela. Uma janela de mudança. Uma janela da qual todos precisamos desesperadamente e sem a qual a transformação que Deus deseja fazer em nós jamais acontecerá. Na verdade é graças aos fins e aos recomeços que podemos mudar a direção da vida.

Final de ano é sempre assim, cheio de promessas de coisas novas, e o desejo de recomeçar. Vou para de beber, vou parar de fumar, vou fazer exercício, vou estudar mais, vou quebrar o cartão de crédito, vou fazer as pazes com aquele parente chato, vou sair mais com os meus filhos, vou tentar mais uma vez salvar meu casamento, vou ler mais (um livro por mês), vou dizer um basta para os abusos do chefe, vou ter coragem para demitir o funcionário relapso... Enfim, esse ano vai ser diferente!

O início de 2007 abre à sua frente uma janela de mudança. O que você deseja mudar? O que você realmente gostaria que fosse diferente?

Hoje à noite, véspera de um novo ano, eu gostaria de lhe desafiar a mudar três coisas em sua vida. Não que o desejo de mudança que está agora em sua mente não seja legítimo e necessário. Mas eu quero lhe desafiar a aproveitar a janela de mudança que Deus tem colocado à sua frente nesse final e início de ano para mudar coisas essenciais:

(1) A maneira como você vê Deus;
(2) A imagem que você tem de si mesmo;
(3) A forma do seu relacionamento com Ele.

O ponto de partida é como você enxerga Deus. Como você o descreveria? A quem você o compararia?

Há pessoas que vêem Deus como um carrasco, pronto a desferir um castigo sobre suas vidas. Pra essas pessoas, Deus tem numa das mãos um caderneta onde Ele anota todos os nossos erros e na outra um chicote pronto a açoitar os pecadores.


Quem enxerga Deus dessa maneira, vê a si mesmo com um sofredor nas mãos de um Deus exigente, alguém que precisar se esforçar para pagar sua dívida com Deus afim de não ser castigado.

E quando essas são as imagens que temos de Deus e de nós mesmos, nosso relacionamento com Ele acontece na base do medo.

Há outras pessoas que vêem Deus como um Rei velhinho senil, de bengala na mão, esquecendo as coisas e sem capacidade para entender os problemas do (nosso) mundo. Para essas pessoas, Deus precisa ser ajudado, E precisa de conselho porque já não está assim com essa bola toda.


Quem olha para Deus e enxerga o Rei velhinho, (com poder, mas senil), olha pra si mesmo e vê um super-homem, uma super-mulher, capaz de solucionar os problemas do resto do mundo.

E aí é inevitável. Quando Deus é um rei senil e nós somos super-seres-humanos, nosso relacionamento com Ele é na base da manipulação.

Há pessoas que guardam em suas mentes a idéia de Deus como um criador relapso, que depois de criar abandonou sua criação à própria sorte. Um Deus displicente que não se importa com o sofrimento humano. Para essas pessoas, Deus não merece crédito.


Por isso, elas vêem a si mesmas como auto-suficientes e como perda de tempo voltar qualquer parte de suas vidas em direção a Deus.

São pessoas que se tornaram indiferentes em seu relacionamento com Deus: Ele não me incomoda e eu não o incomodo.

Como você vê Deus?
Como você vê a si mesmo?
Como você se relaciona com Deus?

Hoje, último dia do ano, abre-se uma janela de mudança pra você!

Para aproveitar essa janela de final de ano e mudar sua imagem a respeito de Deus, nada melhor que conhecer o que a Bíblia fala sobre Ele. A Bíblia está repleta de descrições a respeito de Deus e do seu caráter.

Ele é o Criador e também o noivo que ama sua noiva (a igreja); ele é um general na guerra e um Rei sobre o seu povo; Ele é juiz que julga com retidão e o pastor que cuida das ovelhas; Ele é protege como um escudo e sacia a sede como uma fonte de água. Ele é o agricultor que cuida da sua plantação

Jesus, no entanto, nos ensina que Deus é como um pai. Foi assim que ele nos ensinou a orar: Pai nosso que estás nos céus... Entre pais e filhos há um relacionamento indissolúvel. Um relacionamento de proximidade que nunca deixará de existir, aconteça o que acontecer.

Nossos pais talvez não foram exemplo em tudo, tiveram suas falhas; nós também não somos tão bons pais como gostaríamos. Por isso precisamos saber que tipo de pai é Deus.

Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso pai celeste sabe que necessitais de todas elas (Mateus 6:32)

Deus é um pai que conhece nossas necessidades. Ele não é um pai desligado, que precisa ser avisado todos os dias do que precisamos. Ele também sabe fazer a diferença entre o que precisamos e o que desejamos e não se deixa manipular.

Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso pai. (Lucas 6:36)

Deus não retribui na medida no nosso merecimento. Ele é misericordioso. Muita gente acha que tem recebido de Deus muito menos do que merece. A Bíblia diz que temos recebido muito mais, porque o justo pagamento pelo nosso pecado seria a separação eterna de Deus. Em vez disso ele nos oferece vida

Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. (João 4:23)

Deus se agrada com adoração de verdade. Não é apenas cantar, tocar um instrumento ou levantar as mãos (isso também!), mas, sobretudo viver vida digna, honesta e condizente com o caráter de Cristo.

Porque assim como o pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. (João 5:26)

Deus não depende da sua criação. Ele é a fonte da vida. Deus existe independente da nossa existência. Porque Ele é Deus de todo o universo, não apenas da raça humana. Toda a existência, toda a vida emana dele. Isso quer dizer que fora dele só há morte. Mais perto de Deus, mais vida; longe de Deus, morte.

De fato, a vontade de meu pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6:40)

Deus não tem prazer em ficar longe da sua criação. A vontade dele é que todos vivam ao seu lado e sejam salvos da morte. O caminho para isso é a fé no Filho de Deus.

Na casa de meu pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. (João 14:2)

Deus é um pai provedor. Ele tem casa preparada para todos. Não é conto de fada, não é mitologia, nem conversa pra boi dormir. Não depende de mim, nem de você acreditar. Mas a verdade é que Deus tem lugar preparado para todos os que o amam e o buscam.

(6) porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. (7) É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? (Hebreus 12:6 – 7)

Deus não deixa seus filhos sem correção. Deus nunca se deixou levar pela psicologia que afirmava não haver necessidade de disciplinar os filhos. Ele sempre fez e ainda faz isso. Sua disciplina nasce do seu amor por nós. Ainda que cause dor e tristeza por um momento, Ele nos corrige para que o caráter de Cristo seja formado em nós.

Bendito seja o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! (II Coríntios 1:3)

Ele é o Deus que consola. Carrascos não consolam, reis senis não consolam, criadores relapsos não consolam. Mas o Pai Amoroso consola. Seu Espírito é chamado de Consolador, porque ele tem prazer em vir ao encontro dos nossos medos e inquietações.

Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso pai celeste. (Mateus 5:48)

Ele não é como os nossos pais foram, nem tampouco como nós somos. Ele é perfeito. Por isso podemos confiar!

Com quem é a sua comunhão? É com o Deus da Bíblia? Hoje muitas pessoas têm inventado seu próprio Deus. Digo inventado porque falam de um Deus diferente do Deus da Bíblia.

O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o pai e com seu Filho, Jesus Cristo. (I João 1:3)

Para ver a Deus como esse pai amoroso, é preciso chegar-se a Ele através de Jesus Cristo, por isso muitos não conhecem o Deus da Bíblia como Pai: porque não têm comunhão com o Filho.

Quando Deus é carrasco, nós somos vítimas; quando Deus é um rei senil, nós é que somos os conselheiros dele; quando Deus é um criador relapso, nós criatura abandonadas; mas quando Deus é pai amoroso, nós somos filhos amados. É isso que a Bíblia diz sobre Deus e sobre todos os que um dia compreenderam a terrível situação do ser humano sem Deus e correram para os braços de Cristo.

Quando Deus é pai amoroso e nós filhos amados, nosso relacionamento com Ele passa a ser de confiança. Sabemos que ele nunca nos abandonará e que deseja nos dar vida abundante, agora e por toda eternidade.

Hoje é dia de aproveitar a janela de mudança. É dia de mudar seus conceitos sobre Deus, sobre você mesmo, e sobre seu relacionamento com Ele. Em 2007, aceite o desafio de aprender na prática, no seu viver diário, sobre o caráter do Deus da Bíblia. Reconheça o grande amor dele revelado em Jesus Cristo e confie. Como uma criança que pula sem medo para os braços do pai, entregue cada dia desse novo ano aos cuidados do Pai. Ele não vai decepcioná-lo.

24 Dezembro 2006

Sete Pecados Capitais - Preguiça

Nossa reflexão hoje será sobre a preguiça, o quarto dos sete pecados capitais. A preguiça é um pecado de omissão. Quando o assunto é preguiça não há uma atitude negativa, mas sim a ausência de atitudes positivas.

Os pecados sobre os quais estamos refletindo são chamados capitais porque abrem portais para que a alma humana demonstre seu afastamento de Deus. Pecados que, por assim dizer, chamam outros pecados e lhe dão vez e voz. Para esses pecados capitais temos encontrado nas Escrituras, tanto nas bem-aventuranças quanto na oração modelo de Jesus, os recursos que nos auxiliam a permanecer longe deles e próximos da graça de Deus.

Sob esse aspecto, a preguiça como a conhecemos não parece ser tão capital assim. Hoje em dia, na verdade, ela se tornou até simpática, desejada por quase todo mundo e alvo de inúmeras campanhas publicitárias. Preguiça, espreguiçar, espreguiçadeira, chinelo de dedo, férias, sono, descanso, o que há de mal nisso? Será que a preguiça é algo tão sério assim, que mereça ser considerada um pecado capital?

O que a preguiça não é

A preguiça listada como um dos sete pecados capitais precisa ser melhor definida para que compreendamos sua seriedade. Ela é muito mais que falta do que fazer, indolência ou letargia, embora essas atitudes acompanhem muitos preguiçoso. A preguiça dos sete pecados capitais também não é a desocupação nem a despreocupação (que em excesso torna a pessoa relapsa). Além disso, preguiça não é depressão, embora a tristeza profunda possa ter origem nesse pecado capital.

O que a preguiça é

A preguiça, que era descrita nas primeiras relações dos pecados capitais como acídia, é uma condição de desânimo espiritual explícito de quem desistiu de buscar a Deus, ao bom e ao belo.

Acídia é uma lassidão de espírito, de sentimento, e também de corpo, um desânimo em relação ao valor das coisas concernentes a Deus. É a desistência de investigar e de compreender sobre as coisas que dizem respeito ao espírito.

Os cristãos da idade média falavam da preguiça como “o demônio do meio-dia”. É aquele tipo de tédio, de tristeza que assola a alma humana em plena luz do dia. Hoje, usamos expressões como “falta de interesse pela vida”, “desesperança”, “paralisia da vontade” e “tédio indiferente”.

Essa tristeza, chamada acídia, e apelidada de preguiça, assola a vida daqueles que, ao se depararem com as coisas relativas ao Espírito e constatarem sua grandeza ficam paralisados e se enchem de medo. São pessoas que têm medo de que algo muito bom lhes aconteça. A acídia é uma espécie de humildade corrompida, que desacredita da vontade de Deus em nos fazer o bem porque não reconhece em Deus o Bem Supremo.

(19) Então, partimos de Horebe e caminhamos por todo aquele grande e terrível deserto que vistes, pelo caminho da região montanhosa dos amorreus, como o SENHOR, nosso Deus, nos ordenara; e chegamos a Cades-Barnéia. (20) Então, eu vos disse: tendes chegado à região montanhosa dos amorreus, que o SENHOR, nosso Deus, nos dá. (21) Eis que o SENHOR, teu Deus, te colocou esta terra diante de ti. Sobe, possui-a, como te falou o SENHOR, Deus de teus pais: Não temas e não te assustes. (22) Então, todos vós vos chegastes a mim e dissestes: Mandemos homens adiante de nós, para que nos espiem a terra e nos digam por que caminho devemos subir e a que cidades devemos ir. (23) Isto me pareceu bem; de maneira que tomei, dentre vós, doze homens, de cada tribo um homem. (24) E foram-se, e subiram à região montanhosa, e, espiando a terra, vieram até o vale de Escol, (25) e tomaram do fruto da terra nas mãos, e no-lo trouxeram, e nos informaram, dizendo: É terra boa que nos dá o SENHOR, nosso Deus. (26) Porém vós não quisestes subir, mas fostes rebeldes à ordem do SENHOR, vosso Deus. (27) Murmurastes nas vossas tendas e dissestes: Tem o SENHOR contra nós ódio; por isso, nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus e destruir-nos. (28) Para onde subiremos? Nossos irmãos fizeram com que se derretesse o nosso coração, dizendo: Maior e mais alto do que nós é este povo; as cidades são grandes e fortificadas até aos céus. Também vimos ali os filhos dos anaquins. (29) Então, eu vos disse: não vos espanteis, nem os temais. (30) O SENHOR, vosso Deus, que vai adiante de vós, ele pelejará por vós, segundo tudo o que fez conosco, diante de vossos olhos, no Egito, (31) como também no deserto, onde vistes que o SENHOR, vosso Deus, nele vos levou, como um homem leva a seu filho, por todo o caminho pelo qual andastes, até chegardes a este lugar. (32) Mas nem por isso crestes no SENHOR, vosso Deus, (33) que foi adiante de vós por todo o caminho, para vos procurar o lugar onde deveríeis acampar; de noite, no fogo, para vos mostrar o caminho por onde havíeis de andar, e, de dia, na nuvem. (34) Tendo, pois, ouvido o SENHOR as vossas palavras, indignou-se e jurou, dizendo: (35) Certamente, nenhum dos homens desta maligna geração verá a boa terra que jurei dar a vossos pais, (36) salvo Calebe, filho de Jefoné; ele a verá, e a terra que pisou darei a ele e a seus filhos, porquanto perseverou em seguir ao SENHOR. (Deuteronômio 1:19-36)

Tem o SENHOR contra nós ódio; por isso, nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus e destruir-nos.

É assim que você olha para vida? É assim que você olha para Deus? É difícil para você acreditar que o Senhor lhe deseja coisas boas? Você está sempre tentando escapar Dele como um pequeno inseto tentando não ser destruído? É provável que você não conheça bem Deus criador do universo! Porque o medo nasce e cresce no vazio do desconhecimento, da falta de intimidade.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Éfeso, revela seu desejo intenso de que os irmãos daquela cidade tivessem prazer em investigar e conhecer o amor de Deus revelado em Cristo Jesus. O resultado dessa aventura de investigação sobre o amor de Deus é sermos tomados da Sua plenitude, isto é enxergarmos o sentido da vida assim como Ele a vê.

(14) Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, (15) de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, (16) para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; (17) e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, (18) a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade (19) e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. (Efésios 3:14-19)

Sabemos que nossos recursos interiores são escassos e pouco eficazes para dar sentido à existência porque sabemos por experiência própria que em nós mesmos não há bem algum. Se, além disso, rejeitamos a graça e o amor de Deus, como fez o povo de Israel ali no deserto, rejeitamos o próprio Deus como o Bem supremo, O resultado é tristeza profunda e a perda do gosto pela vida que consome os que sofrem com a preguiça.

A gravidade da acídia está exatamente na apatia diante da graça de Deus e na rejeição ao projeto de Deus para a vida. Ao rejeitar o Senhor como o Sumo Bem, a pessoa dominada pela acídia é como alguém no 20° andar de um prédio em chamas que tranca a porta do apartamento, impedindo os bombeiros de salvá-lo, joga as chaves pela janela e senta no sofá da sala se lamentando do calor e da fumaça.

Deus não nos criou para a tristeza

John Piper, escritor e teólogo cristão, publicou um livro chamado Teologia da Alegria. Nesse livro, ele procura demonstrar que Deus nos criou para o prazer e a alegria, não para a tristeza e a depressão. Ele nos fez em condições de usufruirmos dessa felicidade plena que está reservada para aqueles que a buscam nele mesmo, que é o Bem Supremo. Deus é a expressão máxima de alegria e satisfação e nos fomos criados com um dispositivo que nos induz a buscar essa plena realização.

É por isso que Gregório Magno, em suas reflexões sobre a acídia, afirma que “ninguém pode permanecer por muito tempo em tristeza, sem prazer”. É por isso também que a acídia trás consigo o desespero: Desespero de livrar-se da tristeza e encontrar alegria e significado para a vida.

Naturalmente, nós nos afastamos daquilo que nos entristece e buscamos aquilo que nos alegra. E quando nada relativo a Deus nos agrada, acabamos por buscar alegria, satisfação e prazer em qualquer outra coisa, ainda que essas coisas ofereçam apenas pequenas doses de alegria, uma satisfação de curta duração.

A acídia então faz dois convites àqueles que se tornam indiferentes à Graça de Deus: o primeiro é um convite ao torpor e à pusilanimidade; o outro, ao ativismo e à inquietação.

Torpor e pusilanimidade são o lado mais conhecido da preguiça. Sem ver sentido nem direção para a vida, o preguiçoso se abandona, pratica uma espécie de suicídio da alma. O escritor de Provérbios faz uma verdadeira ressonância magnética do torpor que toma conta do homem dominado pela acídia.

O preguiçoso não lavra por causa do inverno, pelo que, na sega, procura e nada encontra. (Provérbios 20:4)

O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar. (Provérbios 21:25)

(13) Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho; um leão está nas ruas. (14) Como a porta se revolve nos seus gonzos, assim, o preguiçoso, no seu leito. (15) O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar à boca. (16) Mais sábio é o preguiçoso a seus próprios olhos do que sete homens que sabem responder bem. (Provérbios 26:13-16)

(6) Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. (7) Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, (8) no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento. (9) Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? (10) Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, (11) assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado. (Provérbios 6:6-11).

Em nossos dias o torpor provocado pela acídia é cantado em verso e prosa e louvado pelos círculos culturais como uma expressão de vida legítima e satisfatória.

Zeca Pagodinho canta um refrão muito conhecido da composição de Serginho Meriti, que tem se tornado o hino de uma geração “Deixa a vida me levar (vida leva eu)”. O restante da letra (que ninguém sabe nem canta) é até interessante, mas o refrão, cantado em mesas de bar e treinamentos de recursos humanos, é um convite ao torpor e ao abandono de si mesmo.

Expressões do tipo “tô nem aí”, “pra mim tanto faz”, “e eu com isso” revelam a indiferença de gerações que não se importam com nada. Vivem numa preguiça monótona e desinteressada, desapaixonada, que não têm valores pelos quais lutar.

Soren Keirkegaard, foi um dos principais filósofos e pensadores cristãos do século XX. Refletindo sobre a cultura do final do seu século, ele afirma o seguinte:

“Que outros se queixem da perversidade de nossa era; minha queixa é apenas essa: ela é desgraçada, pois lhe falta paixão.”

Meu irmão, se a sua vida tem sido marcada pela apatia, reconheça hoje que o Senhor lhe chama a reconhecer o seu pecado, a abandonar a preguiça que rejeita o Bem Supremo e a arriscar-se na aventura de viver intensamente sua caminhada cristã. Você precisa restaurar sua confiança no amor e na bondade do Senhor. Ouça o que diz a palavra de Deus:

(1) Antigamente, por terem desobedecido a Deus e por terem cometido pecados, vocês estavam espiritualmente mortos. (2) Naquele tempo vocês seguiam o mau caminho deste mundo e faziam a vontade daquele que governa os poderes espirituais do espaço, o espírito que agora controla os que desobedecem a Deus. (3) De fato, todos nós éramos como eles e vivíamos de acordo com a nossa natureza humana, fazendo o que o nosso corpo e a nossa mente queriam. Assim, porque somos seres humanos como os outros, nós também estávamos destinados a sofrer o castigo de Deus. (4) Mas a misericórdia de Deus é muito grande, e o seu amor por nós é tanto, (5) que, quando estávamos espiritualmente mortos por causa da nossa desobediência, ele nos trouxe para a vida que temos em união com Cristo. Pela graça de Deus vocês são salvos. (6) Por estarmos unidos com Cristo Jesus, Deus nos ressuscitou com ele para reinarmos com ele no mundo celestial. (7) Deus fez isso para mostrar, em todos os tempos do futuro, a imensa grandeza da sua graça, que é nossa por meio do amor que ele nos mostrou por meio de Cristo Jesus. (Efésios 2:1-7 NTLH).

Ativismo e inquietação são o lado menos conhecido da acídia. Pode parecer estranho, mas uma das formas pelas quais a preguiça se expressa é através do ativismo. É quando se tenta desesperadamente preencher o vazio da alma e a ausência do Bem Supremo por todo e qualquer tipo de prazer.

É como se outro homem, também dominado pela acídia e descrente sobre a bondade de Deus, no 20° andar do mesmo prédio em chamas, decidisse gastar os poucos minutos que lhe restam em uma busca desesperada por satisfação, em vez de buscar salvação para sua vida

É quando a tristeza da alma busca alegria na droga, no álcool, no tranqüilizante, na posse de bens, no trabalho em excesso, no jogo, no consumismo, no sexo desregrado, na adrenalida do perigo, ou em qualquer outro tobogã de compulsão.

Ativismo e inquietação não são antídotos contra a preguiça, como pregam alguns; São um jeito culturalmente aceito (até desejável por alguns) de expressar a tristeza pela falta de sentido de nossas vidas.

Você pode pensar que é um absurdo o que eu estou dizendo: todo mundo corre, se esforça, se priva da família por um tempo e faz sacrifícios enormes para alcançar realização profissional e pessoal. Será que não vale a pena?

Será que é o sucesso, o conforto e o bem-estar que teremos no futuro não justificam trabalhar desesperadamente hoje? Será que o reconhecimento e o status não são um bom motivo para a ansiedade que consome as almas em nossa sociedade?

Há um personagem da Bíblia que experimentou tudo que era possível em termo de prazer, realizou tudo que alguém poderia desejar, possuiu tudo o que desejou o seu coração. Vamos ver o que ele diz sobre isso.

(4) Empreendi grandes obras; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. (5) Fiz jardins e pomares para mim e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. (6) Fiz para mim açudes, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores. (7) Comprei servos e servas e tive servos nascidos em casa; também possuí bois e ovelhas, mais do que possuíram todos os que antes de mim viveram em Jerusalém. (8) Amontoei também para mim prata e ouro e tesouros de reis e de províncias; provi-me de cantores e cantoras e das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres. (9) Engrandeci-me e sobrepujei a todos os que viveram antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria. (10) Tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas. (11) Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol. (12) Então, passei a considerar a sabedoria, e a loucura, e a estultícia. Que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram. (13) Então, vi que a sabedoria é mais proveitosa do que a estultícia, quanto a luz traz mais proveito do que as trevas. (14) Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o estulto anda em trevas; contudo, entendi que o mesmo lhes sucede a ambos. (15) Pelo que disse eu comigo: como acontece ao estulto, assim me sucede a mim; por que, pois, busquei eu mais a sabedoria? Então, disse a mim mesmo que também isso era vaidade. (16) Pois, tanto do sábio como do estulto, a memória não durará para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah! Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto! (17) Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento. (18) Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a quem viesse depois de mim. (19) E quem pode dizer se será sábio ou estulto? Contudo, ele terá domínio sobre todo o ganho das minhas fadigas e sabedoria debaixo do sol; também isto é vaidade. (20) Então, me empenhei por que o coração se desesperasse de todo trabalho com que me afadigara debaixo do sol. (Eclesiastes 2:4-20)

O que fazer com os valores de um mundo caótico que não teme ao Senhor e nos apresenta prazeres mil em substituição ao Bem Supremo? Como lidar com a tentação de abandonar a Graça de Deus e virar as costas às coisas relativas ao Espírito? Como reagir quando somos chamados a desmanchar nossas próprias vidas em busca de alegria como quem risca com um giz no asfalto da rua até que ele se acabe?

(3-5) Se alguém vier ensinar qualquer doutrina falsa, e se não segue este ensino que é baseado nas salutares palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e na doutrina que é o alicerce de uma vida com Deus, então é porque é soberbo. São pessoas vítimas da ignorância; não fazem mais do que delirar sobre questões inúteis, provocando batalhas de palavras, que provocam invejas, discórdias, difamações e calúnias. São disputas entre gente de entendimento corrompido, fugindo à verdade, pensando que o caminho cristão poderia ser um meio de obter lucros.

(6) Contudo, a verdadeira religião traz satisfação e é uma grande riqueza. (7) Porque nada trouxemos para este mundo, e é evidente que nada levaremos dele. (8) Por isso, estejamos satisfeitos se tivermos alimento e roupa para nos vestirmos.

(9) Mas aqueles que querem a todo o custo enriquecer, sujeitam-se às armadilhas do pecado e às solicitações para o mal; tornam-se vítimas de paixões tão loucas como prejudiciais, e que sempre precipitam as pessoas na ruína e na perdição. (10) O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e por causa disso já muitos se desviaram do caminho da fé, criando assim nas suas vidas muitas aflições e sofrimentos.

(11) Mas tu, que és um homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, o caminho de Deus, a vida da fé, o amor cristão; aprende a ser perseverante e bondoso. (12) Empenha-te a fundo no combate da fé, vive plenamente a posse da vida eterna. É para isso que Deus te convoca.

(17) Diz aos ricos deste mundo que não sejam altivos, que não ponham a sua esperança nas riquezas, que são coisas instáveis, mas que ponham a sua confiança no Deus vivo, que nos dá generosamente tudo, para a nossa satisfação. (18) Que pratiquem antes o bem, que enriqueçam, mas em obras de justiça, que aceitem de boa vontade repartir com os necessitados os ganhos de que beneficiam; que sejam generosos. (19) Ao fazer isto, eles estarão a armazenar o seu tesouro como uma boa garantia para o futuro a fim de poderem alcançar a vida real. (1 timóteo 6:3-19)

Um chamado de Deus

Meu irmão, a palavra de Deus lhe chama hoje a tomar uma decisão. Ela lhe desafia a acolher ao Senhor e rejeitar a acídia e a preguiça!

(A) O Senhor lhe chama a rejeitar o torpor. O Senhor lhe chama a levantar-se do seu sono, a pôr-se sobre os seu pés com coragem e confiar na bondade Dele. O Senhor lhe diz hoje:

(11) Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. (12) Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. (13) Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. (14) Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte; Jeremias 29:11-14

(B) O Senhor lhe chama a rejeitar o ativismo. O Senhor lhe chama a dobrar os seus joelhos e descansar na soberania dele sobre a sua vida. O Senhor lhe diz hoje:

(31) Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? (32) Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; (33) buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

(34) Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (Mateus 6:31-34)

17 Dezembro 2006

Sete Pecados Capitais - Avareza

Introdução

Hoje, chegamos ao quinto dos sete pecados capitais: avareza. Também conhecida como ganância e cobiça.

Mesquinho, miserável, pão-duro, sovina, unha-de-fome, mão-de-vaca... O avarento é aquele que se deixou dominar pela cobiça, que desenvolveu um apego sórdido ao dinheiro, às riquezas e aos bens; que se entregou ao desejo desordenado de possuir e acumular.

A parte mais sensível do corpo de avarento é o bolso, ou a bolsa, principalmente se for para tirar algo. Diz a piada que ele é capaz de atravessar um rio a nado e entregar um sonrisal intacto na outra margem.

O avarento sofre pra tirar uns trocados do banco: é como se ele estivesse perdendo uma parte de si mesmo; também não gosta muito de festa, principalmente aquelas em que se leva um presente: o avarento não consegue lidar bem com a idéia de presentear, de dar algo sem esperar nada em troca. Retribuir é também uma atitude acima da sua capacidade.


Mas se a festa for uma boca-livre, ele vai sem cerimônia.

O avarento fica constrangido na hora de rachar a conta do restaurante, porque tem a sensação de que os outros estão levando vantagem na divisão. Normalmente, mesmo em excelente situação financeira, o avarento vive se queixando e se lamentando dos apertos da vida, como uma espécie de precaução contra algum pedido de ajuda.

Ele não consegue ver ninguém que realmente precise da sua ajuda, e quando ele percebe a necessidade evita a todo custo a frase “posso lhe ajudar em alguma coisa?”.

O avarento conhece bem os verbos somar e multiplicar, ele odeia o subtrair e sente-se roubado com o dividir. A sua maior preocupação não é com o dinheiro que ganha, mas com o dinheiro que guarda. Ele se agarra a sua poupança como um náufrago a um pedaço de tábua.

Um personagem das histórias em quadrinhos que personificou a avareza como poucos foi o Tio Patinhas, criado por Carl Barks nos estúdios Disney em 1947. Dono de uma fortuna quaquilhonária, o velho muquirana, o pato mais rico de patópolis, ama o dinheiro acima de todas as coisas.

As histórias do Tio Patinhas foram lidas durante décadas em todo o mundo. Em quase todas as revistas ele aparecia dentro de uma caixa forte (um grande cofre) mergulhando em seu dinheiro com enorme satisfação. O velho pato vivia inúmeras aventuras tentando proteger suas fortuna dos ladrões e tinha pouca habilidade para lidar com sua família, que sempre era considerada uma ameaça ao seu dinheiro.

Na década de 80, a novela “Amor com amor se paga”, produzida pela Rede Globo, apresentou ao grande público o personagem “Nonô Correa”, interpretado por Ary Fontoura.

Seu Nonô era um homem rico que vivia na pequena Monte Santo como se fosse muito pobre. Ele era um completo pão-duro. Trancava a geladeira com cadeados, desligava a luz de casa algumas vezes por semana e despejava sua avareza compulsiva até mesmo nos filhos: na sua casa era proibido repetir pratos às refeições e sua maior preocupação, na vida, era fazer economia.

Tio Patinha e seu Nonô foram personagem muito divertidos que provocaram muitas risadas. Mas a avareza não tem nada de engraçado, é um pecado que destroi. Aliás, essa é a tônica em nossos dias: tornar tudo uma grande diversão, inclusive o pecado.

Hoje à noite no programa Fantástico, todo o Brasil vai assistir como são divertidos os Pecados Capitais. Sentados em suas poltronas, milhões de brasileiros vão dar risadas assistindo situações engraçadas que nos induzem a pensar que o pecado também é assim: uma coisa engraçada e divertida sobre a qual não vale a pena esquentar a cabeça.

O profeta Isaías também viveu em uma época parecida com a nossa, em que os valores morais eram propositadamente invertidos com o objetivo de amenizar a consciência do pecado. Veja o que ele diz:

Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito! (Isaías 5:20,21)


A palavra avaro, em sua origem latina, significa ávido por cobre. No grego, a palavra usada por Jesus e pelos apóstolos é Pleonexia, que significa uma implacável presunção de que as pessoas e as coisas, enfim todo o mundo, existe para o benefício próprio do avarento.

Desligado de Deus, o avarento perde sua própria identidade, como criatura, feita à imagem e semelhança do Criador e por Ele amada. Por isso sente-se inseguro e tenta encontrar segurança no possuir, o acumular.

O avarento, o ganancioso, aquele que se deixar dominar pela cobiça no fundo está tentando substituir o Deus criador pelo dinheiro e as riquezas. Em vez de relacionar-se com Deus e encontrar segurança na submissão ao Criador, ele prefere buscar segurança no dinheiro e nas posses; afinal o Dinheiro não tem opinião sobre sua vida e aparentemente pode ser controlado.

Aqui há uma questão muito importante: quando o Senhor é substituído em nossas vidas por qualquer outra coisa ou pessoas o nome disso é idolatria. É assim que a bíblia considera o avarento: um idólatra.


(1) Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. (2) Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; (3) porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.
(4) Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória. (5) Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; (6) por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]. (Colossenses 3:1-6 ARA)

(1) Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; (2) e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave. (3) Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos (4) nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. (5) Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. (Efésios 5:1-5)

Não há segurança que satisfaça o anseio da alma humana, senão a presença de Deus e segurança do seu amor por nós revelado em Jesus Cristo, por isso, “na avareza, a posse das coisas não faz cessar a necessidade que sentimos delas... na verdade nem a diminui... o avarento caminha sempre na direção da ansiedade.”

Vazio de Deus, a posse não satisfaz o avarento, por isso a preocupação de possuir e acumular não o abandona. A isso se junta o medo de perder o que já acumulou e o pavor de não conseguir continuar juntando. A avareza então aprisiona a pessoa que se torna não mais possuidora da riqueza, mas possuída por ela. Por isso o escritor de provérbio afirma:

Tais são as veredas de todo aquele que se entrega à cobiça; ela tira a vida dos que a possuem. (Provérbios 1:19)

Avareza na Bíblia

(A) O conselho de Jetro

Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez; (Êxodo 18:21)


Investido na posição de juiz, Moisés estava sobrecarregado com as demandas do povo. Era muita gente, muito egoísmo e todo mundo achava que tinha direito. Ninguém era capaz de abrir mão de abrir mão de um direito seu como forma de promover a paz; e muito menos de reconhecer que estava errado e com medo de levar um prejuízo pra casa. (parecido com aqueles encostadinhas no trânsito)

Moisés, então, passava o dia todo julgando as disputas entre eles e a fila nunca terminava. A situação ficou idêntica ao do judiciário no Brasil, onde milhares e milhares de processos estão empilhados nos tribunais aguardando julgamento.

Jetro, então, orienta seu genro Moisés a dividir a responsabilidade de julgar com outras pessoas. O destaque aqui é que essas pessoas deveriam aborrecer a avareza. Jetro estava reconhecendo que o amor ao dinheiro não pode ser conciliado com a autoridade sobre a vida de outras pessoas.

O avarento não consegue pensar no bem alheio, ou no direito de quem quer que sejam, senão o seu próprio desejo de ter mais e juntar mais. A avareza abre a porta para a traição, fraude, mentira, perjúrio, inquietude, violência e dureza de coração. Se ele estiver investido de autoridade, vai fazer o que for necessário em benefício próprio.



(1) Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniqüidade e maquinam o mal! À luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos. (2) Se cobiçam campos, os arrebatam; se casas, as tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança. (Miquéias 2:1-2 ARA)

(B) A vinha de Nabote

Nesse ponto vale a pena vermos a história do rei Acabe e como ele, dominado pela cobiça e pelo desejo de possuir, foi capaz de permitir uma série de crimes para conseguir aquilo que ele desejou.

(1-2) Nabote, um indivíduo de Jezreel, tinha uma vinha nos subúrbios da cidade, perto do palácio do rei Acabe. Um dia o rei propôs-lhe comprar-lhe aquele pedaço de terra. Quero fazer um jardim dessa terra, explicou-lhe, porque está junto ao palácio. Oferecia-lhe pagar em dinheiro ou por troca com outra vinha melhor. (3) Mas Nabote respondeu: Não, eu nunca poderia vender essa terra porque se trata de uma herança dos meus antepassados, já de há muitas gerações. Deus não mo permite. (4) Acabe foi para casa abatido e indignado. Não queria comer e meteu-se na cama, com a cara virada para a parede.

(5) Que desgosto tão grande é esse?, perguntou-lhe a mulher, Jezabel. Por que é que nem sequer queres comer?

(6) Pedi a Nabote que me vendesse a vinha, ou que ma trocasse, e recusou!, disse-lhe Acabe.

(7) Mas afinal, és tu ou não o rei de Israel? Trata mas é de te levantares, e de andares normalmente, porque eu me ocuparei desse assunto - eu hei-de obter essa vinha de Nabote!

(8-10) Jezabel pôs-se então a escrever uma série de cartas, em nome de Acabe, com o selo real, e endereçou-as aos líderes da cidade de Jezreel, onde vivia Nabote. Nelas dava a seguinte ordem: Façam uma proclamação por toda a cidade, para que a população jejue e ore. Convoquem Nabote, e arranjem dois marginais que o acusem de ter amaldiçoado Deus e o rei. Levem-no depois e executem-no.

(11-14) Os chefes municipais obedeceram àquelas instruções. Convocaram uma reunião, acarearam Nabote com dois meliantes, os quais, sendo gente sem consciência, o acusaram de ter amaldiçoado Deus e o rei. Nabote foi arrastado para fora da cidade e apedrejado até morrer. Depois, os líderes da cidade participaram a Jezabel que Nabote já estava morto. (15) Quando a rainha tomou conhecimento disso, falou a Acabe: Lembras-te da vinha que Nabote não te queria ceder? Pois bem, já poderás tê-la. O homem morreu!

(16) Então Acabe desceu para ir tomar posse da terra. (1 Reis 21:1-16 O Livro)


Quais são os princípios que você é capaz de negociar em prol da sua ganância? Até que ponto você é capaz de prejudicar o outro para acumular bens? Qual o espaço que a avareza ocupou em seu coração em busca de uma paz que só podemos encontrar em Deus?

Talvez você seja capaz de mentir, ou omitir. Talvez você venda o tempo em que deveria estar com família para acumular um pouco mais de bens... ou quem sabe você abre mão da compaixão pela necessitado para alcançar o supérfluo que o faz sentir-se melhor. A avareza embota a misericórdia e a compaixão.

Por causa de um terreno ao lado do palácio, para fazer um jardim, Acabe foi cúmplice de formação de quadrilha, perjúrio, corrupção da justiça, condenação com base em falso testemunho e usurpação dos bens da família de Nabote.

(C) Mica, Jônatas e a avareza

Uma outra história que mostra os danos da avareza e como ela é capaz de tomar conta de nossas vidas está registrada no livro de Juízes, capítulos 17 e 18.

Há uma frase que marca todo o livro dos juízes: Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto (Juízes 17:6).

Mica era um homem da região de Efraim e sua mãe provalvelmente era uma comerciante bastante próspera. Mica roubou do que sua mãe havia guardado cerca de 1.100 moedas de ouro, algo em torno de R$ 400.000,00. A mãe de Mica, sem saber que o filho havia roubado, lançou uma maldição sobre o ladrão. Mica, ficou com medo da maldição e confessou o roubo.



o qual disse a sua mãe: Os mil e cem siclos de prata que te foram tirados, por cuja causa deitavas maldições e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. (Juízes 17:2a ARA)

Depois de saber do roubo, a mãe de mica preocupa-se apenas com duas coisas: recuperar o dinheiro de desfazer a maldição. Veja que é assim que o avarento faz: fecha os olhos para os demais pecados para não perder o dinheiro, o objeto do seu amor (Juízes 17:2).

Então ela e o filho fizeram uma transação no mínimo estranha. O dinheiro roubado foi devolvido para mãe e seguida doado para filho usar na adoração a Deus. Mica então usou apenas uma parte do dinheiro já consagrado ao Senhor e depois devolveu o restante novamente para a mãe.


(2b) Então, lhe disse a mãe: Bendito do SENHOR seja meu filho! (3) Assim, restituiu os mil e cem siclos de prata a sua mãe, que disse: De minha mão dedico este dinheiro ao SENHOR para meu filho, para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição, de sorte que, agora, eu to devolvo. (4) Porém ele restituiu o dinheiro a sua mãe, que tomou duzentos siclos de prata e os deu ao ourives, o qual fez deles uma imagem de escultura e uma de fundição; e a imagem esteve em casa de Mica.

As vidas de Mica e sua mãe giravam em torno daquela pequena fortuna que ela havia acumulado. Tanto Mica quanto sua mãe eram incapazes de abrir mão do dinheiro. Mesmo depois de tê-lo consagrado ao Senhor, eles o tomaram de volta porque era ali onde estava a sua segurança, não no Senhor.

Onde está sua segurança? No carro, na casa, no apartamento quitado, na aposentaria, nos diplomas da universidade, no emprego, no sucesso da empresa? Se a nossa segurança não estiver no Senhor, seremos presas fáceis para a avareza. Precisamos dizer com o profeta Jeremias 16:19: Ó SENHOR, força minha, e fortaleza minha, e refúgio meu no dia da angústia.

Mesmo depois de mandar fazer imagens de escultura e fundição, Mica não se sentiu confiante. Faltava alguma coisa. Então chegou a sua casa um homem chamado Jônatas, que era da tribo dos levitas, natural da cidade de Belém e descendente de Moisés. Jônatas tinha ascendência nobre e aparentemente era uma pessoa respeitada no meio religioso.

Mica faz uma proposta de emprego para Jônatas: dez ciclos de prata por ano, vestuário e alimentação. Em troca, Jônatas seria seu sacerdote particular.


(9) Perguntou-lhe Mica: Donde vens? Ele lhe respondeu: Sou levita de Belém de Judá e vou ficar onde melhor me parecer. (10) Então, lhe disse Mica: Fica comigo e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez siclos de prata, o vestuário e o sustento. O levita entrou (11) e consentiu em ficar com aquele homem; e o moço lhe foi como um de seus filhos. (12) Consagrou Mica ao moço levita, que lhe passou a ser sacerdote; e ficou em casa de Mica.

Mica já não tinha mais qualquer escrúpulo. A questão agora era meramente financeira. Todo o povo de Israel sabia que o sacerdócio era exclusividade dos descendentes de Aarão. Era assim que Deus tinha ordenado. Mica, controlado pela avareza, usou os argumentos que lhe eram familiares para convencer Jônatas: dez siclos de prata, vestuário e o sustento, topa? É uma boa oferta!

Jônatas, o levita, gostou da idéia. Afinal agora ele seria um sacerdote. Recebeu as vestimentas e os utensílios religiosos que imitavam os do templo e foi consagrado sacerdote. Idolatria, desobediência a Deus, comércio da fé e avareza faziam parte daquela cena, mas ambos estavam satisfeitos. Mica inclusive chega a afirmar:

Então, disse Mica: Sei, agora, que o SENHOR me fará bem, porquanto tenho um levita por sacerdote. (Juízes 17:13)

Quando a avareza toma conta da vida, as pessoas perdem a noção do próprio pecado, porque o desejo de possuir e acumular se sobrepõe a todo o resto ao ponto de tudo o mais ser negociável. Então, a farsa e a falsidade ficam livres para ocupar espaço. Essa era também a queixa do profeta Jeremias:



(12) As suas casas passarão a outrem, os campos e também as mulheres, porque estenderei a mão contra os habitantes desta terra, diz o SENHOR, (13) porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. (14) Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. (15) Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o SENHOR. (Jeremias 6:12-15)

Qual é a parte da Palavra do Senhor que você tem deixado pra lá por causa da avareza do seu coração? Qual é a área da sua vida na qual você tem dito paz, paz, quando na verdade não há paz? Não podemos fazer com o povo exortado por Jeremias que de tanto conviver com o pecado perderam a sensibilidade e não mais se envergonhavam pela sua rebeldia e desobediência.

Como já vimos, a avareza não tem limites e nem se sacia. Jonâtas, o levita permitiu que a avareza de Mica tomasse conta do seu coração e fosse a motivação para a sua decisão. Ele se deixou corromper por causa da segurança que aquele emprego lhe dava.

Acontece que pouco tempo depois, alguns homens descendentes de Dã iam passando pela região onde ficavam a casa de Mica e descobriram que ali tinha um local de adoração, reconheceram Jônatas, o levita e viram que havia ali todo os apetrechos necessários para a realização do culto. Veja o que aconteceu (Juízes 18):

(3) Estando eles junto da casa de Mica, reconheceram a voz do moço, do levita; chegaram-se para lá e lhe disseram: Quem te trouxe para aqui? Que fazes aqui? E que é que tens aqui? (4) Ele respondeu: Assim e assim me fez Mica; pois me assalariou, e eu lhe sirvo de sacerdote.

(14) Os cinco homens que foram espiar a terra de Laís disseram a seus irmãos: Sabeis vós que, naquelas casas, há uma estola sacerdotal, e ídolos do lar, e uma imagem de escultura, e uma de fundição? Vede, pois, o que haveis de fazer.

(18) Entrando eles, pois, na casa de Mica e tomando a imagem de escultura, a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de fundição, disse-lhes o sacerdote: Que estais fazendo? (19) Eles lhe disseram: Cala-te, e põe a mão na boca, e vem conosco, e sê-nos por pai e sacerdote. Ser-te-á melhor seres sacerdote da casa de um só homem do que seres sacerdote de uma tribo e de uma família em Israel? (20) Então, se alegrou o coração do sacerdote, tomou a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de escultura e entrou no meio do povo. (Juízes 18:3,4,14, 18-20)

Corrompido pela avareza, Jônatas agora estava pronto para trair Mica e ser cúmplice no roubo dos ídolos e das roupas sacerdotais por um pouco mais de dinheiro e prestígio. A medida do ter nunca enche, porque o coração precisa é de Deus, não de coisas.

(D) Jesus e a avareza

O Senhor Jesus não tinha meias palavras sobre a avareza. Questionado pelos religiosos judeus porque seus discípulos não observavam a tradição de lavagem ritual de mão antes de comer ele disse o seguinte:

(20) E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. (21) Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, (22) a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. (23) Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem. (Marcos 7:20-23 ARA)

Certa vez, no meio de uma pregação, ele foi interrompido por homem que tinha uma disputa de herança com o seu irmão. Jesus aproveito o momento para revelar a avareza do coração daquele homem e para exortar os discípulo sobre a questão.

(13) Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança. (14) Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós? (15) Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele
possui. (Lucas 12:13 -14 ARA)

O contraponto da Avareza

Como viver cristianismo em um tempo que poderia muito bem ser chamada de “A era da Avareza”, na qual atitudes como colocar-se em primeiro lugar, buscar seus próprios interesses e lutar por seus objetivos tornaram-se um credo que atropela todos os demais princípios morais e éticos, e não podem ser contrariadas?

A Palavra de Deus nos chama à misericórdia e à generosidade. Bem aventurados os misericordiosos, porque eles alcançaram misericórdia.

(3) Não façam nada que seja motivado por revanche, nem que seja provocado por interesses pessoais. Mas sejam humildes: que cada um considere os outros superiores a si mesmo. (4) Não pensem unicamente nos vossos interesses, mas procurem também aquilo que interessa aos outros. (Filipenses 2:3-4 O Livro)

Como assim não procurar meus interesses? Como é possível para alguém deixar por um momento de cuidar das coisas que são importantes para si mesmo e cuidar do que é importante para os outros? Como alguém poderia sobreviver nesse nosso mundo considerando os outros superiores a si mesmos? Será que Deus nos chama para irracionalidade? Não, meus irmãos, O Senhor nos chama para confiarmos nele e no seu cuidado por nós.

Enquanto você se preocupa com aqueles que passam necessidade, o Senhor lhe dá suprimento de cada dia;

Enquanto você defende os direitos daqueles que não
tem como se defender, o Senhor cuida dos seus direitos;

Enquanto você se importa com aqueles que não têm saúde, o Senhor lhe sara e cura;

Enquanto você doa aqueles que padecem sem o básico, o Senhor multiplica os seus recursos;

Enquanto você entrega seu dinheiro e suas posses ao Senhor
e submete tudo ao senhorio Dele, você ganha autoridade, em nome de Jesus, sobre Mamom e seus poderes espirituais.

A simplicidade do evangelho de Jesus é submissão plena a Sua soberania sobre nossas vidas e a confiança irrestrita no seu amor e no seu cuidado por nós.

(22) A seguir, dirigiu-se Jesus a seus discípulos, dizendo: Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo
vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. (23) Porque a vida é mais do que o
alimento, e o corpo, mais do que as vestes. (24) Observai os corvos, os quais
não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os
sustenta. Quanto mais valeis do que as aves! (25) Qual de vós, por ansioso que
esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? (26) Se, portanto, nada
podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras?
(27) Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que
nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. (28) Ora, se
Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno,
quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé! (29) Não andeis, pois, a
indagar o que haveis de comer ou beber e não vos entregueis a inquietações.
(Lucas 12:21-29 ARA)

Que o nosso coração se encha de confiança na justiça e na bondade de Deus a ponto de entregarmos nossa vidas, todos os dias a Ele.